A delegacia de polícia de Hinode, uma pequena cidade no Japão, se destaca por sua simplicidade e aconchego. Localizada em uma rua tranquila, a delegacia é composta por um prédio de dois andares, com fachada em madeira e telhado verde musgo. Ao entrar, você é recebido por um amplo hall de entrada, com piso de madeira polida e paredes adornadas com painéis de madeira escura. Uma mesa de recepção em madeira maciça fica à direita, onde um oficial de plantão atencioso está sempre pronto para auxiliar os visitantes. No lado esquerdo do hall, há uma sala de espera com sofás confortáveis e revistas em japonês e inglês. Uma máquina de café e um bebedouro de água completam o ambiente acolhedor. Subindo a escada de madeira polida, você chega ao segundo andar, onde se encontram as salas dos investigadores e a sala do delegado. As salas são espaçosas e bem iluminadas, com mesas de madeira, cadeiras confortáveis e prateleiras repletas de livros e arquivos. No final do corredor, a sala do delegado se destaca por sua imponência. Uma mesa grande de madeira maciça ocupa o centro da sala, atrás da qual o delegado senta-se em uma cadeira de couro imponente. A sala é decorada com fotos de autoridades policiais e diplomas de reconhecimento.
A cela temporária da delegacia de polícia de Hinode é um local simples e austero, projetado para abrigar presos por um curto período de tempo, enquanto aguardam um advogado, fiança ou transferência para o sistema prisional. Localizada no subsolo da delegacia, a cela é acessada por uma porta de aço pesada, que se fecha com um estrondo metálico imponente. Ao entrar na cela, você é recebido por um ambiente frio e úmido, com cheiro de concreto e desinfetante. As paredes de concreto cinza são nuas e sem janelas, exceto por uma pequena abertura no alto para ventilação. O chão é de concreto bruto e frio, e o único móvel é um banco de madeira encostado na parede. Uma luz fluorescente fraca ilumina a cela, lançando sombras longas e distorcidas. O ar é pesado e úmido, com um cheiro forte de desinfetante e suor. O silêncio é quase absoluto, quebrado apenas pelo ocasional som de passos ecoando pelos corredores da delegacia ou pelo choro abafado de um preso em uma cela próxima. Izumi Nakamura, com seu sorriso cruel, se aproxima da cela, os ecos de seus saltos altos preenchendo o silêncio. Ela para em frente à cela, seus olhos frios encontrando os de Caleb. O jovem está preso acorrentado em uma cadeira de madeira, algemas em suas mãos e pés não permitem que ele faça o menor movimento. “Sabe Caleb, você tem sorte do seu pai ter tanto dinheiro” ela começa, sua voz tão fria quanto o concreto sob seus pés, “Mas isso não muda o que você é.” Caleb, apesar de suas correntes, mantém a cabeça erguida. “E o que eu sou, delegada?” ele pergunta, sua voz firme. “Uma aberração,” ela responde, rindo. “Mas mesmo as aberrações têm seu uso. Você, por exemplo, vai me deixar podre de rica.” Ela se vira para sair, mas antes de ir, lança um último olhar por cima do ombro. “Aproveite a estadia, Caleb. Essa é a sua última noite em Hinode” Com isso, ela sai, deixando Caleb sozinho em sua cela. Mas mesmo enquanto a escuridão se fecha ao seu redor, Caleb não se permite desesperar. Ele é um lobisomem, afinal. E lobisomens são sobreviventes. Ele vai encontrar uma maneira de sair dessa. Ele tem que encontrar. Porque a alternativa… bem, ele prefere não pensar nisso.
A sala de estar de Akane se transforma em um redemoinho de caos enquanto os policiais reviram cada canto, vasculhando cada gaveta e prateleira em busca de qualquer prova da existência de Taishou e seu filho, Caleb. Akane, sentada à mesa, observa a cena com o coração apertado, seus olhos marejados de lágrimas enquanto a impotência a consome. Ao seu lado, a delegada Izumi se mantém serena e impassível, tomando um gole de café fumegante enquanto observa Akane com um olhar penetrante.
"É engraçado", a voz de Izumi ecoa pela sala, cortando o silêncio opressivo. "Eu te conheço há muito tempo, Akane. Desde que você era apenas uma criança. Seu pai, ele estudou comigo, sabia? Nem quero imaginar como ele se sentiria ao saber que sua princesinha se casou com um monstro." As palavras de Izumi atingem Akane como um punhal, ferindo-a profundamente. Seus olhos se fecham por um instante, buscando forças para responder. Quando os abre novamente, há uma determinação inabalável em seu olhar. "Taishou não é um monstro, delegada Izumi", ela diz, sua voz firme apesar do tremor que a percorre. "Ele é apenas... diferente." Akane se levanta da mesa e caminha até a janela, observando a movimentação dos policiais no jardim. "Diferente?", responde a delegada com desdém. "Assassino agora tem nome novo? Pelo que sei, só na nossa pequena cidade, Taishou e Caleb já somam mais de 60 homicídios." Akane morde os lábios. Sua mente vasculha em busca das palavras certas, das palavras que possam convencer Izumi da verdade. "Eu sei que Caleb e Taishou são lobisomens e que podem se tornar perigosos", ela continua, sua voz ganhando força. "Mas isso não muda o fato de que os dois são minha família, que eles são seres de bom coração." Akane se vira para encarar Izumi, seus olhos implorando por compreensão. "Eu sei que a natureza dele pode ser perigosa. Eu sei que ele é diferente, mas isso não o torna menos humano. Ele merece ser amado e aceito, assim como qualquer outra pessoa."
Izumi a observa em silêncio por um longo momento, seus olhos perscrutadores buscando a verdade em cada palavra de Akane. Há um lampejo de dúvida em seu olhar, um sinal de que as palavras de Akane a tocaram. "Você sabe que estou aqui a pedido de Taishou, não sabe?", a delegada finalmente diz, sua voz carregada de incerteza. "O homem que você escolheu amar, me pagou uma fortuna para destruir toda e qualquer evidência da existência dele. Ele quer desaparecer. Sumir. E não ser mais encontrado. E talvez seja melhor assim, Akane. Você merece viver uma vida de paz, sem o medo te consumindo a cada lua cheia. Sem ter que se preocupar com um filho ou um marido matando pessoas." Akane sorri fracamente, um raio de esperança iluminando seu rosto. "Eu só quero que Taishou e Caleb sejam felizes, delegada.", ela responde com convicção. "E farei tudo o que puder para conseguir isso." A cena na sala se dissolve, deixando Akane sozinha, seus pensamentos ainda atormentados pela invasão dos policiais e pelas palavras de Izumi. Mas em meio à sua tristeza, há uma fagulha de esperança, acesa pelas palavras de amor e convicção que ela dedicou a Taishou. "O voo de Caleb sai hoje à noite", Izumi anuncia, sua voz cortando o silêncio com a força de um raio. "Ele vai para um lugar seguro, um lugar onde ninguém jamais o encontrará." Akane sente um aperto no peito, seus olhos marejados de lágrimas. A ideia de perder Caleb para sempre é insuportável, mas ela sabe que a decisão de enviá-lo para longe foi tomada para protegê-lo. Logo, a pergunta decisiva é feita por Izumi. “Você vai partir com ele?”
A delegada Izumi olha para Akane, seus olhos frios e impacientes. Ela bate a xícara de café na mesa, o som ecoando pela sala. “Akane,” ela começa, sua voz afiada como uma lâmina, “você precisa tomar uma decisão agora.” Ela não dá espaço para argumentos, suas palavras são firmes e definitivas. “Caleb está embarcando no próximo avião para se juntar a Taishou. Você vai com ele ou não?” As palavras de Izumi atingem Akane como um soco no estômago. Ela sente seu coração acelerar, a realidade de sua situação se tornando cada vez mais clara. Ela olha para Izumi, seus olhos cheios de determinação. “Eu… eu preciso de mais tempo, Izumi,” ela responde, sua voz trêmula. “Eu amo Taishou, e eu amo Caleb. Eles são minha família. Mas deixar tudo para trás… isso é algo que eu preciso pensar.” Izumi revira os olhos, claramente impaciente. “Não temos tempo, Akane,” ela diz, sua voz fria. “Eu preciso do resto do meu dinheiro e Caleb precisa estar no avião esta noite. Então, decida agora. Você vai com ele ou fica?” Com essas palavras, a sala cai em um silêncio tenso. A decisão de Akane paira no ar, uma escolha que irá mudar o curso de sua vida para sempre. A pressão é intensa, mas Akane sabe que precisa tomar uma decisão, e rápido. O coração de Akane bate descompassado em seu peito, o peso da decisão a deixando sem fôlego. Duas opções se desenrolam diante dela como caminhos divergentes, cada um prometendo um futuro incerto, mas carregado de consequências inabaláveis. De um lado, a imagem de Taishou e Caleb a invade, seus olhos amorosos e intensos a convidando para um mundo novo, um mundo onde o amor e a família reinam supremos. A promessa de uma vida pacífica e isolada, longe do medo e do preconceito que a perseguem em Hinode, acena como um paraíso distante.
Do outro lado, a saudade da sua cidade natal a aperta, a lembrança dos rostos familiares e das ruas aconchegantes a prendendo ao passado. A vida que ela construiu em Hinode, com seus amigos e sonhos, se torna uma tentação irresistível, um refúgio seguro em meio à turbulência emocional. Akane fecha os olhos, buscando a paz interior que a guia em seus momentos mais difíceis. As imagens de Taishou e Caleb se entrelaçam com as memórias de Hinode, criando um mosaico vívido de suas duas realidades. Ela abre os olhos, a determinação tomando conta de seu olhar. A decisão que precisa tomar não é sobre escolher entre Taishou e Hinode, mas sim sobre encontrar o equilíbrio entre os dois mundos que a definem. Akane sabe que o amor por Taishou é inabalável, mas também reconhece que a vida que construiu em Hinode é parte dela. Akane se sente como se estivesse em um turbilhão de emoções. A pressão é quase insuportável, cada palavra de Izumi pesando sobre ela como uma tonelada de tijolos. Ela sente o medo se infiltrando em seu coração, a incerteza a consumindo. Ela está assustada, não apenas pela decisão que precisa tomar, mas também pelo futuro incerto que a aguarda.
Ao mesmo tempo, há uma pitada de raiva borbulhando dentro dela. Raiva por Izumi por forçá-la a tomar uma decisão tão monumental em tão pouco tempo. Raiva por Taishou por colocá-la nessa situação em primeiro lugar. Mas, apesar de tudo, há também uma determinação inabalável dentro dela. Uma vontade feroz de proteger sua família, não importa o custo. Ela sabe que a decisão que tomará não será fácil, mas está disposta a enfrentar qualquer desafio que venha em seu caminho. No fundo, Akane também sente uma pontada de tristeza. Tristeza pela vida que ela pode ter que deixar para trás, pelas memórias que pode nunca mais reviver. Mas ela sabe que, no final das contas, o amor que ela tem por Taishou e Caleb é mais forte do que qualquer coisa. Então, apesar da pressão, apesar do medo e da incerteza, Akane se mantém firme. Ela respira fundo, se preparando para tomar a decisão que mudará sua vida para sempre. E, seja qual for a escolha que fizer, ela sabe que fará isso com todo o amor em seu coração. Porque, no final das contas, é isso que realmente importa. O amor que ela tem por sua família. Com um suspiro profundo, Akane olha para Izumi, seus olhos brilhando com determinação. “Eu vou”, ela diz, sua voz firme e resoluta. “Eu vou com Caleb. Eu vou encontrar Taishou.” Izumi parece surpresa por um momento, mas rapidamente recupera a compostura. Ela assente, um aceno curto e conciso. “Muito bem”, diz ela, levantando-se da mesa. “Vou fazer os arranjos necessários.” Akane observa Izumi sair da sala, seu coração batendo forte no peito. Ela sabe que a jornada à frente será difícil, talvez até perigosa. Mas ela também sabe que é a decisão certa. Por Taishou. Por Caleb. Por sua família. Ela se levanta, caminhando até a janela para olhar o jardim uma última vez. Ela se despede silenciosamente da vida que conhecia, pronta para embarcar em uma nova jornada. Uma jornada de amor, sacrifício e esperança. E, apesar de tudo, ela não pode deixar de sorrir. Porque ela sabe que, não importa o que aconteça, ela estará com sua família. E isso é tudo que realmente importa.
Akane caminha até a casa de seus pais, seu coração pesado com a iminência da despedida. Ela encontra sua mãe, Haruko, na cozinha, preparando o jantar como sempre. Seu pai, Ryo, está sentado na sala de estar, lendo o jornal. “Mãe, pai,” Akane começa, sua voz trêmula, “eu… eu vou embora de Hinode.” Haruko deixa cair a colher que estava segurando, virando-se para encarar Akane. Ryo abaixa o jornal, seus olhos encontrando os de Akane. Há um momento de silêncio, antes que Haruko corra para abraçar Akane, suas lágrimas molhando o ombro da filha. Ryo se junta a elas, seu abraço forte e reconfortante. Akane não entra muito em detalhes sobre o porquê dessa decisão, ela apenas diz que precisa ir, precisa ficar com sua família. E depois de algumas horas de conversa. Seus pais a compreendem. “Seja forte, Akane,” Ryo murmura, “Nós te amamos.” Haruko completa. Com o coração pesado, Akane se despede de seus pais, prometendo manter contato e visitá-los sempre que puder. Em seguida, Akane vai ao encontro de suas melhores amigas: Sakura e Yuki.
A despedida de Sakura e Yuki é particularmente dolorosa. Sakura, com os olhos cheios de preocupação, segura as mãos de Akane. “Akane,” ela diz, sua voz tremendo, “você está cometendo o maior erro da sua vida.” Ela começa, sua voz ríspida e cheia de emoção, “você não deveria tomar uma decisão tão drástica na sua vida. Você está jogando tudo fora por causa de Taishou e Caleb.” Ela pausa, engolindo em seco antes de continuar. “Eu ainda estou magoada por Kenji ter escolhido essa… essa merda toda,” ela diz, sua voz tremendo com a intensidade de suas emoções. “E agora, eu estou perdendo você também. Eu não esperava perder mais um amigo de infância para a maldição da licantropia.” As palavras de Sakura atingem Akane como um soco no estômago. Ela sente uma pontada de dor ao ver a angústia no rosto de sua amiga. Mas, apesar da dor, ela sabe que precisa fazer o que acredita ser o melhor para sua família. “Sakura,” Akane responde, sua voz suave, mas firme, “eu entendo sua preocupação. Mas eu preciso fazer isso. Por Taishou, por Caleb, por mim.” Yuki está em estado de choque, seus olhos arregalados e seu rosto pálido. Ela olha para Akane, sua expressão uma mistura de incredulidade e desespero. “Caleb… ele… ele vai embora?” ela gagueja, suas palavras mal saindo. “Mas… mas eu sou a namorada dele. Eu… eu não posso perdê-lo.”
Ela se vira para Akane, seus olhos suplicantes. “Akane, você não pode fazer isso,” ela implora, suas palavras se transformando em um soluço. “Você não pode levar Caleb embora de mim.” Akane olha para Yuki, seu coração apertado de dor. Ela quer confortar Yuki, dizer a ela que tudo vai ficar bem. Mas ela sabe que não pode fazer isso. Ela sabe que as palavras de conforto seriam vazias. “Yuki,” Akane diz suavemente, “eu sinto muito. Eu realmente sinto. Mas Caleb precisa ir. Ele precisa estar com o pai dele.” Yuki balança a cabeça, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. “Não,” ela murmura, “não, não, não…” Mas, apesar dos protestos de Yuki, Akane sabe que a decisão já foi tomada. Ela sabe que, por mais doloroso que seja, Caleb precisa ir. E ela sabe que, por mais que doa, ela precisa deixar Yuki para trás. Yuki, por outro lado, está em lágrimas. Ela agarra o braço de Akane, seus olhos suplicantes. “Eu quero ir com você, Akane,” ela soluça, “Eu quero estar com Caleb.” Sakura, no entanto, é rápida em intervir. Ela se vira para Yuki, seus olhos duros. “Você é menor de idade, Yuki,” ela diz, sua voz firme. “Você não pode tomar essas decisões agora. Você só poderá tomar essas decisões imbecis quando crescer.”
Yuki chora ainda mais, suas lágrimas caindo livremente. Ela se agarra a Akane, soluçando desesperadamente. Akane a abraça, tentando consolá-la, mas seu próprio coração está pesado com a dor da despedida. A despedida é dolorosa, cheia de lágrimas e palavras duras. Mas, apesar de tudo, Akane sabe que precisa seguir em frente. Ela precisa fazer o que acredita ser o melhor para sua família, mesmo que isso signifique deixar suas melhores amigas para trás. E com essa determinação em seu coração, ela se prepara para embarcar em sua nova jornada. A casa de chá de Haru é a última parada de Akane antes de sua partida. O aroma familiar do chá e o som suave da conversa preenchem o ar, trazendo uma sensação de normalidade que contrasta fortemente com a tempestade emocional dentro de Akane. Hinata está lá, seus olhos cheios de preocupação e tristeza. Akane se aproxima dela, suas mãos tremendo enquanto ela se prepara para dizer adeus. “Hinata,” ela começa, sua voz mal mais que um sussurro, “eu… eu estou indo.” A expressão de Hinata muda, uma mistura de surpresa e tristeza passando por seu rosto. Ela abraça Akane, segurando-a como se quisesse impedir que ela fosse embora. “Você tem certeza disso, Akane?” ela pergunta, sua voz tremendo. Akane se afasta, olhando nos olhos de Hinata. “Eu não tenho certeza de nada,” ela admite, “mas eu preciso estar com minha família. Eu preciso estar com Taishou e Caleb.”
Haru, que estava ouvindo a conversa, se aproxima. Ela coloca a mão no ombro de Akane, seu olhar cheio de compreensão. “Eu sei que você está fazendo o que acha que é certo, Akane,” ela diz, “devemos sempre ficar com quem amamos”. Haru diz com um sorriso sincero no rosto. Reflexo de suas próprias decisões conturbadas de aceitar ficar com Izumi, e enfrentar todo o preconceito da sociedade. Finalmente, depois de despedir das pessoas mais importantes de sua vida, ela caminha de volta para casa, ela carrega consigo a dor da despedida, um lembrete constante do preço do amor e do sacrifício. Em casa, Akane faz uma pequena mala em silêncio. Deixa as chaves da casa de Taishou aos cuidados de Izumi e entra dentro da viatura para ser levada para o aeroporto. Akane vê a cidade de Hinode se afastando lentamente do horizonte, ela fica olhando para as luzes que piscam ao longe. Ela sente uma onda de emoções a inundar, uma mistura de tristeza, medo e incerteza. A tristeza é a mais forte, um peso em seu peito que a faz lutar para respirar. Ela está deixando para trás sua casa, seus amigos, sua vida. Cada rua, cada prédio, cada árvore em Hinode tem uma memória associada a ela, e a ideia de nunca mais ver esses lugares novamente é quase insuportável. O medo vem em seguida, um frio que se espalha por suas veias. Ela está entrando no desconhecido, deixando para trás tudo o que é familiar. Ela não sabe o que a espera, e a incerteza é assustadora.
E então há o arrependimento. A pergunta “E se?” ecoa em sua mente. E se ela estiver cometendo um erro? E se ela se arrepender de sua decisão? E se Taishou não a quiser de volta? E se houver uma maneira de ter Taishou e Caleb em sua vida sem ter que deixar Hinode? Mas apesar de tudo isso, Akane sabe que precisa seguir em frente. Ela precisa estar com Taishou e Caleb. Eles são sua família, e ela fará qualquer coisa para protegê-los. Então, com um último olhar para Hinode, Akane vira seu rosto lentamente. Ela não olha mais para trás. Ela está assustada, sim, mas também está determinada. Ela pode não saber o que o futuro reserva, mas ela sabe que, não importa o que aconteça, ela enfrentará com coragem. Porque ela é Akane Hiromi Seiji, e ela fará o que for preciso para proteger sua família. A noite cai sobre o aeroporto, as luzes brilhantes da pista iluminam o avião que aguarda na pista. Akane, com uma pequena mala, caminha em direção ao avião. Seu coração está pesado, mas ela mantém a cabeça erguida, determinada a enfrentar o que está por vir. Izumi, a delegada, observa de longe, seu olhar impassível enquanto vê Akane e Caleb se afastarem. Ela não diz nada, apenas observa, seu rosto é uma máscara de profissionalismo. Mas em seus olhos, há um brilho de algo que poderia ser interpretado como respeito, ou talvez até mesmo admiração.
Caleb, ainda algemado, é escoltado por vários policiais. Ele caminha com a cabeça baixa, seus olhos fixos no chão. Mas quando ele olha para cima e vê Akane, há um brilho de esperança em seus olhos. Akane embarca no avião, dando uma última olhada para trás. Ela vê Izumi, a cidade de Hinode ao longe, e tudo o que está deixando para trás. Ela sente uma pontada de tristeza, mas também uma sensação de alívio. Ela está indo para um lugar onde Taishou e Caleb podem viver em paz, e isso é tudo que realmente importa para ela. Com um último suspiro, Akane se vira e entra no avião. A porta se fecha atrás dela, marcando o fim de um capítulo de sua vida e o início de outro. Ela não sabe o que o futuro reserva, mas está pronta para enfrentá-lo, não importa o que aconteça. Porque ela tem Taishou e Caleb, e enquanto eles estiverem juntos, eles podem enfrentar qualquer coisa. E com essa certeza em seu coração, Akane se prepara para a jornada que está por vir. O avião aterrissa suavemente no aeroporto de Londres, Inglaterra. Akane e Caleb desembarcam, pisando em solo estrangeiro pela primeira vez. A polícia local, que havia acompanhado Caleb durante o voo, retirou suas algemas. Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Caleb enquanto ele esfregava os pulsos, livres finalmente. Akane pega sua mala com uma mão e segura a mão de Caleb com a outra. Ela olha para ele, seus olhos encontrando os dele. Caleb parece mais jovem de alguma forma, mais vulnerável sem as algemas. Ele está claramente deprimido, a realidade de sua situação pesando sobre ele. “Mãe, eu… eu sinto muito,” ele diz, sua voz baixa. “Por minha culpa, nós perdemos tudo.”
“Caleb,” Akane começa, sua voz suave, “não há necessidade de pedir perdão.” Akane aperta a mão de Caleb, tentando transmitir seu apoio através do toque. “Nós ainda temos um ao outro,” ela diz, sua voz firme. “E enquanto tivermos isso, não teremos perdido tudo.” Eles se afastam do avião, caminhando juntos em direção ao desconhecido. Eles estão em um novo país, longe de casa, mas eles estão juntos. E, no final das contas, isso é tudo que realmente importa para eles. Eles têm um ao outro. Akane se vira para Caleb, seus olhos cheios de preocupação. “Caleb,” ela diz, “seu pai mandou a localização de onde ele está?” Caleb, ainda atordoado com a rapidez com que sua vida mudou, pega seu celular de dentro da mala. Ele começa a vasculhar as mensagens de seu pai, seus dedos tremendo ligeiramente. “Estamos… estamos a cerca de dez horas de carro daqui,” ele diz finalmente, sua voz baixa. Akane suspira, sentindo o peso da jornada à frente. Ela pega a mão de Caleb e caminha com ele até a saída do aeroporto. Lá, ela pede um táxi para a rodoviária, lutando para se comunicar em inglês. O inglês é tão diferente do japonês, e Akane se sente como uma estranha em um país estrangeiro. Mas, para sua sorte, Caleb conhece bem a língua e consegue ajudá-la a se comunicar com o motorista do táxi.
Eles embarcam no táxi, deixando o aeroporto e embarcando na longa viagem à frente. Akane se sente um pouco mais aliviada agora, sabendo que Caleb está ao seu lado. Eles podem estar longe de casa, mas pelo menos eles têm um ao outro. E isso, para Akane, é tudo que realmente importa.
Depois de um longo dia de viagem, Akane e Caleb finalmente chegam a um pequeno hotel local. Eles decidem fazer uma parada para descansar antes de pegar o ônibus no dia seguinte para encontrar Taishou. Eles se acomodam em um quarto simples, mas confortável. Akane e Caleb compartilham a mesma cama, um gesto de conforto e proximidade em meio à incerteza de sua situação. Caleb está claramente abalado, seu rosto pálido e seus olhos sombrios refletem o terror e a depressão que ele sente. Akane o abraça, passando os dedos pelos cabelos dele em um gesto de carinho. Ela tenta confortá-lo, sussurrando palavras de encorajamento e promessas de um futuro melhor. Caleb, no entanto, está perdido em seus próprios pensamentos. “O que mais dói,” ele confessa, sua voz mal mais que um sussurro, “é deixar Yuki para trás.” Akane aperta o abraço, tentando transmitir seu apoio através do toque. “Quando Yuki completar dezoito anos,” ela diz, “vocês poderão se encontrar novamente. Eu prometo.”
Caleb suspira, a ideia de um amor à distância pesando em sua mente. Ele se pergunta se tal coisa poderia realmente funcionar, se ele e Yuki poderiam superar a distância e as circunstâncias. Mas, por enquanto, tudo o que eles podem fazer é descansar e se preparar para o dia seguinte. Eles têm uma longa jornada pela frente, e precisam de todas as forças que puderem reunir. Então, juntos, eles se aconchegam na cama, encontrando algum conforto na presença um do outro em meio à tempestade que é a vida deles. Depois de quase dois dias de viagem, Akane e Caleb finalmente chegam a Inverness, na Escócia. O ambiente é gélido, mas a beleza da cidade, com suas antigas construções de pedra e o cenário montanhoso ao fundo, deixa Akane encantada. Caleb, no entanto, permanece com o olhar vazio de depressão. Ele mal nota a beleza ao redor, sua mente claramente em outro lugar. Decidindo que eles precisam de uma pausa, Akane leva Caleb a uma cafeteria local. O aroma do café recém-preparado enche o ar, trazendo um pequeno conforto para ambos. Akane pede para Caleb mandar uma mensagem para Taishou, querendo saber quanto tempo ainda falta para chegarem ao local onde ele está. Caleb, obedecendo sem questionar, pega seu celular e envia a mensagem. A resposta de Taishou chega rapidamente, informando que eles estão a apenas uma hora de carro da floresta e da localização do chalé. Akane suspira aliviada, sabendo que em breve eles estarão com Taishou. Ela olha para Caleb, seu coração se apertando ao ver a tristeza em seus olhos. Ela sabe que a jornada tem sido difícil para ele, mas ela também sabe que eles estão quase lá. E isso lhe dá a força de que precisa para continuar.
A viagem de carro até o chalé é tranquila, a paisagem escocesa passando como um borrão pela janela. Quando eles finalmente chegam, já é noite e a temperatura caiu ainda mais, o ar frio cortando como uma lâmina. Dentro do chalé, Taishou está aguardando ansiosamente, olhando pela janela. Quando ele vê o movimento do carro chegando, seu coração dispara. Ele corre para fora, seus olhos se iluminando ao ver seu filho. A emoção do reencontro é palpável. Taishou e Caleb se abraçam, segurando um ao outro como se nunca mais fossem se soltar. Taishou brinca, tentando aliviar a tensão, “Caleb, você me custou uma pequena fortuna de 50 bilhões de yenes.”
Caleb não consegue segurar as lágrimas. Ele se afasta de Taishou, olhando para o pai com olhos cheios de remorso. “Pai,” ele diz, sua voz embargada, “eu… eu sinto muito.” Taishou apenas sorri, colocando a mão na cabeça de Caleb. “Não há nada para se desculpar, Caleb,” ele diz, sua voz suave. “O importante é que estamos juntos agora. E isso é tudo que realmente importa.” Kenji, que estava na porta do chalé, corre para cumprimentar Caleb assim que o vê. Ele o envolve em um abraço apertado, aliviado por vê-lo seguro. “Moleque, você quase matou seu pai do coração” Kenji brinca.
Taishou, por outro lado, está parado, seus olhos fixos na figura que desce do carro. Akane. Ele não esperava vê-la ali. Ele pensava que ela tinha ficado em Hinode, e que Caleb tinha feito a viagem sozinho. Ver sua esposa ali com ele o deixa perturbado. Kenji também fica incomodado. Ele observa a cena que se desenrola diante de seus olhos, seu rosto se contraindo em uma expressão de desconforto. Taishou se aproxima de Akane, e como se tivesse esquecido de tudo que aconteceu entre eles, ele a abraça e a beija. É um momento de reunião, de alívio, mas também de surpresa. Kenji, vendo a cena, não consegue deixar de lançar um olhar irritado e cheio de ciúmes. Ele se afasta, deixando Taishou e Akane sozinhos. A chegada de Akane claramente mudou a dinâmica, e agora todos terão que se ajustar a essa nova realidade. Taishou, ainda segurando Akane fortemente, olha para ela com surpresa. “O que faz aqui?” ele pergunta, sua voz cheia de emoção. “Eu achei que você tivesse escolhido ficar em Hinode!” Akane, no entanto, apenas abraça Taishou de volta, sua determinação clara em seu rosto. “Eu quase escolhi ficar,” ela admite, sua voz suave, mas firme. “Mas eu não podia deixar meu filho, nem você. Vocês são minha família.” E com essas palavras, ela reafirma seu compromisso com Taishou e Caleb, pronta para enfrentar qualquer desafio que possa surgir em seu caminho. Kenji observa a cena entre Akane e Taishou com ciúmes fervilhando em seu peito. Ele cerrou os punhos, um rosnado baixo escapando de seus lábios. No entanto, Akane, absorta em seu reencontro com Taishou, não percebe o pequeno gesto.
Quando Akane finalmente solta Taishou, ela se vira para Kenji e o abraça. “Ken, muito obrigada por ter acompanhado o Tai nessa jornada,” ela diz, sua voz cheia de gratidão, “você cuidou bem dele?” Kenji sente um turbilhão de emoções quando Akane o abraça. Confusão, felicidade, raiva, tristeza - todas essas emoções se misturam em um redemoinho caótico dentro dele. Ele sempre amou Akane, tanto romanticamente quanto como amiga, e o abraço dela acende uma chama de esperança em seu coração. Mas ao mesmo tempo, ele se sente triste. Se Akane voltou para Taishou, isso significa que Kenji vai perder Taishou de novo. E a ideia disso o enche de uma tristeza profunda. O ciúme também o invade, uma onda verde de ressentimento que ameaça engoli-lo. Ele tem tantas emoções que mal consegue entender o que está sentindo. Mas, apesar de tudo, ele tenta reprimir todas essas emoções. Ele abraça Akane de volta, forçando um sorriso em seu rosto. Ele pode estar lutando com seus sentimentos, mas por enquanto, ele só quer estar lá para Akane. E isso é tudo que realmente importa para ele.