As três amigas trocaram olhares, com a confusão estampada nos rostos. As palavras de Akane apenas intensificavam o mistério. "Mas quem é ele?" Yuki perguntou, em um sussurro. Akane se levantou, os olhos fixos no horizonte. "Por enquanto, isso não importa," disse ela com firmeza. "O que importa é que vocês fiquem seguras. Confiem em mim, está bem?" Em silêncio, as amigas assentiram, sabendo que Akane jamais as colocaria em perigo. Com delicadeza, ela vendeu os olhos de cada uma, transmitindo uma sensação de segurança. "Agora, fiquem quietas." O coração de Sakura batia acelerado enquanto via Akane se preparar para partir. A batalha entre os colossos ainda não terminara, e a paz parecia distante. Kenji, seu amado, estava desaparecido, e a incerteza era a única certeza. "Akane," disse ela, a voz carregada de preocupação. "Você precisa encontrar o Kenji. Ele está lá fora, sozinho." Akane assentiu, o olhar misturando determinação e tristeza. "Eu sei, Sakura," respondeu ela. "Vou encontrá-lo. Prometo."
Sakura aproximou-se, os olhos suplicantes. "Por favor, traga-o de volta para mim," sussurrou. "Não sei o que farei sem ele." Akane a abraçou com força, infundindo conforto e segurança. "Eu o trarei de volta," garantiu ela. "Eu prometo." Com um último olhar para Sakura, Akane partiu, a silhueta sumindo na floresta. Sakura a observou desaparecer, o coração apertado pela tristeza e pela esperança. Sabia que Akane era a única capaz de encontrar Kenji e trazê-lo de volta, e a promessa da amiga era sua âncora no mar de incertezas. "Sakura…" Hinata a abraçou. "Aquele lobo branco… ele… é… o..." Sakura interrompeu Hinata. "Vai ficar tudo bem, Hinata. Vamos confiar na Akane." As horas se arrastavam como dias, cada minuto uma tortura de ansiedade. Sakura, sentada à sombra de uma árvore, segurava Hinata e Yuki com força. Com os olhos vendados, seus pensamentos vagavam em meio ao turbilhão de emoções.
O sol nascente lançava seus primeiros raios sobre o festival destruído, banhando a terra em tons de laranja e dourado. O rugido dos colossos havia cessado, e um silêncio surreal pairava no ar, quebrado apenas pelo canto dos pássaros e o farfalhar das folhas. Akane, o coração batendo acelerado, percorria o campo devastado, os olhos buscando Kenji. A batalha havia sido brutal, e o solo estava marcado por crateras. Árvores centenárias haviam sido arrancadas, galhos retorcidos como tentáculos monstruosos. "Kenji!" ela gritou, a voz ecoando no vazio. "Kenji, onde você está?" A cada passo, esperança e medo se misturavam. E se ela não o encontrasse? Se ele estivesse ferido, ou pior… De repente, uma figura se moveu no canto de sua visão. Akane virou-se rapidamente, o coração disparado. Era Kenji, de pé, cambaleando, coberto de sangue e poeira, à beira do desmaio. "Kenji!" Akane correu até ele, abraçando-o com força, os próprios olhos marejados de lágrimas. "Akane..." ele murmurou, a voz fraca. "Você está aqui…" "Estou aqui, Kenji," respondeu ela, firme. "Não vou te deixar."
A poeira da batalha assentava-se, revelando os dois gigantes em um combate brutal de socos. Kenji observava a cena, o terror estampado no rosto, até que reconheceu uma das figuras. Era Taishou, seu colega de classe e namorado de Akane. Taishou segurava uma criança nos braços - Caleb, seu filho. "Você é um traidor, papai," disse Caleb, os olhos cheios de raiva, as pequenas mãos manchadas de sangue. Taishou apertou o filho, os cabelos escuros misturando-se aos dele, enquanto os olhos trocavam um último olhar de amor antes que Caleb desmaiasse. Kenji assistia em choque, incapaz de acreditar que Taishou, o homem que conhecia, era, na verdade, algo mais sombrio. "Taishou Seiji?… O Taishou!" gritou Kenji, a voz trêmula. "Eu… Eu sempre soube." Akane se aproximou de Kenji, pousando a mão em seu ombro. "Eu sempre soube que ele era… diferente." Kenji virou-se para ela, os olhos cheios de perguntas. "Você sabia disso?" Akane suspirou, desviando o olhar para Taishou. "Ele sempre foi reservado, misterioso. E, quando ele se transformou naquela noite... Eu…" Kenji a olhou, incrédulo. A fúria de Kenji crescia como um vulcão em erupção. "Você sabia!" ele gritou, a voz ecoando pelo campo destruído. "Sabia que Taishou era um monstro e não me contou!" Akane desviou o olhar, incapaz de sustentar o olhar furioso de Kenji. "Desde o início," admitiu.
Taishou aproximou-se, os passos lentos e pesados, o quimono antes impecável agora rasgado e ensanguentado, um lembrete brutal da batalha. Em seus braços, Caleb, desmaiado, o rosto pálido e sereno contrastando com a violência ao redor. Dirigindo-se a Kenji com um olhar calmo, porém triste, Taishou perguntou: "Você está bem, Kenji?" Kenji explodiu. "Fique longe de mim! Seu maldito estranho!" Akane, alarmada, tentou acalmá-lo. "Kenji, por favor…" Ele retrucou com amargura. "Olhe à sua volta, Akane! Olha para o seu namorado, coberto de sangue humano!" Defendendo Taishou, Akane disse: "Ele nos salvou." Incrédulo, Kenji reagiu com mais veemência. "Salvou? Salvou de quê? Daquela aberração ali que o chamou de pai?" apontou ele para Caleb.
Akane se via dividida entre a verdade e a necessidade de proteger Taishou. Taishou, por sua vez, permanecia calmo, os olhos escuros parecendo esconder segredos inatingíveis. "Onde estão as meninas?" ele perguntou. Akane respondeu: "Elas estão seguras. Taishou as manteve a salvo." Kenji, tomado por um novo surto de raiva, interrompeu: "E Sakura? Onde ela está?" Apontando para a floresta, Akane respondeu, com a voz baixa, "Lá." Sem perder tempo, Kenji começou a caminhar em direção à floresta, consumido pela dor e pela raiva. Akane, com os olhos cheios de lágrimas, correu atrás dele. "Kenji, por favor," implorou ela. "Não conte a verdade para elas. Ainda não." Kenji parou por um instante, encarando Akane. Ele via a dor e o medo nos olhos dela e hesitou. Contaria a verdade, mesmo que machucasse suas amigas? Ou protegeria Akane e Taishou, escondendo-a?
Kenji, consumido pela raiva, continuou em direção à floresta. Akane suspirou resignada, observando até que ele sumisse entre as árvores. Virou-se para Taishou, que ainda carregava Caleb. A criança, pálida e desmaiada, parecia um anjo em meio ao horror da guerra. Akane, hesitante, murmurou: "É só um menino." Taishou, os olhos frios e duros, olhou para Akane, fazendo-a estremecer. "Eu deveria matá-lo pelo que fez," disse ele, a voz carregada de raiva e tristeza. Com um gesto delicado, Taishou deitou Caleb no chão. Horrorizada, Akane arregalou os olhos. "Não! Não faça isso, Taishou! Ele é seu filho!" As palavras ecoaram pelo campo de batalha, rompendo o silêncio. Taishou olhou para Caleb, e uma expressão de dor profunda formou-se em seu rosto. "Ele se perdeu," disse, a voz amarga. "Quase matou você!"
Akane ajoelhou-se ao lado de Caleb, lágrimas correndo por seu rosto. Com um toque suave, acariciou o rosto pálido e frio do menino, e murmurou, quase como um mantra, “Ele é apenas uma criança.” Sua voz, apesar de trêmula, carregava uma convicção inabalável. “Ele não entende o que está fazendo, Taishou. Ele precisa de orientação, de apoio... não de punição.” Taishou, que permanecia imóvel, fixou o olhar em Akane, e por um momento, o peso de seu próprio dilema ficou evidente em seus olhos. Akane percebeu a luta interna de Taishou, a dor e a dúvida que o assolavam. “Por favor, Taishou,” ela implorou. “Deixe-o ter uma chance. Uma chance de redenção.” Taishou continuou em silêncio, apenas observando Caleb caído aos seus pés. À medida que o sol nascia, o campo de batalha foi iluminado por uma luz dourada que suavizava a expressão angustiada no rosto do jovem, intensificando ainda mais a tensão entre eles.
Enquanto isso, Kenji, com o coração disparado, finalmente encontrou Sakura, Hinata e Yuki no refúgio da floresta — um lugar que, naquele instante, parecia distante da guerra e da perda. “Sakura!” ele chamou, a voz ecoando entre as árvores. Seus olhos, marejados de lágrimas, pousaram sobre ela, e a dor e a alegria do reencontro se misturavam. Ao ouvir o chamado, Sakura correu ao seu encontro, arrancando a venda que cobria seus olhos e o abraçando com todas as forças. Hinata e Yuki, movidas pelo momento, se uniram ao abraço, formando um círculo de segurança e amor. As lágrimas desciam sem hesitação, trazendo consigo um alívio quase esquecido. “Estamos aqui com você, Kenji,” sussurrou Sakura, a voz repleta de ternura e força. “Aconteça o que acontecer, sempre estaremos ao seu lado.” Kenji, ainda com os olhos marejados, olhou para cada uma delas. Sabia que, juntos, poderiam enfrentar qualquer provação que se aproximasse.
Mas Sakura, preocupada, quebrou o momento ao perguntar por Akane. Kenji hesitou, desviando o olhar. “Ela está... bem,” respondeu, visivelmente desconfortável. Hinata, percebendo sua reticência, insistiu sobre Taishou, e novamente o olhar de Sakura e Kenji se encontrou, carregado de medo e desapontamento. “Ele está bem,” Kenji disse, com uma pontada de amargura. “Nada o derrubaria.” As palavras pairaram no ar como uma sombra densa e reveladora. Hinata e Sakura perceberam que algo sombrio ainda pairava sobre aquele reencontro; um silêncio carregado se instalou entre eles, ofuscando o breve alívio que haviam encontrado.
Essa quietude foi logo rompida pelo estridente som das sirenes. A floresta transformou-se em uma cena de apreensão enquanto viaturas, bombeiros e agentes secretos se infiltravam no ambiente até então pacífico. Cercados por policiais, Kenji, Sakura, Hinata e Yuki foram rapidamente levados a uma viatura. O reencontro tão esperado tornava-se um prelúdio para um interrogatório inquietante. Na delegacia, o ambiente era claustrofóbico. Corredores frios e úmidos estendiam-se sob luzes fluorescentes, que revelavam paredes manchadas e rostos tensos. O cheiro de tinta velha e café azedo misturava-se com o amargor do medo. Em uma sala abarrotada, uma recepcionista digitava em um computador antigo, enquanto o telefone tocava incessantemente, ecoando no ambiente lotado de rostos cansados e ansiosos — todos buscando por respostas. No centro daquele caos, uma sala isolada servia como cenário para o interrogatório dos quatro amigos. Um detetive, com olhos cansados e barba por fazer, recebeu-os com um olhar que mesclava compaixão e firmeza.
Ele começou com Yuki Fujioka, a mais jovem do grupo. A voz do detetive era calma, mas direta. “Yuki,” ele disse suavemente, tentando criar um ambiente seguro. “Eu sei que é difícil, mas preciso que me diga o que lembra.” Yuki, com os olhos marejados e voz embargada, tentou, mas sua cabeça latejava e as memórias surgiam distorcidas. “Foi horrível,” ela murmurou entre soluços, relembrando cenas de terror. A psicóloga presente interveio, reconhecendo o impacto traumático do interrogatório. “Ela já fez muito,” disse com firmeza ao detetive. “Agora precisa de apoio, não de pressão.” O detetive, compreensivo, concordou. “Obrigado, Yuki,” disse com doçura. “Você foi muito corajosa.” Acompanhada pela psicóloga, Yuki foi levada à enfermaria, onde, após um copo de água e um cobertor, adormeceu rapidamente, exausta pela tensão.
Momentos depois, Taishou e Akane chegaram, trazidos em uma nova viatura. No corredor da delegacia, Taishou e Kenji se entreolharam com hostilidade, mas ambos mantiveram o silêncio. A agitação e o choque eram visíveis em cada olhar. O detetive chamou então Hinata Terasaki. Tremendo, ela se sentou diante dele. “Preciso que me conte o que aconteceu no festival,” ele pediu gentilmente, e Hinata, lutando contra a maré de lembranças, começou hesitante. “O fogo... as pessoas gritavam... havia tanto pânico,” ela relatou, os olhos fixos em um ponto distante, a voz um fio trêmulo de dor. O detetive a ouviu pacientemente, encorajando-a suavemente, ciente do peso emocional de cada palavra. Por fim, o detetive chamou Sakura Fujioka. Ao entrar, ela desviou o olhar, relutante, e sentou-se, lutando contra as emoções que a invadiam. “Minha única preocupação agora é minha irmã,” disse com a voz quebrada. O detetive, com calma, garantiu-lhe que Yuki estava segura, incentivando-a a relatar o que havia testemunhado. Sakura começou a falar, a voz ainda hesitante, relembrando o caos repentino do festival. “Akane me salvou,” disse com firmeza. “Ela me tirou da confusão e ficou comigo até estarmos seguras.”
O detetive, intrigado com a menção de Akane, inclinou-se à frente e perguntou: "Pode me contar mais sobre o que Akane fez? Como ela conseguiu te proteger?" Sakura, com um sorriso de admiração, descreveu a cena. “Akane foi minha salvadora”, disse, com orgulho na voz. "Ela me tirou daquele inferno no festival. Me carregou nos braços quando eu já não conseguia andar, me levou para um lugar seguro." O detetive, com um brilho de admiração, registrava cada palavra cuidadosamente. Sabia que Akane era uma heroína que merecia reconhecimento. "Você sabe quem causou todo esse caos?", ele questionou, tentando desvendar o mistério por trás do ataque. Sakura, com o olhar sombrio e a voz pesada de raiva, respondeu: "Sim, eu sei quem fez isso." O detetive a observou com expectativa. “Quem foi?” Com a voz carregada, Sakura respondeu: “Lobos.” O silêncio se instalou, pesado e significativo. O detetive se inclinou ainda mais, olhos cintilando de curiosidade. "Lobos? Está dizendo que foi uma matilha faminta que atacou o festival?" Sakura assentiu com firmeza. "Sim," disse, seus olhos fixos nos dele. "Eu os vi. Enormes, dentes afiados, olhos vermelhos como sangue."
O detetive, ainda mais intrigado, começou a perguntar em detalhes. "Quantos eram? De onde vieram?" Sakura, com as lembranças do ataque ainda confusas, respondeu com hesitação. "Não sei quantos ao certo. Pareciam muitos. E vieram... de lugar nenhum. Simplesmente apareceram." Ele anotava cada palavra, ponderando. Lobos atacando um festival urbano era algo fora do comum, desafiava qualquer lógica. "Tem certeza de que eram lobos?", perguntou. "Podiam ser outras criaturas? Homens disfarçados, talvez?" Sakura negou com um olhar duro. "Eu sei o que vi. Eram lobos, famintos e reais." Convencido pela determinação de Sakura, o detetive decidiu investigar a fundo essa possibilidade. Aquilo que antes parecia apenas uma lenda urbana ganhava forma diante das descrições firmes da testemunha. O próximo depoimento era de Akane Hiromi. Ao entrar, Akane parecia em pedaços; evitava o olhar do detetive, como quem carrega um trauma. O detetive agradeceu calmamente: "Obrigada por estar aqui, Hiromi. Sei que é difícil, mas preciso que conte tudo o que viu no festival. Sua coragem ao salvar seus amigos é admirável, e sua história pode ser fundamental."
Akane começou hesitante, as palavras pareciam pesar. "Eu estava com meu namorado no alto da colina," começou, a voz embargada, "quando ouvimos gritos terríveis vindos do festival." Seu rosto se contraiu ao recordar. "Corri até lá, e o que vi... sangue, corpos... um cheiro de morte no ar." Ela respirou fundo antes de prosseguir. "Só conseguia pensar em salvar meus amigos. Consegui achá-los, e com ajuda, tiramos todos daquele inferno." O detetive fez uma pausa para que ela se recompusesse, depois perguntou: "Você sabe quem foi o responsável? Viu algo que possa nos ajudar?" Akane, os olhos fixos num ponto vazio, sussurrou: "Sakura disse que foram lobos." Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso. "Lobos?" Ela assentiu, contendo as lágrimas. "Eu não vi com meus próprios olhos, mas confio em Sakura. Ela é minha amiga e sei que não mentiria." Finalmente, o detetive chamou Taishou Seiji. Ao contrário dos outros, Taishou mantinha uma calma quase fria. Aquela atitude intrigava o detetive, que o questionou diretamente. "Seiji," começou, sério, "preciso saber o que viu. Sua tranquilidade em meio a tanta tragédia é curiosa." Taishou manteve-se impassível, recusando-se a responder de imediato. Diante da insistência do detetive, falou em tom monocórdico: "Um lobo atacou o festival. Ajudei minha namorada a salvar os amigos."
O detetive o pressionou: "Como era o lobo? De onde veio? Como ajudou?" Taishou, sempre evasivo, descreveu o lobo apenas como um animal grande e feroz, mas sem maiores detalhes. Sua postura fria deixou o detetive desconfiado. "Seiji," disse o detetive com firmeza, "sei que há algo mais. Se não colaborar, posso mantê-lo aqui." Com um olhar desafiador, Taishou respondeu calmamente: "Não tenho mais nada a dizer."
Frustrado, o detetive finalizou o interrogatório. Sabia que Taishou escondia algo, mas sem provas, nada mais poderia fazer. Ele já tinha o próximo depoimento aguardando: Kenji Takahashi. A investigação avançava, ainda que os detalhes fossem escassos, e o detetive estava determinado a encontrar a verdade. O silêncio pairava na sala de interrogatório enquanto Kenji Takahashi, mancando e com uma faixa sobre um dos olhos, adentrava o espaço. Com cuidado, apoiou as mãos na cadeira de madeira e se sentou, esgotado. "Agradeço por vir, Takahashi," disse o detetive, em um tom firme. "Pode me contar o que aconteceu no festival? O que você viu?" Kenji respirou fundo, tentando juntar as memórias fragmentadas. O detetive o observava com atenção, aguardando o relato. "Sangue… corpos… explosões… gritos…" murmurou Kenji, a voz embargada. "Eu me perdi de Sakura em meio ao caos. Foi Akane quem me encontrou e me salvou."
O detetive inclinou-se para frente, o tom carregado de urgência. "Quem atacou o festival, Takahashi? Me diga tudo o que você viu." Uma centelha de determinação brilhou nos olhos de Kenji. "Lobos," afirmou com convicção. "Dois lobos enormes. Foi tudo que consegui ver antes de ser atingido e desmaiar." "E Hiromi? Ela também ajudou você a escapar?", perguntou o detetive. Kenji assentiu, a gratidão transparecendo em seu olhar. "Sim, ela foi minha heroína. Me tirou de lá e me protegeu." "Seiji também ajudou no resgate?" indagou o detetive, notando a tensão crescente em Kenji. O jovem cerrou os punhos, o rosto tomado pela raiva. "Aquele idiota..." rosnou. "Ele enfrentou o lobo." O detetive ergueu as sobrancelhas, surpreso. "Seiji enfrentou um lobo sozinho? Como isso é possível?" Kenji hesitou, ponderando suas palavras. "Taishou… ele sempre foi diferente. Mais forte, mais corajoso… e imprudente," completou, com um toque de amargura. "Mesmo sabendo do perigo, ele não hesitou em se colocar na frente do lobo para me salvar." Um silêncio pesado tomou a sala enquanto o detetive anotava cada detalhe, absorvendo a descrição de um festival transformado em pesadelo, onde heróis improváveis surgiram entre o horror e o caos.
"O senhor tem mais alguma informação importante para nos contar?", perguntou o detetive, curioso. Kenji deixou um sorriso irônico escapar. "Não, a menos que você acredite em lobisomens." "Lobisomens, senhor Takahashi?" O detetive arqueou uma sobrancelha, cético. "É isso que você acredita ter atacado o festival?" Kenji deu de ombros, indiferente. "Acredite no que quiser, detetive. Mas eu sei o que vi: lobos, grandes e ferozes. Se não fosse por Akane e Taishou, eu não estaria aqui agora." A expressão do detetive ficou sombria enquanto ponderava a história de Kenji. Lobisomens eram lendas, não algo que ele considerava uma ameaça real. Mas a convicção de Kenji era inegável, e a brutalidade do ataque ainda não tinha explicação plausível. "Seja qual for a verdade, senhor Takahashi," disse ele com firmeza, "a polícia fará de tudo para encontrar os responsáveis. E se forem lobos, como afirma, faremos o necessário para detê-los." Kenji esboçou um sorriso irônico. "E se forem lobisomens, detetive? A polícia está preparada para isso?" A pergunta pairou no ar, carregada de dúvida. O detetive manteve o olhar firme. "Preparados para lobisomens, senhor Takahashi?" murmurou, pensativo. "Essa é uma pergunta difícil. Estamos prontos para enfrentar qualquer ameaça, mas lidar com algo lendário… seria um desafio inédito." Kenji o fitou com ceticismo. "Espero que estejam à altura, detetive," respondeu, a voz carregada de desconfiança. "Espero que consigam fazer justiça por aqueles que sofreram." O detetive assentiu, despediu-se de Kenji e assistiu-o sair da sala. As palavras de Kenji ainda ecoavam em sua mente, desafiando as certezas e convicções que ele tinha. Lobisomens ou não, a verdade sobre o ataque ao festival estava envolta em mistério. O caso, com seus elementos fantásticos e perturbadores, tornava-se o centro da investigação, obrigando a polícia a confrontar o desconhecido e buscar respostas em meio ao impossível.