Taishou ainda se encontrava em estado de choque ao ver Akane. A ideia de que sua esposa abandonou tudo que conhecia - sua terra natal, sua família, seus amigos - para acompanhá-lo em uma vida reclusa em uma cabana no meio do gelo era quase inacreditável. Com o coração apertado, ele a auxiliou com as malas, enquanto guiava ela e seu filho para o interior do chalé. Os olhares acusadores de Kenji, seu amigo, pesavam sobre ele como um fardo. Taishou compreendia que a presença de Akane alteraria drasticamente a dinâmica entre os dois. O silêncio pairava no ar enquanto Akane observava a rústica cabana, seus olhos marejados de emoção. Ela sabia que a decisão de deixar tudo para trás não fora fácil, mas o amor que sentia por Taishou era mais forte do que qualquer medo ou insegurança. Com um sorriso hesitante, ela se dirigiu ao filho e o abraçou com força. "Tudo bem, meu querido," ela sussurrou, "estamos em casa agora." Caleb, ainda carregava um olhar abatido em seu rosto. As últimas horas haviam sido um turbilhão de mudanças e incertezas para o jovem adolescente. Deixar para trás sua casa, e sua namorada Yuki, para morar em uma cabana isolada no meio do gelo não estava sendo fácil. Kenji, percebendo a tristeza de Caleb, se ofereceu para levá-lo para a cama. Já era tarde da noite, e tanto Caleb quanto Akane estavam exaustos da longa viagem. Akane agradeceu a Kenji por sua gentileza e cuidado com sua família, tanto com Taishou quanto com Caleb.
Kenji, por sua vez, tentou esconder seu descontentamento e ciúme. Com um tom sarcástico, ele disse: "Sem problemas, eu faço tudo pela família de vocês." E assim, ele saiu da sala, levando Caleb consigo. Agora sozinhos, Akane e Taishou finalmente tinham a oportunidade de conversar. A jornada até a cabana havia sido longa e árdua, mas o verdadeiro desafio estava apenas começando. Eles precisariam se adaptar a uma nova vida, em um novo lugar, com novas rotinas e novos desafios. Akane, com a voz ainda carregada de cansaço, mas com um brilho de determinação nos olhos, disse: "Precisamos conversar sobre o que vamos fazer agora, Taishou. Caleb está sofrendo com essa mudança, e eu também." Taishou, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros, assentiu com a cabeça. "Eu sei, Akane. E eu prometo que vamos fazer tudo que pudermos para que vocês se sintam em casa aqui." Eles se sentaram lado a lado no sofá. Havia muito a ser dito, muitas dúvidas a serem esclarecidas, mas acima de tudo, havia o amor que os unia. E esse amor, eles sabiam, seria a força que os guiaria através de qualquer obstáculo. Akane, cansada da longa viagem, se dirigiu a Taishou com um olhar hesitante. "Onde eu vou dormir?", questionou ela em voz baixa. Taishou, por sua vez, ficou pensativo por um instante. Nos últimos meses, ele e Kenji dividiam o mesmo quarto, a mesma cama. A ideia de agora ter que dormir com Akane, enquanto tentava manter em segredo sua relação com Kenji, o deixava desconfortável.
Ele não queria revelar a traição a ela naquele momento, não ainda. Precisava de tempo para pensar em como lidar com a situação. Então, com um tom forçado de gentileza, ele respondeu: "Você vai dormir comigo no meu quarto, Akane. Apesar de tudo que aconteceu, você ainda é minha esposa." Akane suspirou, seus olhos carregados de tristeza e mágoa. Eles não haviam tido uma conversa séria sobre a infidelidade dela, e ela sabia que essa noite seria inevitável. Taishou se levantou e, com um olhar distante, guiou Akane para o quarto. Lá dentro, uma cama de casal os aguardava, a mesma que antes era compartilhada por ele e Kenji. Ele a deixou se acomodar enquanto se dirigia para o outro quarto, onde Kenji colocava Caleb na cama de solteiro. Kenji, com um toque suave, acariciava os cabelos de Caleb. Ao aninhar o garoto na cama, ele fechou a porta e se deparou com Taishou no corredor. Um silêncio carregado de tensão pairava entre eles.
Kenji, com um tom sarcástico, quebrou o silêncio: "E agora, o que eu faço? Durmo no sofá enquanto você finge para sua mulher que nada aconteceu entre nós dois?". Taishou, visivelmente incomodado com a situação, suspirou e respondeu: "Kenji, por favor, agora não é hora para isso." Mas Kenji não parecia disposto a esperar. "E quando será a hora?", questionou ele com insistência. Taishou, com a voz tensa, respondeu: "Eu não sei, Kenji. Mas essa noite não, por favor." Kenji, visivelmente irritado, começou a preparar seu improvisado leito no sofá da sala. Taishou o observou em silêncio, enquanto a culpa o consumia por dentro. Ele sabia que precisaria resolver essa situação com Kenji o mais rápido possível, mas por enquanto, sua prioridade era Akane e Caleb. "Eu vou para o quarto", disse ele finalmente. "Preciso conversar com Akane. Temos muito que ser dito." Kenji suspirou, resignado. "Tudo bem. Eu vou dormir aqui na sala essa noite, mas não espere que eu finja para sempre." Taishou assentiu com a cabeça, o coração pesado. "Eu sei, Kenji. Eu vou falar com ela, eu prometo." Kenji, ainda com raiva, o encarou com um olhar frio. "Você precisa parar de prometer coisas que não está disposto a cumprir." As palavras de Kenji atingiram Taishou como um soco no estômago. Ele sabia que Kenji estava certo. Ele já havia feito muitas promessas vazias, tanto para Akane quanto para Kenji. E agora, as consequências de suas ações estavam começando a se manifestar de forma cruel.
Taishou se retirou para o quarto, deixando Kenji sozinho com seus pensamentos na sala. A noite se arrastava, pesada e sufocante, enquanto o futuro incerto daqueles três homens pairava no ar como uma nuvem escura. Taishou retornou ao quarto com o coração batendo descompassadamente. Akane estava desfazendo as malas e vestindo um pijama, e a visão do corpo da sua esposa se despindo o atingiu como um raio. Fazia um ano desde a última vez que a vira, e a saudade o consumia. Seus olhos percorreram cada curva, cada detalhe daquela mulher que tanto amava. Akane o notou e o encarou com um misto de constrangimento e tristeza. "Precisamos conversar", disse ela, sentando-se na cama. Taishou assentiu em silêncio, sentindo a tensão tomar conta do ambiente. Ele sabia que essa conversa era inevitável, que precisariam enfrentar os fantasmas do passado e definir o futuro da relação. "Eu sei que você está confuso", Akane continuou, sua voz baixa e carregada de emoção. "Eu sei que você tem perguntas. E eu estou pronta para responder a todas elas." Taishou se sentou ao lado dela, hesitante. Ele não sabia por onde começar, como dar voz aos seus sentimentos e dúvidas. "Por que você fez isso?", ele finalmente perguntou, sua voz rouca. "Por que você me traiu?" Akane desviou o olhar, lágrimas se formando em seus olhos. "Eu não sei", ela murmurou. "Eu me senti perdida, sozinha. Eu estava bêbada e carente. Mas entenda, foi… só sexo. Eu nem conhecia o homem…"
Taishou sentiu uma dor aguda no peito. A traição de Akane o havia machucado profundamente, mas ele ainda a amava. Ele ainda queria que as coisas funcionassem entre eles. "Mas você ainda me ama?", ele perguntou, com a voz carregada de esperança. Akane olhou para ele, seus olhos marejados. "Você está brincando comigo? É claro que eu te amo, Taishou", ela disse com convicção. "Eu deixei tudo para trás para vir ficar com você e com Caleb" Taishou ficou em silêncio, processando as palavras dela. Ele sabia que a situação era complexa, que não havia respostas fáceis. Taishou, com um olhar sério, questionou Akane: "Então, você finalmente tomou sua decisão? Você quer se tornar uma lobisomem e viver comigo na minha nova alcateia?" Akane, com a voz hesitante e o olhar perdido, respondeu: "Eu... eu não sei, Taishou. Quando decidi vir para cá, estava desesperada, precisava estar com você e salvar Caleb. Mas não pensei muito bem sobre o futuro."
Taishou assentiu com a cabeça, compreendendo a situação difícil em que ela se encontrava. "Eu sei, Akane. É uma decisão importante, e você não pode tomá-la sem pensar direito" Ele então explicou a realidade que os aguardava: "Voltar para Hinode é impossível. Lá, nossa vida corre perigo. Precisamos nos adaptar a essa nova realidade, viver isolados neste lugar, longe de tudo e de todos que conhecemos." Akane sentiu uma pontada de tristeza no coração. As palavras de Taishou confirmavam seus maiores medos. Ela teria que abrir mão de tudo que a definia, de sua antiga vida, para viver ao lado dele. "Eu vou ter que esquecer quem eu era para ficar com você?", ela perguntou, com a voz carregada de emoção. Taishou a encarou com amor e compreensão. "Em certo sentido, sim, Akane. Você terá que se adaptar a uma nova realidade, a uma nova identidade.”Akane permaneceu em silêncio por alguns instantes, digerindo as palavras de Taishou. Ela sabia que ele estava certo, que a escolha era difícil, mas que o amor entre eles era a força que os uniria.
"Eu te amo, Taishou", ela disse finalmente, seus olhos marejados. "E eu quero ficar com você, mesmo que isso signifique abrir mão da vida que eu conhecia." Taishou sorriu, um sorriso triste e ao mesmo tempo esperançoso. "Eu também te amo, Akane. E juntos, vamos construir uma nova vida, uma vida que seja nossa, em um lugar onde possamos ser felizes." Eles se abraçaram, seus corações unidos pelo amor e pela incerteza do futuro. A noite caía sobre a cabana, envolvendo-os em um manto de escuridão. Mas no abraço de Akane e Taishou, havia uma chama de esperança que se recusava a apagar, iluminando o caminho para um novo amanhecer. "Precisamos de tempo", ele finalmente disse. "Tempo para pensar, para curar, para entender o que queremos." Akane assentiu, um leve sorriso triste nos lábios. "Eu concordo. Precisamos de tempo." Eles se deitaram juntos, buscando conforto nos braços um do outro. E pela primeira vez, depois de um ano, eles estavam unidos, dormindo na mesma cama outra vez. Na manhã seguinte, um raio de sol dourado penetrou pelas frestas do chalé, anunciando o início de um novo dia. Taishou, que já estava acordado, se preparava para um café da manhã simples, quando ouviu batidas na porta. Ao abrir, deparou-se com Caspian. "Sensei! Entre, entre", Taishou o convidou com um sorriso. Caspian, com sua postura imponente e olhar penetrante, entrou na casa, seus olhos imediatamente fixos em Akane e Caleb, que se encontravam sentados à mesa, terminando o café ao lado de Kenji. "Catarine?", ele perguntou, com a voz carregada de surpresa e confusão.
Um silêncio constrangedor tomou conta da sala. Akane, com um sorriso tímido, respondeu: "Não… não sou Catarine." Caspian a observou por alguns instantes, seus olhos percorrendo cada detalhe do rosto dela. Uma mistura de emoções pairava no ar: surpresa, reconhecimento, nostalgia. "Mas... mas você é...", ele gaguejou, buscando as palavras certas. Taishou, percebendo a situação, interveio: "Calma, Caspian. Akane não é Catarine, mas sim, uma reencarnação dela." Caspian assentiu lentamente, ainda processando a informação. Era verdade. Catarine, a ex-mulher de Taishou havia sido cruelmente morta na fogueira. Mas agora, ela estava ali, retornando à vida em um novo corpo.
"Sim, de fato, a senhorita tem semelhanças indiscutíveis com Catarine", ele disse, sua voz carregada de um misto de tristeza e admiração. Akane, cansada de ser constantemente comparada à mulher que Taishou amou no passado, forçou um sorriso torto. "Sou Akane Hiromi Seiji", sou mulher de Taishou, e embora eu pareça com ela, eu não sou ela. Disse com firmeza. Caspian, percebendo seu desconforto, desviou o olhar para Caleb, que o observava com curiosidade. "Caleb, meu querido", ele disse com um sorriso gentil. "A última vez que te vi, você era apenas uma criança de cinco anos. Agora, olhe para você, quase um homem."
Caleb, ainda tímido diante da figura gentil de Caspian, murmurou um simples "oi". Akane, aproveitando a oportunidade, explicou para Caspian tudo o que ela e Caleb haviam passado nos últimos dias até chegarem ali: a fuga de Hinode, o descontrole de Caleb, a busca por refúgio na cabana. Caspian, comovido pela história, se aproximou de Caleb e colocou uma mão gentil em seu ombro. "Não se preocupe, Caleb", ele disse com convicção. "Você será uma adição importante para a alcateia. E eu guiarei você por esse caminho a partir de agora. Você nunca mais temerá a besta." A sala do chalé se transformava em um palco de emoções intensas. Taishou, Caleb, Caspian, Akane e Kenji, cada um com seus próprios pensamentos e preocupações, se reuniam para discutir o futuro da alcateia e o destino de Caleb. No centro da sala, Caleb, o jovem lobisomem, expressava sua angústia e frustração com a maldição que carregava. A dor da transformação, o medo de perder o controle e machucar os outros, a busca por uma vida livre da influência da Lua cheia o consumiam. Suas palavras ecoavam pela sala, carregadas de desespero: "Mas como eu vou lidar com isso? Não quero viver uma vida na qual eu preciso ficar amarrado e trancado enquanto passo a Lua cheia inteira gritando de agonia enquanto sou obrigado a me transformar em um lobo negro gigante e devorar tudo o que eu vi na frente, não posso simplesmente viver dessa forma, quero ser livre da dor que é ser um lobisomem! E não tem nada que você possa fazer?"
Taishou e Kenji, que também carregavam seus próprios fardos com a besta, olhavam para Caleb com tristeza e compreensão. Eles sabiam da dor que ele sentia, da luta interna que travava contra a maldição. Caspian, o sábio líder da alcateia, ponderou as palavras de Caleb com cuidado. Em seus olhos, havia uma mistura de compaixão e determinação. "Meditação", ele disse com calma. "A meditação pode te ajudar a controlar seus poderes, a canalizar sua energia e a lidar com a dor da transformação." Mas Caleb o interrompeu com veemência. "Meditação é inútil... Me fala a verdade Caspian, tem realmente alguma coisa que me libertaria dessa maldição?" Caspian suspirou, seus ombros carregados pelo peso da responsabilidade. "Eu vou te ajudar, Caleb", ele disse com firmeza. "Vou te ensinar tudo o que sei sobre a natureza da maldição, sobre os poderes dos lobisomens e sobre como controlá-los." Ainda assim, a desilusão era evidente no rosto de Caleb. "Vai? De quê forma? Mas, não existe um lugar que eu não sinta essa influência? Algo que me torne imune a essa maldição?" Taishou, sentindo a necessidade de intervir, se aproximou de Caleb e colocou uma mão em seu ombro. "Caleb, você precisa aceitar a realidade", ele disse com gentileza. "Você é um lobisomem. E nada pode mudar isso."
Caspian concordou com a cabeça, complementando as palavras de Taishou. "Você pode viver conosco na alcateia, Caleb", ele disse. "Aqui, você estará entre os seus, entre aqueles que te entendem e que podem te ajudar a lidar com a maldição." Mas Caleb parecia relutante. "Mas qual o sentido disso? Vou viver com uma alcateia e ter que viver amarrado por lá também? Aonde está a liberdade? Além do mais, eu tenho receio de viver com uma alcateia, quando eu transformo-me na Lua cheia, eu perco o controle e acabo atacando as pessoas, matando-as, não quero isso, eu não quero ser um psicopata ou assassino!" A angústia de Caleb era palpável, seus olhos marejados de lágrimas. Ele não via saída, apenas um futuro de sofrimento e medo.
A reunião no chalé se estendeu por mais algumas horas, com Caspian, Kenji e Taishou discutindo os planos para o futuro da alcateia e a integração de Caleb. Akane, por sua vez, se sentia cada vez mais deslocada à nova família, enquanto Caleb era orientado a uma perspectiva de treinar com Caspian e aprender a controlar seus poderes de lobisomem. Em meio à penumbra da sala, Caspian se ergueu, sua voz carregada de convicção: "Você não viverá acorrentado, Caleb. Aqui, neste refúgio, você aprenderá a coexistir com a sua natureza, a domar a fera interior que te atormenta." Kenji e Taishou, observavam Caleb com compaixão, seus olhos suplicantes implorando por uma chance. Taishou, com a sabedoria de anos, interveio: "Caspian sabe como te guiar, Caleb. Ele, como você, é um lobisomem, e encontrou o caminho para controlar sua própria besta." Dúvidas e incertezas atormentavam Caleb. "Tem certeza que ele pode me ajudar?", questionou com voz insegura. "Pai, eu sou diferente de Caspian. Eu perco o controle, meus sentimentos negativos me consome. E se eu machucar alguém? Kenji, sentindo a profunda angústia de Caleb, interveio com palavras de esperança: "Dê uma chance a Caspian, Caleb. Sua sabedoria e experiência me auxiliaram a superar essa agonia. Pode ajudar você também"
Finalmente, Caleb cedeu, sua voz carregada de resignação: "Está bem... quero aprender a controlar essa maldição. Não quero mais ser o monstro que me torno na lua cheia. Se viver aqui, com uma alcateia é a única maneira de evitar que me torne um assassino, que machuque inocentes. Eu concordo. Mas só ficarei se Caspian realmente me ajudar a controlar a fera interior." Caspian, com um sorriso reconfortante, estendeu a mão: "Você tem minha palavra, Caleb. Juntos, encontraremos a paz que tanto busca." Enquanto o sol se despedia no horizonte, lançando cores vibrantes no céu, Taishou, Kenji e Caleb se despediam de Caspian, com a promessa de se reencontrarem em breve para iniciar o treinamento. O chalé, que antes era um refúgio solitário, agora se transformava em um lar cheio de esperança e novos começos. Um véu de incerteza pairava sobre Akane enquanto ela observava Caleb se preparar para o treinamento. Sua voz, carregada de preocupação, ecoou pela sala: "Caleb sempre teve dificuldade de controlar a besta interior. Ele nunca foi como você, Taishou." Taishou, com a serenidade de um lobo experiente, ergueu o olhar para sua esposa. Em seus olhos, um brilho de convicção inabalável: "Akane, a fera interior reside em todos nós. E assim como eu consegui dominar a minha, Caleb também encontrará o caminho para a redenção." Kenji, com a ingenuidade de um jovem que ainda não provou a fúria da maldição, interveio: "Eu nunca experimentei a fúria do lobo negro como vocês. Mas se eu, Caspian e Taishou conseguimos controlar nossos sentimentos, Caleb também pode."
Caleb, abatido pelo peso da culpa e do desespero, discordou veementemente. "Vocês não entendem! Eu já perdi muito de minha pureza. O lobo branco que outrora habitava em mim se foi, consumido pela sede de sangue e pela violência. Eu já tirei a vida de tantos inocentes... Como posso esperar que ele retorne?" Sua voz, carregada de angústia, reverberou pela sala, ecoando a dor de um jovem atormentado por seus próprios demônios. A atmosfera se tornou densa, carregada de uma mistura de incerteza, esperança e desespero.
Taishou se aproximou de Caleb, seus olhos carregados de compaixão e sabedoria. "Caleb, meu filho," ele começou, sua voz suave cortando o silêncio carregado de tensão, "o lobo negro reside em todos nós, mas só domina o coração daqueles que se deixam consumir por ele. O ódio que você carrega em seu interior, a fúria que te atormenta, é apenas alimento para a besta." Caleb, seus olhos marejados de lágrimas, olhou para Taishou com uma mistura de raiva e desespero. "Mas como posso esquecer? Como posso perdoar aqueles que me causaram tanto sofrimento?", ele questionou, sua voz carregada de dor. Taishou colocou uma mão reconfortante no ombro de Caleb. "A busca pela redenção não se trata de esquecer ou perdoar, Caleb. É sobre encontrar a paz interior, sobre superar a escuridão que te consome. E essa jornada começa com o reconhecimento do ódio que você nutre." Caleb abaixou a cabeça, seus punhos cerrados com força. O sentimento de ódio que ele carregava era um fardo pesado, um peso que o arrastava para baixo. O ódio pelos humanos que assassinaram sua mãe biológica, Catarine, o ódio por Taishou, seu pai, por obrigá-lo a se reintegrar entre os humanos, o ódio por Sakura, amiga de infância de sua mãe adotiva, Akane, por impedir ele e Yuki de serem um casal feliz. E o maior sentimento de ódio de todos, é ele estar longe da única pessoa que ele considerava importante em sua vida. Yuki Fujioka.
"Mas como posso enfrentar todos esses sentimentos de ódio em meu coração?", ele murmurou, sua voz quase inaudível. "Eu não sei como... eu não sei se sou forte o suficiente..." Taishou ergueu o queixo de Caleb, seus olhos transmitindo uma força inabalável. "Você é forte, Caleb. Mais forte do que imagina. O lobo branco ainda vive dentro de você, apenas adormecido pelo ódio. É hora de acordá-lo, de encontrar a luz que te guiará para a redenção." As palavras de Taishou ecoaram na mente de Caleb, acendendo uma pequena faísca de esperança em seu coração. Ele sabia que a jornada seria árdua, mas estava disposto a enfrentá-la. A redenção era sua única chance de encontrar a paz que tanto almejava.
A noite se arrastava sobre Caleb como um manto pesado, carregada de pesadelos que o atormentavam. Em seus sonhos, o lobo negro interior rugia com fúria, devorando impiedosamente todos aqueles que ele amava. Caleb suava frio, seus músculos se contraindo em agonia enquanto ele se debatia contra a fera em seu interior. Ao despertar, ele se viu encharcado de suor, a respiração ofegante e o coração batendo descompassado. A imagem vívida do pesadelo ainda assombrava sua mente, alimentando o medo e a insegurança que o consumiam. Levantando-se da cama, ele seguiu para a cozinha em busca de água para acalmar seus nervos. Mas no caminho, uma cena chocante o paralisou: Taishou, seu pai, envolvido em um beijo apaixonado com Kenji, o melhor amigo de infância de Akane e Taishou. O choque percorreu o corpo de Caleb como um raio, deixando-o atordoado e confuso. "Mas... eles não eram apenas amigos?", ele questionou em silêncio, enquanto a incredulidade tomava conta de sua mente. "Meu pai... está traindo minha mãe com o melhor amigo deles?" Sentindo um aperto no peito, ele recuou para seu quarto, a mente em ebulição. A imagem do beijo pairava em seus pensamentos, alimentando um novo sentimento de ódio que se instalava em seu coração. Ódio do próprio pai, por destruir a família que ele tanto amava. O lobo negro dentro de si rugiu em aprovação, alimentando-se da dor e da raiva que consumiam Caleb. O jovem lobisomem se sentia preso em um turbilhão de emoções, sem saber como lidar com a traição que presenciara. A noite que deveria ser um momento de descanso se transformou em um pesadelo real, deixando Caleb ainda mais abalado e perdido.
Ao romper da aurora, os primeiros raios de sol banharam o chalé em uma luz dourada, dissipando a escuridão da noite que havia assolado Caleb. O jovem lobisomem, marcado pelos eventos da noite anterior, ainda carregava o peso do ódio e da confusão em seu coração. Caspian, o sábio mentor de Caleb, chegou ao chalé com um sorriso caloroso no rosto. Sua presença serena e tranquilizadora contrastava com a tormenta interna que consumia Caleb. Sem perder tempo, Caspian convidou Caleb para embarcar em seu primeiro ritual de treinamento, uma jornada crucial para o jovem lobisomem aprender a controlar a fera interior que o atormentava. Kenji e Taishou, apesar de suas próprias apreensões, acompanharam Caleb e Caspian em direção à floresta. Akane, com o coração repleto de preocupação, os observou partir da janela do chalé, torcendo pelo sucesso de Caleb em sua árdua jornada. A floresta, banhada pela luz da manhã, se apresentava como um portal para o desconhecido. Caleb, com passos hesitantes, adentrou nesse mundo místico, guiado por Caspian e acompanhado por Kenji e Taishou. O futuro era incerto, mas a esperança de redenção ainda ardia em seu coração, impulsionando-o a enfrentar os desafios que o aguardavam. Guiados por Caspian, Caleb, Taishou e Kenji adentraram na clareira da floresta, um lugar místico banhado por uma luz dourada filtrada pelas copas das árvores. O ar vibrava com uma energia peculiar, uma mistura de paz e poder que despertava uma mistura de sentimentos em Caleb. Ao se aproximarem do centro da clareira, seus olhos se depararam com um espetáculo grandioso: uma alcateia de lobos brancos majestosos se reunia em volta de uma fogueira crepitante. Seus pelos brancos como a neve cintilavam ao sol, seus olhos dourados brilhavam com inteligência e força.
Um sentimento de pertencimento tomou conta de Caleb. Pela primeira vez em sua vida, ele se sentia parte de algo maior, parte de uma comunidade que compartilhava sua natureza e seus desafios. A presença dos lobos brancos emanava uma aura de paz e acolhimento, acalmando a tempestade de emoções que assolava seu interior. No entanto, um fio de medo ainda persistia em seu coração. A lembrança da fera interior que o atormentava pairava em sua mente, alimentando a incerteza sobre sua capacidade de controlar a besta. E se ele perdesse o controle? E se machucasse um desses lobos brancos que o acolhiam com tanta gentileza? Caspian, percebendo a apreensão de Caleb, aproximou-se dele e colocou uma mão reconfortante em seu ombro. "Não tema, Caleb," ele disse com uma voz serena. "Os lobos brancos reconhecem a pureza em seu coração. Eles sabem que você luta contra a escuridão, e estão aqui para te ajudar em sua jornada." As palavras de Caspian acalmaram o coração de Caleb, mas o medo ainda persistia. Ele sabia que a batalha contra a fera interior seria árdua e que precisaria de toda a sua força e determinação para alcançar a redenção. Caleb, Taishou e Kenji se juntaram aos lobos brancos em volta da fogueira crepitante. O silêncio da clareira era apenas quebrado pelo crepitar das chamas e pelos sons da floresta ao redor. Caspian, com sua voz calma e serena, iniciou o ritual de treinamento.
"Caleb," ele disse, "estamos aqui reunidos para te guiar em sua jornada de autodescoberta e redenção. A fera interior que te atormenta é poderosa, mas você também possui força e bondade em seu coração. Este ritual te ajudará a reconhecer essas qualidades e a usá-las para controlar a besta." Caspian instruiu Caleb a se concentrar em sua respiração, a sentir o ar entrando e saindo de seus pulmões. Ele pediu para que o jovem fechasse os olhos e imaginasse a luz dourada do sol banhando seu corpo, purificando-o e acalmando sua mente.
Caleb seguiu as instruções com atenção, fechando os olhos e concentrando-se em sua respiração. A cada respiração, ele sentia a tensão em seu corpo diminuir, e a luz dourada em sua mente se intensificar. De repente, ele sentiu uma presença ao seu lado. Ele se deparou com um lobo branco majestoso, seus olhos dourados fixos nele com uma expressão de compreensão e compaixão. O lobo se aproximou de Caleb e esfregou seu focinho em sua mão. Caleb sentiu uma onda de calor e paz emanar do lobo, acalmando ainda mais seus medos. A paz que havia tomado conta de Caleb foi subitamente destruída por um surto de fúria incontrolável. O lobo negro, a fera interior que o atormentava, irrompeu do seu interior com um rugido feroz, atacando o lobo branco com ferocidade.
O lobo branco recuou ferido, e Caleb, tomado pela escuridão dentro de sua própria mente, perdeu o controle de seus sentidos. Seus olhos se encheram de uma luz vermelha, seus dentes se cerraram em um sorriso cruel e suas garras se estenderam como lâminas afiadas. Caleb abriu seus olhos em pânico. Coma respiração ofegante. Caspian observou a cena com horror e preocupação. "Ele tem muito ódio e rancor dentro do coração," ele disse para Taishou e Kenji, sua voz carregada de tristeza. "Será que ele conseguirá controlar a fera interior?" Taishou, com a força da experiência estampada em seus olhos, respondeu: "Eu sei que existe força e bondade dentro de Caleb para superar a escuridão. Acredito nele." Kenji, ainda com a preocupação presente em seu olhar, questionou: "Ele está tão perdido... será mesmo que ele consegue?" Caspian ergueu a mão, pedindo silêncio. "A batalha de Caleb é interna. Ele precisa encontrar a força dentro de si para enfrentar a fera interior. Mas nós podemos estar ao seu lado, oferecendo apoio e encorajamento. A esperança é a última que morre. Vamos tentar de novo…" As palavras de Caspian ecoaram na clareira, trazendo um fio de luz para o meio da escuridão. A batalha de Caleb apenas havia começado, mas a fé em sua redenção ainda persistia.