Em meio à pacata cidadezinha de Hinode, envolta em tons pastel e aromas adocicados, a Casa de Chá da Haru se destacava como um refúgio aconchegante. O aroma de café fresco e doces recém-feitos pairava no ar, convidando os passantes a entrar e se deliciar com a atmosfera acolhedora e a música ao vivo. Desde que Hinata assumiu a gerência, o local tornou-se ainda mais frequentado. A jovem de vinte e cinco anos, com seus longos cabelos negros e olhos castanhos cintilantes, emanava uma aura de gentileza e talento que contagiava a todos. Vestida com um quimono vermelho adornado com flores de cerejeira, Hinata parecia uma princesa em seu próprio reino, tocando seu violino com maestria e criando um ambiente de paz e serenidade. No entanto, nem mesmo a melodia angelical de Hinata era capaz de acalmar o coração de Akane Seiji. A bióloga de vinte e cinco anos, com seus cabelos lisos castanhos e olhos cor de mel, se encontrava em um estado de profunda tristeza e preocupação. Sentada à mesa da Casa de Chá, Akane amassava sua torta sem apetite, seus pensamentos flutuando em um mar de incertezas. O café em sua xícara esfriava lentamente, enquanto ela olhava para o celular com expectativa, esperando ansiosamente por uma mensagem que nunca chegava.
Akane havia reservado a tarde para encontrar sua amiga, mas a espera se transformava em um tormento. A cada minuto que passava, a tristeza em seus olhos se intensificava, e as lembranças de sua vida conturbada a assombravam como fantasmas persistentes. Em contraste com a agitação interior de Akane, o local permanecia em sua serena rotina. Os clientes apreciavam seus doces e cafés com tranquilidade, enquanto a música de Hinata fluía como um rio calmo, acalmando os corações e aquecendo as almas. No entanto, para Akane, a melodia parecia distante e abafada pelo barulho ensurdecedor de seus próprios pensamentos. Ela se sentia sozinha e perdida em meio à multidão, como uma ilha isolada em um mar de felicidade alheia. A cada olhar furtivo para o celular, a esperança de um encontro com a amiga se esvaía um pouco mais. Akane se questionava se sua vida jamais voltaria a ser a mesma, se a felicidade era apenas uma miragem distante e inalcançável. Enquanto isso, Hinata continuava tocando seu violino, sua melodia melancólica refletindo a tristeza que pairava no ar. Akane, sem perceber, se viu imersa na música, como se a melodia fosse capaz de traduzir seus próprios sentimentos em notas musicais.
A porta da Casa de Chá se abre com um estrondo, e entra Sakura Fujioka, um furacão de energia desajeitada. Vestindo ainda seu pijama cirúrgico branco, amassado e manchado, ela carrega consigo o peso de noites mal dormidas e plantões exaustivos. Seus cabelos castanhos curtos e lisos estão despenteados, e seus olhos castanhos, emoldurados por olheiras escuras, transmitem um cansaço profundo. Sakura, médica, cursando pós-graduação em pediatria aos vinte e cinco anos, conhece a rotina de perto. Os plantões noturnos intermináveis roubam seu tempo livre, a privando de momentos de lazer com as amigas que tanto preza. Ao entrar na aconchegante Casa de Chá, seus olhos se fixam em Hinata, a melodiosa violinista que preenche o ambiente com sua música relaxante. Em seguida, percorrem as mesas à procura de Akane, a amiga que a espera ansiosamente. Ao localizá-la, Sakura se aproxima com passos pesados, sentando-se à mesa com um suspiro profundo. "Desculpa Akane, eu não sei o que é ter vida mais", ela reclama, soltando mais um suspiro que ecoa pelo local. A rotina extenuante na área da saúde suga todo o seu tempo livre, deixando-a sem energia para nada além do trabalho. Akane, com um sorriso forçado no rosto, tenta tranquilizar a amiga. "Eu sei que você é ocupada, Sakura, mas precisamos conversar muito", ela diz, com um tom de urgência em sua voz. Sakura acena com a cabeça e chama a garçonete, pedindo um café preto, sem açúcar, o mais forte que a casa oferece. Com a xícara fumegante em mãos, volta sua atenção para Akane, seus olhos carregados de seriedade. "Temos mesmo, temos muita coisa para conversar", ela responde, pronta para desabafar e buscar o apoio da amiga de longa data.
Enquanto a música de Hinata continua a fluir no ar, criando uma atmosfera de calma e serenidade, as duas amigas se preparam para uma conversa profunda e reveladora. As alegrias e tristezas da vida, os sonhos e frustrações, tudo será compartilhado nesse encontro tão esperado. As notas finais da melodia de Hinata ecoam pela confeitaria, e a última nota se dissolve no ar, dando lugar a aplausos calorosos dos clientes. A violinista, com um sorriso radiante no rosto, agradece os aplausos e se despede do público, deixando o palco e caminhando em direção à mesa de Akane e Sakura. Em seu trajeto, Hinata é interceptada por alguns rapazes que a admiram. Eles tentam puxar conversa, elogiar sua música e até mesmo pedir seu número de telefone. Hinata, com sua timidez característica, tenta se esquivar educadamente, mas alguns são insistentes. Com um sorriso constrangido e um leve rubor nas bochechas, ela finalmente consegue se livrar dos rapazes e seguir seu caminho.
Na mesa, Sakura observa a cena com um sorriso divertido. "Hinata, você ainda atrai todos os olhares como sempre", ela comentou, virando-se para Akane. "É verdade", concorda Akane, "é incrível como ela ainda não tem namorado. Será que ela é muito exigente?". Finalmente, Hinata chega à mesa, pousando o violino com cuidado e se sentando ao lado das amigas. As três se cumprimentam com carinho, seus rostos iluminados por um misto de alegria e nostalgia. O encontro era raro, quase um evento especial. As três amigas se lembram com saudade dos tempos de adolescência, quando se reuniam naquele local com frequência, compartilhando sonhos, segredos e confidências. Naquela época, a única preocupação era estudar para as provas e aproveitar a vida ao máximo. O tempo passou, e cada uma trilhou seu próprio caminho. Hinata se tornou uma musicista talentosa, encantando o público com sua melodia suave e sua beleza angelical. Sakura se dedicou à medicina, salvando vidas e cuidando da saúde das pessoas. Akane, por sua vez, seguiu carreira na área de biologia, desvendando os mistérios da natureza e buscando soluções para os problemas do mundo. Apesar das diferentes trajetórias, a amizade entre as três permaneceu forte e inabalável. A Casa de Chá da Haru continuava sendo o seu refúgio, um lugar onde elas podiam se reconectar, compartilhar suas alegrias e tristezas, e reviver as memórias da adolescência.
A conversa se iniciou com Sakura, sempre a mais extrovertida e direta do grupo, que decide tomar a iniciativa. Com um olhar penetrante direcionado à Akane, ela dispara a pergunta sem rodeios: "Então, Taishou voltou a ser lobisomem?" Hinata, ao ouvir a pergunta, arregala os olhos tomada por surpresa, enquanto Akane abaixa a cabeça em um gesto de profunda tristeza. A revelação de Sakura paira no ar por alguns instantes, carregada de uma mistura de tensão e emoção.
"Como assim?", questiona Hinata, buscando entender a gravidade da situação. Sakura, com o tom de voz carregado de frustração, inicia seu relato, revelando como a verdade sobre Taishou chegou até ela de uma forma inesperada e dolorosa. Em meio à rotina exaustiva de plantões no hospital, Sakura conta que mal conseguia encontrar tempo para ver Kenji, seu namorado. Finalmente, quando a oportunidade surgiu, ela decidiu visitá-lo em sua casa. No entanto, ao chegar, foi recebida por um Kenji perturbado e relutante em deixá-la entrar. Com raiva nos olhos e pausas dramáticas para enfatizar cada palavra, Sakura narra o que aconteceu naquela noite: "Foi domingo passado, quando saí do plantão e decidi que iria dormir na casa do Kenji. A princípio, pensei que ele estivesse apenas cansado do trabalho, no batalhão, mas quando ele se recusou até mesmo a tirar a blusa para ficar comigo, eu suspeitei que ele estivesse fazendo alguma besteira, ou até mesmo me traindo." Hinata, interrompendo o relato de Sakura, pergunta com espanto: "Por que? Ele não quis ficar com você intimamente?". Sakura, com a voz carregada de mágoa, responde: "Não".
A narrativa toma um rumo ainda mais sombrio quando Sakura revela a reação de Kenji ao ser confrontado: "E depois que eu ameacei terminar, ele tirou a blusa e me mostrou as inúmeras marcas de mordida!" Hinata reage com os olhos arregalados, enquanto Akane parece sucumbir a um suspiro carregado de sofrimento. A revelação de que Taishou voltou novamente a ser lobisomem cai sobre as amigas como um peso, abrindo um abismo de incertezas e angústia. Hinata questiona com a voz tensa: "Como assim mordidas, o que aconteceu com ele?". Sakura, com raiva e direcionando seu olhar para Akane, responde: "Foi exatamente isso que eu perguntei para ele. Eu só gritei quando vi. Que droga é essa, Kenji?'. E ele me respondeu que foi um acordo de sangue com o Taishou. Ele estava deixando Taishou usar seu sangue em algum ritual maluco para reativar os poderes novamente." A frustração de Sakura é evidente em cada palavra, e ela busca justificativa em Akane: "Por que você não me contou isso? Você tinha noção da gravidade dos ferimentos do meu namorado? Kenji estava com uma ferida enorme no peito." Akane, suspirando profundamente, finalmente assume a palavra: "Eu sabia, em partes", ela admite. "Mas não sabia que estava ocorrendo de forma tão violenta. Taishou não me contou tudo, nem quis entrar em detalhes quando eu perguntei. Eu sei que na madrugada da sexta-feira, ele chegou em casa tarde pois estava na casa do Kenji, fazendo exatamente isso. Ele chegou machucado em casa, mas não quis me falar os detalhes do que aconteceu..."
Hinata, sem conseguir entender a situação, interrompe: "Mas, o que aconteceu? Por que isso? Ele do nada decidiu isso? E Kenji aceitou?" Sakura, ainda tomada pela raiva, esbraveja: "Aqueles dois imbecis estavam fazendo essa merda toda bem nas nossas costas!". A revelação do acordo de sangue entre Taishou e Kenji explode como uma bomba, deixando as amigas desconfortáveis. A melodia relaxante deixada anteriormente por Hinata, se torna um mero eco distante, substituída por um clima de tensão e incerteza. Com a voz embargada e um olhar distante, Akane revelou o conflito que dilacerava seu lar. “Eu… eu discuti com Taishou,” ela começou, a voz trêmula traía a batalha interna que travava. “Ele queria voltar a ser um lobisomem, e eu não conseguia aceitar isso.” Lágrimas ameaçavam escapar de seus olhos, enquanto suas amigas absorviam a gravidade da situação. Sakura, com a irritação fervendo em suas palavras, não pôde se conter. “E ele teve a audácia de arrastar o Kenji para esse inferno também?” A raiva em sua voz era palpável, quase tão tangível quanto a tensão que se espalhava pelo ar. Hinata, sempre a voz da razão, interveio com uma pergunta que pesava em todos os corações. “Mas por que ele faria isso? A maldição não era nada além de dor e sofrimento para ele?” Akane suspirou, um som carregado de desespero e incerteza. “Não sei de tudo. Mas ele me disse que sentia falta, que estava infeliz” ela admitiu, “mas algo de errado está acontecendo com Taishou agora. Por isso a urgência desta reunião.” As palavras seguintes saíram pesadas, como se cada uma carregasse o peso do mundo. “A semana depois que ele… reativou a besta… foi perturbadora, para dizer o mínimo.” Hinata lançou um olhar que misturava curiosidade e preocupação para Akane. “O que aconteceu?” ela perguntou, a voz baixa. Akane hesitou, mas a verdade precisava ser dita. “Às vezes, eu o pegava conversando sozinho, lutando contra si mesmo… ou contra a maldição. Ele constantemente está em conflito interno. E às vezes, parece perder o controle. Ele voltou a usar todos aqueles acessórios de prata. Mas, eu não sei até onde aquilo está ajudando.” Sakura, ainda tomada pela ira, cuspiu as palavras como se fossem veneno. “Que ele enlouqueça! Que pague pelo que fez!” Ela olhou para Akane, a amizade e a frustração colidindo em seu olhar. “Akane, eu te amo como amiga, mas isso… isso é demais.” Akane apenas assentiu, compartilhando da raiva de Sakura, mas dentro dela, uma tempestade de sentimentos conflitantes ainda rugia, todos centrados na decisão de Taishou.
A fúria de Sakura queimava como um incêndio dentro dela, recusando-se a ser extinta pelos pedidos de ajuda. A lembrança de sua experiência de quase morte ao salvar Yuki de Caleb e Taishou ainda a assombrava, e agora, as ações de Taishou ameaçavam liberar esse mesmo perigo mais uma vez. Como ele poderia retribuir seu sacrifício com tanta imprudência? Akane, compreendendo a frustração de Sakura, concordou silenciosamente. Ela sabia que não tinha o direito de pedir ajuda a Sakura nesse momento, mas o medo que corroía seu coração era grande demais para suportá-lo sozinha. "Eu sei, Sakura", confessou ela, a voz trêmula de emoção. "Eu sei que você está com raiva, e eu também. Mas também estou morrendo de medo! A próxima lua cheia é daqui a apenas uma semana, e não tenho ideia de como Taishou vai reagir. Não sei se ele vai atacar alguém..." Hinata, com a testa franzida em confusão, interrompeu: "Atacar alguém? Mas ele nunca fez isso antes. Não era o filho dele, Caleb, o problema?" A voz de Akane baixou para um sussurro, enviando um calafrio nas espinhas de Sakura e Hinata. "Sim, era", murmurou ela. "Mas depois que ele reativou a besta, ele... ele me disse que precisava de mais sangue… Ele me prometeu que iria saciar sua fome com animais… mas… eu ouvi ele discutindo com si mesmo, se não deveria…atacar humanos…."
A implicação pairava no ar, uma nuvem escura projetando sombras sobre sua existência antes pacífica. A sede de poder de Taishou, alimentada pela influência da besta ancestral, ameaçava consumir não apenas a si mesmo, mas também aqueles ao seu redor. As amigas trocaram olhares desconfortáveis, o peso das palavras de Akane assentando sobre seus ombros. O perigo que enfrentaram uma vez estava de volta, e parecia longe de acabar. A voz de Sakura ecoou pelo estabelecimento, um grito de descrença e angústia. "Eu não posso acreditar nisso! Que ódio! Por que ele fez isso?" Suas palavras pairavam pesadas no ar, refletindo a turbulência em seu coração. Akane, incapaz de conter suas próprias emoções por mais tempo, sucumbiu a uma torrente de lágrimas. Hinata, seu coração cheio de empatia, estendeu a mão para confortá-la. À medida que os soluços de Akane gradualmente diminuíram, ela encontrou força para desabafar o peso que estava pressionando seu coração. "Taishou está tão estranho", ela confessou, sua voz tremendo de tristeza. "Por mais de cinco anos, eu o conheço como um homem amoroso e compassivo. Mas agora, ele está frio, distante... como um robô. Mesmo em nossos momentos íntimos, ele não deixa escapar uma única emoção. Eu me sinto tão frustrada, até mesmo na cama com ele."
As bochechas de Hinata ficaram de um vermelho profundo enquanto ela desviava o olhar, sua mente vagando momentaneamente por suas próprias experiências íntimas. Mas Sakura, sempre curiosa, parecia ter esquecido da gravidade e a ameaça iminente que pairava sobre elas. E focou inteiramente na intimidade da amiga. "O que você quer dizer? Ele está transando mal?" ela perguntou, sua voz cheia de uma curiosidade que desmentia a gravidade da situação. “S-Sakura!” Hinata chamou a atenção da amiga. Akane hesitou, incerta se deveria entrar em tais detalhes pessoais. No entanto, a necessidade de compartilhar seus sentimentos, de encontrar consolo na compreensão de suas amigas, superou suas reservas. "É como se ele não estivesse lá", ela explicou, sua voz quase um sussurro. "Ele segue os movimentos, mas é como se seu coração não estivesse nisso. É como se ele fosse uma pessoa completamente diferente. Ele não geme, ele não demonstra nada. Tem sido horrível" Sakura ouviu atentamente, suas próprias preocupações momentaneamente deixadas de lado enquanto ela se concentrava na angústia de sua amiga. Ela estendeu a mão e apertou suavemente a mão de Akane, oferecendo um gesto silencioso de apoio. "Eu não sei o que fazer", Akane continuou, sua voz carregada de desespero. "Eu amo Taishou, mas não posso suportar esse vazio entre nós. É como se ele tivesse construído uma parede em torno de seu coração, e eu não consigo encontrar um jeito de passar por ela."
“Eu não ia aguentar.” Sakura admite. “Um homem precisa amar sua mulher na cama, já não basta a burrice de ativar uma merda perigosa como um lobisomem de novo, ainda por cima, ele está mais insensível com você?” ela disse com um tom descrente. “Eu admito que não está sendo nada fácil. Eu sinto falta do nosso amor. Agora, tudo está tão mecânico. Mas, ele me disse que eu preciso me acostumar a isso. E que ele não pode ficar mostrando mais emoções, se não a besta fica fora de controle.” Akane diz com a voz embargada de tristeza e choro. “Mas, porra, até na cama?” Sakura questiona incrédula. “Eu não suportaria isso nem por um dia. Se Kenji fizesse isso comigo era término na hora! Eu preciso de amor, carinho e intensidade na cama! “Eu também preciso” Concordou Akane com Sakura. “Pa-parem com isso!” Hinata disse com o rosto vermelho e uma expressão que revela desconforto total. “Não acredito que vocês estão esquecendo o foco da gravidade da situação para focar em algo como… se….sex….” Hinata se cala, ela nem consegue terminar a palavra. Sakura e Akane se entreolham. “É mesmo, Hinata, eu conheço você há vinte anos, eu nunca vi você com nenhum garoto.” Sakura encarou Hinata. “É mesmo.” Akane concordou com Sakura e ambas encararam a amiga. Hinata sentiu-se em pânico. Como que de repente um assunto tão sério pulou para algo tão banal, e escalou para ela ser o foco da conversa?
Hinata sentia o peso do silêncio enquanto Akane e Sakura a encaravam com curiosidade. Elas conheciam Hinata desde a infância, mas havia aspectos de sua vida que permaneciam um mistério. Sakura, sempre direta, lançou a pergunta que pairava no ar. “Você já beijou alguém?” Hinata hesitou, suas palavras tropeçando em sua língua. “Claro que sim…” ela murmurou, uma corrente de nervosismo em sua voz. Akane, sem perder o ritmo, continuou o interrogatório. “E algo mais… você sabe, íntimo?” A pergunta fez Hinata corar até as raízes de seu cabelo, sua resposta um sussurro quase inaudível. “Sim, uma vez. Com um cara… Mas não foi… não foi bom para mim. Eu não gostei dos toques, e depois nunca mais quis de novo” Sakura e Akane trocaram olhares, a dúvida e a preocupação refletidas em seus olhos. Sakura, com uma ponta de hesitação, formulou a pergunta que poderia mudar tudo. “Hinata, você é lésbica…?” Akane interrompeu, sua voz cheia de incredulidade. “Não, isso não faz sentido. Nunca a vimos com uma garota também.” Hinata se sentiu cada vez mais desconfortável, mas sabia que, se havia alguém com quem poderia compartilhar suas inseguranças, eram suas amigas de longa data. “Eu não sou lésbica. Não sinto atração dessa forma por mulheres. E eu meio que acho nojento. Eu demorei muito para aceitar o relacionamento da minha mãe com a minha madrasta. Eu… eu sei que eu gosto de homem… mas… Eu sou diferente. “Diferente?” Sakura pergunta sem entender. “Eu não gosto de ser tocada intimamente assim… e nem gosto de pensar nessas coisas. Eu não sinto esse desejo que vocês sentem. Isso me faz estranha?” A confusão era evidente em sua voz, uma vulnerabilidade que raramente mostrava.
Sakura não mediu palavras, sua honestidade crua cortava o ar. “Sim, é estranho pra caralho,” ela disse sem rodeios. “Eu não consigo imaginar minha vida sem a intimidade que tenho com Kenji.” Sua declaração era uma afirmação de suas próprias necessidades, um reflexo de sua visão de mundo. Akane, por sua vez, concordou com Sakura. “É verdade,” ela admitiu, “tenho que concordar com a Sakura, não ter mais o amor e o sentimento do Tai durante nossos momentos de sexo estão me abalando muito.” Sua confissão era um eco das preocupações que ela havia compartilhado mais cedo sobre Taishou. Hinata, sentindo-se cada vez mais isolada pela conversa, desviou o olhar. Ela se sentia fora do lugar, como se estivesse em um mundo ao qual não pertencia. A intimidade que suas amigas valorizavam tanto era algo que não lhe fazia falta. “Eu… eu simplesmente não sinto essa necessidade,” ela murmurou, mais para si mesma do que para as outras. Um silêncio carregado, cada uma das amigas perdida em seus próprios pensamentos, refletindo sobre as diferenças que as separavam e os laços que, apesar de tudo, ainda as uniam.
Sakura quebrou o silêncio que se instalara, sua voz carregada de uma franqueza sem pudores. “Vamos deixar esse assunto de sexo de lado. O que faremos em relação ao Taishou?” A pergunta trouxe um suspiro de alívio a Hinata, grata por desviar a atenção de sua própria vida. Akane, com um olhar perdido, confessou sua incerteza. “Eu não sei… eu queria estar com ele na próxima lua cheia, mas ele não quer minha presença. Diz que é perigoso para mim.” Sakura, impaciente, exalou um suspiro de irritação. “Então deixe-o lidar com isso sozinho. Foi ele quem escolheu esse caminho.” A sugestão veio carregada de uma lógica fria. Um pesado silêncio se seguiu, quebrado apenas pelo suspiro resignado de Akane. “Talvez seja o melhor a fazer.” Hinata, contudo, levantou uma preocupação. “Mas e se ele ferir alguém? Talvez ele precise de nós para controlar-se.”
Sakura, então, apontou para a dura realidade. “Já era difícil conter um lobisomem jovem como Caleb. Imagine um adulto como Taishou? Se tentarmos, podemos acabar mortas.” Akane sabia que Sakura estava certa. A gravidade da situação era inegável, e a decisão que tomariam poderia alterar o destino de todos eles. Apesar da incerteza persistente, Akane sentiu um alívio tomar conta dela. Compartilhar suas preocupações com as amigas tirou um fardo pesado de seu coração, e o apoio inabalável delas incutiu nela uma renovada sensação de esperança. Elas decidiram adotar uma abordagem cautelosa, intervindo apenas se fosse absolutamente necessário, enquanto mantinham uma comunicação próxima para garantir que estavam preparadas para qualquer eventualidade. Enquanto Akane se despedia de Hinata e Sakura, um abraço caloroso as envolveu, um testemunho de sua amizade duradoura. Elas estavam gratas por esta oportunidade de se reconectar e compartilhar seus corações, assim como faziam em seus dias mais jovens. Hinata, com a voz cheia de sinceridade, assegurou a Akane: "Você pode sempre contar comigo, Akane." Sakura ecoou o sentimento, oferecendo seu apoio inabalável: "Se as coisas ficarem feias", ela declarou com um brilho malicioso nos olhos, "vamos amarrá-lo com correntes de prata e obrigá-lo a tomar a poção novamente." Akane não pôde deixar de rir da sugestão audaciosa de Sakura. Embora a ideia fosse certamente tentadora, ela reconheceu que replicar sua solução anterior atualmente era praticamente impossível. O perigeu só acontecia anualmente, já era uma desafio, agora, se juntar que precisam de um eclipse lunar total durante o perigeu, tornava o evento muito mais raro, acontecendo apenas uma vez a cada três anos. Continuava sendo uma opção, embora distante.
Com um entendimento compartilhado, as amigas se separaram, levando consigo a força de seu vínculo e a determinação de enfrentar os desafios que estavam por vir. Elas sabiam que juntas, poderiam superar qualquer obstáculo, sua amizade servindo como um farol de esperança diante da escuridão. O burburinho da escola se dissolve em um silêncio tranquilo enquanto o último sinal do dia ecoa pelos corredores. Alunos do ensino fundamental correm para fora, ansiosos para o fim de mais um dia de aula. Caleb, em meio à multidão, apressa-se a juntar seus livros e seus olhos já buscando por Yuki entre os rostos familiares. Ao avistá-la, um sorriso involuntário se desenha em seus lábios. Ele se aproxima, seu coração batendo forte no peito, e a convida para acompanhá-la até em casa. Yuki, com um sorriso radiante, aceita a proposta, e juntos eles deixam o prédio da escola lado a lado.
Caminhando pelas ruas tranquilas, a conversa flui com naturalidade, como um rio que segue seu curso. Eles falam sobre tudo e sobre nada, desde os acontecimentos do dia até seus sonhos para o futuro. As mãos se entrelaçam, um gesto simples que expressa a profunda conexão entre eles. De vez em quando, a conversa é interrompida por um olhar apaixonado, um toque carinhoso ou um beijo suave, selando a promessa de um amor puro e sincero. O sol começa a se despedir no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e dourado. Caleb e Yuki caminham lado a lado, apreciando a beleza da tarde que se despede, enquanto seus corações se entrelaçam cada vez mais forte. A cada passo, a certeza de que um ao outro é tudo que precisam se torna mais evidente.