A neve caía incessantemente lá fora, cobrindo o mundo com um manto de silêncio e frio. Taishou e Kenji, após uma jornada árdua através do que parecia ser um inferno congelante, finalmente chegaram à cabana que Taishou havia alugado. Era um chalé rústico, escondido entre as árvores cobertas de neve, um refúgio contra a tempestade que rugia lá fora. Taishou, com seus sentidos aguçados, sabia que estavam no lugar certo. O cheiro familiar de Caspian estava próximo, um aroma que apenas seu olfato bestial poderia detectar. Ele sabia que a meia-noite, o ápice de sua transformação, lhe daria ainda mais clareza. Era uma espera tensa, mas necessária. Kenji, embora humano, compartilhava da tensão de Taishou. Juntos, eles entraram na sala da cabana, onde a lareira esperava, pronta para ser acesa. Com um gesto simples, Taishou acendeu o fogo, e as chamas começaram a dançar, lançando um calor acolhedor contra o frio que se infiltrava pelas paredes.
O calor da lareira trouxe consigo um silêncio confortável, um momento de paz antes da tempestade que se aproximava. Eles se aconchegaram perto do fogo, permitindo que o calor suavizasse seus músculos cansados e acalmasse seus espíritos. Era uma noite de vigília, uma noite que poderia mudar tudo. Para Taishou, era a chance de reencontrar Caspian, de trazer de volta um membro perdido da alcateia. Para Kenji, era a oportunidade de provar seu valor e sua lealdade, não apenas a Taishou, mas a si mesmo. Enquanto as horas passavam, o fogo crepitava, e os dois companheiros se preparavam para o que viria. Eles não falavam, mas suas mentes estavam alinhadas, focadas no objetivo que os unia. Aquela noite, sob a lua cheia e o céu estrelado, poderia ser a mais importante de suas vidas.
O vento uivava lá fora, mas dentro da cabana, a atmosfera era aquecida pelo fogo crepitante e pela conexão de uma chamada de vídeo que atravessava distâncias e corações. Taishou segurava o celular com as mãos firmes, a tela iluminando seu rosto com a luz suave da interface digital. Akane apareceu na tela, seu sorriso era um farol no mar tempestuoso da missão de Taishou. "Estou seguindo o rastro," ele disse, sua voz baixa, mas cheia de determinação. "Não se preocupem, eu sei que vai dar tudo certo" Caleb, o jovem aniversariante, entrou no quarto ao lado de Akane, seus olhos brilhando com a inocência da juventude. "Pai, só quero que você volte em segurança," disse Caleb, sua voz carregada de maturidade além de seus anos. "Esse é o melhor presente que você poderia me dar." A conversa fluiu entre atualizações e risadas, um momento de normalidade em meio ao caos. Mas todas as coisas boas têm um fim, e Taishou desligou o telefone, o silêncio caindo sobre a sala como um cobertor pesado. Kenji, o companheiro de Taishou, estava quieto, seu olhar perdido nas chamas dançantes. O desconforto em seus olhos era evidente, uma tempestade de emoções contidas ameaçando romper as barragens do autocontrole. Taishou se aproximou, sua preocupação pelo amigo tão palpável quanto o calor da lareira. "Kenji," ele começou, "você está bem? Está com frio... ou com medo?"
Kenji levantou os olhos, encontrando o olhar de Taishou. O silêncio entre eles era denso, carregado com palavras não ditas e sentimentos não expressos. Era um momento de verdade, um cruzamento de caminhos onde a amizade era testada e a força de vontade era medida. O relógio marcava 22h, e à meia-noite se aproximava. A noite mais importante de suas vidas estava apenas começando. A tensão no ar era quase tangível, e o silêncio que se seguiu à chamada de vídeo com a família de Taishou parecia pesar sobre os ombros de Kenji. Ele olhou para Taishou, seus olhos firmes, mas revelando uma tempestade de emoções que ele lutava para conter. "Pode ser que a gente morra hoje, encontrando esse tal Caspian," Kenji começou, sua voz trêmula traía o medo que ele sentia, não da morte, mas do que estava prestes a revelar. "Eu quero te dizer uma coisa, por favor, não me odeie ou fique com nojo de mim." Suas mãos tremiam tanto que ele teve que segurá-las fortemente sob seus joelhos, buscando conforto em si mesmo. Taishou se aproximou, sua expressão era uma mistura de preocupação e apoio incondicional. "O que foi, cara? Você sabe que pode me contar qualquer merda..." disse ele, tentando aliviar a tensão com uma leveza que não sentia. Kenji respirou fundo, cada palavra que vinha a seguir parecia mais pesada que a última. Taishou, eu... eu estou apaixonado por você." As palavras saíram de sua boca como um sussurro, mas cada sílaba ressoou na sala como um trovão. O silêncio que se seguiu foi profundo, e por um momento, tudo o que se podia ouvir era o crepitar do fogo. Taishou permaneceu imóvel, processando as palavras de Kenji. A amizade entre eles sempre foi forte, um laço forjado em confiança e experiências compartilhadas. Mas agora, Kenji revelava uma camada de profundidade em seus sentimentos que Taishou nunca havia imaginado.
Kenji, com os ombros tremendo, cobriu o rosto com as mãos, tentando esconder sua dor e vergonha. Ele chorava silenciosamente, o som abafado por suas palmas. A vergonha o consumia, não por ter revelado seus sentimentos, mas por temer ter colocado em risco a amizade que tanto valorizava. Taishou, por outro lado, estava confuso. A revelação de Kenji o fez abrir a boca incrédulo. No começo, ele pensou que o amigo estivesse brincando, fazendo alguma zoeira como de costume, mas depois, quando ele viu as lágrimas em seus olhos, ele sabia que Kenji não estava brincando. Ele nunca quisera nada além do bem-estar de Kenji, e ver seu amigo em tal estado de angústia o deixava desconcertado. Ele queria oferecer conforto, mas temia que qualquer gesto pudesse ser mal interpretado, agravando a situação. Com um cuidado delicado, Taishou se aproximou de Kenji, colocando as mãos em seu rosto e limpando suas lágrimas "Kenji," ele disse suavemente, "não há nada para se envergonhar. Sua coragem em compartilhar isso comigo... eu respeito muito isso." Ele colocou um braço ao redor dos ombros de Kenji, oferecendo um suporte silencioso. "Você é meu amigo, meu irmão. Nada vai mudar isso. Estamos juntos nessa, lembra?" Taishou falava com sinceridade, esperando que suas palavras pudessem trazer algum conforto. Mas logo, Kenji começou a tremer mais, e a chorar copiosamente. Taishou o puxou para um abraço apertado.
O abraço entre Kenji e Taishou era um refúgio seguro em meio à tempestade de emoções. Kenji, tremendo, buscava nas palavras de Taishou a confirmação de que sua revelação não havia destruído a amizade que tanto prezava. “Você não me odeia? Ou vai me chamar de viado? Ou alguma coisa do gênero?” A voz de Kenji era carregada de medo e incerteza, temendo a rejeição e o julgamento. Taishou, sentindo o peso da situação, escolheu suas palavras com cuidado, sabendo que cada uma delas poderia curar ou ferir. “Não, cara,” ele respondeu com firmeza, “eu não vou fazer isso!” A resposta de Taishou era mais do que palavras; era uma promessa de aceitação e um voto de respeito. Ele reconhecia a coragem de Kenji e, acima de tudo, valorizava a pessoa que Kenji era - seu amigo, independente de qualquer coisa. Eles permaneceram abraçados, o calor da lareira e o conforto da amizade verdadeira os envolvendo, enquanto o mundo lá fora continuava indiferente ao momento de compreensão e lealdade compartilhado naquela cabana isolada. Kenji olhou para Taishou através de lágrimas, e em seus olhos havia gratidão misturada com sua dor. Eles permaneceram assim, lado a lado, enquanto o fogo continuava a queimar, um símbolo de calor e luz em meio à tempestade de emoções que enfrentavam. “Eu…me…me..desculpa…cara…eu…”
Taishou segurou o rosto de Kenji com cuidado, seu toque leve como uma pena. Kenji, surpreso com o gesto, ergueu os olhos para olhar Taishou, buscando qualquer sinal de julgamento. Mas tudo o que encontrou foi uma fonte de compreensão e aceitação. Enquanto seus olhares se encontravam, uma linguagem silenciosa passou entre eles. O medo nos olhos de Kenji começou a derreter, substituído por uma pequena chama de esperança. Taishou se inclinou lentamente, sua respiração quente contra os lábios de Kenji. Não era um beijo movido pela paixão, mas por uma ternura que transcendia rótulos. Era um beijo de aceitação, uma promessa silenciosa de que a amizade deles, naquele momento, só se fortalecia. Kenji, ainda nos braços de Taishou, sentiu a familiaridade do abraço se aprofundar com o beijo. A ternura nos lábios de Taishou era inegável, um bálsamo para as feridas da insegurança. Apesar de saber que Taishou não nutria os mesmos sentimentos românticos, Kenji se permitiu mergulhar naquela demonstração de afeto. Em meio ao calor da lareira e à quietude da cabana isolada, o beijo se tornou mais do que um toque físico. Era uma reafirmação da amizade profunda que os unia, um símbolo da aceitação incondicional que Taishou nutria por ele. Para Kenji, aquele momento representava o ápice da amizade verdadeira, um elo que transcendia as expectativas e rótulos da sociedade. Ao se afastarem, um sorriso sereno brotou nos lábios de Kenji. A insegurança ainda pairava em seu coração, mas era suavizada pela certeza de que a amizade de Taishou era um porto seguro, um refúgio em meio às tempestades da vida. Aquele beijo, embora breve e carregado de significados não ditos, havia fortalecido ainda mais o laço que os unia, transformando-se em um marco na história de sua amizade.
Naquele instante, Kenji entendeu que a verdadeira amizade não se baseia na reciprocidade romântica, mas sim na aceitação, no respeito e na compreensão mútua. O beijo de Taishou, por mais breve que fosse, havia sido a prova viva disso, um lembrete de que a amizade verdadeira é um tesouro raro e precioso que deve ser valorizado acima de tudo. “Eu te amo pra caralho…” As palavras de Kenji ecoaram no silêncio da cabana, carregadas de emoção e vulnerabilidade. Seus olhos, marejados de lágrimas, buscavam o rosto de Taishou, buscando um reflexo de seus próprios sentimentos. Taishou, tomado pela intensidade da confissão, sentiu seu coração bater descompassado. As palavras de Kenji eram como um soco no estômago, uma revelação que abalava as bases da amizade que os unia. Um turbilhão de emoções o invadiu: surpresa, confusão, medo. Mas, acima de tudo, Taishou sentiu uma profunda gratidão pela confiança que Kenji depositara nele. Em vez de se afastar, Taishou se aproximou mais, envolvendo Kenji em um abraço apertado. Seu toque era firme, mas suave, transmitindo conforto e apoio. "Eu também te amo, Kenji," Taishou murmurou, sua voz rouca pela emoção. "Mas... como amigos."
As palavras de Taishou foram como um bálsamo para o coração de Kenji. A dor da rejeição ainda estava presente, mas era amenizada pela certeza de que sua amizade era valorizada e respeitada. "Eu sei," Kenji respondeu, sua voz embargada pela lágrima. "Só precisava te dizer." Naquele abraço, sob a luz bruxuleante da lareira, a amizade entre Kenji e Taishou se fortaleceu. A revelação de Kenji não a havia destruído, mas sim a transformou, adicionando uma nova camada de profundidade e compreensão. A partir daquele dia, a amizade deles se tornou ainda mais especial, marcada por um laço de confiança e aceitação que transcendia as definições convencionais. Eles aprenderam que o amor verdadeiro, em suas diversas formas, é a base para qualquer relacionamento forte e duradouro. Kenji, com os olhos ainda brilhando pela emoção do momento, puxou Taishou para mais perto. Seu abraço era um misto de desespero e súplica, tão forte que parecia querer fundir suas almas. “Por favor, Taishou,” ele sussurrou com uma urgência que vibrava baixinho entre eles, “Podemos ficar assim por mais um tempo?” A voz de Kenji tremia, carregada de um medo vulnerável de que o mundo pudesse invadir aquele espaço sagrado que eles compartilhavam. Taishou, sentindo o peso daquele pedido, assentiu silenciosamente, sua resposta não precisava de palavras. Ele apertava Kenji ainda mais em seus braços, e lhe deu um beijo na testa. Um gesto que selava a promessa entre eles. “Não conta isso pra ninguém cara…por favor…” Kenji implorou baixinho. Naquele abraço, sob a luz suave que escapava pelas frestas da cabana, um pacto silencioso foi formado — um segredo guardado não apenas nas palavras não ditas, mas no entendimento mútuo de que alguns sentimentos são tão profundos que transcendem a necessidade de serem compartilhados com o mundo. “Nunca…vai ficar só entre nós dois”. Taishou respondeu.
Taishou desejava oferecer conforto e apoio ao seu amigo, ele também lutava contra seus próprios sentimentos. A intensidade da confissão de Kenji havia despertado algo dentro dele, uma emoção que ele não conseguia definir completamente. Era admiração? Atração? Ou algo mais profundo? Enquanto seus corações batiam em uníssono sob a luz bruxuleante da lareira, Taishou sentiu uma relutância em soltar Kenji. O abraço era um refúgio, um porto seguro em meio à tempestade de emoções que os cercava. Mas ele sabia que não podia agarrar aquele momento para sempre. Com um suspiro suave, Taishou começou a afrouxar o abraço, seus dedos deslizando lentamente pelos braços de Kenji. Ele podia sentir a tensão no corpo do amigo, a relutância em se afastar do calor e da segurança daquele abraço. "Kenji," Taishou murmurou, sua voz rouca pela emoção, "eu preciso te soltar." Kenji ergueu a cabeça, seus olhos marejados de lágrimas encontrando os de Taishou. "Eu sei," ele respondeu com a voz embargada. Taishou sorriu tristemente, seus olhos transmitindo uma compreensão profunda da dor que Kenji sentia. "Nossa amizade é importante para mim, Kenji," ele disse. "E eu quero que você saiba que sempre estarei aqui para você, não importa o que aconteça." Kenji assentiu, seus olhos ainda fixos em Taishou. "Obrigado," ele sussurrou.
Com um último aperto gentil, Taishou finalmente soltou Kenji. A distância entre eles era pequena, mas parecia imensa. Eles se encararam por um longo momento, seus corações ainda conectados por um fio invisível de emoções. Kenji, ainda com os olhos marejados de lágrimas, ergueu a cabeça e fitou Taishou com uma expressão que misturava apreensão e esperança. "Você está se sentindo estranho agora?" ele perguntou em voz baixa, sua voz carregada de insegurança. Taishou respirou fundo, buscando as palavras certas para responder. Ele não queria mentir para Kenji, mas também não queria magoá-lo mais do que já o havia feito. "É natural sentir-se um pouco estranho depois de uma conversa tão intensa," ele disse com calma. "Mas isso não significa que algo esteja errado com nossa amizade." Kenji assentiu, mas seus olhos ainda expressavam dúvidas. "Você tem certeza?" ele insistiu. Taishou sorriu fracamente, tentando transmitir a Kenji a sinceridade de seus sentimentos. "Completamente certo," ele afirmou. "Nossa amizade é importante para mim, Kenji, e eu não quero que isso mude." Kenji relaxou um pouco, seus ombros se afrouxando. A resposta de Taishou o acalmou, mas ele ainda sentia um aperto no coração. "Eu também não quero que nada mude," ele confessou. "Mas... eu não sei se consigo agir como se nada tivesse acontecido." Taishou entendeu a preocupação de Kenji. A revelação de seus sentimentos havia mudado a dinâmica da amizade deles, e era natural que ambos precisassem de tempo para se ajustar. "Não precisa ser tudo como antes," ele disse com gentileza. "Podemos encontrar um novo equilíbrio, um novo jeito de sermos amigos."
Kenji ponderou as palavras de Taishou, buscando um lampejo de esperança naquela situação complexa. "Você acha que é possível?" ele perguntou, sua voz carregada de um fio de incerteza. Taishou sorriu com convicção. "Eu sei que é possível," ele afirmou. "Nossa amizade é forte o suficiente para superar qualquer obstáculo." Um sorriso hesitante se formou nos lábios de Kenji. Ele ainda não tinha certeza de como o futuro se desenrolaria, mas as palavras de Taishou lhe deram um sopro de esperança. "Obrigado," ele murmurou, seu coração se aquecendo com a confiança do amigo.
Naquele momento, sob a luz bruxuleante da lareira, Kenji e Taishou embarcaram em um novo capítulo de sua amizade. Um capítulo marcado por desafios, mas também por uma profunda conexão e pelo compromisso de superar qualquer obstáculo que surgisse em seu caminho. O vento frio soprava entre as árvores congeladas, carregando consigo o farfalhar das folhas secas e o uivo melancólico dos lobos. A neve caía em flocos lentos e silenciosos, cobrindo a paisagem em um manto branco e impenetrável. Kenji e Taishou caminhavam lado a lado pela floresta densa, seus rostos cobertos por cachecóis grossos e seus corpos encolhidos para se proteger do frio. A jornada havia sido árdua e cansativa, e a frustração começava a tomar conta deles. "Tá sentindo algum cheiro?" Kenji perguntou a Taishou, sua voz carregada de esperança. "Pelo amor de deus, diz que sim. Estamos começando a ficar sem locais para procurar." Taishou parou por um instante, erguendo a cabeça para o céu nublado. Ele fechou os olhos e inspirou profundamente, farejando o ar com cuidado. A neve caía em seu rosto, mas ele não se importava. Ele precisava se concentrar, encontrar qualquer pista que os levasse ao seu objetivo final.
Finalmente, ele abriu os olhos e assentiu com a cabeça. "Sim, eu estou sentindo," ele disse, sua voz baixa e rouca. "É o cheiro dele... O cheiro de Caspian." Kenji arregalou os olhos, um brilho de esperança se acendendo em seus olhos verdes. "Puta merda, sério?" ele exclamou, sua voz animada. "Eu não acredito nisso! Se apresse e siga seu rastro!" Taishou assentiu novamente e, sem perder tempo, começou a seguir o cheiro que emanava da floresta. Kenji o acompanhou de perto, seus passos rápidos e cheios de energia. A frustração que os acompanhava há tanto tempo se dissipou, substituída por uma nova onda de esperança. Eles correram entre as árvores, esquivando-se dos galhos e saltando sobre os troncos caídos. A neve salpicava em seus rostos, mas eles não se importavam. O cheiro de Caspian os guiava, os impulsionava para frente. Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, eles chegaram a uma clareira no meio da floresta. No centro da clareira, sentado sobre uma grande pedra, estava Caspian. No centro da clareira nevada, banhado pela luz pálida da lua cheia, Caspian se erguia como uma figura imponente. Seus cabelos curtos e lisos, prateados como a neve que caía ao seu redor, estavam bagunçados em uma franja rebelde que caía sobre sua testa. Seus olhos, cinzas como o céu crepuscular, brilhavam com uma intensidade quase hipnótica, transmitindo uma mistura de ferocidade e tristeza.
Seu corpo, magro e jovem, era adornado por uma roupa simples, uma blusa branca e uma jaqueta de couro marrom que se ajustava perfeitamente aos seus movimentos ágeis. Um sorriso gentil, quase melancólico, se desenhava em seus lábios, contrastando com a aura de perigo que emanava de toda a sua figura. Caspian era um lobisomem, um ser de poder e mistério, dividido entre a natureza selvagem e a humanidade. Seus olhos, que durante o dia comum, brilhavam um cinza profundo, agora brilhavam com a cor vermelha, um reflexo da força ancestral que pulsava em suas veias. Dezenas de lobos brancos da neve formaram um círculo ao redor de Caspian, cada um deles sentando-se sobre seus calcanhares, observando Taishou e Kenji se aproximarem com uma intensidade que transcendia o animal. Era como se reconhecesse um cheiro familiar se aproximando. O líder, um alfa de uma alcateia que não era a deles, mas que ainda assim merece seu respeito.
23:00hs. A neve caía em flocos lentos sobre a clareira nevada, cobrindo o chão em um manto branco e imaculado. A luz da lua cheia banhava a paisagem em um brilho prateado, criando uma atmosfera mágica e misteriosa. No centro da clareira, Caspian e Taishou se encontravam frente a frente, seus olhos fixos um no outro. Um sorriso largo e sincero se desenhava no rosto de Caspian, revelando dentes brancos e perfeitos. "Christian!" ele disse, sua voz profunda e calorosa ecoando pela floresta. "Faz tanto tempo!" Taishou sorriu de volta, seus olhos negros brilhando com alegria. "Caspian," ele respondeu, sua voz carregada de emoção. "Eu também senti sua falta." Eles se aproximaram um do outro, seus passos hesitantes no início, mas cada vez mais confiantes. Finalmente, quando estavam apenas a alguns metros de distância, Caspian abriu os braços em um gesto acolhedor. Taishou não hesitou e abraçou com força. O abraço foi longo e caloroso, cheio de saudade e afeto. Caspian apertou Taishou contra seu peito, inalando seu perfume familiar.
"Eu senti seu cheiro," ele disse em voz baixa, "mas não sabia quais eram suas intenções. Por isso, não vim a seu encontro imediatamente." Taishou se afastou um pouco, ainda sorrindo. "Eu entendo," ele disse. "Mas eu vim em paz. Quero conversar com você, Caspian. Quero sua mentoria, a sabedoria de um Marechal antigo da nossa guilda." Caspian assentiu em concordância. "Eu também quero conversar," ele disse. "Mas primeiro, quem é esse garoto?" Ele se virou para Kenji, que os observava de longe com uma expressão séria. Kenji segurava sua Magnum .357 firmemente em sua mão, seus olhos fixos em Caspian com uma mistura de cautela e hostilidade. "Este é Kenji," Taishou disse. "Ele é um grande amigo meu, e também é filho adotivo de Demétrio." Caspian sorriu ao ouvir o nome de Demétrio. "Demétrio, hein?" ele disse. "Eu também senti o cheiro dele. No entanto, algo curioso acontece... Eu não sei se meu nariz está me enganando, mas o cheiro dele... parece estar vindo de dentro de você, Christian" Um sorriso tranquilo e amigável se desenhou no rosto de Caspian. "O que isso significa?" ele perguntou, seus olhos cinza brilhando com curiosidade. Taishou hesitou por um momento, buscando as palavras certas para responder. Ele sabia que Caspian era poderoso e perigoso, mas também sabia que havia algo mais nele, algo bom e puro.
"Caspian," ele começou a falar, sua voz baixa e hesitante, "eu preciso te contar a verdade..." E assim, sob a luz da lua cheia, em meio à neve que caía silenciosamente, Taishou começou a revelar a Caspian os segredos que ele guardava há tanto tempo. Segredos sobre sua nova vida, sua esposa, seu filho, atualizando Caspian desde a última vez em que se viram, na idade média, até os dias de hoje. Tentando justificar suas ações, e o que levou ele a matar e consumir Demétrio. Caspian o ouviu em silêncio, seus olhos arregalados de surpresa e espanto. A cada palavra que Taishou pronunciava, ele se sentia cada vez mais confuso e desorientado. “Você matou um dos nossos companheiros?” Caspian perguntou incrédulo. O que Taishou estava lhe dizendo era inacreditável, impossível. Mas, ao mesmo tempo, ele sentia uma verdade profunda em suas palavras, uma verdade que ressoava em seu próprio coração. Quando Taishou finalmente terminou de falar, um silêncio pesado pairava sobre a clareira. Caspian o encarou por um longo tempo, seus pensamentos girando em sua mente como um turbilhão. "Então é isso..." ele disse finalmente, sua voz baixa e rouca. "Então, você é nosso alfa agora." Ele começou a andar pela clareira, seus passos lentos e pesados. “Um alfa que não conseguiu esse título por glória, mas sim, por meio da violência covarde” A neve rangia sob seus pés, e o vento soprava em seus cabelos prateados. “Um alfa quase tão fraco como um beta, se rastejando até mim, em busca de respostas fáceis.”
Taishou o observou em silêncio, seu coração batendo forte no peito. Ele não sabia o que esperar, o que Caspian pensaria ou como reagiria. Finalmente, Caspian se virou para ele, seus olhos cheios de uma nova determinação. "Christian" ele disse, sua voz firme e inabalável, "eu não sei o que o futuro reserva, mas uma coisa é certa: eu não vou aceitar isso tão facilmente.” Kenji e Taishou sentiram a tensão subir em meio a clareira congelada. O que Caspian faria com eles? Os mataria? A noite estava silenciosa, exceto pelo som suave da neve caindo. Sob a luz prateada da lua cheia, os lobos brancos da neve começaram a se mover com um propósito. Um a um, eles assumiram suas posições, formando um círculo perfeito ao redor de Taishou e Caspian. 23:55hr… A neve continuava a cair em flocos lentos sobre a clareira, cobrindo o chão em um manto branco e imaculado. A luz da lua cheia banhava a paisagem em um brilho prateado, criando uma atmosfera mágica e misteriosa.
No centro da clareira, Caspian e Taishou se encontravam frente a frente, seus olhos fixos um no outro. A tensão era palpável no ar, cortando como uma faca gelada. Taishou havia revelado a Caspian os segredos que guardava há tanto tempo, confessando ter matado Demétrio e assumido o papel de alfa. A notícia abalou Caspian, que lutava para processar a informação e decidir como agir. "Então é isso..." ele disse finalmente, sua voz baixa e rouca. "Então, você é nosso alfa agora?" Ele se movimentava pela clareira, seus passos lentos e pesados. A neve rangia sob seus pés, e o vento soprava em seus cabelos prateados. Taishou o observou em silêncio, seu coração batendo forte no peito. Ele não sabia o que esperar, o que Caspian pensaria ou como reagiria. Finalmente, Caspian se virou para ele, seus olhos cheios de uma nova determinação. "Christian," ele disse, sua voz firme e inabalável, "eu não vou aceitar isso tão facilmente." Kenji, que até então permanecia observando a cena em silêncio, apertou o punho em torno de sua Magnum 357. Ele sabia que a situação era perigosa, e estava preparado para defender Taishou caso fosse necessário. "O que você quer dizer?" Taishou perguntou, sua voz hesitante. Caspian sorriu, um sorriso frio e cruel. "Você matou Demétrio, o alfa da nossa guilda," ele disse. "Você o traiu, o consumiu sem piedade. E agora espera que eu simplesmente aceite você como meu líder?"
Ele balançou a cabeça em negação. "Não, Christian. Não vou te seguir. Você não é digno de ser nosso alfa. Um alfa não deve ter maldade em seu coração!" Taishou sentiu uma onda de raiva subir em seu peito. "Caspian," ele disse, sua voz carregada de fúria, "eu fiz o que precisava fazer para proteger minha família. Demétrio estava se tornando um tirano, um perigo e eu não podia permitir que ele continuasse vivo machucando a todos que eu amava. Eu ainda tentei argumentar, tentei resolver da forma mais pacífica possível, mas, Demétrio não me deu escolha! No fim, ele mesmo causou a sua ruína. Eu apenas, agi de acordo com nossos rituais ancestrais, e peguei o seu poder. Mas eu nunca almejei isso. Eu só quero viver em paz, com minha família. Só quero proteger minha alcateia" Caspian riu com desdém. "Proteger a alcateia?" ele disse. "Você a traiu! Você se tornou um monstro, assim como Demétrio." Ele avançou sobre Taishou, seus olhos brilhando com fúria. Kenji ergueu sua arma, apontando para Caspian.
"Pare!" ele gritou. "Se você machucar Taishou, eu vou te matar!" Caspian parou por um momento, encarando Kenji com desprezo. "Um humano ameaçando um lobisomem?" Ele disse com ironia. "Você acha que eu tenho medo de você?" Kenji apertou o gatilho da Magnum, a bala de prata voou em alta velocidade em direção a Caspian, que desviou sem a menor dificuldade. Taishou e Kenji arregalaram os olhos de espanto. “Que…velocidade incrível!” Taishou comentou assustado.