O beijo acalmou a alma de Taishou como um bálsamo refrescante. Seus olhos, que antes ardiam com fúria em um vermelho incandescente, agora estavam calmos e serenos. Ele olhou para Akane, seus rostos a apenas alguns centímetros de distância, e um silêncio ensurdecedor se instalou no armário. Com as mãos ainda segurando o rosto de Akane, Taishou estava pronto para dar o próximo passo, para intensificar a conexão que havia se formado entre eles. Mas, naquele instante, a porta do armário foi escancarada com violência, fazendo com que ambos caíssem no chão, atordoados pelo susto. O professor, com o rosto vermelho de raiva, gritou: "Mas que droga é essa? Por que vocês estavam aí dentro do armário? O que vocês dois estavam fazendo?" Akane, ainda atordoada pela queda, olhou rapidamente para Taishou, preocupada. O medo de que sua forma animalesca tivesse sido revelada a consumia, mas, para seu alívio, ele estava de volta à sua forma humana, intacto. Ela respirou fundo, aliviada, e se virou para o professor, que os encarava com uma mistura de confusão e fúria. "Foi o Kenji!", disse rapidamente, a primeira desculpa que lhe veio à mente. "Professor, você sabe como o Taishou vive sofrendo bullying daquele moleque perturbado do Kenji! Ele nos trancou dentro do armário e foi embora! Não é, Taishou?"
Akane lançou um olhar para Taishou, implorando que ele confirmasse sua história. Taishou, ainda abalado pelo beijo e pela queda, assentiu lentamente. "Sim, professor. Takahashi definitivamente me odeia." O professor franziu a testa, desconfiado. "Takahashi? Mas eu o vi indo embora não faz muito tempo, com a Fujioka!" Akane corou, nervosa. "Ele... Ele deve ter saído minutos depois do senhor chegar", gaguejou. O professor não parecia convencido, mas não tinha provas para refutar a história de Akane. "Bem", ele disse finalmente, "desapareçam da minha frente antes que eu ligue para os pais de vocês, adolescentes lotados de hormônios!" "S-Sim, Senhor!" Akane se curvou em respeito e pegou as mãos de Taishou rapidamente, correndo para fora daquele lugar o mais rápido possível. Seus corações batiam acelerados, ecoando em seus ouvidos como tambores de guerra. O sangue pulsava em suas veias, quente e frenético, como um rio em fúria. Assim que chegaram ao pátio do colégio, encostaram-se na parede de tijolos da escola, ofegantes, tentando recuperar o fôlego. Um calafrio percorreu a espinha de Akane, e um sorriso nervoso se formou em seus lábios. Ela se virou para Taishou, que a observava com uma expressão séria, ainda recuperando o fôlego. "Essa foi por muito pouco", disse, nervosa.
Taishou assentiu. Eles se olharam, e logo começaram a rir baixinho. A risada rapidamente se transformou em gargalhadas nervosas, ecoando pela noite. Mas, à medida que as risadas foram se dissipando, ambos trocaram olhares significativos. O ar fresco do início da noite carregava consigo um perfume terroso e úmido. "Vamos embora daqui", Akane finalmente quebrou o silêncio. Taishou concordou com a cabeça. Enquanto caminhavam lado a lado, em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos, as primeiras estrelas começaram a aparecer no céu, tímidas e hesitantes, como se pedissem permissão para iluminar a noite que se aproximava. A lua brilhava, tentando assumir seu papel de guardiã da noite. O beijo no armário ainda pairava no ar, uma lembrança quente e vibrante que coloria as bochechas de Akane com um leve rubor. Ela reviveu cada momento, desde o toque suave dos lábios de Taishou até a intensidade de seus olhos nos dela. Taishou, por sua vez, lutava contra uma mistura de emoções. A alegria do beijo se mesclava com a insegurança e o medo de ter se deixado levar pelas provocações de um adolescente idiota. O que significava aquilo? Como Akane e Kenji o fizeram perder o controle tão facilmente?
De repente, Taishou se aproximou, seus dedos hesitantes roçando os de Akane. Ela se virou para ele, os olhos arregalados de surpresa. Um sorriso tímido se formou nos lábios de Taishou, e ele entrelaçou seus dedos nos dela. Um calafrio percorreu a espinha de Akane. Ela olhou para baixo, envergonhada, mas não se afastou. O toque de Taishou era quente e reconfortante, como um abraço silencioso. Finalmente, ela quebrou o silêncio: "Por que você ainda continua a se disfarçar entre os humanos?" Taishou desviou o olhar, seus olhos se fixando nas casas iluminadas que passavam. "Eu quero... continuar a sentir o que é ser humano", ele disse baixinho. "Quero continuar a experimentar a vida como vocês a experimentam." Akane apertou sua mão. "E o que você está sentindo com essa experiência até agora?" Taishou permaneceu sério. "É... diferente do que eu imaginava. É mais complexo, mais intenso. E muito mais bonito." Eles caminharam em silêncio por mais alguns minutos, apreciando a companhia um do outro. A noite já havia tomado conta da cidade, e as estrelas brilhavam no céu escuro. Akane olhou para Taishou, a preocupação transparecendo em seu rosto. "Posso perguntar o que aconteceu? Por que você perdeu o controle da sua transformação?"
"Na realidade, eu não sei ao certo. Foi a primeira vez, em décadas, que eu me senti assim", admitiu Taishou, com um olhar distante. "Como você tem feito isso? Como conseguiu sobreviver por milhares de anos sem ninguém perceber?" A curiosidade de Akane a impulsionava a fazer perguntas. Taishou desviou o olhar e empurrou-a suavemente para o lado, mudando o rumo em direção à sua casa. "Eu vou te mostrar." Ele guiou Akane pelas ruas tranquilas da cidade, seus dedos entrelaçados como se estivessem unidos por um fio invisível. As mãos de Akane, delicadas e macias como pétalas de rosa, contrastavam com a pele áspera de Taishou, um contraste que, de certa forma, se completava. Ao chegarem à casa de Taishou, Akane não pôde deixar de sentir um certo desconforto. A construção genérica, sem nenhum toque pessoal, era como um reflexo da própria vida de Taishou: vazia e sem alma. As paredes brancas, desprovidas de qualquer cor ou decoração, transmitiam uma sensação de frieza e austeridade.
Taishou, alheio ao desconforto de Akane, pegou a chave e, com um gesto gentil, girou a maçaneta da porta. "Entre", disse, sua voz suave e rouca ecoando no vazio da casa. Akane hesitou por um momento, mas logo se obrigou a entrar. Seus passos hesitantes ecoavam no piso de madeira polida, enquanto seus olhos observavam cada canto da casa, buscando em vão por algo que a aquecesse. A casa modesta, envolta em penumbra, rangia sob o peso de séculos de segredos. Guiada por Taishou, Akane adentrou um labirinto de caixas empoeiradas, onde relíquias de tempos esquecidos jaziam em silêncio. Vasos ancestrais, estátuas de divindades pagãs e objetos de eras perdidas contavam histórias mudas, testemunhas de um passado insondável. Taishou, com a voz carregada de melancolia, confessou a Akane seu segredo: ele era imortal, ou pelo menos envelhecia de maneira diferente dos humanos. "Cem anos para mim equivalem a apenas um ano de vida humana. Para evitar ser descoberto, eu me mudava constantemente, assumindo novas identidades e deixando para trás minha antiga vida." Taishou olhou para Akane, seu olhar carregado de um cansaço milenar. "Vou fazer 1916 anos daqui alguns meses." Akane ficou perplexa e fascinada. "Uau... 1916 anos... Olhe para você! Tudo aquilo que você viu, tudo que você viveu... Você deve saber de tudo. É por isso que você sempre foi tão bom em história." Taishou pegou um vaso egípcio de dentro de uma caixa e acariciou-o com tristeza nos olhos. "Sim, eu sei bastante", ele murmurou, tocando o vaso com dedos trêmulos. "Vivi mais de mil anos, vi o nascimento e a queda de civilizações, o florescimento e a decadência de impérios."
Mas, à medida que falava, o semblante de Taishou se tornava cada vez mais sombrio. "Mas acredite, Akane, a eternidade não é uma bênção; é uma maldição." O sorriso de Akane se desfez ao perceber a tristeza em seus olhos. Um silêncio pesado se instalou entre eles, e Taishou começou a relaxar, permitindo que sua forma bestial tomasse o controle. Seus olhos vermelhos começaram a brilhar com uma chama de carmim intenso. De repente, tomado por um ímpeto de fúria, ele arremessou o vaso contra a parede, estilhaçando-o em mil pedaços. "Eu sei como é ficar sozinho!", ele gritou. "Você acha que isso é impressionante? Bom, eu não queria ser impressionante!" A voz de Taishou ecoava pelas paredes empoeiradas. "Eu me apaixonei, me casei, e a vi morrer. Seus ossos se transformaram em pó, sua língua se perdeu no tempo. E eu? Eu continuo aqui, condenado a vagar por este mundo, sozinho e amaldiçoado." Akane, atônita e comovida, se aproximou dele, hesitante. "Mas você é tão sábio, Taishou", ela sussurrou. "Você viu tanto, aprendeu tanto..."
"Sim", ele retrucou, amargura transparecendo em sua voz. "Eu vi e aprendi. Mas de que me vale isso? De que vale saber sobre o passado se não posso ter um futuro? De que vale ter vivido tanto se não posso compartilhar minha vida com ninguém?" Em meio à sua angústia, Taishou começou a murmurar palavras em línguas antigas, línguas mortas que ecoavam como fantasmas do passado, enquanto a tristeza tomava conta do ambiente, envolto em mistério e desespero. Akane, perplexa, não entendia o que ele dizia. "O que você está falando?" perguntou, com o coração apertado. Taishou, com a voz embargada pela emoção, traduziu suas palavras:
"Volui te similem esse," ele disse em latim. "Eu queria ser como você."
"Μισώ τη ζωή μου," ele continuou em grego. "Eu odeio a minha vida."
"Lo at/he mbin/he," ele pronunciou em aramaico. "Você não entende."
"Die Ewigkeit ist ein Fluch," finalizou em alemão. "A eternidade é uma maldição."
Com lágrimas nos olhos, Akane abraçou Taishou, oferecendo-lhe o conforto que ele tanto precisava. Naquele abraço, ela transmitiu a compreensão que ele tanto ansiava, a certeza de que, mesmo condenado à imortalidade, ele não estava sozinho. O abraço de Akane, carregado de compaixão e empatia, aqueceu o coração de Taishou. Contudo, a brasa de sua paranoia logo se reacendeu. Afastando-se dela com brusquidão, ele murmurou, sua voz carregada de angústia: "Eu... Eu fui tão idiota. Não deveria ter me revelado para você!" O medo consumia Taishou. A lembrança das perseguições, das fogueiras e das torturas que sofrera ao longo dos séculos o assombrava. Ele não podia se dar ao luxo de ser descoberto novamente. "Eu não posso correr o risco de ficar em perigo!" exclamou, sua voz tensa e rouca. "Quando se é quase queimado na fogueira, quando se é preso e torturado, você aprende a guardar algumas coisas para si mesmo." Taishou então revelou a Akane como arquitetava sua morte a cada mudança, criando uma nova identidade e reiniciando sua vida em outra cidade. Essa era a única maneira de se manter seguro, de evitar que a maldição da imortalidade o consumisse. Mas tudo mudou quando ele conheceu Akane. Seus olhos gentis, sua voz doce e seu sorriso radiante despertaram em Taishou sentimentos há muito esquecidos. Ela o lembrava de sua amada esposa, e isso o abalou profundamente.
"Eu já deveria ter ido embora desse lugar há muito tempo," disse ele, com a voz baixa e melancólica. "Já estou tempo demais aqui. Todos já perceberam que eu sou diferente." A paranoia de Taishou o dominava. Ele via em cada olhar, em cada palavra, em cada gesto, uma ameaça. A cada dia que passava, o medo de ser descoberto se intensificava. Akane, ainda hesitante, se aproximou de Taishou, seus dedos roçando levemente a manga de sua blusa. "Seu cheiro me mantém aqui," ele murmurou, sua voz carregada de saudade e angústia. Akane, com o coração apertado, completou a frase: "Meu cheiro é familiar para você." Uma súbita compreensão a invadiu. Seus olhos se encheram de tristeza enquanto encarava Taishou. "Eu sou... uma reencarnação da sua esposa morta, não sou?" Taishou ergueu a cabeça, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade dolorosa. "Sim, você é..." confirmou ele, sua voz baixa e rouca. "Você é simplesmente idêntica a ela. Seu cabelo, seus olhos, sua pele, sua voz, seu cheiro. Tudo em você é assustadoramente parecido com minha esposa."
Akane recuou um passo, a onda de emoções a deixando tonta. Ela nunca imaginou que algo assim fosse possível. Sentimentos conflitantes a invadiam: surpresa, medo, tristeza e, no fundo, uma estranha sensação de familiaridade. Taishou se aproximou dela, seus olhos fixos em seu rosto. "Eu não sei como isso é possível," disse ele, sua voz quase um sussurro. "Mas desde o momento em que te vi, senti como se estivesse reencontrando a minha amada." Akane não sabia o que dizer. Sentia-se dividida entre a dor da perda que Taishou estava sofrendo e a estranha conexão que sentia com ele. "Eu... não sei como lidar com isso," ela finalmente respondeu, a voz trêmula. "É como se... uma parte de você estivesse presa em mim." Taishou suspirou, o peso do passado carregando em seus ombros. "Você não precisa carregar meu fardo. Você merece um futuro, uma vida sem sombras do que eu fui." Mas, enquanto falava, seus olhos buscavam os dela, como se ele soubesse que havia algo mais entre eles. Um laço inexplicável que desafiava o tempo e a lógica. Akane sentiu uma onda de determinação. "Eu não vou fugir de você, Taishou. Se há uma conexão entre nós, eu quero entendê-la."
Ele hesitou, o olhar fixo no chão, lutando contra a tempestade de emoções que ameaçava dominá-lo. "Mas e se isso for perigoso? E se você acabar sofrendo por minha causa?" "Eu posso escolher isso," Akane afirmou, firme. "Se eu sou uma parte do seu passado, quero ser também parte do seu presente. Juntos, podemos enfrentar o que vem pela frente." Os olhos de Taishou brilharam com uma mistura de esperança e receio. "Você é mais corajosa do que imagina." "Eu não quero te pressionar," Taishou continuou, sua voz gentil e compreensiva. "Mas se você se sentir confortável, eu gostaria muito de pedir um favor." Akane hesitou por um momento. "C-como assim... Que favor?" Ela recuou alguns passos, sentindo a intensidade do olhar de Taishou sobre ela. Como era possível que ele fosse tão parecido com sua esposa? Taishou se inclinou para perto de Akane, colocando a mão em seu rosto. O toque dele era agradável e acolhedor. Ele sorriu para ela, fazendo uma pergunta sincera. "Você quer se deitar comigo?"
Akane arregalou os olhos com o pedido íntimo de Taishou. "Taishou, isso... Isso não está certo... Eu não sou sua esposa..." A tristeza na sua voz era palpável. Taishou parecia surpreso por Akane ter quebrado o clima entre eles. Por mais que ela dissesse que não era ela, sua aparência, cheiro e voz não deixavam dúvidas de que Akane era idêntica à sua amada. Para ele, isso era suficiente. "Você tem o cheiro dela... Tem a aparência... A voz... Para mim, isso já basta." Ele deu um passo em direção a Akane, sua presença intensa fazendo com que o ar ao redor deles parecesse eletrificado. "Depois que você me beijou hoje… meu desejo por você apenas aumentou ainda mais…" Ele se aproximou lentamente, encostando seu corpo na parede, acariciando seu rosto com suas garras afiadas. "Eu nunca fiz isso antes," Akane disse com a voz trêmula. "Eu prometo ser gentil," Taishou disse, enquanto suas mãos exploravam lentamente a barriga dela, subindo pelos seios. A intensidade em seus olhos ardia como uma chama, e ele a puxou para mais perto, quase a consumindo com seu olhar. Os lábios de Taishou estavam a apenas um centímetro dos dela, e Akane podia sentir o calor da respiração dele em seu rosto. "Não!" ela gritou, empurrando-o com firmeza. "Eu não quero isso."
Taishou ficou confuso. "Mas... Por quê?" perguntou ele, olhando-a nos olhos sem entender. "Achei que você… que… nós..." "Eu gosto de você," Akane interrompeu. "Mas também não quero ser uma substituta para a sua ex-mulher. Quero que você me ame, e me deseje por quem eu sou, e não por quem eu lembro." Taishou empalideceu. "Você não pode me usar como uma desculpa para transar só porque sente falta da sua ex. É errado e mancharia a memória dela..." Ele se afastou dela devagar. "Você está certa," disse ele com a voz falha. "Eu sinto muito." Ele se afastou, tentando respirar fundo. Estava perdendo o controle sob sua transformação de forma tão ridícula que nem mesmo ele entendia. Akane mexia com suas emoções de uma maneira que o deixava à beira do colapso. Ele se encostou na parede e respirou fundo, tentando se controlar. Akane levou as mãos ao peito, sua respiração descontrolada. O toque ardente de Taishou ainda estava em seu corpo. “Qual era o nome da sua esposa?" Akane perguntou, sua voz firme e decidida. Taishou olhou para ela confuso. “Para que você quer saber disso?” Ele encarou os olhos dela, um olhar de curiosidade e desconfiança. “Só… me responde.” Ela insistiu, a voz trêmula.
Taishou hesitou, mas finalmente disse: “Catarine…” Akane pensou por um momento e fez uma pergunta novamente. “Sobrenome?” Ele arqueou as sobrancelhas, estreitando os olhos. “Eu não acho que isso seja…” “Por favor, Taishou, é importante!” Ele suspirou e falou: “Sastre.” Akane guardou a informação com cuidado em sua mente. “O que você pretende fazer?” Ele a olhou com curiosidade e desconfiança. “Nada demais, eu prometo.” Akane se aproximou dele novamente. “Taishou… você quer ir ao festival amanhã comigo?” Taishou suspirou, coçando a cabeça, lutando internamente. “Eu não sei se é uma boa ideia, Akane. Eu… não sei direito o que está acontecendo comigo. Meu corpo… está reagindo mal aos meus sentimentos… e posso… me descontrolar facilmente na sua presença se algo acontecer.” Ele temia que sua forma bestial tomasse controle se suas emoções ficassem intensas. “Por favor,” Akane implorou, seus olhos brilhando. “Prometo que você vai se divertir muito! É o festival milenar da lua cheia! É um dos festivais mais bonitos que existem na nossa cidade.” Taishou pensou um pouco, mas finalmente concordou. “Está bem.” Akane comemorou, seu entusiasmo iluminando o ambiente. Ele caminhou até a porta e pegou um casaco para ela. “Vamos, já está tarde. Vou levá-la para casa.” Akane se assustou com a hora e olhou para o celular, percebendo que já eram 22:30. Ao ver algumas chamadas perdidas dos pais, começou a suar frio, sabendo que provavelmente receberia uma bronca daquelas.
"Eu... preciso ir," ela disse, a ansiedade aumentando. Taishou a observou, um misto de preocupação e compreensão em seu olhar. "Se precisar de mim, pode me chamar, Akane. Estarei por perto." Ela acenou, um sorriso tímido surgindo em seus lábios. "Obrigada, Taishou. Até amanhã." E assim, enquanto deixava a casa dele, Akane não podia deixar de sentir que, apesar dos desafios que ainda enfrentariam, havia um fio de esperança unindo seus destinos. A jornada que os aguardava prometia ser intensa, repleta de descobertas e talvez, um novo começo. Taishou acompanhou Akane até sua casa, o caminho iluminado apenas pela luz da lua crescente e pelos postes de rua. Um silêncio confortável pairava entre eles, seus dedos entrelaçados transmitindo uma intimidade que ainda não tinham nome. Tomada por um sentimento de segurança e afeto, Akane se aconchegou no ombro de Taishou, buscando o calor de seu corpo. Em um momento de timidez, ergueu a cabeça e perguntou: "E nós... estamos namorando ou algo assim?" Taishou desviou o olhar por um instante, como se ponderasse a resposta. "Bom…" ele começou, com a voz suave e hesitante. "Eu me importo com você, e acho que isso é mais importante do que rotular nosso relacionamento." Embora a resposta não fosse exatamente o que Akane esperava, ela não se decepcionou. Havia algo na sinceridade de Taishou que a acalmava, e ela sabia que o tempo diria o que o futuro reservava para eles.
Ao chegarem em casa, Akane avistou seu pai parado na varanda, o rosto marcado pela irritação e preocupação. A hora tardia de sua chegada não o agradava. "Finalmente," ele disse, com a voz ríspida. "Onde você estava?" Akane esforçou-se para manter a calma. "Eu estava com o Taishou," respondeu, tentando amenizar a tensão. "Saímos para conversar." "Conversar?" seu pai indagou, com um tom de desconfiança. "Até tarde da noite?" Akane ponderou se deveria compartilhar todos os detalhes, mas decidiu ser sincera com o pai. “Na verdade, papai, ficamos até mais tarde na escola porque eu me meti em uma confusão e tive como castigo ficar o dia todo limpando a sala de educação física.” "Depois disso, Taishou se ofereceu para me levar para casa, e acabamos perdendo um pouco a noção do tempo enquanto conversávamos." Seu pai não parecia convencido. "Suba," ele ordenou, com um olhar severo. "Depois conversaremos sobre isso." Akane lançou um olhar a Taishou, que a encarou com seu habitual semblante calmo. “Boa noite,” disse ela, sorrindo. “Boa noite,” ele respondeu, retribuindo o sorriso. Subindo as escadas, o coração de Akane batia forte. Sabia que a conversa com seu pai não seria fácil, mas estava disposta a enfrentar tudo para assumir um compromisso com Taishou. Enquanto isso, Taishou observava a cena, apreensivo. Ele havia vivido o suficiente para conhecer o ciúme que um pai sente em relação ao seu bem mais precioso. Aproximou-se do pai de Akane, estendendo a mão em um gesto de cordialidade.
“Acho que ainda não nos conhecemos, não é, senhor?” disse, com uma expressão séria e confiante. “Meu nome é Taishou Seiji.” O pai de Akane ignorou a mão estendida e o encarou com frieza. “Sei quem você é,” respondeu, com a voz carregada de desdém. “E não me agrada a ideia de você rondando minha filha.” Ele continuou, “Conheço seu histórico de brigas e ações delinquentes no colégio. Não acho que você seja o melhor rapaz para minha doce Akane.” Taishou se conteve, tentando manter a calma. "Sua filha é muito importante para mim, senhor," disse, com a voz firme. "E pretendo conquistá-la da maneira certa." O pai de Akane o fitou por um longo tempo, os olhos cheios de dúvidas. "Veremos," respondeu finalmente, antes de se virar e entrar em casa. Ficando sozinho na rua, Taishou sentiu o coração pesado pela hostilidade do pai de Akane. Sabia que a luta para conquistar o amor dela seria árdua, mas estava determinado a provar que era digno de sua confiança e afeto. Estava prestes a ir embora quando uma voz feminina e madura o chamou novamente. “Ei, garoto.” A mãe de Akane desceu as escadas e se aproximou de Taishou. “Sou a mãe de Akane, Haruko Hiromi,” disse, observando a aparência rebelde de Taishou: blusa preta rasgada, jeans desbotado, botas de cano alto, cabelo longo até a cintura, anéis e colares de prata no pescoço. Ela sorriu para ele, como se tivesse visto alguém conhecido de sua juventude.
Taishou fez uma leve reverência. “Boa noite, senhora Hiromi. Vim trazer sua filha para casa em segurança.” “Eu já despachei esse delinquente, Haruko,” gritou o pai de Akane de dentro de casa, com hostilidade. "Não seja tão duro com ele, querido," disse ela, com uma voz suave e compreensiva, olhando para o marido com um sorriso. "Ele parece ser um bom menino." “Como se chama, jovem?” Taishou olhou para a senhora madura e forçou um raro sorriso. “Me chamo Taishou Seiji, senhora.” "Venha, vamos entrar," disse Haruko com um sorriso gentil. "Vamos conversar melhor." O pai de Akane franziu a testa, mas não retrucou. Sabia que sua esposa era uma mulher justa e sábia, e que suas palavras tinham peso. Taishou hesitou, pensando em recusar. A hostilidade do pai de Akane o deixava desconfortável. No entanto, ao olhar para os olhos gentis da mãe de Akane, decidiu aceitar o convite. Entraram na casa, onde Haruko começou a preparar um chá quente para todos, enquanto o pai observava com um olhar desconfiado. Sentados à mesa, os pais de Akane o observavam atentamente, os olhos cheios de curiosidade.
"Então, Taishou," começou Haruko, finalmente quebrando o silêncio, "você e Akane são apenas amigos?" Taishou corou levemente. "Não, senhora," respondeu, a voz hesitante. "Na verdade, nós começamos a namorar." A mãe de Akane sorriu, seus olhos brilhando de felicidade. "Que bom!" exclamou. "Eu sempre quis que a Akane encontrasse alguém especial." O pai de Akane, que até então permanecia em silêncio, finalmente se pronunciou. "Especial, Haruko? Esse garoto é um delinquente." Com a voz grave, ele continuou, "Já participei de algumas reuniões do colégio. É impressionante seu histórico de brigas, rapaz. Todos os professores já nos alertaram sobre um tal Seiji, emancipado dos pais, que vive sozinho, não trabalha e vende objetos raros para sobreviver." Ele encarou Taishou, desafiador. “Aonde você consegue esses objetos, meu jovem? Você, por acaso, os rouba?” “Querido!” Haruko interrompeu, mas ele não se deu por vencido. “Eu não acho que seja uma boa companhia para nossa filha." Ryo Hiromi olhou para a esposa antes de continuar. “Você realmente quer deixar um cara assim perto da nossa princesa?”
Taishou se conteve, controlando a raiva que subia em seu peito. "Senhor," disse ele, com a voz firme, "eu amo a Akane e pretendo cuidar dela da melhor maneira possível.” Ele fez uma pausa, antes de continuar. “Sobre minha família, infelizmente, perdi meus pais muito cedo e tive que aprender a me virar sozinho. Quanto às minhas condições financeiras, elas são boas. Não, eu não roubei os objetos que possuo; são heranças familiares de gerações. Apenas mantenho o legado da minha família.” A mãe de Akane colocou a mão sobre o braço do marido, um gesto de acalmá-lo. "Deixe o Taishou falar," pediu. "Ele precisa ter a chance de se provar." O pai de Akane não parecia convencido, mas se calou. Taishou respirou fundo e começou a falar sobre seus planos para o futuro, seus sonhos e ambições. Ele queria mostrar ao pai de Akane que era um homem responsável e que tinha condições de fazer a filha dele feliz. A conversa se estendeu por horas, e, gradualmente, Ryo começou a relaxar. Ele começou a ver em Taishou um jovem honesto e dedicado, alguém que realmente amava sua filha. Ao final da noite, quando Taishou se despediu, o pai de Akane o acompanhou até a porta. "Ainda não estou totalmente convencido," disse, apertando a mão de Taishou. "Mas vou te dar uma chance. Prove que você é digno da minha filha."
Taishou sorriu timidamente. Sabia que ainda tinha muito a provar, mas estava determinado a conquistar a confiança do pai de Akane e o amor de sua filha. Ao ver Taishou se afastar pela rua, Haruko não pôde conter uma risada gentil. Virando-se para o marido, comentou: "Lembra-se de quando você era um jovem rebelde no colégio? Você era a personificação do 'bad boy'. Você e Taishou têm mais em comum do que pensa." O rosto de Ryo se avermelhou de constrangimento. "Haruko!" ele protestou. "Isso foi há muito tempo. Eu era apenas um garoto." Haruko sorriu, seus olhos cheios de nostalgia. "Sim, mas era um garoto muito charmoso," ela disse. "E eu me apaixonei por você assim mesmo." Ryo suspirou, um sorriso hesitante se formando em seus lábios. "Você sempre soube como me fazer sentir melhor," ele disse. "Mas agora você está com medo de deixar sua menina crescer," observou Haruko, com voz suave e compreensiva. "É normal, querido. Todos os pais passam por isso." Ryo assentiu, a expressão séria retornando ao seu rosto. "Ela ainda é tão jovem," disse, preocupado. "Não quero que ela se machuque." Haruko colocou a mão no ombro dele. "Ela tem dezessete anos, Ryo," disse, calma. "É hora de começar a deixá-la voar." Ryo suspirou novamente, mas agora com um tom de resignação. "Você tem razão," concordou. "Eu só quero que ela seja feliz." Haruko sorriu. "E ela será," respondeu com convicção. "Akane é uma garota forte e inteligente. Ela encontrará o seu caminho." Os dois entraram em casa, observando Taishou se distanciar pela rua. Em seus corações, havia um misto de esperança e apreensão. Sabiam que a vida estava apenas começando para Akane, e que ela enfrentaria muitos desafios pela frente. Mas também estavam cientes de que ela era forte e capaz, e que encontraria a felicidade que tanto merecia.