Os alunos apressam-se para seus lugares, ajeitando livros e cadernos com uma mistura de nervosismo e curiosidade. Com um sorriso benevolente, o professor inicia a aula de matemática. Equações complexas e teoremas desafiadores são explicados com clareza e entusiasmo, enquanto a turma se concentra, ávida por novos conhecimentos. Mas a tranquilidade dura pouco. A porta se abre novamente, e a figura imponente da diretora surge, acompanhada de um rapaz. O ambiente fervilha com a expectativa da chegada de um novo aluno. Taishou Seiji, como se chamava, é um jovem de aparência marcante. Seus cabelos negros, longos e lisos, caem sobre os ombros, emoldurando um rosto pálido e inexpressivo. Os olhos negros, escuros como a noite, emitem um frio glacial que contrasta com a beleza angelical de seus traços.
Uma tatuagem visível no braço reafirma seus ares de rebeldia, enquanto correntes de prata decoram seu pescoço, algumas com pingentes peculiares, como uma cruz e uma chave. À medida que o professor o apresenta à turma, Taishou fixa seu olhar penetrante em Akane. Uma onda de calafrios percorre a espinha dela, e, nervosa, ela desvia o olhar. Sakura e Hinata, percebendo o mal-estar da amiga, trocam olhares intrigados. “Você já viu esse garoto antes?” perguntou Hinata em voz baixa, os olhos arregalados de curiosidade. Akane negou com a cabeça, ainda abalada pelo olhar gélido de Taishou. Vestindo uma regata preta rasgada e calças jeans desbotadas, ele emanava um ar sombrio e rebelde que contrastava com a atmosfera leve da sala. As garotas suspiravam com sua beleza melancólica, enquanto os garotos se sentiam ameaçados pela sua aura misteriosa. Kenji, por sua vez, não gostou do novo aluno e não fez questão de esconder sua cara fechada.
Quando o professor pediu que Taishou se apresentasse, ele limitou-se a um monossilábico “oi”, sua voz grave e rouca ecoando pela sala. Esse simples cumprimento intensificou a sensação de desconforto que pairava no ar, fazendo com que a tensão se espalhasse entre os alunos. As aulas seguintes transcorreram em um clima pesado, e Akane não conseguia se livrar da sensação de que Taishou a observava constantemente, como se estivesse desnudando sua alma. Finalmente, o sinal tocou, anunciando o fim da aula de matemática. Akane, ainda nervosa com os olhares penetrantes do novato, reuniu suas coisas rapidamente e se dirigiu ao pátio da escola, onde suas amigas, Sakura e Hinata, a aguardavam. No refeitório, os alunos se reuniam para desfrutar de uma refeição nutritiva e saborosa, servida em bandejas individuais. Enquanto Akane buscava sua comida, seus olhos se cruzaram com os de Taishou. A intensidade gélida em seu olhar a perturbava profundamente, fazendo com que ela apressasse o passo e se sentasse na mesa com suas amigas.
“Akane, você está pálida! Aconteceu alguma coisa?” perguntou Sakura, preocupada, observando a amiga sentar-se no banco. Akane hesitou por um momento, ponderando se deveria compartilhar seu desconforto. Taishou parecia estranhamente familiar, e o fato de ele estar a encarando durante todo o dia não ajudava a diminuir sua insegurança. “Eu estou bem...” disse ela, a voz hesitante traindo seu verdadeiro estado emocional. As amigas se entreolharam, intrigadas. O aroma de pizza e macarrão flutuava no ar do refeitório lotado, enquanto Akane tentava se concentrar na conversa animada de suas amigas. No entanto, seus olhos se desviavam constantemente para a última mesa do refeitório. Lá estava Taishou, observando-a com uma frieza gélida que lhe causava calafrios. Hinata, com sua perspicácia natural, percebeu o desconforto de Akane. “O que há com você, Akane? Está pálida como um fantasma.”
Sakura, sempre atenta aos dramas da escola, juntou-se à conversa. “É aquele Taishou, não é? Ele não tira os olhos de você desde que chegou.” Akane assentiu, confirmando o presságio de sua amiga. “Ele me dá uma sensação estranha, como se estivesse me analisando.” Nesse momento, Kenji, o galã da escola, se juntou à mesa. Sentando-se ao lado de Akane, ele lançou um olhar de desprezo para o outro lado do refeitório. “Aquele cara me dá nos nervos. Só de olhar para ele, dá para sentir que ele vai dar problemas.” Sakura riu da irritação de Kenji. “Você está com ciúmes, Kenji? Afinal, ele é o novo bad boy da escola, e você está perdendo o seu posto de galã misterioso.” Hinata, sempre tímida, entrou na conversa com uma voz suave. “Talvez ele só esteja sendo tímido. Afinal, ele é novo na escola.” Kenji deu de ombros, ignorando a sugestão de Hinata. “Ele não me engana. Tem algo estranho nele. Vocês vão ver.”
Enquanto a conversa continuava, Akane não conseguia evitar olhar para Taishou. Ela observou as garotas se aproximarem dele, entregando cartas de amor com sorrisos tímidos. Ele as recebia com indiferença, sem demonstrar interesse, e as garotas se afastavam, algumas com o coração partido, outras com a esperança de que finalmente o notassem. Enquanto mordia uma maçã, Taishou fixou os olhos em Akane, fazendo um frio percorrer sua espinha, como se ele pudesse ler seus pensamentos. O que ele queria? O que significava aquele olhar penetrante? Uma mistura de medo e fascinação agitou seu coração, deixando-a intrigada e apreensiva.
Nesse instante, Kenji passou os braços em volta de Akane, envolvendo-a em um abraço. "K-Kenji, o que você está fazendo?" disse ela, afastando-se rapidamente dele. As palavras de Kenji soaram como um trovão em seus ouvidos: "Akane, que tal fingirmos que estamos namorando?" O tempo pareceu congelar, e os olhares curiosos de Hinata e Sakura se fixaram no casal. Kenji, com um sorriso nervoso, coçou a nuca. "Sabe, aquele Taishou não tira os olhos de você desde que chegou. Se ele pensar que você está comprometida, talvez te deixe em paz." Akane, surpresa com a sugestão, franziu a testa. "Namorar? Mas Kenji, somos amigos de infância!" "Eu sei, eu sei," ele disse, desviando o olhar, mas sua expressão era sincera. "Mas é só até ele desistir de você. Depois, podemos voltar a ser como antes." Kenji se aproximou, seus olhos transmitindo uma sinceridade que Akane nunca tinha visto antes. "Você confia em mim, né?"
Sakura, com seu entusiasmo contagiante, vibrava com a ideia. "Isso vai ser tão divertido!" exclamou, batendo palmas. "Imagine só, Akane, você e Kenji como um casal! Vai ser o maior assunto da escola!" Hinata, sempre tímida e ponderada, discordou da amiga. "Eu não sei, Sakura. Acho que isso pode dar errado. E se o Kenji se apaixonar de verdade pela Akane? E se ela se apaixonar por ele?" Akane hesitou, ponderando a situação. O olhar gélido de Taishou a perseguia desde que ele chegou à escola, e a ideia de ter Kenji ao seu lado, mesmo que fosse apenas uma farsa, era reconfortante. Sakura franziu a testa. "Isso não vai acontecer. Eles são amigos de infância, se conhecem muito bem. Além disso, o Kenji só está fazendo isso para ajudar a Akane."
Hinata não se convenceu. "Mesmo assim, acho perigoso brincar com sentimentos. E se a Akane se machucar?" As duas amigas se entreolharam por um longo momento, cada uma defendendo seu ponto de vista. No fim, Akane decidiu seguir seu coração e dar uma chance ao fingimento. No fundo, ela sabia que Hinata tinha razão. Havia riscos envolvidos, mas também sabia que Kenji era um bom amigo e que jamais a machucaria propositalmente. "Ok," ela disse, com um sorriso tímido. "Vamos tentar." Kenji sorriu de volta, aliviado. "Ótimo! Então, vamos começar a atuar." Ele colocou o braço em volta dos ombros de Akane, puxando-a para perto. "Ei, pessoal," ele disse em voz alta, para que todos no refeitório pudessem ouvir. "Só quero que saibam que a Akane é minha namorada." Um murmúrio de surpresa percorreu o refeitório, enquanto os alunos observavam o casal com interesse. Akane corou levemente, mas se conteve, seguindo o jogo. Do outro lado do refeitório, Taishou observava a cena com uma expressão indecifrável. Seus olhos escuros estavam cheios de uma mistura de raiva, decepção e... algo que Akane não conseguia identificar.
Ela se virou para Kenji, ainda nervosa, mas sentindo uma segurança que não experimentava há muito tempo. "Obrigada," ela sussurrou. "Por me proteger." Kenji sorriu, seus olhos transmitindo uma ternura que Akane nunca tinha visto antes. "Sempre que precisar, Akane," ele disse. "Sempre estarei aqui para você." O dia se arrastou como um fardo pesado para Akane. A cada passo, a sensação de ser observada por Taishou a consumia. Seus olhos gélidos pareciam gravados em sua mente, perseguindo-a incessantemente. Ela tentava se concentrar nos estudos e nas conversas com suas amigas, mas a imagem daquele rosto impassível pairava sobre seus pensamentos, como uma nuvem escura que se recusava a dissipar. Ao final do dia, Akane, Sakura e Hinata caminhavam juntas em direção à saída da escola. Exausta, tanto física quanto emocionalmente, Akane desabafou com suas amigas: "Estou tão cansada. Esse dia foi tão intenso."
Sakura, sempre animada, deu um sorriso brincalhão. "Pelo menos você tem um novo namorado para te animar! Kenji é um gato, Akane. Você tem sorte." Hinata, com sua timidez característica, interveio: "Mas elas estão apenas fingindo, Sakura. Não é um namoro real." Sakura revirou os olhos. "Qual é a diferença? Eles estão juntos, não estão? E quem sabe, com o tempo, o fingimento pode se tornar realidade." Hinata balançou a cabeça, discordando. "Isso é loucura, Sakura. Eles são amigos de infância. Não vai funcionar." Enquanto as duas amigas continuavam a discutir, Akane caminhava em silêncio, absorvendo as palavras de ambas. Uma parte dela se encantava com a ideia de um romance com Kenji, mas a outra parte, a mais racional, reconhecia os riscos e as complicações de um relacionamento falso.
De repente, de canto de olho, Akane viu Taishou, cercado por um grupo de garotas. Mais uma vez, ele recebia uma declaração de amor, e sua resposta foi fria e gélida, como sempre. As garotas o cobriam de elogios, mas ele parecia alheio a tudo isso. Quando as três amigas passaram por ele, Taishou olhou novamente para Akane, e um arrepio percorreu sua espinha. Seu olhar penetrante, cheio de mistério, a deixou intrigada e apreensiva. "Nossa, Akane, aquele Taishou não tira os olhos de você!" exclamou Sakura, com um sorriso travesso. "Ele está te devorando com o olhar!" Hinata assentiu, um pouco nervosa. "É verdade, Akane. Ele me dá até medo." Akane corou levemente, abaixando a cabeça. A presença constante de Taishou a deixava desconfortável, mas, ao mesmo tempo, intrigada. O que ele queria? O que significava aquele olhar penetrante?
Nesse momento, Kenji se aproximou do trio, com um sorriso confiante. Ao notar o desconforto de Akane, ele a abraçou com força, como se quisesse protegê-la. "O que você está olhando, seu babaca?", ele perguntou, lançando um olhar de desafio para Taishou. Taishou encarou Kenji com frieza, sem emoção. Ele não respondeu nada. "Fique longe dela," gritou Kenji para Taishou. "Ela é minha, entendeu? Seu esquisitão do caralho!"
Sem dizer uma única palavra, Taishou se virou e foi embora, deixando um clima de tensão no ar. Sakura vibrava com o desenrolar da cena, como se tudo aquilo tivesse saído diretamente de uma revista de mangá. A rivalidade entre Kenji e Taishou era excitante e divertida. Ela observava cada movimento, cada olhar, cada palavra trocada entre os dois, com um sorriso malicioso nos lábios. Hinata, por outro lado, se sentia desconfortável com a situação. A atmosfera densa e carregada a deixava nervosa. Ela preferia a paz e a harmonia, e tudo aquilo se tornava um grande peso em seu coração. "Aquele cara me irrita," confessou Kenji, sua voz carregada de frustração. "Ele está mexendo com você, Akane, e eu não vou permitir isso." Akane se aconchegou no abraço de Kenji, sentindo-se grata por sua proteção. Sabia que ele era um amigo leal, sempre disposto a defendê-la. "Obrigada, Kenji," ela disse, com um sorriso tímido. "Você sempre sabe como me fazer sentir melhor."
Os quatro seguiram conversando, cada um imerso em seus próprios pensamentos e sentimentos, enquanto caminhavam em direção à casa de Akane. A rivalidade entre Kenji e Taishou pairava no ar, mas também havia um sentimento de amizade e companheirismo que os unia. Ao chegarem à porta da casa de Akane, Kenji se despediu das amigas com um sorriso. "Até amanhã," ele disse, lançando um olhar especial para Akane. Sakura e Hinata também se despediram, desejando boa noite à amiga. Akane entrou em casa, ainda reflexiva sobre tudo o que havia acontecido. A rivalidade entre Kenji e Taishou a preocupava, mas a presença de Kenji a seu lado lhe dava força e esperança. A noite caiu, e Akane se deitou em sua cama, ainda pensando em Taishou. Quem era ele? Que segredos ele escondia? E por que ele a observava com tanta intensidade? As perguntas giravam em sua mente, como um pesadelo que se recusava a ir embora. Naquela noite, Akane adormeceu com o rosto de Taishou em seus pensamentos, mas, com Kenji ali para protegê-la, ela sorriu, certa de que, no final, tudo daria certo. Envolta na escuridão da madrugada, a casa de Akane contrastava com a agitação da cidade durante o dia. As trepadeiras que adornavam as paredes de tijolos vermelhos se transformavam em sombras misteriosas, enquanto o jardim, antes vibrante de cores, agora se escondia sob o manto da noite.
A manhã seguinte na sala de aula começava com uma leve agitação. Akane, Sakura e Hinata entraram, trocando risadas e comentários sobre o que haviam feito na noite anterior. O sol filtrava-se pela janela, iluminando as mesas desordenadas enquanto os alunos se acomodavam, prontos para mais um dia de aulas. "Eu não consigo acreditar que aquela professora ainda não chegou," disse Sakura, balançando a cabeça em desaprovação. "Ela sempre se atrasa!" "Eu aposto que ela ficou presa no trânsito," respondeu Hinata, com um sorriso tímido. "A cidade está sempre tão movimentada de manhã." Akane, embora participando da conversa, sentia uma nuvem de preocupação pairar sobre sua mente. O olhar gélido de Taishou ainda a perseguia, como se ele estivesse lá, observando-a de algum lugar. Ela tentou ignorar a sensação de inquietação, mas a imagem dele se infiltrava em seus pensamentos.
Kenji entrou na sala, já vestindo seu uniforme com um semblante determinado. Ao notar suas amigas, um sorriso surgiu em seu rosto. "Oi, pessoal! Prontas para mais um dia de aula?", ele disse, sentando-se ao lado de Akane. "Se a professora não atrasar novamente, claro!" brincou Sakura, piscando para Kenji. Akane forçou um sorriso, mas o eco do olhar de Taishou em sua mente não a deixava em paz. Ela desviou o olhar, tentando se concentrar nas conversas e risadas de seus amigos. "Então, o que vocês acharam do novo aluno?" Kenji perguntou, os olhos focados em Akane, mas com um leve brilho de ciúmes. "Ele é bem esquisito, não acham?" "Eu não sei... ele parece só reservado," Hinata comentou, tentando defender Taishou. "Talvez ele apenas esteja se ajustando." Akane mordeu o lábio, lembrando-se do modo como Taishou a observava. "Eu também pensei isso... mas há algo nele que me deixa desconfortável," ela admitiu, sua voz hesitante. Kenji franziu a testa. "Desconfortável? Ele está interessado em você, Akane. É isso que está acontecendo. E se ele não for confiável... eu não gosto disso." Sakura ergueu uma sobrancelha, divertida. "Kenji, você não está com ciúmes, está? Afinal, você é o 'namorado' dela agora," ela provocou, piscando.
Kenji deu uma risada nervosa, mas seus olhos se estreitaram. "Não estou com ciúmes! Só estou sendo protetor. E isso é diferente." Akane, apesar de toda a tensão, sentiu-se aquecida pelas palavras de Kenji. Ele sempre a protegia, mas o peso da situação com Taishou não a deixava tranquila. A sala estava começando a encher-se de alunos, e Akane se permitiu relaxar um pouco, rindo das brincadeiras de Sakura e Hinata. No entanto, o tempo passou rápido e a professora finalmente entrou, interrompendo a conversa. Akane tentou focar na aula, mas sua mente não conseguia se afastar da figura de Taishou. Mesmo com o professor explicando equações, as sombras daquele olhar a seguiam, e a sensação de ser observada não a abandonava.
Conforme a aula avançava, Akane notou que a porta se abria novamente, revelando Taishou. Ele entrou, e a atmosfera na sala mudou. O professor parou, e todos os olhares se voltaram para ele. Taishou caminhou até seu lugar, e, para o desespero de Akane, seus olhos se encontraram com os dela. A intensidade gélida do olhar dele fez seu coração disparar. "Por que ele sempre tem que olhar para você, Akane?" sussurrou Sakura, quebrando o silêncio após a introdução do novo aluno. "É como se ele estivesse te estudando." A garota hesitou, sem saber como responder. A insegurança aumentava, e, ao mesmo tempo, uma curiosidade sombria despertava dentro dela. "Não sei... só espero que ele não se interesse de verdade," disse ela, engolindo em seco. Kenji virou-se para olhar Taishou, seu olhar agora carregado de um misto de proteção e aversão. "Se ele ousar se aproximar, não hesitarei em dar um basta," declarou Kenji com firmeza, seus olhos fixos na figura do novato. Akane sentiu um misto de gratidão e preocupação pelo amigo. "Kenji, eu não quero que você se meta em brigas por minha causa," ela disse, sua voz suave, mas decidida. "Eu faço o que for preciso para proteger você, Akane. Lembre-se disso," ele respondeu, e a determinação em sua voz trouxe um conforto que ela apreciava.
A aula prosseguiu, mas as palavras de Kenji ecoaram em sua mente, misturadas com a presença constante de Taishou. Assim que o sinal tocou, anunciando o fim da aula, Akane suspirou aliviada. Ela só queria um pouco de paz, longe dos olhares inquietantes e do mistério que Taishou representava. Mas a certeza de que ele continuaria a invadir seus pensamentos era inegável, assim como a expectativa do que o dia ainda reservava. No dia seguinte, Akane decidiu passar a hora do intervalo na biblioteca, buscando distração e um pouco de paz após a intensa experiência anterior. O ambiente silencioso, cercado por estantes repletas de livros, proporcionava um refúgio ideal para seus pensamentos inquietos. Ela se acomodou em uma mesa no fundo da sala, longe do olhar curioso dos colegas, e começou a pesquisar sobre lobisomens, sua mente ainda absorta na figura enigmática de Taishou. Com um caderno em uma mão e um lápis na outra, ela folheava um livro antigo, repleto de ilustrações e histórias sobre a mitologia dos lobisomens. A cada página que virava, sua curiosidade aumentava, mas a imagem de Taishou permanecia insistente em sua mente. Por que ele a observava com tanta intensidade? O que poderia haver por trás de sua aparência sombria e do olhar gélido que a deixava tão desconfortável? Enquanto anotava informações sobre a transformação dos lobisomens e suas fraquezas, um calafrio percorreu sua espinha ao lembrar-se da tatuagem visível no braço de Taishou. Seria ele um deles? Um lobisomem? Essa ideia a intrigava, e uma mistura de medo e fascinação começou a se formar em seu coração. Ela sempre foi apaixonada por criptozoologia, mas agora a teoria parecia mais próxima da realidade do que nunca.
De repente, uma voz suave a interrompeu, trazendo-a de volta à realidade. “Akane, você está aqui?” Era Sakura, com seu cabelo curto e preto brilhando à luz da biblioteca. Ao lado dela estava Hinata, delicada e com seu olhar gentil, que também a procurava. “Estávamos te procurando! A aula vai começar logo,” Sakura disse, com um sorriso preocupado. “Você não pode se atrasar de novo.” Akane olhou para o relógio da parede e percebeu que o tempo tinha voado. Aquelas horas em busca de respostas sobre lobisomens a fizeram perder a noção do tempo. Ela fechou o livro rapidamente, um pouco envergonhada. “Desculpem, eu me perdi na pesquisa.” Hinata se aproximou, sua expressão tranquila transmitindo conforto. “O que você estava lendo? Algo interessante?” “Sobre lobisomens,” Akane respondeu, um pouco hesitante. As palavras estavam na ponta da língua, mas a ideia de compartilhar suas preocupações sobre Taishou a fez hesitar. Ela decidiu manter os detalhes para si mesma. “Histórias antigas e lendas.” Sakura inclinou a cabeça, curiosa. “Lobisomens? Isso parece emocionante! Você sabe que a gente pode fazer uma apresentação sobre isso na aula de literatura, certo?” Akane sorriu, animada com a ideia, mas seu coração ainda estava pesado com os mistérios que a cercavam. “Sim, podemos pensar nisso.” O som dos livros sendo organizados ecoava pela biblioteca quase vazia. Akane, com meticulosidade, colocava cada volume de volta em seu lugar, seus dedos deslizando pelas lombadas empoeiradas. Lá fora, o sol da manhã já pintava o céu com tons de laranja e azul, mas dentro da biblioteca, o tempo parecia ter se esquecido de passar, envolto em um silêncio quase sagrado.
Sakura e Hinata, impacientes, chamavam por Akane do corredor. A aula de história estava prestes a começar, e elas não queriam perder o início. "Akane, vamos logo! A gente vai se atrasar!" gritou Sakura, sua voz ecoando pelas paredes, um lembrete agudo da urgência do momento. Akane ergueu a cabeça, um sorriso tímido se formando em seus lábios ao ouvir as vozes conhecidas. "Já estou indo!" ela respondeu, empilhando os últimos livros em seus devidos lugares. "Só preciso terminar de arrumar esses aqui." Hinata, sempre a voz da razão, se aproximou da amiga com um olhar preocupante. "Não demore muito, Akane. A aula já vai começar." Com um aceno de despedida, as duas amigas saíram da biblioteca, deixando Akane a sós com seus pensamentos.
Enquanto organizava os livros sobre criptozoologia, um volume particularmente pesado escorregou de suas mãos e caiu no chão com um baque surdo, reverberando no silêncio do ambiente. Akane se abaixou para pegá-lo, mas seus dedos tocaram algo inesperado: outra mão. Assustada, ela ergueu a cabeça e se deparou com Taishou. Seus olhos penetrantes, como duas poças escuras, a fitavam com uma calma quase inquietante. "Desculpe, não queria te assustar," ele disse, sua voz suave e rouca, cortando a tensão que pairava no ar. O silêncio na biblioteca parecia cortar o ar como uma faca enquanto Akane lutava para conter o susto. Um rubor subiu por seu rosto ao perceber que Taishou a observava. Nunca havia falado com ele antes, e a casualidade do encontro a pegou desprevenida. "Eu... Eu estou bem," gaguejou Akane, aceitando a mão que Taishou lhe estendia para se levantar. A timidez a dominava, tornando sua voz quase um sussurro. "Obrigada pela ajuda."
Taishou a encarou por um momento, seus olhos escuros impenetráveis como um mistério profundo. "Sinto muito por ter te assustado," disse ele, sua voz baixa e gentil, como se quisesse reparar a intrusão no silêncio da biblioteca. Akane sorriu sem jeito, sentindo-se um pouco mais à vontade. "Está tudo bem," murmurou ela. "Eu... Eu sou Akane Hiromi," disse finalmente, decidindo se apresentar. "Nós somos colegas de classe..." Um tímido sorriso enigmático dançou nos lábios de Taishou. "Taishou Seiji," ele respondeu, oferecendo seu nome em troca. Seus olhos percorreram a pilha de livros sobre criaturas lendárias espalhadas pela mesa, um brilho de curiosidade surgindo neles. "Parece que você está ocupada com uma pesquisa interessante."
Akane hesitou por um instante, debatendo internamente se deveria confiar em Taishou. Ele era tão enigmático, uma mistura de atração e receio a invadia. "Eu estou procurando sobre uma criatura," confessou ela, sua voz ainda um pouco insegura, sentindo uma conexão inexplicável com ele. Taishou observou-a por um momento, seus olhos cheios de um brilho indecifrável, como se estivesse pesando suas palavras. "Uma criatura?" ele perguntou, pegando um dos livros espalhados pela mesa com um gesto que era tanto curioso quanto provocador. Akane hesitou, ponderando se deveria compartilhar seus segredos com ele. Mas algo em seus olhos, uma centelha de curiosidade genuína, a fez baixar a guarda. "Eu estou pesquisando sobre lobisomem," disse ela, sua voz baixa e hesitante, como se o simples ato de pronunciar aquelas palavras pudesse trazer de volta os horrores da noite anterior. Taishou ergueu uma sobrancelha, um sorriso enigmático se formando em seus lábios. "Lobisomens, hein? Um tema fascinante," ele disse, a voz carregada de um entendimento profundo e talvez até de um reconhecimento.
Akane sentiu seu coração acelerar ao ouvir o tom dele, uma mistura de ansiedade e curiosidade crescendo dentro dela. O ambiente parecia mudar, como se a atmosfera carregasse um peso especial. O que mais Taishou sabia sobre o tema que a intrigava tanto? A pergunta pairou em sua mente, e o futuro daquele encontro se desdobrava diante dela como as páginas de um livro ainda por escrever. Um silêncio denso, carregado de uma eletricidade estranha, se instalou entre os dois. Akane sentia o coração batendo forte no peito, uma mistura de medo e empolgação percorrendo seu corpo. Taishou guardou o livro que estava em suas mãos no lugar e se abaixou para pegar o volume mais pesado de todos, folheando as páginas com seus dedos longos e pálidos. "Você acredita neles?" ele perguntou, seus olhos fixos nas ilustrações macabras que pareciam ganhar vida sob a luz da biblioteca. Akane hesitou. Desde o ataque que sofreu, a realidade se tornara um lugar nebuloso, onde o real e o fantástico se misturavam de maneira perturbadora. "Eu não sei," ela disse, finalmente. "Mas algo me diz que eles existem." Taishou a encarou por um longo momento, seus olhos cheios de um significado que ela não conseguia desvendar. "Talvez a verdade esteja mais perto do que você imagina," ele murmurou, antes de guardar o grosso livro na estante, se virar e sair da biblioteca. As palavras de Taishou ecoaram em sua mente como um enigma que ela precisava desvendar.
A verdade sobre a criatura que a visitou estaria realmente mais perto do que ela imaginava? O que ele quis dizer com isso? Akane saiu da biblioteca após arrumar todos os livros, ainda atordoada pelo encontro inesperado. O sol da manhã brilhava forte, mas para ela, o mundo parecia ter mudado. As sombras pareciam mais longas, as árvores mais ameaçadoras. Tudo à sua volta parecia conter um significado oculto, um segredo que ela precisava descobrir. Com passos hesitantes, ela caminhou em direção à sala de aula, sua mente girando em torno das palavras de Taishou. O que ele sabia? O que ele estava escondendo? Uma coisa era certa: Akane não descansaria até descobrir a verdade. Alguns meses se passaram, e a cada dia, a presença de Taishou na escola se tornava mais intrigante. Sua aura sombria e comportamento enigmático alimentavam rumores entre os alunos. Alguns o viam como um bad boy misterioso, outros como um possível membro de alguma gangue criminosa, e alguns até o comparavam a um vampiro. Na sala de aula banhada pelo sol da tarde, Akane folheava um livro com entusiasmo. Seus olhos brilhavam com fascinação enquanto lia sobre uma criatura mitológica com asas de mariposa e corpo de leão. Kenji, sentado ao seu lado, observava a cena com um sorriso divertido. "Então, me diga, Akane," ele sussurrou, "qual é a criatura mais bonita que você já viu?"
Akane ergueu os olhos do livro, surpresa com a pergunta. "Bem," ela respondeu, pensativa, "acho que a criatura mais bonita que já vi é o Quetzalcoatl, a serpente emplumada da mitologia asteca. Sua beleza é majestosa e mística, e sua história é rica em simbolismo." Kenji arqueou uma sobrancelha, um sorriso provocador nos lábios. "Errado, a criatura mais linda que você já viu sou eu, seu namorado," disse ele, com um tom de zombaria. Sakura suspirou, expressando seu incômodo com a abordagem de Kenji, enquanto Hinata não conseguia conter o riso. "Dá um tempo, Kenji!" Sakura se irritou. "Deixa a Akane em paz!" Mas Kenji não desistiu. "Acho que você deveria escrever um livro sobre esses bichos bizarros que você tanto lê, já que não consegue parar de pensar neles. O título seria: 'O Mundo Fantástico das Criaturas Bizarras de Akane'." Akane ignorou o tom sarcástico de Kenji e respondeu com seriedade. "Na verdade, essa é uma ótima ideia! Eu sempre quis escrever um livro sobre as criaturas que me fascinam desde criança." Kenji se sentou ereto, surpreso com a resposta de Akane. Ele nunca a viu tão animada com algo antes. "Você está falando sério?" ele perguntou, um tom de admiração em sua voz. "Eu realmente estava brincando com você." Akane sorriu, seus olhos brilhando de felicidade. "Eu sei disso, Kenji. Você sempre teve um humor ácido."
Kenji observava Akane com o coração apertado. Ela havia voltado a ler seu livro, mas uma sombra de incômodo pairava sobre seu rosto. Ele sabia que a paixão dela pelas criaturas estranhas era real e importante, mas ainda não conseguia compreendê-la. De repente, o silêncio da sala foi quebrado pela entrada de Taishou. Sem dizer uma palavra, ele depositou um livro sobre magia na carteira de Akane e dirigiu-se para seu lugar. Uma risada leve escapou dos lábios de Akane ao pegar o presente. Sakura e Hinata se entreolharam, perplexas, enquanto Kenji sentia a raiva crescer dentro de si. "O que foi isso?" perguntou Sakura, curiosa. Akane, com um sorriso no rosto, explicou que ela e Taishou vinham conversando na biblioteca nos últimos dias. A irritação de Kenji se intensificou. "Você está falando com aquele esquisito agora?" questionou, sua voz carregada de fúria.
Levantando-se abruptamente, Kenji se aproximou de Taishou e o confrontou: "Ei, cara, achei que tinha mandado você ficar longe da Akane!" Akane tentou intervir, defendendo Taishou e afirmando que ele era um cara legal. Sakura e Hinata também se juntaram a ela, tentando acalmar Kenji, que parecia prestes a explodir. A tensão na sala era palpável. Ignorando completamente a fúria de Kenji, Taishou sentou-se com a calma de um monge budista. Essa atitude serena apenas intensificou o nervosismo de Kenji, que agarrou Taishou pela camisa e desafiou: "Você se acha o fodão, não é? Quer brigar comigo?" Os olhos negros de Taishou cravaram-se em Kenji como lâminas gélidas, enquanto sua voz, cortante como aço, ecoava pela sala: "Tire suas mãos de mim." A fúria dominou Kenji, que o empurrou com força. "Ou o que? Vamos, levanta, babaca!" gritou ele, soltando a blusa de Taishou com desdém e recuando, desafiando-o para uma briga.
A sala de aula estava envolta em um silêncio tenso, enquanto os alunos assistiam à cena entre Kenji e Taishou com olhares curiosos e apreensivos. Akane, angustiada, tentava entender como as coisas tinham chegado a esse ponto. O que deveria ser um momento de amizade e camaradagem entre eles havia se transformado em um conflito explosivo. “Kenji, por favor, não!” Akane gritou, sua voz cortando o ar como uma faca. Ela se levantou rapidamente, fazendo um gesto desesperado em direção a seu amigo. “Isso não é necessário! O Taishou não fez nada de errado!” Mas Kenji estava determinado. Sua expressão estava carregada de uma mistura de proteção e ciúme, como se a presença de Taishou ameaçasse algo mais profundo dentro dele. “Ele é esquisito, Akane! Ele não é de confiança!” Kenji retrucou, olhando fixamente para Taishou, que permanecia sentado, sua postura inabalável contrastando com a agitação de Kenji. “Talvez você devesse se preocupar menos com ele e mais com o que está acontecendo dentro de você,” Taishou disse, a voz calma, mas com um tom de advertência que ecoou na sala. A resposta o deixou ainda mais irritado. “Como se você soubesse alguma coisa sobre mim!” Kenji respondeu, os punhos cerrados ao lado do corpo.
Sakura e Hinata se entreolharam, sabendo que a situação poderia rapidamente sair do controle. “Kenji, você está exagerando!” Sakura exclamou, sua voz repleta de preocupação. “Isso não é como você. Vamos nos acalmar e resolver isso de outra maneira!” Mas as palavras de Sakura pareciam não alcançar Kenji, que estava perdido em sua própria raiva. Ele se aproximou ainda mais de Taishou, a tensão no ar era quase palpável. “Se você não se afastar dela, eu juro que vou fazer você se arrepender,” Kenji ameaçou, sua voz baixa e cheia de emoção. Akane sentiu um nó se formar em seu estômago. Ela não queria que seus amigos brigassem, especialmente por causa dela. “Kenji, chega!” ela pediu, tomando um passo à frente. “Por favor, não faça isso.”
A sala de aula se dissolveu em um turbilhão de movimento, com os alunos se aglomerando ao redor dos dois garotos. Akane, com o coração frenético no peito, gritava desesperadamente para Kenji parar. Taishou, com uma calma sobrenatural, se levantou. Sua postura ereta e serena contrastava com a fúria descontrolada de Kenji. Um silêncio ensurdecedor tomou conta da sala. Todos os olhos estavam fixos nos dois garotos, aguardando o próximo passo. Taishou fitou Kenji com seus olhos profundos e escuros. Sua voz, baixa e calma, cortou o ar como uma lâmina: "Está nervoso, por quê? Porque seu namoro de mentirinhas não vai bem?" As palavras de Taishou atingiram Kenji como um soco no estômago. A raiva deu lugar a um aperto no coração, e seus olhos se encheram de lágrimas. Ele olhou para Akane com tristeza.
Sakura e Hinata encararam Akane e Kenji com surpresa. Kenji deu um passo para trás, confuso. "O que você quer dizer?" perguntou, sua voz agora um fio fraco. Taishou não respondeu, apenas o encarou por um longo momento, seus olhos transbordando um significado que Kenji não conseguia desvendar. A realidade de que seu relacionamento com Akane era uma farsa, uma mentira que ele mesmo havia criado para afastar Taishou e, quem sabe assim, se sentir desejado por ela, o golpeou como um relâmpago. Mas, para Kenji, mesmo que fosse uma ilusão, aquilo era amor verdadeiro. Em um instante, a raiva voltou a tomar conta de Kenji. Ele avançou em direção a Taishou, soco preparado, gritando: "Cala a boca!" O soco foi rápido, mas Taishou foi mais ágil, desviando-se e pegando Kenji desprevenido. Ele cambaleou para trás, mas logo se recuperou, os olhos brilhando com uma fúria animalesca. "Você vai se arrepender disso," rosnou Kenji. Os dois garotos se engalfinharam em uma briga brutal, trocando socos e chutes sem parar. Os alunos ao redor gritavam e se afastavam, temendo serem atingidos. Akane tentava desesperadamente separar os dois, mas era inútil; a fúria os consumia, cegando-os para tudo ao seu redor.
Kenji desferia chutes e socos em direção a Taishou, que deslizava com facilidade para evitar os golpes. A cada tentativa frustrada, a raiva de Kenji aumentava, enquanto Taishou permanecia calmo e controlado. De repente, um único soco de Taishou, rápido como um raio, atingiu o rosto de Kenji, jogando-o longe, do outro lado da sala. Kenji caiu no chão, atordoado e sangrando. Um silêncio mortal se abateu sobre a sala. Todos os olhares estavam fixos em Taishou, que respirava calmamente, seus olhos negros como a noite. A tempestade havia passado, mas o estrago estava feito. O relacionamento de Kenji e Akane estava em frangalhos, e a reputação de Taishou como um ser frio e implacável havia sido confirmada. As amigas de Kenji correram para socorrê-lo, mas ele as afastou com um gesto brusco. "Saiam de cima de mim! Eu não preciso da sua ajuda!" gritou, a voz embargada pela dor e pela humilhação. As palavras de Taishou ecoavam em sua mente como um mantra cruel. Ele sabia que o outro garoto tinha razão; seu namoro com Akane era uma farsa, uma mentira que ele havia criado para se sentir importante. Agora, diante da verdade nua e crua, ele não sabia o que fazer.
Akane também estava abalada com a briga. Sentia-se culpada por ter iniciado tudo e por ter mentido para seus amigos sobre seu relacionamento com Kenji. Não tinha ideia de como lidar com a situação. Taishou, por outro lado, parecia não ter sido afetado pela briga. Sua calma e indiferença apenas aumentavam o mistério que o cercava, tornando-o ainda mais intrigante para Akane. A porta da sala de aula se escancarou com um estrondo, interrompendo o clima de tensão e violência que pairava no ar. O professor, com seus óculos de aro grosso e uma expressão de espanto, observou a cena caótica com desaprovação. Kenji, com o rosto ensanguentado e a camisa rasgada, estava esparramado no chão, enquanto Taishou, impassível e sereno, ajustava o colarinho da camisa. Ao redor deles, os alunos se amontoavam, murmurando e lançando olhares de reprovação para os dois.
"Mas que porra está acontecendo aqui?" trovejou o professor, sua voz ecoando pela sala. Um silêncio constrangedor se abateu sobre o local. Todos os olhos se voltaram para ele, aguardando sua próxima ação. Kenji, se esforçando para se levantar, limpou o sangue que escorria do nariz com a manga da camisa. "Foi ele quem começou, professor," disse, apontando para Taishou com um dedo acusador. Taishou apenas ergueu uma sobrancelha, um sorriso enigmático se formando em seus lábios. "Provoquei?" sua voz suave e irônica cortou o ar. "Acho que a verdade é outra, não é mesmo?" Antes que a discussão pudesse continuar, o professor bateu com força na mesa. "Chega!" gritou, sua voz carregada de autoridade. "Ambos os senhores estão suspensos por uma semana. E se eu ouvir falar de mais alguma briga, serão expulsos da escola." Kenji e Taishou se entreolharam, seus olhos cheios de raiva e ressentimento. Mas ambos sabiam que não podiam contestar a decisão do professor. Com a ordem restaurada, o professor retomou a aula, mas a atmosfera na sala era diferente. Havia um clima de apreensão e medo, como se todos estivessem esperando que a tempestade voltasse a qualquer momento. A briga entre Kenji e Taishou havia deixado uma marca profunda na sala de aula. Uma marca que não seria facilmente apagada.
Sakura e Hinata acompanhavam Kenji até a enfermaria, seus corações batendo em uníssono com a fúria que emanava do amigo. A briga com Taishou havia sido brutal, e Kenji era a prova disso: hematomas e cortes cobriam seu corpo, marcas de uma batalha sangrenta. Murmúrios inaudíveis escapavam de seus lábios, carregados de raiva e frustração. "Eu vou matar aquele escroto, esquisito, filho da puta!" ele rosnou, os olhos queimando com um ódio feroz. "Depois da aula, ele vai me pagar por isso." Sakura suspirou, tentando conter a tempestade que se formava dentro do amigo. "Kenji, você não está pensando direito," disse ela, sua voz calma e racional contrastando com a fúria que o consumia. "Taishou te dominou com um único golpe. Você realmente quer arriscar sua vida por isso?" Hinata, sempre a mais emotiva das duas, completou: "Ele nem parecia humano. Manteve-se calmo durante toda a briga, como se estivesse brincando com você. Foi assustador." Kenji apertou os punhos com força, os músculos se contraindo em uma fúria incontrolável.
"Não me importo," respondeu ele, a voz embargada pela raiva. "Eu vou acabar com ele." As duas amigas se entreolharam, preocupadas não apenas com a segurança de Kenji, mas também com a de Taishou. A situação era delicada, e precisavam agir com cautela. "Kenji, por favor," implorou Sakura, segurando seu braço com firmeza. Hinata se juntou a ela, agarrando o outro braço do amigo para evitar que ele se desequilibrasse. "Pense em Akane. Ela não gostaria de te ver assim." As palavras de Hinata tocaram o coração de Kenji, abrindo uma brecha na muralha de raiva que o cercava. Ele olhou para ela, os olhos misturando tristeza e indignação. "Akane? Aonde ela está agora? Ela está junto com aquele cara esquisito! Não comigo!" Um silêncio pesado se abateu sobre o grupo enquanto caminhavam lentamente em direção à enfermaria, a sombra da violência pairando sobre eles e o futuro incerto.
Enquanto isso, em outra parte da escola, Akane acompanhava Taishou até a sala do diretor. O silêncio entre eles era ensurdecedor, carregado de tensão e constrangimento. Akane, incapaz de suportar o peso da situação, finalmente falou: "Você está bem? Me desculpe. Kenji não quis fazer aquilo." Taishou, com sua voz fria e calma, respondeu: "Eu estou ótimo." Suas palavras, embora tranquilizadoras, não soaram verdadeiras para Akane. Havia algo em seus olhos, uma sombra de tristeza ou raiva, que ela não conseguia desvendar. "Você tem certeza?" ela insistiu, a preocupação refletida em seu olhar. "Você não precisa fingir na minha frente." Taishou desviou o olhar, fitando o chão por um momento. "Eu não estou fingindo," disse, a voz ainda baixa e controlada. "Mas obrigado pela sua preocupação." Akane não sabia o que mais dizer. Sentia-se culpada pelo que havia acontecido, mesmo sabendo que não era sua culpa. O silêncio voltou a reinar entre eles, acompanhando-os até a sala do diretor, onde o futuro de todos se tornava cada vez mais incerto.
Na enfermaria, a enfermeira observava Kenji com uma expressão divertida. "Meu Deus, menino," ela disse, segurando um cotonete ensopado com água oxigenada. "O que te aconteceu? Foi atropelado por um caminhão?" Kenji gemeu de dor enquanto Hinata e Sakura o ajudavam. Sakura segurava um rolo de algodão, e Hinata, com cuidado, limpava os cortes em seu rosto. "Briga de escola," ele murmurou, tentando evitar o olhar da enfermeira, a vergonha o consumindo. "Ah, a juventude," a enfermeira comentou com um sorriso irônico. "Sempre tão impetuosa." Ela examinou o braço de Kenji, seus olhos se estreitando em uma expressão de preocupação. "Isso está quebrado," disse, a voz agora séria. "Você vai ter que ficar aqui esta noite." Sakura e Hinata se entreolharam, seus olhos cheios de medo. A brutalidade da briga as havia deixado abaladas. "Mas..." Sakura começou, a voz vacilante. "Taishou mal tocou nele." Hinata assentiu, tremendo. "Ele é mesmo assustador," ela disse em voz baixa, lembrando-se da frieza com que Taishou havia lidado com Kenji.
A enfermeira terminou de limpar os cortes de Kenji e aplicou bandagens, tentando criar um clima mais leve. "Não se preocupem," ela disse, sua voz gentil. "Ele vai ficar bem. Mas da próxima vez, tentem evitar brigas, ok?" Sakura e Hinata assentiram em silêncio, ainda abaladas com o que havia acontecido. Kenji observava as duas amigas, um sentimento de culpa pesando em seu coração. Ele havia se metido em uma briga por causa de Akane, e agora ela estava preocupada com ele. "Eu vou ficar bem," ele disse, tentando soar convincente. "Obrigado por me ajudarem." Sakura e Hinata sorriram para ele, os olhos refletindo carinho e preocupação. "Sempre que precisar," Sakura disse. "Estamos aqui por você." Hinata assentiu, a determinação visível em seu olhar. "Somos amigas, né?" Kenji sorriu de volta, um sentimento de gratidão tomando conta dele. Ele tinha sorte de ter amigas como elas. A enfermeira, enquanto conversava ao telefone com o hospital, sua voz profissional e firme, disse: "Sim, um aluno precisa ser transferido. Ele quebrou o braço em uma briga." Enquanto aguardavam a ambulância, Sakura se aproximou de Hinata, os olhos cheios de preocupação. "Hinata, você precisa avisar a Akane," ela disse em um sussurro. "Kenji está muito machucado."
Hinata assentiu, o coração apertado. Sabia que Akane se preocupava profundamente com Kenji, e a notícia da gravidade de seus ferimentos a deixaria abalada. "Eu vou procurá-la," Hinata disse, se afastando de Sakura. Kenji observava as duas amigas, um sentimento de tristeza consumindo-o. "Não precisa se preocupar com a Akane," ele disse, a voz amarga e pesada. "Ela não se importa comigo." Sakura se virou para ele, os olhos cheios de reprovação. "Kenji, não diga isso," ela respondeu, a firmeza em sua voz refletindo a intensidade da situação. "Akane se importa com você, você sabe disso." Kenji deu de ombros, recusando-se a acreditar nas palavras de Sakura. "Ela nunca me disse isso," murmurou, a voz baixa e melancólica.
Com um olhar distante, Kenji começou a falar. "Sabe, Sakura, no início, eu estava apenas fingindo ser o namorado da Akane. Era divertido, entende? Ter a atenção dela, ser o centro das atenções." A sinceridade em sua voz fez com que Sakura o olhasse atentamente, seus olhos cheios de compreensão e empatia. "Mas agora..." ele hesitou, a dor em seu coração transparecendo. "Agora sinto que tudo isso era só uma ilusão. E eu me deixei levar por isso."
A enfermeira, terminando a conversa ao telefone, se aproximou e tocou o ombro de Kenji. "Menino, você é mais forte do que pensa. Aprenda com isso e siga em frente. A vida é cheia de desafios." Kenji olhou para ela, um misto de gratidão e desespero em seu olhar, enquanto a ambulância se aproximava, pronta para levá-lo a um novo capítulo de sua história. "Mas algo mudou," Sakura disse suavemente, os olhos fixos em Kenji. Ele assentiu, um sorriso tímido começando a se formar em seus lábios. "Sim," respondeu, a voz dele quase um sussurro. "Eu não sei exatamente quando, mas os sentimentos começaram a se tornar reais. Eu me apaixonei por ela." Sakura ficou surpresa com a confissão do amigo. Ela sempre o viu como um garoto brincalhão e despreocupado, mas agora podia perceber a seriedade em seus olhos, um brilho intenso que ela nunca tinha notado antes. "É sério?" perguntou, sua voz baixa e hesitante. Kenji assentiu novamente, agora com mais firmeza. "Sim. Eu amo a Akane."
As palavras de Kenji ecoaram na mente de Sakura como um trovão em um dia calmo. "Eu amo a Akane." A frase, dita com tanta simplicidade e convicção, abalou o mundo que ela havia construído em sua mente, um mundo onde ela e Kenji eram mais do que amigos. Um tremor percorreu seu corpo, não de frio, mas de nervosismo. Ela apertou os punhos, tentando conter a onda de emoções que ameaçava consumi-la. Raiva, tristeza, frustração... E um sentimento que ela se recusava a admitir: medo. Medo de perder Kenji, medo de que ele nunca a visse da mesma maneira que ela o via. Kenji a observava com o cenho franzido, confuso com a reação negativa de Sakura. "O que foi?" perguntou, sua voz suave e preocupada. "Por que você está tão nervosa?" Sakura desviou o olhar, incapaz de encarar os olhos gentis do amigo. "Não é nada," ela murmurou, tentando disfarçar o tremor em sua voz. "É que... Eu não esperava ouvir isso."
"Ouvir o quê?" Kenji perguntou, ainda confuso. "Que eu amo a Akane? Mas você sabe disso há muito tempo." "Sim, eu sei," Sakura admitiu, a voz baixa e hesitante. "Mas... Eu acho que eu nunca realmente acreditei." Kenji ficou em silêncio por alguns instantes, absorvendo as palavras de Sakura. Uma compreensão começou a se formar em sua mente. "Você gosta de mim, não é?" ele perguntou, sua voz suave e quase hesitante. Sakura arregalou os olhos, surpresa por ter sido descoberta. "O que? Não!" ela negou, o rosto corando violentamente. "Claro que não! Eu sou apenas sua amiga." Mas suas palavras soaram falsas, até mesmo para ela. Ela sabia que seus sentimentos por Kenji eram mais do que amizade, mas o medo de confessá-los a mantinha presa em uma teia de mentiras. Enquanto isso, Hinata, com o coração batendo forte no peito e a respiração ofegante, corria pelo corredor da escola em direção à sala do diretor. Seus pensamentos eram um turbilhão de preocupação e medo. Kenji, meu amigo, está machucado. Ao chegar à porta da sala, ela a empurrou com força, revelando Akane e Taishou saindo, ambos com expressões sérias. Nas mãos de Taishou, um papel de suspensão tremia levemente.
"Akane!" Hinata gritou, as palavras saindo em um sussurro ofegante. "Kenji... Ele quebrou o braço... Vai ser transferido para o hospital." As palavras de Hinata atingiram Akane como um raio. Seus olhos se arregalaram de horror, o coração disparando. Taishou deixou o papel cair de suas mãos, voando no chão como uma folha morta. Akane olhou para Taishou, buscando explicações, mas encontrou apenas uma expressão confusa em seu rosto. "Aquele idiota," ele murmurou, mais para si mesmo do que para ela. "Mas... Você mal tocou nele, tocou?" Akane disse, sua voz vacilante, um misto de medo e incompreensão. A imagem do amigo ferido começou a se formar em sua mente.
Taishou não respondeu. Seus olhos se desviaram dos de Akane, ignorando-a enquanto pegava o papel no chão. "Akane!" Hinata gritou novamente, a urgência em sua voz clara. Akane encarou Taishou por mais um tempo, e finalmente se juntou a Hinata. Ambas correram em direção à enfermaria, o coração batendo frenético. A imagem de Kenji, pálido e machucado, a perseguia. Ela precisava vê-lo, precisava saber que ele estava bem. Hinata a seguiu em silêncio, com seus próprios olhos cheios de lágrimas. A alegria da tarde havia se transformado em uma nuvem de tristeza e apreensão, e o peso da situação as envolvia como um manto escuro, um prenúncio do que estava por vir.
Na enfermaria, Kenji fitava Sakura com uma intensidade que a deixava nervosa. Seus olhos, antes cheios de alegria e humor, agora transmitiam uma seriedade que ela nunca havia visto antes. "Sakura," ele disse finalmente, sua voz suave, mas firme. "Não há necessidade de esconder seus sentimentos. Eu sei que você gosta de mim." As palavras de Kenji a atingiram como um raio, confirmando seus piores medos. O coração de Sakura disparou, e lágrimas começaram a brotar em seus olhos. "O que... O que devo fazer?" ela perguntou, a voz quase inaudível. Kenji se aproximou dela, seus olhos cheios de compaixão. "Sakura," ele disse suavemente, "eu gosto da Akane." A dor que aquelas palavras causaram em Sakura foi como um soco no estômago. Sentiu como se o mundo estivesse desmoronando ao seu redor. "Você não gosta de mim?" sua voz embargada pela tristeza mal conseguia sair. Kenji desviou o olhar, incapaz de encarar seus olhos cheios de mágoa. "Eu gosto de você, Sakura," ele disse finalmente, "mas apenas como amiga."
As palavras de Kenji confirmaram o que ela já sabia, mas que se recusava a aceitar. Ele nunca a veria da mesma maneira que ela o via. A amizade que tanto prezava agora parecia uma farsa, uma ilusão que se desfazia diante de seus olhos. Sakura se afastou de Kenji, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Eu preciso sair," murmurou, sua voz quase quebrando. Ela precisava ficar sozinha para processar a dor que sentia. Enquanto se afastava, ouviu a voz de Kenji chamando seu nome, mas não teve coragem de se virar. Se o fizesse, se desmancharia em lágrimas e confessaria seus sentimentos, algo que jamais poderia fazer.
Hinata e Akane entraram na enfermaria apressadas, seus rostos repletos de preocupação. Ao ver Sakura de costas, seus ombros tremendo enquanto se afastava de Kenji, Hinata franziu a testa. "O que está acontecendo?" perguntou, sua voz tensa. Sakura se virou, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. "Nada," ela disse, a tristeza transparecendo. "Só... Só estou preocupada com o Kenji." Akane olhou para Kenji, que estava sentado na cama com uma expressão abatida. "Kenji, você está bem?" perguntou, sua voz suave e cheia de carinho. Kenji assentiu, mas seus olhos não a fitavam. "Estou bem," disse, sua voz baixa e hesitante. "Foi só um arranhão." Akane se aproximou de Kenji e colocou a mão em seu ombro. "Desculpe por isso," ela disse, seus olhos cheios de culpa. "É tudo culpa minha." Kenji se virou para ela, segurando sua mão. "Não diga isso," disse, a voz firme. "Não foi sua culpa." Sakura observava a cena com o coração apertado. A culpa a consumia por dentro, e ela não aguentava mais fingir que estava tudo bem. "Não!" gritou, a voz ecoando pela enfermaria. "A culpa é sua, Akane! Você preferiu ficar do lado de Taishou do que do lado de Kenji!"
Akane se afastou de Kenji, seus olhos cheios de surpresa e mágoa. "O que você está dizendo?" perguntou, sua voz fraca e vacilante. "Você sabe do que estou falando!" Sakura retrucou, os olhos cheios de raiva. "Você viu o que Taishou fez com ele! E você ainda o defende!" Kenji se levantou da cama e se aproximou de Sakura. "Sakura, por favor," disse, sua voz calma e serena. "Não faça isso." Mas Sakura ignorou Kenji e continuou a atacar Akane com palavras ásperas e dolorosas. A culpa e a frustração se transformaram em um vulcão em erupção, e ela não conseguia se conter. Hinata observava a cena horrorizada, sem saber o que estava acontecendo com seus amigos. A discussão acalorada entre Sakura e Akane foi abruptamente interrompida pela voz firme da enfermeira. "Parem com isso agora!" ordenou, seus olhos severos percorrendo o rosto de cada uma. "Este é um local de descanso, não um campo de batalha." O silêncio se instalou na sala, as palavras da enfermeira ecoando no ar. Sakura, com o rosto vermelho de raiva e lágrimas, foi a primeira a correr para fora, seguida por Hinata, que a observava com preocupação. Antes de sair, Akane lançou um olhar confuso para Kenji, seus olhos cheios de dúvidas e mágoa. Ela não entendia como as coisas haviam chegado a esse ponto.
Kenji, sozinho na enfermaria, sentia o peso da situação sobre seus ombros. A briga entre as duas garotas o deixava triste e confuso. "Eu só queria que tudo voltasse a ser como antes," pensou, o coração apertado. Em pouco tempo, Kenji foi levado para o hospital, onde seria tratado de seus ferimentos. A imagem de Akane, seus olhos cheios de tristeza, o acompanhava durante todo o trajeto. A incerteza pairava no ar como uma nuvem escura, e ele não conseguia se livrar da sensação de que tudo estava mudando para sempre.