O sol nascente pintava o céu de tons suaves de rosa e laranja, enquanto a névoa pairava sobre a floresta congelada. O pequeno chalé, com sua chaminé soltando fumaça, parecia um refúgio acolhedor no meio do gelo. A sala de estar do Chalé era um palco de sofrimento. Akane, com o rosto banhado em lágrimas, desabafava sua dor para Taishou e Kenji. Seus soluços ecoavam no ambiente, carregados de angústia e impotência. "Ele está sofrendo por causa da Yuki... Por não tê-la mais ao seu lado...", ela dizia entre os soluços, a voz embargada pela emoção. "Ele se sente um monstro... Um monstro por ter matado tantas pessoas... Ele acha que não merece ser feliz..." Taishou, com o semblante carregado de tristeza, tentava encontrar palavras para acalmar a tempestade de emoções que tomava conta da sala. "Ninguém é um monstro, Akane", ele disse com voz firme, mas cheia de compaixão. "Todos nós erramos, e às vezes esses erros são terríveis. Mas isso não nos define como pessoas. Caleb não é um monstro. Ele é um jovem que cometeu erros, mas que pode aprender e crescer com eles."
Kenji, observando a cena com um olhar pensativo, intervém na conversa. "Acho que o problema do Caleb não é só a luta contra a besta, ou mesmo a tristeza e o arrependimento por ter matado algumas pessoas durante a transformação", ele diz. "Acho que ele está com depressão. A dor que ele sente está o consumindo por dentro, e ele precisa de ajuda para superá-la." Taishou assente com a cabeça, concordando com a análise de Kenji. "Sim, a depressão é uma possibilidade real", ele confirma. "E como Kenji disse, ele precisa de ajuda profissional para superar essa fase difícil. Mas precisamos ser cautelosos... Caleb é um lobisomem, e não podemos simplesmente levá-lo a um psiquiatra qualquer. Ele precisa de alguém que o compreenda e que possa ajudá-lo sem revelar sua natureza."
Akane, enxugando as lágrimas com as mãos trêmulas, olha para os dois homens com um fio de esperança em seus olhos. "Talvez um psicólogo possa ser a solução", ela sugere, a voz ainda fraca pela emoção. "Um psicólogo prescreve medicamentos, e assim Caleb pode se abrir sem medo de revelar sua verdadeira natureza." Taishou pondera sobre a sugestão de Akane. "Sim, um psicólogo pode ser uma boa opção", ele diz. "Precisamos encontrar alguém que seja experiente em lidar com depressão e que tenha um conhecimento básico sobre transtornos de identidade. Alguém que possa ajudar Caleb a se entender e a lidar com seus traumas sem julgá-lo ou condená-lo." Lágrimas quentes escorriam pelo rosto de Akane, enquanto ela se agarrava aos seus dois pilares de força, Kenji e Taishou. Seus soluços ecoavam pela sala de estar do Chalé, carregados de uma dor que parecia não ter fim. A angústia de ver seu filho, Caleb, mergulhado em um mar de sofrimento consumia-a por dentro. Taishou, com o coração apertado pela dor da esposa, a envolveu em um abraço protetor. "Shh, está tudo bem, Akane", ele sussurrava, tentando acalmar a tempestade de emoções que a assolava. "Estamos aqui, vamos superar isso juntos." Kenji, observando a cena com compaixão, se juntou ao abraço, formando um círculo de apoio e amor em torno de Akane. Sua voz profunda e reconfortante ecoou no ambiente: "Tudo vai ficar bem, Akane. Não se preocupe, vamos resolver isso com calma e paciência. Apenas respire fundo e confie em nós." As palavras de Kenji e Taishou trouxeram um leve alento à alma de Akane, mas a dor ainda era profunda. Ela se afastou um pouco do abraço, seus olhos fixos em um vazio distante. "Ele... me disse algo que eu não consigo esquecer...", ela começou a falar, sua voz fraca e trêmula. "Algo que machucou muito meu coração." Kenji, com o olhar cheio de preocupação, perguntou: "O que ele disse, Akane? O que o machucou tanto?" Akane hesitou por um momento, como se estivesse lutando para encontrar as palavras. Finalmente, com um fio de voz carregado de tristeza, ela revelou: "Ele disse que perdeu tudo... A namorada, a vida que tinha antes... por causa dessa 'coisa' que ele se tornou. Disse que se sente um bicho horrível, um monstro... e que tem vontade de..." Ela não conseguiu completar a frase, a dor a sufocando em lágrimas.
Taishou permaneceu em silêncio, digerindo as palavras ditas por Caleb. A dor do filho era evidente, a angústia de se sentir um monstro consumindo-o por dentro. Ele respirou fundo, tentando manter a calma e a força para sua família. Kenji, buscando amenizar a situação, interveio: "Tenho certeza que ele falou isso no auge da emoção, Akane. O descontrole o dominou no momento, mas ele não pensa dessa forma. Vamos ajudá-lo a superar essa crise, e tudo vai ficar bem. Eu tenho fé nisso." Akane olhou para Kenji, seus olhos marejados buscando conforto em seu olhar. Ele a beijou no rosto, um gesto simples, mas carregado de amor e apoio. Em seguida, Akane virou-se para Taishou, seus olhos transmitindo a gravidade da situação. "Tai... nosso filho está pensando em suicídio." As palavras de Akane atingiram Taishou como um raio, gelando-o até os ossos. A possibilidade de perder Caleb era inimaginável, uma dor que ele não podia suportar. Ele se controlou para não desmoronar, precisando ser forte para sua família. "Caleb é forte, Akane", ele disse com voz firme, mas com um tremor de emoção. "Ele vai superar isso. Vamos ajudá-lo a encontrar a luz no fim do túnel. Tudo vai ficar bem, acredite em mim."
Kenji, ciente da gravidade da situação, complementou as palavras de Taishou: "Mas precisamos agir rápido. Precisamos encontrar um médico que possa ajudá-lo, um profissional que possa entender sua dor e guiá-lo na direção da cura. Sem colocar em risco a nossa segurança." Taishou, assumindo o papel de líder, traçou um plano: "Existe uma maneira de fazer isso. Podemos contratar um médico particular de confiança para fazer consultas em nossa casa. Assim, ele poderá tratar Caleb com a devida atenção e discrição, sem que nossa condição seja exposta." Akane, enxugando as lágrimas com as mãos trêmulas, falou com um sussurro: "Por favor, Taishou. Faça isso por Caleb. Ele precisa muito da nossa ajuda." Kenji, com um olhar terno para Akane, acariciou seus cabelos e disse: "Está tudo bem, Akane. Vamos cuidar disso juntos. Caleb vai superar essa fase difícil, e nós vamos estar aqui ao seu lado a cada passo."
Taishou respirou fundo, assumindo a responsabilidade de encontrar um médico para Caleb. Ele sabia que a missão não seria fácil. Taishou, finalmente, quebrou o silêncio: “Vou conversar com Caspian; ele deve conhecer alguém para nos ajudar.” Enquanto Kenji enxugava as lágrimas de Akane e acariciava a bochecha dela. Ele sorriu e disse: “Não se preocupe, Akane. Eu e Taishou vamos ajudar Caleb.” Akane timidamente pegou nas mãos de Kenji e Taishou e agradeceu: “Obrigada, Ken…” “Obrigada…,Tai” Com a determinação impressa em seus rostos, Kenji e Taishou partiram em busca de um médico para Caleb. A missão era árdua e exigia cautela, pois precisavam encontrar um profissional de confiança que fosse capaz de lidar com a situação delicada do filho, sem colocar em risco a segurança da família e da alcateia. Sob a luz fraca do sol de inverno que aquecia as árvores, Kenji e Taishou caminhavam em silêncio, um aperto no coração e a mente tomada pela preocupação. A jornada em busca de ajuda para Caleb havia apenas começado, e o caminho pela frente era incerto. Guiados pelo instinto e pela esperança, eles adentraram na floresta densa, rumo ao encontro com Caspian e a alcateia. O silêncio era cortado apenas pelo sopro do vento gelado e pelo canto dos pássaros, criando uma atmosfera de suspense e expectativa. Ao chegar à clareira onde Caspian estava, Kenji e Taishou lançaram olhares sérios e preocupados. A notícia da situação de Caleb deixou o sábio da alcateia horrorizado. “Pobre Caleb, ele tem mais rancor no coração do que imaginamos… Ele precisa de ajuda, rápido.” Taishou, com o coração apertado pela dor do filho, assentiu com a cabeça. "Sim, Caspian, sabemos disso. E é por isso que estamos aqui.
Precisamos encontrar um médico que possa ajudá-lo a superar essa fase difícil." Caspian balançou a cabeça pensativo. “Não conheço nenhum psiquiatra, terapeuta ou psicólogo” Kenji interveio com uma pergunta simples: “Mas, será possível que vocês dois nunca precisaram de ir a um médico? Ser um lobisomem deixa vocês imune a doenças? Taishou e Caspian ficaram pensativos, era verdade que a condições de ser um lobisomem, tornava a saúde de ambos quase perfeita. O que dispensava a necessidade de médicos. As feridas físicas sempre se curavam rapidamente, mas Caleb estava com uma ferida psicológica e emocional, que precisaria ser tratada. Taishou, ponderando sobre a situação, interveio: "Não podemos simplesmente levar Caleb a um médico qualquer. Sua condição como lobisomem precisa ser mantida em segredo, e nem todos os profissionais estão preparados para lidar com isso." Caspian concordou com a preocupação de Taishou. "Exatamente. Precisamos de alguém que seja de confiança, que entenda as necessidades de Caleb e que possa tratá-lo com a devida discrição." Um silêncio se fez presente na clareira, enquanto todos os presentes refletiram sobre a complexa situação. A busca por um médico que atendesse a todos os requisitos parecia ser uma tarefa árdua, mas a esperança de ajudar Caleb os impulsionava a seguir em frente. De repente, Caspian, com um brilho nos olhos, disse: "Eu conheço alguém que pode nos ajudar."
A expectativa tomou conta do grupo, enquanto Caspian explicava que conheceu um médico a muitos anos atrás que ficou perdido no meio da floresta e foi atacado por raposas selvagens. “Como eu ajudei ele naquela noite, ele me disse que tinha uma dívida de gratidão comigo por eu ter salvado sua vida, talvez, agora, seja a hora de eu cobrar essa dívida” Disse Caspian confiante. Um raio de esperança iluminou a clareira. A possibilidade de encontrar a ajuda que Caleb tanto precisava acendeu a chama da fé em seus corações. Kenji e Taishou agradeceram a Caspian por sua informação, e juntos, traçaram um plano para entrar em contato com o médico e agendar uma consulta para Caleb. Ao se despedirem da alcateia, um sentimento de união e força tomava conta de Kenji e Taishou. Sabiam que a jornada para a recuperação de Caleb seria longa e desafiadora, mas com o apoio da família e a ajuda de Caspian, eles estavam determinados a encontrar a luz no fim do túnel e guiá-lo de volta à felicidade. A busca por um médico para Caleb era apenas o primeiro passo em uma longa caminhada. Mas com fé, amor e perseverança, a família estava confiante de que superaria todos os obstáculos e conduziria Caleb de volta à luz.
O sol se despedia no horizonte, lançando longas sombras pelas árvores que cercavam o Chalé. Kenji e Taishou retornaram para casa após um dia árduo de busca por um médico para Caleb. A promessa de que Caspian entraria em contato com um profissional de confiança acalentava seus corações, mas a preocupação com o filho ainda os consumia. Ao entrarem no Chalé, foram recebidos pelo silêncio pesado da sala de estar. Akane, com o rosto abatido pela tristeza, os aguardava sentada no sofá. Seus olhos, antes brilhantes e cheios de vida, agora estavam marejados de lágrimas e preocupação. "Ele não comeu nada nos últimos dois dias", ela disse com a voz fraca, a angústia transbordando em cada palavra. "Eu estou com medo. O que vamos fazer?" Kenji, com o coração apertado, a abraçou com força. "Calma, Akane", ele sussurrou em seu ouvido. "Vamos resolver isso juntos. Taishou vai conversar com Caleb agora, e logo vamos ter um plano para ajudá-lo." Taishou, com um olhar sério e determinado, assentiu com a cabeça. "Eu vou falar com Caleb e tentar entender o que está se passando em sua mente. Vamos encontrar uma maneira de ajudá-lo a superar essa fase difícil." Kenji e Akane se aconchegaram no sofá, buscando conforto um no outro enquanto Taishou caminhou em direção ao quarto para conversar com Caleb. A lareira crepitava no canto da sala, lançando um brilho aconchegante sobre a cena. O silêncio era pontuado apenas pelo estalar da lenha e pelo sussurro do vento entre as árvores.
A sala estava impregnada de tensão, como se o ar tivesse engrossado e se recusasse a fluir. Kenji, com as mãos trêmulas, envolveu Akane em um abraço apertado. Seus dedos roçaram sua pele, e ele sentiu o calor dela contra seu peito. O silêncio era quase palpável, pesando sobre eles como uma âncora. Akane, com os olhos fixos no teto, finalmente quebrou o silêncio com uma pergunta que parecia cortar o ar: “Você e o Tai transaram ontem, não foi?” Kenji engoliu em seco, o rubor subindo pelo seu pescoço. Ele desviou o olhar, mas não conseguiu mentir para ela. “Er… foi… sim… a gente teve um momento juntos ontem.” Akane suspirou, e o peso da confissão pairou entre eles. “Eu amo vocês dois, mas tenho que admitir que essa situação está sendo mais um fardo para eu carregar… não basta a situação com Caleb. O nosso relacionamento… nós três.” Kenji apertou Akane ainda mais contra si, como se pudesse protegê-la de tudo. “Eu sei que é estranho e desconfortável, mas a gente se ama muito. Nós três.” A sala parecia menor, o ar mais denso, e o futuro incerto. Akane, deitada no peito de Kenji, escutava suas palavras com um pequeno nódulo na garganta. Ela sabia que a situação não era fácil para ninguém. "Eu amo vocês também", respondeu ela, com um sussurro doce. "Mas é difícil ter que lidar com tudo isso. Caleb tem complicado muito as coisas para nós três." Ela suspirou profundamente, tentando manter a calma. "Eu sei que nós amamos uns aos outros, mas essa situação toda é tão complicada." Kenji abraçou Akane mais forte, tentando consolá-la. "Eu sei, nós três estamos passando por muitas coisas. Mas quero que você saiba que eu te amo profundamente, e não quero perder você nem o Taishou" Kenji acariciou suavemente o rosto de Akane e a beijou suavemente na testa. "Eu quero que você, ele e eu sejamos felizes, mesmo que esteja difícil lidar com tudo isso."
O olhar de Akane perfurou o coração de Kenji, e ele sentiu como se estivesse prestes a desmoronar. “Eu nunca vi você mais do que um amigo…” ela confessou, e o mundo pareceu diminuir à sua volta. Kenji suspirou, a voz rouca. “Eu sei disso. E eu também me sentia assim com o Taishou. Mas os sentimentos, eles mudam…” Akane forçou um sorriso triste. “Você sempre gostou de mim, desde que éramos pequenos. Você se lembra do dia que eu machuquei meu joelho brincando no balanço?” Kenji riu, a lembrança aquecendo seu peito. “Eu lembro. Você estava chorando muito, e eu me aproximei de você e disse que iria proteger você.” Os olhos deles se encontraram, e naquele momento, o passado e o presente se fundiram em uma promessa silenciosa. “Sim…e desde então…você sempre cuidou de mim”. Akane fixou seus olhos em Kenji.
O coração de Kenji martelava no peito, e suas mãos tremiam enquanto ele se aproximava de Akane. A sala estava imersa em uma tensão palpável, como se o próprio ar segurasse a respiração. Akane olhou para ele, seus olhos refletindo uma mistura de emoção e medo. Ela também queria isso, mas o peso das circunstâncias os envolvia como uma névoa densa. Com cautela, Kenji inclinou a cabeça, seus lábios a centímetros dos dela. Ele podia sentir o calor da respiração de Akane, e o desejo pulsava em suas veias. Mas havia mais do que desejo ali. Havia a incerteza, o medo de estragar tudo, de perder a amizade e o amor que sempre compartilharam. Akane fechou os olhos, e Kenji seguiu o exemplo. Seus lábios se tocaram suavemente, como se testasse as águas. O beijo era doce e hesitante, um encontro de almas que ansiavam por mais, mas temiam o que viria depois. Cada movimento era cuidadoso, como se estivesse equilibrando-se à beira de um precipício. E então, no meio daquela dança delicada, algo mudou. A cautela deu lugar à urgência, e os lábios se fundiram com mais intensidade. Kenji segurou o rosto de Akane entre as mãos, como se quisesse prendê-la ali para sempre. Ela correspondeu, seus dedos se entrelaçando em seu cabelo. O mundo desapareceu, e só existiam eles dois, perdidos naquele beijo. As palavras não eram necessárias; os sentimentos se comunicavam através dos lábios unidos. E, por um breve momento, o medo se transformou em esperança, e a cautela se dissolveu em paixão. Enquanto isso, Taishou se dirigiu ao quarto de Caleb, decidido a ter uma conversa franca com o filho. Ele sabia que a tarefa não seria fácil, mas estava disposto a tudo para ajudar Caleb a superar a depressão que o consumia. No quarto, Caleb estava deitado na cama, o rosto pálido e os olhos fixos no teto. A tristeza emanava de seu corpo como uma névoa densa, obscurecendo qualquer sinal de esperança.
Taishou se sentou ao lado da cama, com um olhar de compaixão e compreensão. “Caleb, meu filho”, ele começou a falar, sua voz suave e gentil. “Eu sei que você está sofrendo muito, e quero que saiba que estamos aqui para te ajudar. Você não precisa passar por isso sozinho.” Caleb permaneceu em silêncio, seus olhos ainda fixos no teto. A dor o consumia por dentro, impedindo-o de expressar seus sentimentos. Taishou, com paciência e persistência, continuou a falar. Ele contou para Caleb sobre a busca por um médico e a promessa de Caspian de entrar em contato com um profissional de confiança. Ele também falou sobre o amor e o apoio que ele, Akane e Kenji sentiam pelo filho. Caleb nem se moveu, seus olhos permaneceram fixos no teto. Taishou tocou seus ombros e continuou tentando se aproximar de Caleb, com a voz calma. “Eu vou ser bem direto, eu quero que você converse com o médico que Caspian vai arrumar, quero que você converse com ele sobre tudo. Ele não vai julgar você, não precisa ter medo ou insegurança, apenas seja honesto com ele, ok?” Aos poucos, as palavras de Taishou começaram a penetrar no coração de Caleb. A névoa de tristeza se dissipou levemente, dando lugar a um fio de esperança. Com a voz embargada pela emoção, Caleb finalmente se virou para o pai. “Mas… e sobre eu ser um lobisomem?” Taishou suspirou profundamente, tentando se acalmar, e disse sério: “Não se preocupe com isso. Ele manterá sigilo. Além do mais, médicos têm um estatuto de sigilo, assim como advogados. Eles são obrigados a não falar nada sobre a situação de seus pacientes. Será uma conversa apenas entre você e ele.” “Está bem”, Caleb disse com a voz fraca. Taishou sorriu fracamente. “Certo…” Ele passou a mão no cabelo do filho. “Como você está se sentindo com tudo isso?” Caleb ficou em silêncio e não respondeu, seu olhar fixo nos olhos do pai. Taishou respirou profundamente, encarando Caleb. “Caleb, eu sei que você está passando por coisas horríveis agora… e eu tenho certeza de que você está se sentindo sozinho e sem apoio. Mas eu quero que você saiba que eu estou aqui, sua mãe está aqui também, Caspian está tentando ajudar, e Kenji está se esforçando. Todos nós estamos aqui tentando te ajudar e estamos abertos a ouvir tudo o que está passando na sua cabeça…”
Caleb finalmente quebrou o silêncio. “Eu me sinto um merda, tão sozinho e tão… perdido.” Taishou o envolveu em um abraço caloroso. “Calma… não pense assim, filho. Você não é um ‘merda’, como você diz. Você apenas está passando por uma crise agora.” Taishou manteve a voz calma e séria. “Tudo vai ficar bem, tenha calma. Eu estou aqui para ajudá-lo. Você não está sozinho, meu filho”, ele disse com firmeza. “Estamos aqui para te guiar e te apoiar em cada passo. Juntos, vamos superar essa fase difícil e encontrar a luz no fim do túnel.” Caleb murmurou: “Eu devia me matar...” Taishou sentiu seu coração quebrar. “Não fale assim, você não precisa se sentir assim. Eu tenho certeza de que você vai encontrar uma forma de melhorar essa situação.” Ele pausou, respirando fundo para manter a calma. “Não tenha pensamentos tão extremos e autodestrutivos. Eu tenho certeza de que você vai superar isso.” Mas Caleb o interrompeu, sua voz fraca e trêmula. “Eu me sinto pior sabendo que estou fazendo você e a Akane sofrer… talvez seja melhor eu simplesmente deixar de existir.” Taishou segurou o rosto de Caleb entre as mãos, forçando-o a olhar nos olhos. “Caleb, escute-me bem.” Sua voz era firme, mas carregada de amor e preocupação. “Você não está sozinho nisso. Nós, sua família e amigos, estamos aqui para você.
A atmosfera no quarto era densa, carregada de emoções conflitantes. Caleb murmurou: “Eu não tenho vontade de viver mais.” Taishou sentiu seu coração se despedaçar, mas ele não podia permitir que o desespero tomasse conta. “Não fale assim, Caleb. Você não precisa se sentir assim. Eu tenho certeza de que você vai encontrar uma forma de melhorar essa situação.” Ele pausou, respirando fundo para manter a calma. “Não tenha pensamentos tão extremos e autodestrutivos. Eu tenho certeza de que você vai superar isso.” Taishou agarrou Caleb com mais força, determinado a romper a escuridão que o envolvia. “Não pense assim. Você não pode pensar isso... Você não tem culpa nessa situação. Você está passando por algo horrível, apenas está doente. E eu sei que você se importa conosco, mas essa situação não é culpa sua. Não pense de forma negativa…” Caleb fechou os olhos e se aconchegou nos braços do pai. Taishou observou as faixas enroladas em volta dos braços dele, com um pouco de sangue seco. Ele ficou em silêncio, preocupação e tristeza pesando sobre seus ombros. Com um movimento decisivo, Taishou pegou o braço do filho e começou a retirar as faixas, mas parou por um instante, respirando profundamente. “Por que você se machucou assim?” Taishou perguntou, sua voz firme.
Caleb se afastou, olhando para o pai com arrependimento. “Não me toca”, disse com a voz embargada. Taishou manteve a calma. “Preciso ver isso. Apenas me diga a verdade. Você se automutilou mesmo? Eu não vou ficar bravo, apenas quero a verdade.” Caleb desviou o olhar e admitiu: “Sim, eu me machuquei.” A dor no peito de Taishou aumentou. “Por quê? Qual a intenção disso?” Caleb respondeu com sinceridade: “Para fazer a dor emocional desaparecer e trazer uma dor física… uma dor que eu suporto, que eu conheço.” Taishou ainda sem entender questionou: “Você realmente se machucou por vontade própria, para esquecer essas sensações horríveis que está sentindo?” Caleb ficou em silêncio, mas Taishou insistiu. “Caleb, eu não vou julgar você. Apenas me prometa que não vai fazer isso de novo." Caleb olhou nos olhos do pai, lágrimas escorrendo. “Eu… prometo.”
Taishou o abraçou novamente. “Calma, não chore. Tudo vai ficar bem. Não se machuque nunca mais, por favor.” Mas Caleb mudou abruptamente de assunto. “Você contou a verdade para a Akane? Contou a ela que está ficando com o Kenji escondido dela?” Taishou se surpreendeu com a mudança de foco. “Caleb, estamos falando da sua vida agora. Não mude de assunto. Nós estamos tentando salvar você neste momento. Não se meta na minha relação com a Akane e o Kenji, ok?” Caleb se afasta do pai e insiste: “Eu só acho que…se você quer me ajudar… devia ser um exemplo melhor de autocontrole!” Taishou olha para o filho, e um misto de sentimento percorre em seu corpo. “Caleb, estamos falando da sua vida agora. Eu não vou entrar na discussão dos meus erros de momento. Você precisa entender que estamos falando a respeito de sua situação mental e automutilação, esses pensamentos são perigosos e autodestrutivos, precisa evitar esses pensamentos em todas as formas, entendeu?”
Caleb olha para Taishou irritado, e responde com rispidez “Enquanto a Akane estava dormindo comigo ontem, você dormiu com o Kenji…” Taishou suspirou fundo tentando manter a calma “Caleb, por favor…não entre nesse assunto… Estamos falando de você. Por favor… não tente discutir sobre mim agora. Mas de qualquer forma... Akane...ela sabe de tudo. Ela concordou com tudo.” Ele responde com a voz nitidamente alterada e com profunda tristeza e vergonha. Mas Caleb parece mais irritado, ele se afasta de vez de Taishou, se levanta da calma, seus olhos negros começam a brigar em um vermelho intenso. “Parte da minha angústia é culpa sua, papai” Ele diz com desdém. Taishou parece em choque com a mudança repentina de humor do filho. “Por que você diz isso? Por que você está colocando a culpa em mim, agora?” Ele diz, encarando seriamente o filho. Os olhos de Caleb brilham cada vez mais forte, e as presas dele começam a aparecer. O olhar de ódio é nítido. “Você não fez nada…Minha mãe morreu queimada na fogueira e você não fez NADA!” Ele começa a se descontrolar. Taishou se levanta e encara Caleb, um sentimento misto de raiva, rancor e tristeza começa a invadir seu coração. “Eu não fiz nada? Você acha que não fiquei muito mais angustiado e magoado que você ao ver essa tragédia acontecendo na minha frente? Você não tem a MÍNIMA ideia da dor que foi para mim perder a mulher que eu amava… Não faz ideia da agonia que foi para mim ver essa tragédia acontecendo na minha frente e eu só podia…. só podia ver… sem poder fazer nada!”
Caleb começa a gritar, chorando e irritado “Você poderia ter salvado ela…Podia ter matado aqueles humanos nojentos que…” Caleb para por um minuto de falar e engole seco. O descontrole toma conta do seu coração. Suas garras e presas são cada vez mais aparentes. Ele começa a ficar ofegante e a respirar com dificuldade. E finalmente ele continua a gritar, olhando firme nos olhos do pai. “Você deixou aqueles bastardos machucarem minha mãe… Machucarem meu irmão… Matar toda a nossa alcateia… Você… você não fez nada… você…você só ... .correu!” O quarto parecia prestes a explodir com a intensidade das emoções. Caleb, agora quase irreconhecível, tremia de raiva e dor. Suas garras afiadas rasgavam o ar, e suas presas ameaçadoras brilhavam à luz fraca do quarto. Taishou, também tomado pela fúria, avançou em direção ao filho, os olhos vermelhos refletindo a mesma ira. “Você acha que eu queria correr e deixá-los morrer ali?” Taishou rugiu, a voz ecoando pelas paredes. “Acha que aquele momento não me abalou profundamente e não fiquei devastado com todas aquelas mortes? Você acha mesmo, Caleb, que eu não queria ter matado aqueles malditos desgraçados? Destroçá-los com minhas próprias mãos?”
Caleb gritou, as palavras escapando como lâminas afiadas. “O QUE TE IMPEDIU?” Seu corpo tremia, e ele parecia à beira de um colapso. “Os guardas me impediram! Eles estavam armados com armas de prata naquela situação, eu não podia arriscar, e você sabe muito bem disso! Você estava lá!” Taishou retrucou, os olhos injetados de sangue. O quarto parecia encolher, as paredes pressionando-os. Caleb, com a respiração ofegante, continuou a confrontar o pai. Mas, Taishou continuou a falar: “Era muito arriscado eu tentar confrontá-los naquele momento. Eles poderiam acabar matando nós dois com as armas de prata antes que eu conseguisse chegar até seu irmão, antes de eu conseguir salvar sua mãe!” Taishou agarrou os ombros de Caleb, os dedos afundando na pele. “Você acha que eu não carrego essa culpa todos os dias? A imagem daquelas chamas consumindo sua mãe, seu irmão… é um fardo que eu carrego até hoje. Eu não corri por covardia, Caleb. Corri porque era a única opção para garantir que pelo menos um de nós sobrevivesse.” Caleb soluçou, o ódio e a dor se misturando em seu olhar. “Eu não posso perdoá-lo, pai. Não posso perdoar você por não ter feito mais.” Taishou o sacudiu com força. “Eu fiz o que pude! E agora, aqui, estou tentando salvar você. Não vou perder mais ninguém. Não vou perder outro filho.” As lágrimas escorriam pelo rosto de Taishou, e ele apertou Caleb ainda mais. “Você é tudo o que me resta, Caleb. Eu não vou deixar você ir.”
Mas Caleb se libertou do aperto do pai, o desespero em seus olhos. “Você não pode salvar a todos, pai. E talvez eu não mereça ser salvo.” Taishou pressionou Caleb na parede “Você merece, Caleb. Você merece uma chance. E eu vou lutar por você, mesmo que isso signifique enfrentar meus próprios demônios. Mesmo que você ache que a culpa é minha por tudo que aconteceu” O quarto tremeu com a intensidade da batalha emocional entre pai e filho, e o destino de ambos permanecia incerto. O quarto parecia encolher, as paredes pressionando-os enquanto Caleb e Taishou se encaravam com ódio e rancor. As palavras de Caleb eram como lâminas afiadas, cortando o ar e perfurando o coração de Taishou. “Sim, papai, você… você é culpado por toda a agonia que estou sentindo agora!” Caleb rugiu, as lágrimas escorrendo por seu rosto. “Você não conseguiu proteger nossa família há 700 anos atrás, e você não consegue me proteger agora! Você deixou aqueles bastardos matarem minha mãe, Catarine… Meu irmão, Derik… Você deixou que eles destruíssem toda a nossa alcateia! E você só… fugiu! E depois…” Caleb respirou fundo, a respiração descontrolada. “E depois… eu só tinha cinco anos… eu não tinha força… eu não tinha poder para pará-los… eu ainda não dominava a besta…” Ele soluçou. “Se eu fosse mais forte… eu teria matado a todos aqueles desgraçados. E depois de tudo isso…” Caleb encarou seu pai com ódio. “Depois de tudo isso… você não satisfeito com sua incompetência, voltou a se relacionar com humanos… Você é a causa do meu descontrole naquele dia do festival da lua! Você é a causa de eu ter matado várias pessoas naquele dia! Eu estava descontrolado! Ferido! Machucado! E você nem notou! Você estava ocupado demais vivendo um romance adolescente idiota com a Akane! Tudo… tudo que eu fiz… toda a minha angústia… toda a minha batalha interna… É TUDO CULPA SUA!!” Taishou ouviu as palavras de seu filho, e a dor o atingiu como uma lâmina. Ele o pressionou na parede as lágrimas escorrendo de seus olhos. “Sim… eu sou… o único culpado de tudo isso… eu sou responsável por toda a dor que você está passando agora”, disse em tom melancólico.
Mas a fúria de Caleb não diminuiu. “ENTÃO, PARE DE AGIR COMO SE VOCÊ SE IMPORTASSE COMIGO! Porque enquanto eu estava aqui, chorando com a Akane… você estava se acabando com o Kenji!” Caleb socou o vidro da janela do quarto, um barulho de estilhaço preencheu o ambiente, deixando o vento frio da neve entrar. A tensão aumentou. Taishou retrucou, a voz trêmula. “Você acha mesmo que eu não me importo com você? Eu me importo profundamente com você! Com você, com a Akane, com o Kenji. É verdade que tomei algumas decisões idiotas e ridículas na minha vida, mas quando elas envolvem vocês, eu não consigo me manter racional ou agir com calma e sensatez. Eu só consigo agir por impulso, desesperado. Eu não posso voltar atrás e corrigir meus erros e evitar sua dor…” Caleb gritou: “Você só ama a Akane porque ela é a reencarnação da Catarine! Você só está com ela para fazer você se sentir menos pior por ter sido um completo inútil naquela noite!” Mas Taishou revidou. “Eu conheço a Akane… e meu amor por ela vai muito além da aparência física dela… Eu amei sua mãe profundamente, Caleb. Eu amo a Akane profundamente. São duas pessoas com personalidades totalmente diferentes. Eu amo a personalidade da Akane, que é totalmente diferente da Catarine! Eu não estou com ela para tapar algum trauma do passado! Eu estou com ela porque eu a amo!”
Caleb riu com desdém. “Eu acho que você está tentando substituir nossa antiga família pela Akane e pelo Kenji! Você apenas quer fingir que está tudo bem!” Taishou interrompe: “Você acha mesmo isso de mim, Caleb? Você acha que estou fingindo meu amor pela Akane e pelo Kenji? Eu não estou tentando fingir nada nem substituir ninguém! Eu amei sua mãe, e agora eu amo a Akane e o Kenji e eles me amam de volta! Você não pode agir como um adolescente revoltado e tentar impedir de eu construir minha família! Meu futuro ao lado deles. Você acha mesmo que eu estou fazendo isso só para manter as aparências?” Diz encarando-o sério e sem largar o olhar de seu filho, Taishou continuou. “Eu sei que não pareço triste para você, eu sei que não pareço com dor aos seus olhos, eu sei dessas coisas. Mas eu lhe garanto que não faz um dia que eu não lembro da dor que passei naquela noite e do quanto eu me culpei por anos por ter sido responsável pela morte da nossa família, eu me culpei e chorei durante anos pensando sobre isso, e você nem tem ideia do quanto eu passei chorando e me matando de culpa.” Ele agarra os ombros de Caleb mais forte e continua a falar "Então, por favor, não fique desvalorizando minha relação com a Akane e o Kenji, isso é muito importante para mim! Você não faz ideia do quanto os dois já salvaram minha vida..."
Caleb vira o rosto irritado. “Você não respeitou meu relacionamento com a Yuki…Por que eu deveria respeitar o seu? Você me proibiu de entrar em contato com ela… você tirou meu celular de mim… Você quer que eu respeite a estranha relação que você tem com a Akane e o Kenji, mas você não respeitou a minha relação com a Yuki! Taishou retruca: “Eu fiz isso porque eu te amo! Eu tive que subornar todos os chefes daquela cidade para você sair vivo e seguro de lá! Simplesmente porque eu não ia suportar perder você igual eu perdi Catarine e Derik! Eu só afastei você da Yuki para sua própria segurança! Você sabe que te manter vivo é mais importante do que um namoro de adolescente! Você não pode se expor mais!” Caleb respondeu irritado: “Yuki não era um simples namoro adolescente pra mim… Ela… Foi a única que nunca me julgou… E que me amou mesmo eu tendo essa herança podre de lobisomem…” O quarto estava impregnado com a tensão da discussão entre Caleb e Taishou. As palavras afiadas voavam como flechas, e o ar parecia pesado demais para respirar. Foi então que a porta se abriu, e Akane e Kenji entraram, preocupados com o barulho e os gritos. O susto foi imediato. Os olhos de Kenji se arregalaram, e Akane levou a mão à boca, horrorizada. Pai e filho estavam à beira do abismo emocional, prestes a se destruir mutuamente. O ódio e a dor eram palpáveis no ar, e a cena era como um pesadelo. “O que está acontecendo aqui?” Akane perguntou, a voz trêmula. Ela olhou, Taishou agarrando a blusa de Caleb, pressionando ele na parede, o vidro quebrado da janela no chão, Akane ficou horrorizada sem entender completamente a profundidade daquela batalha familiar. Taishou, normalmente tão calmo, parecia prestes a explodir. “Isso é… demais”, murmurou Kenji, com os olhos fixos na cena diante deles. "Solta o Caleb, Taishou!" Caleb e Taishou finalmente notaram a presença dos dois. O silêncio se estendeu por um momento, e então Taishou soltou Caleb, os ombros caídos. “Akane, Kenji… nós… estamos tendo uma discussão.” Akane se aproximou, preocupada. “Uma discussão? Isso parece mais do que isso.” Ela olhou para Caleb, o rosto contorcido de dor, e depois para Taishou, cujos olhos ainda estavam vermelhos de lágrimas. Kenji respirou fundo. “Precisamos acalmar os ânimos aqui. Todos nós estamos sofrendo, mas não podemos nos destruir no processo.” O quarto parecia menor, as paredes pressionando-os. E ali, no meio da tempestade emocional, Akane e Kenji enfrentavam a realidade de uma família despedaçada.