A notícia do massacre no Festival da Lua pairava sobre a cidade como uma sombra implacável, tingindo cada esquina com medo e pesar. As aulas foram suspensas, e o toque de recolher imposto reforçava a sensação de luto e tensão; mais de cinquenta vidas haviam sido perdidas naquela noite, deixando uma cidade em choque. Em suas casas, famílias se reuniam em torno das televisões, buscando respostas que nunca pareciam suficientes. As imagens dos seis estudantes sobreviventes, os únicos poupados, estampavam as telas com seus rostos assombrados pela dor. O noticiário especulava: seria possível que lobos selvagens tivessem chegado ao centro da cidade para provocar tamanha brutalidade? As perguntas sem resposta alimentavam o medo e a paranóia. As ruas, antes movimentadas, estavam agora desertas e silenciosas. Às 18 horas, o toque de recolher esvaziava a cidade, que mais parecia presa em um pesadelo inescapável. Na delegacia, o detetive Makoto Tanaka, se dedicava exaustivamente ao caso. Examinando cada pista e interrogando os sobreviventes, ele tentava desvendar o que realmente acontecera naquela noite. A visão dos corpos mutilados no necrotério só aumentava o mistério. "Mordidas, talvez de animais… ou algo mais?" o necropsista sugeriu, enquanto Tanaka observava incrédulo. A cidade contava com ele para encontrar os culpados e, enquanto isso, a incerteza assolava a todos.
Na casa dos Hiromi, Ryo lia o jornal com um café em mãos, o olhar pesado. Sua filha, Akane, ainda refletia o trauma nos olhos, apagados de qualquer brilho. Ao lado dela, sua mãe, Haruko, abraçava-a, horrorizada. "Graças a Deus Taishou estava lá, Ryo. Quem sabe o que poderia ter acontecido sem ele." Ryo assentiu, um sentimento raro de gratidão por ter aquele genro ao seu lado. "Eu estou bem, mamãe, papai. Taishou me protegeu." Akane tentava tranquilizá-los, mas o peso do que vivenciaram era palpável. Nessa mesma noite, Akane repousava em seu quarto, lutando para processar a tristeza e o medo. O toque repentino do telefone a fez saltar. Ela atendeu, a voz trêmula. "Akane," disse Taishou, monossilábico e urgente. "Preciso que venha aqui em casa." Sem maiores explicações, ele desligou. Depois de informar aos pais, saiu para encontrá-lo, atravessando a cidade deserta sob o toque de recolher e os olhares desconfiados da polícia. Chegando à casa de Taishou, ela encontrou-o à porta, vestido apenas com uma calça de moletom preta, o olhar denso e sombrio. "Akane," ele disse, com a voz rouca. "Entre."
Dentro da casa, a atmosfera era tensa, impregnada de algo não dito. "Acho que grampearam nossos telefones," ele disse, observando a viatura policial do lado de fora. Fechou as persianas e fitou-a. Akane franziu o cenho, sentindo o peso de suas palavras. "Você acha que eles suspeitam de algo?" ela murmurou, mal ousando perguntar. Sem responder, Taishou levou-a a um quarto isolado, onde um garoto estava deitado na cama. Era Caleb, o filho de Taishou. Com uma aparência de oito anos, o garoto carregava o mesmo segredo que o pai: o de ser um lobisomem. Ao ver Akane, ele a fitou com desdém. "Você se parece com a minha mãe, mas não é ela," resmungou ele. "Calado, moleque," Taishou repreendeu o filho. "Akane não é sua mãe, mas eu sou seu pai." Em seguida, virou-se para Akane, o olhar hesitante. "Você tem certeza de que foi uma boa ideia deixá-lo viver?" O impacto de suas palavras a abalou. "Taishou! Caleb é seu filho."
Ajoelhando-se ao lado da cama do menino, Akane se aproximou dele com compaixão. "Caleb, eu sei que você está com raiva. Mas estou aqui para ajudar." O garoto a fitou com intensidade, os olhos escurecidos. Após um longo silêncio, murmurou baixinho, "Tanto faz." Aquilo era um começo, ainda que mínimo, para a confiança. A tensão, no entanto, ainda pairava. "Caleb," ela continuou, tentando encontrar uma base comum, "você gostaria de se tornar forte e controlado, como seu pai?" O menino bufou. "Meu pai é fraco. Ele não bebe sangue humano, então está enfraquecendo." As palavras de Caleb deixaram Akane em choque. Ela olhou para Taishou, que desviou o olhar, resignado. "Sim, Akane," ele murmurou, com uma tristeza latente. "Caleb está certo. Sem sangue humano, nós ficamos vulneráveis." Akane sentiu o peso daquela revelação. A batalha de Taishou entre sua natureza e o desejo de coexistir pacificamente parecia cada vez mais complexa.
Ela lançou um olhar profundo para Caleb, que a encarava com seus olhos escuros e intensos. Algo no olhar dele a desafiava, uma mescla intrigante de raiva, medo e solidão. "Caleb," ela começou, a voz firme, "sei que você está com raiva, assustado, e se sente só. Mas quero que saiba que não está sozinho. Estou aqui e quero te ajudar." Caleb nada respondeu; seus olhos permaneceram fixos nos dela por um longo instante até ele desviar o olhar, murmurando baixo: "Ajudar? Como?" O silêncio tomou o quarto. Akane se aproximou e se sentou ao lado dele na cama, com o olhar cheio de compaixão. "Não sei exatamente como," admitiu, sincera, "mas quero que você seja feliz, que tenha uma vida boa." Caleb a observou, e por um breve momento, algo parecido com esperança cintilou em seu olhar. "Você realmente quer me ajudar?" perguntou ele, a voz carregada de desconfiança. Akane assentiu. "Sim, Caleb. Eu quero." "Então comece saindo de perto de mim," ele respondeu, frio. "Seu cheiro... me irrita. Só o fato de ousar ter o mesmo cheiro que minha mãe desperta em mim a vontade de te devorar."
Akane ficou paralisada com a resposta, a esperança que brotara em seu peito murchando instantaneamente. As palavras de Caleb eram afiadas e cruéis, e ela sentiu o impacto como uma ferida profunda. Taishou, percebendo sua dor, pegou-a pela mão e a guiou para fora do quarto, fechando a porta com calma. "Não adianta," disse ele em um sussurro gentil. Encostada na parede do corredor, Akane deixou que as lágrimas descessem. Taishou a envolveu em um abraço consolador. "Ele ainda é uma criança, ferida e perdida," murmurou, tentando acalmá-la. "Ele não sabe o que realmente quer." Nos braços de Taishou, Akane encontrou conforto. Sabia que, por trás da hostilidade de Caleb, havia uma criança que precisava de amor e orientação. Para Caleb, cada amanhecer era uma angústia. A luz do sol, que antes aquecia sua cabana na floresta, agora revelava o desconforto da casa onde ele estava. O cheiro dos humanos impregnava o ar, e ele se sentia constantemente nauseado e irritado. O menino, um dos poucos sobreviventes do massacre no festival, resistia a qualquer tentativa de aproximação dos detetives e médicos que o interrogavam, respondendo com monossílabos e se encolhendo ao menor toque.
À noite, o sono lhe fugia, substituído por memórias sombrias do ataque no festival. Ele via os corpos que atacara dançando em sua mente, assombrando-o a cada piscada. Em uma dessas noites, Caleb se sentou na cama, perdido no escuro. As lágrimas surgiram, e um soluço escapou de sua garganta. Ele queria voltar para a floresta, para o lar seguro que seu pai construíra. Aquele mundo humano, com suas regras e cheiros estranhos, não o compreendia, e ele sentia que estava sendo enjaulado como um animal. Sempre que Akane tentava se aproximar, ele rosnava para ela, assustado e hostil. Taishou tentava intermediar a relação dos dois, mas sem sucesso. Naquela tarde, Taishou e Akane sentaram-se exaustos no sofá, a conversa sobre Caleb pairando entre eles. "Ele está fora de controle," desabafou Taishou, esfregando as têmporas. "Ele precisa de socialização," Akane sugeriu. "Que tal apresentá-lo a Yuki-chan, a irmãzinha da Sakura?" Taishou arqueou as sobrancelhas. "Você quer colocar Yuki em perigo?" "Yuki é esperta," insistiu Akane. "Ela saberá lidar com ele." Depois de um longo momento de hesitação, Taishou finalmente cedeu. "Está bem. Podemos tentar."
Ao entardecer, eles caminharam até a casa de Sakura. Quando Akane bateu à porta, Sakura a abriu, mas, ao ver Taishou e Caleb, fechou imediatamente a porta em suas caras. Taishou soltou uma risada seca. "Tentamos." Mas Akane não desistiu e continuou batendo. Finalmente, Sakura abriu a porta outra vez, com o rosto sério. "O que pensa que está fazendo, Akane?" Akane olhou para ela, determinada. "Precisamos da sua ajuda. Precisamos da Yuki." Com relutância, Sakura permitiu que entrassem. Na sala, a tensão era palpável enquanto Akane explicava seu pedido. "Ele só é perigoso nas noites de lua cheia," disse com convicção. "Nos outros dias, ele é apenas uma criança, como qualquer outra." Sakura cruzou os braços, cética. "Uma criança? Mais parece um mini assassino canibal!" Taishou, impassível, interrompeu. "Estarei aqui, e cuidarei para que ele não machuque ninguém." Sakura respirou profundamente, refletindo sobre a oferta de Taishou. Apesar das dúvidas e receios que a atormentavam, ela sabia que precisava fazer algo para ajudar Caleb. "Tudo bem," finalmente concordou, relutante. "Se é para impedir que o garoto mate mais alguém." Sua voz era repleta de sarcasmo, mas seus olhos revelavam uma centelha de compaixão. "Yuki!" chamou, convocando sua irmã mais nova. Após alguns minutos, Yuki desceu as escadas, seu rosto angelical iluminado por um sorriso inocente. Vestindo um pijama de ursinho, estava completamente alheia à tensão no ar. Sakura, sem saber como abordar a situação, apresentou as crianças: "Yuki, este é o filho de Taishou, ele se chama Caleb."
Caleb e Yuki se encararam por um longo momento, os olhares avaliando-se cautelosamente. Finalmente, Caleb rompeu o silêncio. "Você é um urso de verdade?" perguntou, hesitante. Yuki soltou uma risada, seus olhos brilhando de alegria. "Claro que não, seu bobo! Isso é uma fantasia!" Intrigado, Caleb tocou a própria cabeça. "Pois eu sou um lobo de verdade!" exclamou. Yuki arregalou os olhos, ainda mais animada. "É sério?" ela perguntou, maravilhada. "Que incrível!" Caleb sentiu as bochechas esquentarem com o entusiasmo da garota.
Nunca antes tinha recebido uma reação tão positiva. "Você é fofinha," disse, sorrindo timidamente. "Eu não tenho vontade de matar você." Yuki olhou para ele, confusa. "Matar? Do que você está falando?" Taishou, Akane e Sakura observavam a conversa com uma mistura de surpresa e alívio. Era a primeira vez que Caleb demonstrava interesse em interagir com outra criança, e Yuki, com sua inocência e gentileza, parecia abrir uma nova porta para ele. Finalmente, Yuki se animou. "Eu tenho um jogo de tabuleiro no quarto," disse a Caleb. "Você quer jogar?" Intrigado, ele aceitou o convite. Yuki sorriu, os olhos transbordando alegria, e foi buscar o jogo. Naquele momento, uma semente de esperança germinou no coração de todos os presentes: a possibilidade de que Caleb pudesse, enfim, encontrar um lugar a que pertencesse.
Yuki voltou com o jogo em mãos, seus olhos brilhando de entusiasmo. Com paciência, explicou as regras a Caleb, que as assimilou com facilidade. Em pouco tempo, as duas crianças estavam completamente imersas no jogo, rindo e se divertindo como se fossem amigos de longa data. Sakura observava a cena, surpresa e aliviada. "Não acredito," murmurou para si mesma. "Ele não explodiu nem nada." Akane não conseguiu conter uma risada aliviada. A tensão no ar havia se dissipado, dando lugar a um renovado sentimento de esperança. Taishou, por sua vez, mantinha os olhos fixos em Caleb, vigilante e pronto para intervir se necessário. Enquanto as crianças brincavam, Akane se aproximou de Sakura e a agradeceu por permitir que Yuki interagisse com Caleb. "Você não sabe o que isso significa para mim," disse, emocionada. Sakura deu de ombros, como se minimizasse o gesto. "Amigos estão aqui para isso.”
"Você protegeu Taishou durante o interrogatório da polícia," comentou Akane pensativa. "Eu não podia entregá-lo em bandeja de prata para a polícia. Vocês são meus melhores amigos." Respondeu Sakura pensativa. Um sorriso iluminou o rosto de Akane, que se aproximou e abraçou Sakura com força. As duas amigas permaneceram unidas por um longo momento, seus corações transbordando emoção. Taishou observou as amigas com uma calma gélida. Seus olhos pousaram em Sakura, e ele disse: "Obrigado, Fujioka." Ela retribuiu com um sorriso tímido. "Não precisa agradecer," murmurou. A tarde fluiu em conversas sobre o andamento das investigações. Akane expressou suas preocupações sobre a segurança de Taishou e Caleb. Taishou admitiu seu receio de estar sendo monitorado pela polícia. Sakura deu de ombros. "Se eles descobrirem, você acha que conseguirão detê-lo? A história da prata é verdadeira?" indagou, lançando um olhar curioso para Taishou. Ele manteve a seriedade e assentiu. "Sim, é por isso que uso esses cordões de prata," disse, indicando as correntes em seu pescoço. "Para manter meu lado selvagem sob controle." Sakura se levantou, anunciando que prepararia um lanche para as crianças e convidou Akane para ajudá-la.
Taishou permaneceu imóvel, afirmando que ficaria perto de Caleb. Apesar da tranquilidade do menino enquanto brincava com Yuki, Taishou sabia que gatilhos inesperados poderiam afetar um lobisomem. Na cozinha, Sakura e Akane se dedicavam ao lanche, discutindo os próximos passos. Sakura perguntou a Akane sobre seus planos. A resposta veio com hesitação. Sua intenção era controlar Caleb e evitar que ele se tornasse uma ameaça. Um silêncio se instalou, interrompido pelo sussurro de Sakura. "E quanto a você e Taishou? Já pensaram no relacionamento de vocês?" perguntou baixinho. Akane se viu imersa em reflexões. Desde o massacre do festival da lua, a intimidade com Taishou havia se tornado rara.
Os momentos a sós para discutir o relacionamento eram escassos, e com Caleb morando na casa de Taishou, tudo parecia ainda mais complicado. Sakura se ofereceu para cuidar de Caleb diariamente, proporcionando tempo livre para Akane e Taishou. Akane a encarou, surpresa. "Você faria isso por nós?" questionou. Sakura soltou uma risada. "Claro, só preciso comprar alguns objetos de prata," respondeu, fazendo as duas amigas caírem na gargalhada. Um silêncio reconfortante as envolveu. Então Akane perguntou: "Você conversou com Kenji desde então?" Sakura balançou a cabeça com tristeza. "Kenji parece... distante. Ele não aceitou bem a origem de Taishou," murmurou. Akane se entristeceu. "Ele não o entregou, também," lembrou. Sakura a fitou com seriedade. "Kenji é uma zona neutra. Ele não gosta de Taishou, mas não o odeia o suficiente para desejar que ele seja caçado como um monstro," disse, enquanto observava a paisagem pela janela da cozinha e suspirava. "Lobisomens vivendo pacificamente na cidade de Hinode. Que mundo maluco."
Na porta da casa, Taishou, Caleb e Akane se despediram de Sakura e Yuki. Com sua timidez característica, Yuki perguntou a Caleb se ele gostaria de brincar com ela outro dia. Caleb, sorrindo radiante, respondeu que adoraria. Finalmente, os três seguiram de volta para casa. Algumas semanas se passaram e o ritmo das investigações sobre o Massacre do Festival da Lua pareceu esfriar. A polícia, antes implacável na busca pelos culpados, agora mostrava menos fervor. Gradualmente, as pessoas retomaram suas vidas, tentando apagar da memória o terrível acontecimento. A pequena cidade de Hinode foi se curando do terror que havia presenciado. O toque de recolher foi suspenso e as aulas finalmente puderam voltar à normalidade. Ao se encontrarem nos corredores do colégio, Hinata, Akane e Sakura se abraçaram em um momento de pura emoção, incapazes de conter as lágrimas de alegria por estarem juntas novamente. As amigas conversaram o dia todo, colocando o papo em dia e compartilhando suas experiências durante o tempo em que estiveram separadas.
Durante o intervalo, desfrutaram de um piquenique no jardim da escola, rindo e contando histórias sobre suas vidas. Akane, curiosa, questionou Sakura sobre Kenji e o motivo de sua ausência nas aulas. Sakura, com um sorriso sem graça, explicou que ele estava em casa se recuperando dos ferimentos sofridos durante o ataque. Hinata, com sua timidez habitual, também quis saber notícias de Taishou. Akane, demonstrando certo desconforto, limitou-se a dizer que ele estava cuidando de um parente doente. Ao final do dia, as garotas, buscando um pouco de paz e tranquilidade, decidiram visitar a Casa de Chá da Haru. Em meio à agitação da cidade, escondida em uma rua tranquila, encontra-se a "Casa de Chá da Haru", um refúgio de paz e deleite para os amantes de chá e doces. A casa, uma obra de arte, possui arquitetura tradicional de madeira e telhas escuras. Uma pequena placa de madeira com o nome da casa, escrito em caligrafia japonesa, indica a entrada. Ao abrir a porta, as amigas foram recebidas por uma melodia suave e relaxante, o aroma de chá fresco e o sorriso caloroso de Haru Terasaki, a proprietária.
"Finalmente você trouxe suas amigas aqui, Hinata," disse Haru, sorrindo para sua filha. "Oi, mamãe," respondeu Hinata timidamente. Haru Terasaki, mãe de Hinata, uma adolescente de dezesseis anos, irradia uma beleza serena. Seus cabelos negros estão delicadamente presos em um penteado tradicional, enquanto seus olhos castanhos transmitem uma mistura de gentileza e sabedoria. Ela veste um encantador yukata, um kimono leve e colorido, que harmoniza perfeitamente com a atmosfera acolhedora da casa de chá.
O interior do estabelecimento é um verdadeiro refúgio, com piso de tatame e paredes decoradas com pinturas tradicionais japonesas. No centro da sala, um chabudai — uma mesa baixa de madeira — convida os clientes a se acomodarem para saborear o chá e os deliciosos doces da casa. Cada bebida e cada iguaria são preparados por Haru com carinho e dedicação, utilizando apenas ingredientes frescos e de alta qualidade. Para ela, a culinária é uma forma de expressar amor, e isso se reflete em cada mordida de seus bolos e doces. A casa de chá, com sua atmosfera relaxante e aroma envolvente, oferece às amigas um espaço seguro e acolhedor, onde podem se reconectar e fortalecer seus laços de amizade. É um momento de recomeço, esperança e união após os dias sombrios que a cidade presenciou.
Hinata, com um sorriso radiante, compartilha com suas amigas Akane e Sakura as histórias por trás de cada doce que sua mãe preparou. Seus olhos brilham de alegria ao ver as amigas se deliciarem com as tortas saborosas que a casa de chá oferece. Com a boca cheia de doces, Sakura, em sua típica impulsividade, pergunta por que demoraram tanto para visitar o local. Hinata e Akane caem na gargalhada, concordando que a casa de chá é um verdadeiro paraíso que merece ser mais frequentado. A conversa logo muda de rumo, e as amigas falam sobre o futuro. As provas finais estão se aproximando, e a formatura do ensino médio se avizinha. Curiosa, Akane pergunta a Sakura sobre seus sonhos e aspirações. Com entusiasmo, Sakura descreve seu desejo de se tornar uma médica renomada, ajudando as pessoas. Em seguida, Akane faz a mesma pergunta a Hinata, que, de maneira tímida, confessa seu desejo de seguir carreira na música e tocar piano profissionalmente.
As amigas a incentivam, reconhecendo seu talento e potencial. Finalmente, as duas perguntam a Akane sobre seus próprios planos, pegando-a de surpresa. Seus pensamentos a transportam para a noite do festival, quando Taishou a pediu em casamento em um momento mágico e inesquecível. Seu rosto cora ao recordar esse instante, que foi brutalmente interrompido pelo massacre causado por Caleb. Um misto de emoções a domina: tristeza pela lembrança do ataque, saudade de Taishou e incerteza sobre o futuro. Após uma pausa profunda, com a voz embargada, confessa às amigas que ainda não tem certeza do que deseja fazer. Sakura e Hinata, compreensivas, a envolvem em um abraço, oferecendo apoio e conforto. Elas sabem que a amiga enfrenta um momento difícil e estão ali para ajudá-la a superar os desafios e encontrar seu caminho. Juntas, as três continuam a conversar, compartilhando sonhos, medos e esperanças para o futuro. A casa de chá, com sua atmosfera acolhedora e seus doces deliciosos, se transforma em um santuário para as garotas, um lugar onde a amizade e o apoio mútuo se fortalecem, preparando-as para os desafios que a vida lhes reserva.