Enquanto seus pais e seu namorado conversavam na sala, Akane se isolava em seu quarto, mergulhada em um mundo de mistérios. Com o notebook aberto sobre a cama, seus dedos deslizavam pelo teclado, buscando desvendar os segredos do passado de Taishou. Seu foco principal era Catarine Sastre, a esposa que ele mencionara em sua última conversa. Usando a internet como portal, Akane viajou no tempo até a cidade de Greifswald, na Pomerânia, antiga Alemanha, no ano de 1347. Um antigo jornal digitalizado, datado da época, narrava a história de ataques terríveis que aterrorizavam a comunidade local. Lobisomens, criaturas ferozes e sanguinárias, eram os principais suspeitos. Um frio percorreu sua espinha ao ler as palavras do jornal, que pareciam ecoar em seus ouvidos. Akane se perguntava se Taishou e Catarine estavam, de alguma forma, envolvidos nesses eventos macabros. Com o coração batendo forte, ela continuou a leitura, buscando pistas, respostas, qualquer coisa que a aproximasse da verdade sobre o homem que amava. Descobriu que o marido de Catarine Sastre se chamava Christian Sastre, e que eles haviam tido dois filhos. Um peso se instalou em seu peito ao saber que Taishou já teve uma família.
Na sala, a conversa entre seus pais e seu namorado fluía, alheia à tempestade de questionamentos que se desenrolava na mente de Akane. Determinada, ela precisava descobrir a verdade, não importava o quão obscura e assustadora fosse. Seus olhos percorriam os jornais e relatos daquela época, e logo encontrou menções a Catarine Sastre, acusada de devorar e mutilar crianças entre cinco e seis anos. A tensão em seu corpo cresceu ao refletir sobre isso. Lendo até o final do artigo, ela se deparou com o passado horrível da mulher: condenada à tortura, Catarine foi interrogada até admitir seus crimes, sendo julgada e condenada por “assassinato”, “licantropia”, “canibalismo” e “bruxaria”. Ela morreu na fogueira em 12 de novembro de 1347. O filho mais novo, apenas alguns meses de vida, foi esquartejado em praça pública diante de seus olhos, e sua cabeça foi jogada na mesma fogueira em que ela morreu queimada. O paradeiro de Christian Sastre e do filho mais velho, de identidade não revelada, permanecia desconhecido. Naquela noite, a população acuada pediu socorro à Igreja, que enviou caçadores. Estes, na dúvida, solicitaram que os moradores pegassem seus bens de prata para serem derretidos e transformados em balas. A caçada deu início a um período sangrento para os lobisomens, que foram mortos um a um, e ao final, os caçadores conseguiram livrar a cidade da maldição. “Livrando o mundo desses seres para sempre.”
O horror consumiu Akane como um incêndio descontrolado. As palavras na tela do notebook, como chamas impiedosas, devoravam sua sanidade. Catarine Sastre, a esposa de Taishou, e seu filho recém-nascido, haviam sido condenados a um destino terrível. Imagens horrendas tomaram conta de sua mente: as chamas lambendo os corpos, os gritos de agonia, o cheiro de carne queimada. A dor e o sofrimento daquela mulher eram palpáveis, como se estivessem acontecendo naquele momento com ela mesma. Akane se encolheu na cama, o notebook apertado contra o peito, como se quisesse se proteger daquela cruel realidade. Lágrimas quentes brotaram em seus olhos enquanto tentava compreender como Taishou, o homem que amava, poderia ter vivido com tamanha culpa e dor. As palavras do antigo jornal ecoavam em seus ouvidos: "Os lobisomens foram condenados por seus crimes contra Deus e a humanidade. Que suas almas sejam purificadas pelo fogo. Deus seja louvado." O horror que a consumia se transformou em uma dúvida lancinante. Se Christian Sastre era de fato Taishou, e seu filho mais velho, de identidade e paradeiro desconhecidos, era fruto do relacionamento com Catarine, uma saliva pastosa e densa obstruía sua garganta, obrigando-a a engolir seco.
Uma possibilidade aterradora tomou forma em sua mente: ele tinha um filho que havia sobrevivido ao terrível destino. Perturbada, Akane mergulhou em um turbilhão de reflexões. Se um casal de lobisomens tivesse filhos… Isso significaria que… “Filha?” O som calmo da voz de sua mãe, Haruko, batendo à porta do quarto, fez Akane fechar o notebook com uma velocidade assustadora. A culpa e o medo a consumiam como um vulcão prestes a entrar em erupção. Como poderia explicar as dúvidas que a corroíam por dentro? Como poderia confessar os segredos sombrios que descobrira sobre Taishou? Haruko Hiromi, com sua postura serena e um sorriso gentil nos lábios, adentrou o quarto. Seus olhos, carregados de sabedoria e compreensão, pousaram sobre Akane, que se encolheu na cama como um animal acuado. "Seu pai e eu conversamos com Taishou," disse ela com uma voz suave e melodiosa. "Ele parece ser um bom rapaz, com boas intenções. Ele pretende te dar um futuro maravilhoso, Akane."
As palavras de sua mãe ecoavam no quarto, mas não conseguiam acalmar a tempestade que se desenrolava na mente de Akane. As imagens dos ataques de lobisomens, dilacerando crianças inocentes, da fogueira que consumiu Catarine, do horror em ver seu filho ser despedaçado diante de seus olhos, e a mais terrível possibilidade de que Taishou tivesse um segundo filho ainda à solta por aí, assombravam seus pensamentos. “Mamãe,” Akane a chamou, mas as palavras falharam em sua garganta. Como poderia compartilhar seus pesadelos com sua mãe? Como poderia lançar dúvidas sobre o homem que amava sem destruir a confiança que sua mãe depositava nele? Haruko se aproximou de Akane e se sentou ao lado da cama, colocando uma mão suave sobre seu ombro. "Akane, querida, eu sei que você está preocupada. É natural ter dúvidas quando se está apaixonada. Mas confie em mim, o amor é capaz de superar qualquer obstáculo." As palavras de sua mãe, embora reconfortantes, não conseguiam apagar o medo que consumia Akane. Ela sorriu para sua mãe, com um brilho falso nos olhos. Agradecia por sua compreensão e apoio, mas seu coração estava dilacerado por um segredo terrível. As informações que havia descoberto sobre o passado de Taishou a assombravam como fantasmas implacáveis.
Enquanto sua mãe falava sobre as qualidades de Taishou, destacando sua inteligência e potencial como herdeiro, Akane lutava para manter a compostura. A imagem do homem que amava se mesclava com a de um monstro, um lobisomem sanguinário com olhos vermelhos como sangue. “Obrigada, mamãe”, Akane respondeu, sua voz embargada pela emoção. “Eu sei que você deseja o melhor para mim, e aprecio muito a bênção sua e do papai em relação ao Taishou.” As palavras soaram vazias em seus próprios ouvidos. Como poderia aceitar essa bênção, sabendo que o homem que amava carregava um segredo tão obscuro? Disfarçando sua angústia com um sorriso tímido, Akane percebeu que não poderia revelar a verdade à sua mãe, pelo menos não naquele momento. “Eu sei que a aparência dele pode ser um pouco... peculiar”, começou, tentando manter o tom leve. “E o histórico escolar não é dos melhores. Mas eu acredito nele, mãe. Acredito que ele é um bom homem, com um bom coração.” Suas palavras soaram mais como uma súplica do que como uma afirmação. Akane precisava acreditar em Taishou; era essencial para ela encontrar uma maneira de reconciliar o homem que amava com os segredos sombrios de seu passado.
“Eu confio em você, Akane”, disse Haruko, segurando as mãos da filha. “E sei que você tomará a decisão certa.” Akane a abraçou com força, sentindo as lágrimas queimarem em seus olhos. Precisava descobrir a verdade: Taishou era realmente o monstro que seus pesadelos lhe mostravam, ou havia algo mais humano e amável escondido por trás de sua aparência e passado obscuro? Akane deu um beijo na bochecha de sua mãe e agradeceu novamente por sua compreensão. “Boa noite, mamãe”, disse com um sorriso triste. “Durma bem.” Haruko retribuiu o beijo e apertou a mão da filha com carinho. “Boa noite, querida. Tenha bons sonhos.” Assim que sua mãe saiu do quarto, Akane percebeu a presença de seu pai, Ryo Hiromi, encostado na porta com os braços cruzados. Uma mistura de apreensão e expectativa tomou conta dela. Ryo suspirou e se aproximou da cama, sentando-se ao lado de Akane. “Sei que minha menina está crescendo”, começou com uma voz suave, seus olhos castanhos refletindo preocupação. “E isso significa que você está começando a tomar suas próprias decisões.” Akane permaneceu em silêncio, observando o rosto do pai em busca de pistas sobre o que ele realmente pensava sobre Taishou. “Eu sei que você gosta do Seiji”, continuou Ryo, “e que ele te faz feliz. Isso me deixa feliz também.”
Akane virou-se para ele, surpresa. “Você... Você não se importa com a aparência dele?”, perguntou hesitante. Ryo sorriu. “A aparência não é tudo, Akane. O que realmente importa é o que está aqui dentro”, disse, apontando para o coração. “E eu acredito que você sabe o que está fazendo.” As palavras do pai tocaram Akane profundamente, um aperto no coração a envolveu. Sabia que ele a amava e queria o melhor para ela. “Mas...”, começou ela, hesitante, “e o passado dele? Você sabe que ele é um brigão, não sabe?” Ryo ficou em silêncio por alguns instantes, ponderando as palavras da filha. “Todos nós temos segredos, Akane”, disse finalmente. “O importante é saber se podemos confiar na pessoa que amamos, mesmo que ela tenha um passado obscuro.”
Akane olhou nos olhos de seu pai, buscando a verdade em suas palavras. Sabia que ele estava certo: o amor era uma força poderosa, capaz de superar qualquer obstáculo. “Eu confio em Taishou”, declarou finalmente, com a voz firme. “E sei que ele me ama também.” Ryo sorriu e abraçou a filha com força. “Então está tudo certo”, disse. “Apenas seja feliz, Akane. Isso é tudo que importa para mim.” Afastando-se da cama, Ryo deixou um sorriso brincalhão nos lábios. “Mais uma coisa, Akane”, ele disse, piscando para ela. “Usem camisinha. Não quero netos tão cedo!” Akane corou violentamente, o calor subindo ao seu rosto. “Papai!”, exclamou indignada. “Isso não é da sua conta!” Ryo riu e deu um tapinha na cabeça dela. “Estou apenas brincando, querida”, respondeu. “Mas falando sério, seja cuidadosa. E lembre-se, eu sempre estarei aqui para você, não importa o que aconteça.”
Akane sorriu, apreciando a preocupação do pai. “Obrigada, papai”, disse. “Eu te amo.” “Eu também te amo, querida”, Ryo disse, abrindo a porta do quarto. “Boa noite.” Akane observou seu pai sair, um sorriso ainda no rosto. Sabia que ele era tradicional, mas também amoroso e compreensivo. Tinha sorte de tê-lo como pai. Finalmente a sós, Akane fitou o notebook com o coração acelerado. O medo percorria suas veias como um rio gelado. Com dedos trêmulos, desdobrou-o e abriu a tela. A luz azul emanava do aparelho, iluminando seu rosto pálido. Com um movimento rápido, acessou o histórico de pesquisas e, com um aperto no coração, apagou cada linha, cada vestígio que a conectava aos segredos sombrios de Taishou. A cada clique, a angústia aumentava, mas também a sensação de proteção. As informações estavam agora escondidas, guardadas a sete chaves em seu interior. Fechando o notebook com cuidado, Akane o guardou na escrivaninha, como se estivesse trancando um monstro em uma caixa. Um suspiro escapou de seus lábios, carregado de dúvidas e incertezas. Pegando o celular, buscou refúgio na companhia de suas amigas. As mensagens para Sakura e Hinata fluíram pelos dedos, carregadas de entusiasmo e esperança. “Meninas, vão ao festival da lua?”, perguntou, um sorriso hesitante nos lábios. “Eu vou com Taishou... O que acham?”
As respostas não tardaram a chegar. Emojis animados e frases empolgadas inundaram a tela, colorindo o mundo de Akane com uma leveza que ela tanto precisava. O festival da lua, com suas luzes, música e alegria, prometia ser um refúgio momentâneo, um escape da realidade sombria que a assombrava. Akane se aproximou da janela, seus pés deslizando suavemente pelo piso de madeira. A lua cheia, majestosa e prateada, dominava o céu noturno, banhando o mundo em uma luz suave e misteriosa. Seus olhos se fixaram no astro luminoso, e seus pensamentos se voltaram para Taishou. As dúvidas e incertezas que a atormentavam se misturavam com a beleza da noite, criando um turbilhão de emoções em seu interior. Um suspiro escapou de seus lábios, carregado de tristeza e esperança. Queria acreditar que Taishou era o homem que amava, gentil e amoroso, apesar dos segredos obscuros que o assombravam. Com um movimento lento e decidido, Akane fechou as persianas do quarto, bloqueando a luz da lua e mergulhando o ambiente em uma escuridão reconfortante. Deitou-se na cama, seus olhos ainda fixos no teto escuro. A noite era silenciosa, apenas quebrada pelo som suave da sua respiração. Aos poucos, seus pensamentos se acalmaram, dando lugar ao sono. Em seus sonhos, a lua cheia ainda brilhava, agora um símbolo de esperança, iluminando um futuro incerto, mas cheio de possibilidades. Akane adormeceu com o rosto sereno, pronta para enfrentar os desafios que a aguardavam, armada com a força do amor e a esperança de que a verdade, por mais dolorosa que fosse, a libertaria das sombras e a guiaria em direção à felicidade. Os primeiros raios de sol da manhã se infiltraram pelas frestas da persiana, banhando o rosto de Akane com uma luz suave. Ela se espreguiçou na cama, abrindo os olhos lentamente. O dia do festival da lua havia chegado, e uma mistura de ansiedade e empolgação tomava conta de seu coração. Ao se levantar e caminhar em direção à cozinha, o aroma de café fresco invadiu suas narinas. Seus pais, Haruko e Ryo, estavam sentados à mesa, conversando animadamente.
Mas o que mais a surpreendeu foi a presença de duas figuras sorridentes ao lado deles: Sakura Fujioka e Hinata Terasaki, suas melhores amigas. "Bom dia, Akane!", Sakura exclamou, pulando da cadeira e a abraçando com força. "Pronta para o grande dia?" Akane se afastou um pouco, ainda surpresa com a presença inesperada de suas amigas. "Sakura, Hinata... O que vocês estão fazendo aqui?", perguntou, com um sorriso hesitante. Hinata se aproximou, segurando a mão de Akane. "Viemos te buscar para um dia de compras no shopping!", disse com timidez. "Vamos escolher o quimono mais bonito para você usar no festival!" Um aperto no coração invadiu Akane. A ideia de ir ao shopping e escolher um quimono a deixava nervosa. As imagens dos pesadelos que a atormentavam ainda estavam frescas em sua mente. "Eu... Eu não sei", gaguejou, buscando as palavras. "Não acho que seja uma boa ideia." Haruko se aproximou de Akane, colocando uma mão suave em seu ombro. "Querida, você precisa relaxar e se divertir", disse ela com uma voz tranquila. "O festival da lua é uma ocasião especial, e você merece se sentir bonita." Ryo também se juntou à conversa. "E quem sabe, no shopping, você pode encontrar algo que te ajude a esquecer um pouco seus problemas", disse, com um sorriso compreensivo. Akane olhou para seus pais e amigas, os olhos marejados de emoção. O amor e o apoio que eles lhe ofereciam eram como um bálsamo para sua alma. "Tudo bem", disse finalmente, um sorriso tímido se formando em seus lábios. "Eu vou com vocês."
Um grito de alegria ecoou pela cozinha, seguido por abraços apertados e palavras de entusiasmo. O dia de compras se transformou em uma aventura divertida e relaxante. Akane se esqueceu, mesmo que por algumas horas, dos segredos de Taishou e se concentrou em escolher o quimono mais bonito que já tinha visto. Com o quimono em mãos, sentia-se pronta para o festival da lua. A noite prometia ser mágica, e ela estava ansiosa para celebrar com amigos e familiares, com a esperança de que a verdade sobre Taishou não a impedisse de aproveitar a beleza da vida. À medida que o sol se despedia do horizonte, tingindo o céu com tons de laranja e rosa, Akane, Sakura e Hinata caminhavam pelo parque, rindo e conversando animadamente. O festival da lua estava prestes a começar, mas a energia contagiante das amigas já iluminava a noite. Sakura, sempre a mais exuberante do grupo, não se conteve e logo soltou a grande novidade: "Meninas, vocês não vão acreditar no que aconteceu!", disse, com um sorriso travesso. "Depois que você sumiu com Taishou, Akane, eu e Kenji ficamos sozinhos... E tivemos um momento bem íntimo na volta para casa."
Akane e Hinata se entreolharam, surpresas com a revelação. "Momento íntimo? Que tipo de momento íntimo?", perguntou Hinata, com um tom de curiosidade. Sakura corou levemente, seus olhos brilhando de emoção. "Kenji finalmente aceitou meu amor", disse, com a voz carregada de felicidade. "Ele olhou nos meus olhos e disse que viu como Taishou e Akane são perfeitos e esquisitos um para o outro. E então..." As amigas se inclinaram para frente, ansiosas para saber mais. "E então?", Akane perguntou, um sorriso no rosto. “Ele disse que não desejava mais lutar com Taishou pelo amor de Akane, quando o verdadeiro amor dele estava bem ali.” "E então eu beijei ele!", Sakura exclamou, com o rosto ainda mais vermelho. "E ele me beijou de volta! Foi mágico!" Akane e Hinata vibraram com a história empolgante da amiga, curiosas sobre o que havia acontecido depois. Sakura, ainda corando, revelou que Kenji havia aceitado o beijo e aprofundado a troca de carinhos. Akane não pôde deixar de imaginar a cena, comparando com seu próprio beijo com Taishou, escondidos no armário de limpeza da sala de educação física. Sakura ironicamente agradeceu a Akane por ter "sumido" com Taishou, pois, graças a isso, ela e Kenji estavam bem mais próximos. "Vocês me ajudaram a encontrar o amor!", disse, abraçando a amiga com força. As três continuaram a caminhar pelo parque, agora com um brilho diferente nos olhos.
"Então, Akane, me diga a verdade", Sakura disse, com um sorriso travesso, seus olhos castanhos brilhando de curiosidade. "Onde você e o Taishou se esconderam? Vocês sumiram por horas!" Akane sentiu suas bochechas queimarem com a pergunta. Ela não sabia se devia contar a verdade para suas amigas, especialmente sobre o momento íntimo que compartilhou com Taishou no armário. "Bem...", gaguejou, procurando as palavras. "Nós... Nós apenas encontramos um lugar tranquilo para conversar." Sakura riu da reação da amiga. "Conversar?", disse, com um tom divertido. "Ou será que fizeram 'aquilo'?" Akane corou ainda mais, os olhos se arregalando de surpresa. "Sakura!", exclamou, indignada. "Isso não é da sua conta!" Hinata, que observava a conversa com um sorriso divertido, interveio. "Calma, Sakura", disse ela, tentando conter o riso. "Vamos dar um tempo para a Akane, não é?" “Deixe a Akane contar no seu tempo”, sugeriu Hinata, olhando para a amiga com compreensão. Akane se virou, grata pelo apoio. “Obrigada, Hinata”, respondeu, seu sorriso tímido revelando um pouco do alívio que sentia. “Então, Akane”, continuou Hinata, “o que aconteceu? Você pode nos contar?”
Akane respirou fundo, decidida a compartilhar a verdade com suas amigas. Ela começou a relatar como havia se aproximado de Taishou naquele dia e como ele a surpreendeu ao ir até sua casa para conversar com seus pais sobre o relacionamento deles. “Nossa, isso é um passo muito importante!”, exclamou Hinata, com admiração na voz. Sakura concordou, piscando de maneira travessa. “Parece até que ele estava prestes a pedir sua mão em casamento!” Akane se perdeu em pensamentos, lembrando-se do pedido de Taishou para que se deitasse com ele. Esforçando-se para afastar o constrangimento, focou na conversa animada com suas amigas. Enquanto as três balançavam as sacolas de compras, Sakura perguntou o que Akane achou do quimono que comprara. Akane sorriu, revelando sua esperança de que Taishou gostasse. Com um tom curioso, Hinata perguntou: “Você sabe das preferências dele, Akane?” Antes que Akane pudesse responder, Sakura a interrompeu, apontando com dedos trêmulos. “Bom, por que você não pergunta pra ele? Afinal, ele está logo ali!” As três amigas se viraram na direção indicada, e seus olhos se arregalaram em choque. Diante delas, Taishou Seiji estava sentado em um banco do parque, saboreando um sorvete ao lado de Kenji Takahashi, seu rival de longa data. As garotas correram até eles, incrédulas com a cena. “O que está acontecendo aqui?”, Akane perguntou, sua voz embargada pela perplexidade. “Vocês se odiavam até ontem!”
Sakura, ainda aturdida, balançou a cabeça em concordância. “Isso não faz sentido!”, exclamou. “Como podem estar tão calmos e amigáveis agora?” Kenji, com um sorriso tímido, começou a explicar: “O esquisitão me procurou hoje cedo”, disse, coçando a nuca. “Ele pediu minha ajuda para escolher um quimono para o festival da lua.” As garotas se entreolharam, surpresas. Akane, com curiosidade, perguntou: “E o que você respondeu?” “Eu disse que sim”, Kenji respondeu, o sorriso se ampliando. “Ele queria que eu o ajudasse a parecer menos esquisito para você, Akane.” Sakura, com olhos arregalados, exclamou: “E você aceitou assim, tão fácil?” Kenji deu de ombros, abrindo a sacola de compras que tinha em mãos, revelando um iPhone novinho em folha. “Ele me comprou um celular novo”, disse, com um sorriso travesso. “É caro, e o peso do capitalismo me fez fazer as pazes com ele momentaneamente.” Uma onda de constrangimento passou pelas meninas. “Meu Deus, Kenji! Você não tem jeito mesmo!”, disse Sakura, em tom de reprovação. Hinata, tentando aliviar a tensão, comentou: “Bem, pelo menos agora vocês não são mais rivais.” Akane, com o olhar fixo em Taishou, expressou sua preocupação: “Isso é muito caro”, murmurou, sua voz baixa. Taishou, impassível, não reagiu. Kenji, porém, respondeu por ele: “Pelo jeito, ser um esquisito dá dinheiro”, disse, com um sorriso irônico. “Seiji me contou que tem uns artefatos de herança em casa. Um vaso foi o suficiente para pagar o iPhone à vista.”
As meninas exclamaram em uníssono, surpresas: “À vista?!” Kenji, radiante com seu novo celular, começou a distribuir seus números para as amigas, ansioso para estrear o aparelho. Akane se aproximou de Taishou timidamente e sussurrou: “Você não precisava fazer isso por mim.” Taishou, olhando-a com seus olhos penetrantes, respondeu calmamente: “Precisava.” Sua resposta monossilábica escondia um turbilhão de emoções: a necessidade de agradar Akane, o desejo de se encaixar e a eterna busca por sua aprovação. Sentindo seu coração aquecer com a atitude de Taishou, Akane se virou para Kenji. Respirando fundo, com a voz carregada de arrependimento, disse: “Kenji, eu me desculpo pela forma como gritei com você ontem. Eu não falava sério quando disse que te odiava. Mas estou muito feliz em saber que você ajudou o Taishou.” Kenji deixou transparecer uma leve mágoa em seus olhos, mas logo se esforçou para esboçar um sorriso. “Tudo bem, Akane”, respondeu suavemente. “A briga de ontem serviu para muita coisa.” Enquanto seus braços se entrelaçavam ao redor do pescoço de Sakura, Kenji continuou: “Ela fez com que eu e Sakura nos aproximássemos, e também me fez compreender um pouco melhor esse esquisito”, disse, apontando para Taishou, que permanecia calmo e inexpressivo, saboreando seu sorvete como se nada estivesse acontecendo.
“Vocês não são mais rivais?”, perguntou Hinata timidamente. Taishou sorriu e limpou o canto da boca com um guardanapo. “Acontece que conversamos hoje”, disse, com um tom sereno. “E descobrimos que temos mais em comum do que pensávamos.” Kenji assentiu, confirmando as palavras de Taishou. “Sim”, concordou, sorrindo timidamente. “Parece que ambos fomos tolos em alimentar tanta rivalidade por tanto tempo.” As garotas ainda estavam em choque, processando a informação. A cena era surreal, como se estivessem testemunhando um evento apocalíptico. “Então…”, começou Hinata, hesitante. “Agora vocês são amigos?” Taishou e Kenji se entreolharam e sorriram um para o outro. Falaram ao mesmo tempo: “Não”, disse Taishou. “Mas agora, eu odeio ele um pouco menos.” Kenji completou: “E eu acho ele um pouco menos esquisito!” As amigas trocaram olhares incrédulos. A rivalidade que havia marcado a relação entre Taishou e Kenji agora parecia estar se transformando em… amizade? Bom, não exatamente amizade, mas pelo menos, eles não estavam mais se matando. Já era um começo. A noite do festival da lua prometia ser ainda mais surpreendente do que imaginaram.
As três amigas, ainda perplexas com a cena que acabavam de presenciar, sentaram-se ao lado dos rapazes, ansiosas para saber mais sobre a inesperada mudança de rumos. A conversa entre os cinco fluiu naturalmente, marcada por risadas e revelações. Kenji, Sakura e Hinata se despediram, deixando Taishou e Akane a sós. O olhar penetrante de Taishou se fixou em Akane, enquanto ele expressou com sinceridade: “Eu quero que você seja feliz comigo.” Akane, com um sorriso hesitante, respondeu: “Eu já sou muito feliz.” Mas suas palavras, embora verdadeiras, escondiam um turbilhão de emoções que ela lutava para manter sob controle. A felicidade que sentia ao lado de Taishou era real, mas as dúvidas e incertezas a atormentavam. Com sua intuição aguçada, Taishou percebeu a hesitação na voz de Akane. Segurando delicadamente a mão dela, perguntou: “O que está te incomodando?” Por um momento, ela pensou em confessar tudo—revelar seus medos, suas dúvidas, a angústia que a consumia ao lidar com seu passado sombrio. Contudo, as palavras se recusaram a sair. O medo de ser rejeitada, de perder Taishou, era grande demais.
Desviando o olhar, Akane optou por desviar a conversa. “Não é nada. Eu só estou cansada. Vamos para casa?” Taishou, compreensivo, assentiu com a cabeça. Ele a acompanhou até em casa, prometendo voltar mais tarde para buscá-la para o festival. Assim que deu as costas para ele, Akane desfez o sorriso forçado que mantinha no rosto. Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha. Ela se perguntava quanto tempo mais conseguiria aguentar esconder seus sentimentos e fingir que tudo estava bem. A necessidade de saber a verdade sobre seu passado tornava-se cada vez mais urgente, uma força implacável ameaçando consumir sua felicidade. Naquela noite, sob a luz da lua prateada, Akane se viu diante de um dilema: confessar seus segredos a Taishou e arriscar perder seu amor ou continuar vivendo uma mentira, carregando o peso do passado em suas costas. A decisão a ser tomada seria a mais difícil de sua vida.