As palavras de Taishou, “Não precisa ter medo,” soavam como uma zombaria cruel. Seus olhos gélidos, sua boca pálida, agora adornados por presas afiadas que projetavam de sua boca, eram um lembrete sombrio da criatura que ele realmente era. Akane tentava se concentrar na aula, mas era impossível. As palavras do professor se misturavam em um emaranhado de sons sem sentido. Seus braços e pernas tremiam sem parar, e a cada momento, o terror se intensificava. Taishou, ao seu lado, observava-a com uma calma assustadora. Ele segurava firme as mãos de Akane durante a aula, seus dedos gélidos como garras cravando em sua pele. Seus olhos negros, que antes eram apenas frios e distantes, agora emanavam um brilho sinistro, fixos em Akane com uma intensidade que a deixava nauseada.
Ela tentava se concentrar nas palavras do professor, mas era impossível. O toque de Taishou, a sensação de seus dedos ásperos e úmidos entrelaçados com os seus, era uma tortura constante. A cada movimento, a cada tremor involuntário de suas mãos, ele apertava com mais força, como se quisesse marcá-la como sua. Akane olhava para ele de volta, seus olhos arregalados de terror. O rosto de Taishou, antes angelical, agora se mostrava como uma máscara cruel, seus lábios se curvando em um sorriso tímido e sinistro. Kenji e Sakura, sentados a algumas carteiras de distância, observavam a cena com uma mistura de repulsa e curiosidade. “Nossa, vocês dois poderiam ir pro motel de uma vez,” Sakura comentou, com um tom de voz ácido. Kenji assentiu, com o rosto contorcido em uma expressão de nojo. “É nojento,” ele disse. “Eles não têm nenhum pudor.”
As palavras de Kenji e Sakura, embora cruéis, soavam como um distante eco para Akane. Sua mente estava nublada pelo medo, seu corpo dominado por um tremor incontrolável. Ela não conseguia pensar em nada, apenas sentir o terror que consumia cada célula do seu ser. O tempo parecia ter se estagnado, a aula se arrastando como uma eternidade de agonia. Akane rezava para que o sinal tocasse, para que ela pudesse se livrar do toque de Taishou, para que pudesse escapar daquele pesadelo. Finalmente, o som estridente do sinal ecoou pelos corredores da escola, libertando Akane de seu tormento. Ela se levantou abruptamente, puxando suas mãos das de Taishou com um gesto brusco. Sem olhar para trás, correu para fora da sala, tropeçando nos próprios pés, desesperada para se afastar daquele lugar, daquele monstro que se disfarçava como um humano. Kenji e Sakura observavam sua fuga com um olhar perplexo. Sakura se perguntou o que teria acontecido entre os dois, enquanto Kenji apenas deu de ombros, indiferente.
Akane correu pelo corredor, seus pensamentos confusos e tumultuados. O rosto de Taishou, seus olhos, suas palavras, tudo se misturava em um turbilhão de horror. Ela precisava sair da escola, precisava encontrar um lugar seguro, um lugar onde ele não pudesse encontrá-la. Com o coração batendo frenético, ela empurrou as portas da frente e saiu correndo para o pátio, a luz do sol batendo em seu rosto pálido de terror. O coração de Akane batia forte no peito enquanto ela corria pelo corredor, seus pés batendo contra o piso frio. O medo a consumia, uma onda de pânico que a obrigava a buscar refúgio. O banheiro feminino era sua única opção, um local seguro onde poderia se esconder e se recompor. Ao entrar no cubículo, Akane trancou a porta com força, encostando-se nela e deslizando para o chão. Lágrimas brotavam em seus olhos, enquanto tentava controlar a respiração acelerada. “O que está acontecendo comigo? Por que me sinto tão aterrorizada?”
Do lado de fora, Hinata e Sakura a procuravam em vão. A preocupação estampava em seus rostos. Kenji, com um olhar desconfiado, se virou para Taishou. “O que você disse para a Akane, seu esquisitão?” ele perguntou, a voz carregada de raiva. Taishou, com a calma habitual, apenas deu de ombros. “Nada,” ele disse simplesmente. “Ela está... naqueles dias de mulheres.” Sakura e Hinata coraram, entendendo instantaneamente o que Taishou quis dizer. Hinata ficou ainda mais vermelha, enquanto Sakura vasculhava sua mochila em busca de um absorvente para ajudar a amiga. Kenji, no entanto, não se convenceu com a desculpa de Taishou. Seus olhos fuzilavam Taishou, cheios de desconfiança. “Havia algo mais acontecendo,” ele tinha certeza. “Ela estava em pânico.” “O que você tem contra mim?” Taishou finalmente perguntou, sua voz tão fria quanto seus olhos. “Você não sabe nada sobre mim.” “E você sabe tudo sobre ela?” Kenji retrucou, avançando um passo. “Você não é quem parece ser.”
A tensão entre eles crescia, e a sala ao redor parecia encolher. Sakura, percebendo que a situação estava se intensificando, tentou intervir. “Vamos nos acalmar. Precisamos encontrar a Akane. Isso é o mais importante agora.” “E se o que ela viu for real?” Kenji insistiu. “E se ela estiver realmente em perigo por sua causa?” Hinata olhou para Taishou, seus olhos cheios de dúvidas. “Você pode nos ajudar a encontrá-la, certo? Não precisamos brigar agora.” A tensão entre Kenji e Taishou continuava, mas as palavras de Hinata pareceram atingir um ponto sensível. Taishou respirou fundo, finalmente assentindo. “Está bem. Vamos encontrá-la.” Ele se virou para os amigos, seus olhos ainda sombrios, mas agora havia uma determinação em seu tom. “Só espero que ela não faça nada imprudente.” Kenji, relutante, concordou. “Certo. Vamos.” Eles saíram da sala, prontos para enfrentar o que quer que estivesse esperando por eles. Enquanto isso, no banheiro, Akane secava as lágrimas, sentindo-se um pouco mais calma, mas a sombra de Taishou ainda pairava sobre ela. “O que ele realmente quer de mim?” pensou, a dúvida corroendo-a. “Por que não consigo simplesmente esquecê-lo?” Com isso, ela decidiu que precisava sair daquele cubículo e enfrentar a verdade, mesmo que isso significasse encarar o monstro que se disfarçava de humano.
Enquanto isso, no banheiro, Akane tentava se controlar. Ela apertou as mãos contra o peito, respirando fundo na tentativa de acalmar o coração descompassado. A mente ainda girava com o turbilhão de emoções, mas aos poucos a calma começava a retornar. Sakura segurava o absorvente nas mãos, sua expressão dividida entre preocupação e determinação. Ela olhou para Hinata, que assentiu com a cabeça, seus olhos também cheios de apreensão. Juntas, as duas amigas se encaminharam para o banheiro feminino, onde Akane se encontrava escondida. Kenji, com o ímpeto de acompanhá-las, foi parado por Taishou. Uma mão firme em seu ombro o deteve. “Melhor deixar as garotas resolverem seus problemas entre si,” Taishou disse em voz baixa. Kenji hesitou por um momento, seus olhos se debatendo entre a teimosia e a razão. Finalmente, ele soltou um suspiro de frustração e cedeu. “Ah, tanto faz,” ele murmurou, virando-se e caminhando em direção ao refeitório. Taishou o seguiu.
No banheiro, Sakura e Hinata percorriam os boxes um por um, gritando por Akane, seu nome ecoando nas paredes de azulejos brancos. Finalmente, chegaram ao último box, cuja porta se encontrava trancada. Sakura bateu com cuidado, sua voz suave e gentil. “Akane? Akane, você está aí? Sou eu, Sakura.” Do outro lado da porta, Akane se encolheu, apertando as mãos contra o peito. O pânico a consumia, uma onda de terror que a impedia de emitir qualquer som. Ela não queria ver ninguém, não agora, não nesse estado. Hinata, com sua intuição aguçada, percebeu a aflição da amiga. “Akane, se acalme,” ela disse com voz calma e tranquilizadora. “Estamos aqui. Você não está sozinha.” As duas amigas se entreolharam, um plano silencioso se formando em seus olhos. Sakura, com um gesto rápido e delicado, deslizou o absorvente por baixo da porta, empurrando-o cuidadosamente até que chegasse ao alcance de Akane. “Te trouxemos isso,” Sakura disse em voz baixa, sua voz transmitindo compaixão e apoio. “Taishou disse que você estava... naqueles dias.”
Um silêncio se instalou, enquanto Akane processava as palavras de Sakura. A vergonha ainda a consumia, mas uma pequena faísca de esperança se acendeu em seu coração. Ela não estava sozinha. As amigas estavam ali, prontas para ajudá-la, para oferecer apoio e compreensão. Não importava o que fosse. Com dedos trêmulos, Akane pegou o absorvente, seus olhos marejados de gratidão. Ela sabia que o gesto de Sakura e Hinata significava o tanto que as garotas se importavam com ela. Lágrimas silenciosas escorriam pelo seu rosto, enquanto um sorriso tímido se formava em seus lábios. “Você sabe como usar?” Sakura falou baixinho, trocando olhares de preocupação com Hinata. “Ela estava pálida hoje de manhã,” Hinata comentou. “Então era isso.” Akane limpou as lágrimas com a manga da blusa, ainda abalada pelo turbilhão de emoções. A voz fraca e hesitante mal saía de sua garganta. “Não se preocupem comigo,” ela disse, tentando soar mais forte do que realmente se sentia. “Esperem por mim no refeitório, eu já vou.” Sakura e Hinata se entreolharam, a preocupação estampada em seus rostos. Elas sabiam que Akane precisava de tempo e espaço, mas a ideia de deixá-la sozinha naquele momento era angustiante. Com um aperto no coração, Sakura assentiu. “Ok, Akane. Se precisar de qualquer coisa, é só chamar.” Hinata murmurou concordando, transmitindo todo o seu apoio e carinho.
Ao sair do banheiro, as duas garotas se depararam com Taishou, que as aguardava pacientemente. Seus olhos perspicazes observavam cada movimento, cada expressão. Sakura, com a voz carregada de emoção, foi a primeira a falar. “Ela está bem, só está um pouco assustada. É normal isso.” Hinata, concordando com a amiga, completou: “Ela quer que a gente espere por ela no refeitório.” Taishou, com um olhar distante, fixou seus olhos no vazio por um breve momento. “Eu já vou,” ele respondeu, a voz sem emoção. Sakura e Hinata deram de ombros, e se afastaram, deixando Taishou sozinho. Em seguida, depois que as garotas não estavam mais por perto, ele dirigiu-se ao banheiro. Ao entrar no local, ele se deparou com Akane, ainda encolhida no box, o absorvente nas mãos, uma mistura de raiva e medo em seu olhar. “Você está preocupando suas amigas,” Taishou disse com a voz calma, como se estivesse conversando com uma criança. Akane, abrindo a porta do box lentamente, encarou-o com fúria. “Menstruação? Você é muito esperto!” ela gritou, jogando o absorvente no chão e pisando em cima dele com toda a força.
Taishou, com um sorriso tímido e sincero, deu um passo à frente. “Quando se vive tanto tempo quanto eu, você sabe exatamente como as jovens se comportam,” ele disse, aproximando-se dela e trancando a porta do banheiro. “Mas isso não é só sobre isso, Akane. Não me engane. O que realmente está acontecendo?” Akane se endireitou, enfrentando-o, o coração pulsando na boca. “Você não entende! Não pode entender!” Ela gesticulou, a frustração transbordando. “Você é… você é um monstro! Como pode esperar que eu confie em você?” A expressão de Taishou se tornava mais séria, seus olhos sombrios, mas havia um brilho de compreensão neles. “Eu não estou aqui para te fazer mal. Pelo contrário, quero te proteger. Mas você precisa se abrir, precisa me dizer o que realmente está sentindo.”
O silêncio se instalou, pesado e carregado de tensão. Akane sentiu as lágrimas ameaçando voltar, mas se manteve firme. “E se eu não puder? E se você só piorar as coisas?” “Então você deve me deixar ajudá-la,” Taishou disse, a voz agora suave, quase paternal. “Se você não confiar em mim, não conseguiremos enfrentar isso juntos.” Akane hesitou, as palavras dele ressoando em sua mente. “E se eu não quiser?” “Você pode ficar aqui sozinha, mas isso só vai te deixar mais assustada,” Taishou respondeu, abrindo um espaço entre eles. “A decisão é sua, mas saiba que não estou aqui para te fazer mal. Estou aqui para te ajudar.” Akane olhou nos olhos de Taishou, o medo e a raiva ainda pulsando dentro dela, mas uma parte de si desejava acreditar nele. “Eu… eu só preciso de um tempo.” “Então eu estarei aqui, quando você estiver pronta,” Taishou disse, finalmente abrindo a porta do box, permitindo que ela respirasse a liberdade que tanto desejava. Akane, com o coração disparado, recuou instintivamente. "O que você vai fazer comigo?", perguntou, a voz fraca e trêmula. "O que você é?" Taishou a fitou por alguns segundos, seu olhar calmo e penetrante. "Estou decepcionado", ele disse, por fim. "Achei que você não tinha medo do sobrenatural." Suas palavras ecoaram pelo pequeno banheiro, intensificando a confusão e o terror que se aglomeravam na mente de Akane. O que ele realmente queria? O que era, de fato? E qual era seu verdadeiro propósito? A porta do banheiro estava trancada, e ela se via presa com aquele ser enigmático.
Determinação tomou conta de Akane, que se aproximou de Taishou com passos firmes, a postura ereta e o olhar resoluto. "Eu não tenho medo", declarou, com firmeza. "Se você quisesse me machucar, já teria feito isso há muito tempo, não é?" Taishou a observou, seus olhos escuros como abismos. "Sim, isso é verdade", admitiu ele. "Então eu não tenho medo de você", Akane concluiu, a voz ainda forte e segura. Taishou esboçou um leve sorriso. "Ótimo. Nesse caso, vamos sair daqui e fingir que nada aconteceu." Ela franziu a testa. "Fingir que nada aconteceu? Isso é impossível! Você quer que eu minta para meus amigos?" Taishou a encarou com seriedade. "Se você quiser que eu te mostre quem eu sou de verdade, sim. Quero que prometa não contar a ninguém." Akane hesitou, ponderando suas palavras. Uma mistura de medo e curiosidade a invadia. Ela desejava conhecer a verdade, mas temia as consequências. Aproximando-se mais de Taishou, olhou diretamente em seus olhos. "Você... é perigoso?", questionou, a voz baixa e hesitante. Ele a fitou por um instante, seus olhos repletos de mistério. "Talvez...", respondeu ele, deixando a resposta no ar. Um calafrio percorreu a espinha de Akane, mas ela não recuou. Estava disposta a arriscar, a descobrir a verdade, mesmo que isso a colocasse em perigo. "Eu prometo", disse em voz baixa, sua determinação inabalável. "Não contarei a ninguém."
Taishou sorriu novamente, um sorriso ao mesmo tempo gentil e enigmático. "Então vamos", afirmou, estendendo a mão para ela. Akane hesitou por um momento, mas, com o coração acelerado, segurou a mão dele. De mãos dadas, Akane e Taishou saíram do banheiro, seus passos ecoando no corredor silencioso. A tensão pairava no ar, uma mistura de expectativa e apreensão. No refeitório, o burburinho das conversas e o tilintar dos talheres criavam uma atmosfera vibrante. Kenji, sentado à mesa com os amigos, observava com atenção, seus olhos estreitos em uma expressão de desconfiança. Ao ver Taishou e Akane juntos, uma onda de náusea o dominou. Sentia-se traído, enganado, como se algo precioso tivesse sido tirado dele. "Isso é nojento", murmurou, a voz baixa, fixando o olhar nos dois. Sakura, sentada ao seu lado, lançou-lhe um olhar furioso. "Cale a boca, Kenji!", disse com rispidez. "Você não tem o direito de falar assim da Akane." Ignorando o comentário de Sakura, Kenji manteve o foco em Taishou e Akane. Observou-os se aproximar da mesa e sentar lado a lado, seus rostos próximos e olhares cúmplices. Um aperto de ciúmes e raiva consumiu seu coração. Não conseguia entender o que Akane via em Taishou, um homem tão misterioso e distante. Enquanto a conversa fluía ao seu redor, Kenji permaneceu em silêncio, os pensamentos tumultuados, o coração dilacerado por um sentimento que não compreendia.
Akane, com um sorriso tímido e sem graça, dirigiu-se às amigas. "Eu... Me desculpem pela forma estranha como agi esta manhã", disse, a voz baixa e hesitante. "Eu não estava me sentindo bem e acabei descontando em vocês." Sakura e Hinata se entreolharam, seus rostos expressando compreensão e carinho. Sakura foi a primeira a falar. "Está tudo bem, Akane", disse com suavidade. "Todas nós temos dias ruins." Hinata concordou, colocando a mão sobre o ombro de Akane. "Entendemos perfeitamente", afirmou. "Não precisa se desculpar." Um aperto no coração de Akane se dissipou, substituído por uma onda de gratidão. Ela tinha tanta sorte de ter amigas tão compreensivas e solidárias. "Obrigada", disse, os olhos marejados de emoção. "Vocês são as melhores amigas que alguém poderia pedir." As três se abraçaram, um gesto caloroso e sincero que selava o laço de amizade que as unia. Kenji, por outro lado, continuava a observar Taishou com desconfiança.
Taishou e Kenji se encaravam, seus olhares se cruzando como raios em uma tempestade silenciosa. Uma aura de desafio emanava de ambos, palpável e tensa. O restante do dia na escola transcorreu sem grandes eventos, como uma calmaria antes da tempestade. Finalmente, chegou a hora de ir embora. Os cinco amigos caminharam juntos pelas ruas, cada passo os aproximando de seus destinos individuais. Lentamente, um a um, os amigos se despediram, seguindo seus próprios caminhos, até que restaram apenas Taishou e Akane, sozinhos sob o sol poente. Um silêncio desconfortável se instalou entre eles, carregado de significado e expectativa. Akane, com o coração batendo forte, aguardava ansiosamente o que Taishou diria a seguir.
"Então...", ele começou, sua voz baixa e rouca quebrando o silêncio. "Parece que estamos sozinhos." Akane assentiu, sem saber como responder. Uma mistura de medo e fascínio a consumia, tecendo uma complexa rede de emoções que a deixava paralisada. Taishou deu um passo à frente, seus olhos fixos nos de Akane. "Há algo que preciso te contar", disse, a gravidade de suas palavras envolvendo o ar ao redor deles. Akane engoliu em seco, seus lábios secos e trêmulos. "O que é?", perguntou, a voz quase inaudível. Taishou se aproximou ainda mais, sua presença emanando poder e perigo. "Eu sou algo muito antigo...", começou ele, suas palavras carregadas de significado. "Uma criatura que habita esta terra há muito tempo." Um calafrio percorreu a espinha de Akane, a adrenalina pulsando em suas veias. "O que você quer dizer?", questionou, o medo dominando seu corpo. Taishou sorriu, um sorriso sinistro que gelou o sangue de Akane. "Eu sou um lobisomem", declarou, sua voz ecoando como um sussurro no ar. "Um ser sobrenatural com poderes além da sua compreensão." Akane cambaleou para trás, o terror a dominando. "Eu tenho... tantas... perguntas", murmurou, os olhos arregalados de horror.
Taishou se aproximou ainda mais, seus olhos fixos nos de Akane. "Quero te levar para conhecer minha verdadeira forma", afirmou, suas palavras ressoando com um significado profundo. "Você está pronta para isso?" Akane engoliu em seco, seus pensamentos em tumulto. Não sabia o que esperar, mas uma força irresistível a impedia de recuar. "Sim", respondeu finalmente, a voz quase inaudível. "Estou pronta." Taishou sorriu, um sorriso que mesclava gentileza e crueldade. "Então prepare-se", disse ele. "Virei te buscar hoje à noite." Akane assentiu, o coração batendo acelerado. Sabia que sua vida nunca mais seria a mesma. Com a promessa de Taishou ecoando em sua mente, voltou para casa, o pensamento em turbilhão. Não conseguia se concentrar em nada, apenas ansiava pela noite, quando finalmente descobriria a verdade sobre o rapaz que amava.
Ao longo do dia, a ansiedade a consumia. Tentava se distrair, mas seus pensamentos sempre retornavam a Taishou e sua misteriosa proposta. Finalmente, a noite chegou. Nervosa e apreensiva, Akane vestiu seu melhor vestido, pronta para o encontro. As horas se arrastaram, cada minuto uma tortura. Finalmente, às onze e meia, ouviu uma batida na janela. O coração acelerado, Akane foi até lá e abriu. Taishou estava ali, mais alto e imponente do que nunca. "Está pronta?", perguntou, seus olhos negros como a noite. Akane assentiu, incapaz de articular uma palavra. Taishou sorriu e estendeu a mão. "Então vamos", disse. "É hora de conhecer o verdadeiro eu." Akane hesitou por um breve momento, mas logo em seguida segurou a mão de Taishou. Juntos, desapareceram na escuridão da noite, em direção à floresta. A escuridão a envolveu como um manto, densa e impenetrável. A única luz vinha da lua, que lançava sombras longas e distorcidas no chão da floresta. Os sons da noite eram amplificados pelo silêncio, cada farfalhar de folhas e cada canto de coruja soando como um grito de terror. Akane se agarrou à mão de Taishou, seus dedos trêmulos. O medo a consumia, um nó apertado na garganta que a impedia de falar.
Taishou a guiava pela floresta, seus passos silenciosos e seguros, como se estivesse em casa na escuridão. Akane tropeçava nas raízes das árvores, seus pés escorregando nas folhas úmidas. Tentava acompanhar Taishou, mas seus sentidos estavam embotados pelo medo. "Como você consegue enxergar tão bem no escuro?" Ela perguntou, a voz tensa. "Eu não consigo ver nada." Taishou sorriu. "É costume", respondeu. "Passo muito tempo sozinho no escuro; aprendi a me virar." De repente, ele parou, e Akane se chocou contra ele, seu peito batendo em suas costas duras. "Aqui", disse Taishou, a voz baixa e rouca. "Esse é o lugar mais seguro que conheço." Akane ergueu os olhos, tentando se ajustar à escuridão. Diante dela, uma clareira se abria, um círculo de grama cercado por árvores altas. A clareira na escuridão da noite era um espetáculo de contrastes. A floresta densa ao redor, um mar de copas escuras intercaladas, criava um abismo de sombras que se estendia até onde a vista alcançava. No centro, um círculo de luz prateada banhava a grama macia, revelando cada folha de capim, cada flor selvagem adormecida. A lua cheia, majestosa e brilhante, pairava no céu negro como um farol celestial, derramando sua luz suave sobre a clareira. Seus raios, como dedos de prata, brincavam com as folhas das árvores, criando um hipnotizante jogo de luz e sombra. Os troncos robustos, antes imponentes, se transformavam em silhuetas fantasmagóricas, suas formas distorcidas pelas sombras dançantes. No centro da clareira, uma pequena lagoa brilhava como um espelho.
A superfície da água, antes escura e misteriosa, agora refletia a lua cheia, criando um disco de luz cintilante que se expandia e contraía com as ondas suaves. Um silêncio quase palpável reinava na clareira. O único som que se ouvia era o farfalhar ocasional das folhas, sussurrando segredos ao vento da noite. A quietude era profunda e serena, como se a própria natureza estivesse em contemplação da beleza celestial. Naquele momento, a clareira era um refúgio mágico, um oásis de paz e beleza no meio da escuridão. A luz da lua cheia, com sua suave luminescência, transformava o local em um cenário de conto de fadas, onde a realidade se misturava com a fantasia. Era como se a própria lua tivesse descido à Terra para iluminar aquele pequeno pedaço de floresta, criando um espaço único e especial, onde a natureza e a beleza se manifestavam em sua plenitude.
Taishou se aproximou de Akane, seus olhos fixos nos dela. "Prepare-se", disse, sua voz baixa e rouca. Akane engoliu em seco, o coração batendo forte no peito. Não sabia o que esperar, mas tinha certeza de que seria algo que nunca esqueceria. Taishou começou a tirar sua blusa, revelando seu corpo musculoso e forte. Akane não pôde deixar de corar ao ver seu corpo iluminado pela lua. Ele também se despediu dos tênis, jogando-os em um canto próximo da árvore. Confusa, Akane não entendia por que ele estava se despindo. Quando percebeu a dúvida em seu olhar, Taishou a encarou novamente. "Prometa que não vai correr nem gritar. Eu posso acabar me descontrolando. Se você não deseja ser uma presa, não se comporte como tal."Akane engoliu em seco ao ouvir suas instruções, fazendo um sinal positivo com a cabeça, confirmando que havia entendido. Agora trajando apenas uma bermuda, Taishou caminhou em direção ao centro do círculo e olhou para a lua. Akane o observava atentamente.
Logo, ele sentiu uma agitação estranha percorrer seu corpo. Seus olhos, normalmente profundos e escuros, brilhavam com uma intensidade sobrenatural. Os cabelos negros, que caíam em mechas desgrenhadas sobre sua testa, começaram a se arrepiar, como se tivessem vida própria. Taishou caiu de joelhos no chão frio, sua pele começando a se esticar e contorcer. Ele gritou, mas o som que saiu de sua garganta não era humano; era um rosnado gutural e bestial. O pelo começou a crescer rapidamente, cobrindo todo o seu corpo. Era branco como a neve, espesso e macio, e cada fio parecia ter vida própria, ondulando e se agitando conforme a transformação avançava. A pelagem cobriu seu rosto, formando um focinho. Seus olhos agora eram vermelhos, brilhando com uma fome ancestral. Seus membros se alongaram, os ossos estalando e se remodelando. Os músculos incharam, tornando-se poderosos e ágeis. As mãos de Taishou se transformaram em garras afiadas, capazes de rasgar carne e osso.
Ele sentiu a força pulsando em suas veias, uma força que não pertencia mais ao mundo humano. Taishou se ergueu, agora completamente transformado. Alto, com ombros largos e uma postura ameaçadora, sua boca estava repleta de dentes afiados, prontos para dilacerar qualquer coisa que cruzasse seu caminho. Suas pernas se dobraram, e ele se moveu com uma agilidade sobrenatural, fazendo o chão tremer a cada passo. Seus olhos vermelhos varreram a clareira, buscando presas. Ele sentia a fome, a necessidade de caçar, de saciar seus instintos primordiais. O que Akane viu a deixou sem fôlego. Taishou estava ali, mas não era mais o mesmo. Seu corpo estava transformado, coberto por uma pelagem branca e espessa. Os olhos vermelhos brilhavam com uma fome ancestral, e suas mãos se tornaram garras afiadas. Akane recuou, o coração batendo descompassado, incapaz de acreditar no que seus olhos presenciavam. Taishou uivou para a lua, a boca aberta em um rugido feroz. Paralisada pelo medo, ela não conseguia se mover ou falar. Nunca tinha visto nada parecido antes. A criatura se aproximou, seus passos pesados ecoando no chão. Agachando-se na frente dela, os olhos vermelhos fixos nos dela, ele disse com uma voz profunda e poderosa: "Akane, este é o meu verdadeiro eu."
O instinto de Akane a mandava correr, fugir dali o mais rápido que conseguisse, mas as palavras de Taishou ecoaram em sua mente: "Não se comporte como uma presa, se não quiser virar uma." Engolindo em seco, ela se aproximou da criatura, sua voz hesitante. "Taishou...", sussurrou, "eu... posso te tocar?" A criatura assentiu com a cabeça. Akane estendeu a mão trêmula, tocando a pelagem branca de Taishou. Ele rosnou, mas não a atacou. Em seus olhos, ela reconheceu um brilho de familiaridade, mesmo naquela forma monstruosa. Tocada pela bravura dela, Taishou se acalmou. A fúria da besta deu lugar à ternura de um homem que amava profundamente a mulher à sua frente. "Akane", ele disse com uma voz suave, "não tenha medo. Eu nunca te machucaria." Ela se aproximou mais, abraçando a forma bestial de Taishou. A pelagem branca era macia ao toque, e o calor que emanava de seu corpo era reconfortante. "Taishou", afirmou ela, sua voz firme e cheia de convicção, "não importa o que você seja." Sussurrou seu nome, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela não tinha medo dele; ela o amava, independentemente de sua aparência. Naquele momento, Taishou pareceu entender. Ele se abaixou, encostando o focinho em seu rosto e lambendo-a delicadamente. Ficaram ali, lado a lado, sob a luz da lua cheia. Akane acariciou a pelagem de Taishou, prometendo que ficaria com ele, não importava o que acontecesse. Ela sabia que aquele era o verdadeiro Taishou, o homem que amava, mesmo que agora fosse também um monstro.
As nuvens dançavam em torno da lua, como véus que a escondiam. Ela, outrora um farol brilhante, agora se recolhia timidamente, à medida que a madrugada se aprofundava. O céu escuro cedia espaço aos primeiros raios de sol no horizonte, anunciando um novo dia. Taishou, o ser que antes possuía uma forma animalesca, agora se desfazia lentamente. Deitado no colo de Akane, seus pelos brancos se transformavam em pele nua. Sua respiração era calma, sincronizada com os toques dela. Akane observava a bermuda levemente rasgada pela metamorfose, testemunhando a transição de criatura selvagem para humano. A transformação o havia deixado abalada, mas também despertado uma enorme curiosidade. "Isso dói?", perguntou hesitante, seus olhos fixos nos dele, enquanto acariciava suas costas. Taishou esboçou um leve sorriso. "No começo, sim", ele respondeu. "A dor era intensa, como se meu corpo estivesse sendo rasgado ao meio. Mas com o tempo, me acostumei. A dor se tornou parte da transformação, um aviso do que está por vir."
Akane assentiu, digerindo suas palavras. "E você consegue controlar essa transformação?", questionou com apreensão na voz. Taishou ponderou antes de responder. "Em grande parte, sim. Treinei por anos para dominar meu poder, para que a besta dentro de mim não me dominasse. Mas ainda há momentos em que a lua cheia exerce uma força sobre mim, e a fúria toma conta. Por isso, preciso ter cuidado, estar sempre vigilante." Akane se aproximou dele, colocando a mão em seu ombro com gentileza. "Taishou...", disse ela com firmeza. Ficaram em silêncio por alguns minutos, apreciando a companhia um do outro sob a luz fraca da lua. A brisa suave da noite acariciava seus rostos, carregando o aroma da floresta. Finalmente, Akane quebrou o silêncio, sua voz carregada de curiosidade. "Taishou, me diga, essa transformação só acontece em noites de lua cheia?", questionou, olhando para a lua. Taishou assentiu. "Sim", respondeu. "A lua cheia amplifica meus poderes, intensifica a energia que pulsa dentro de mim. É por isso que me transformo nessas noites. Em outras fases da lua, meu poder se mantém adormecido, sob controle."
"E você se alimenta de quê?", perguntou Akane, intrigada. "Como a besta dentro de você se mantém saciada?" Taishou desviou o olhar por um momento, como se ponderasse a melhor forma de responder. "Eu me alimento de energia", disse finalmente. "A energia da lua, a energia da natureza, a energia que emana de tudo ao meu redor. É essa energia que me mantém vivo, que me permite controlar a besta." Akane ficou em silêncio, absorvendo cada palavra de Taishou. "Energia, Taishou?" Akane disse, cética. "Com garras e presas enormes como essa? Meus livros me contam outra versão." Taishou riu baixinho, seus olhos se estreitando em um sorriso gentil. "É verdade que alguns contos falam de lobisomens devorando humanos", ele respondeu, sua voz suave como o vento soprando pelas folhas. "Mas nem tudo que se escreve é verdade, Akane. Lobisomens, como qualquer criatura, são indivíduos com suas próprias naturezas e desejos." Ele se levantou lentamente do colo de Akane, caminhando até sua blusa e vestindo-a novamente. "Alguns lobisomens, sim, podem ser ferozes e violentos. A fome da besta dentro deles é poderosa e nem sempre fácil de controlar. Mas outros... Outros são diferentes. Eles aprendem a controlar a besta dentro de si, a viver em harmonia com sua natureza dupla."
Akane observava Taishou em silêncio, seus pensamentos girando em sua mente. As palavras dele a intrigavam, desafiando tudo o que havia lido sobre lobisomens. "Mas por quê?", perguntou finalmente. "Por que você disse para eu não correr, não gritar e não agir como uma presa? Se a fome da besta é tão forte, você certamente iria..." Com um sorriso calmo nos lábios, Taishou respondeu: "Akane, quando eu disse para você não correr e não agir como presa, não era porque eu pretendia te devorar. A ideia de machucar você nunca me passou pela cabeça. Na verdade, meu pedido era uma forma de protegê-la. Lobisomens, como eu, são criaturas instintivas. Se você tivesse corrido, o instinto de caçador dentro de mim poderia ter sido despertado, e eu não posso garantir que teria sido capaz de controlá-lo. Ao pedir para você ficar parada, estava tentando evitar que uma situação potencialmente perigosa se desenrolasse. Eu queria que você se sentisse segura e confiasse em mim." Akane, ainda com um olhar de incerteza, questionou: "Mas se você não ia me machucar, por que não me disse isso antes? Por que me deixou com medo?" Taishou, com um tom de compreensão, respondeu: "Eu estava testando sua lealdade."
As palavras dele ecoaram na mente de Akane, lançando uma sombra de dúvida sobre a relação que pensava ter construído com ele. "Testando minha lealdade?", repetiu, sua voz carregada de confusão e decepção. "Mas por quê? Eu pensei que éramos amigos. Eu pensei que você confiasse em mim." Taishou desviou o olhar, uma expressão sombria em seu rosto. "A confiança é algo que se conquista, Akane", disse, sua voz grave e distante. "E, para ser franco, você ainda não conquistou a minha." Akane sentiu uma onda de mágoa e raiva. Como ele podia dizer que ela não conquistou sua confiança? Ela arriscou tudo para estar com ele, para defendê-lo contra os outros. Seguiu-o no meio da noite, ficando completamente vulnerável à sua forma bestial. "O que mais eu preciso fazer?", perguntou, a voz tensa de frustração. "Eu já dei tudo de mim! Já provei minha lealdade a você!" Taishou se aproximou, seus olhos ardendo com uma intensidade que a fazia tremer. "Lealdade não se trata apenas de ações, Akane", disse, sua voz baixa e rouca. "Trata-se também de pensamentos e intenções. Até que eu saiba o que realmente se passa em seu coração, não posso confiar em você completamente."
Akane ficou em silêncio, lutando para conter as lágrimas. Nunca se sentiu tão vulnerável, tão exposta. As palavras dele a feriam profundamente, mas sabia que ele tinha razão. Ela ainda não se despira completamente de seus medos e preconceitos em relação aos lobisomens. "Eu... eu vou tentar", disse finalmente, a voz baixa e hesitante. "Vou tentar ser mais leal a você. Vou tentar te provar que você pode confiar em mim." Taishou assentiu, um leve sorriso nos lábios. "Eu sei que você vai, Akane", disse, sua voz suave e encorajadora. "E, quando você fizer isso, quando eu puder confiar em você completamente, nossa amizade será algo verdadeiramente especial." Akane se aproximou e o abraçou, os olhos ainda úmidos de lágrimas. Sabia que o caminho para a verdadeira confiança seria longo e árduo, mas estava determinada a percorrê-lo. Queria provar a Taishou que ele podia confiar nela, que ela era realmente sua amiga. Os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, pintando o céu de tons de laranja e rosa. A grama, úmida com o orvalho da manhã, brilhava como um tapete de diamantes. O ar fresco da manhã invadia os pulmões de Taishou, energizando seu corpo e acalmando sua mente. Ele se sentou na grama macia, respirou fundo e absorveu a beleza do amanhecer. O canto dos pássaros se misturava com o sussurro das folhas das árvores, criando uma sinfonia natural que acalmava a alma. Após alguns minutos de contemplação, Taishou pegou seus tênis e começou a calçá-los. Ele se levantou e olhou Akane nos olhos. "Vamos, preciso levar você para casa."