Akane reuniu seus pais, Ryo e Haruko, na sala de estar. Sua expressão misturava nervosismo e determinação. Ela tinha algo importante a dizer. "Mãe, pai," começou, a voz hesitante, "eu e Taishou vamos fazer uma viagem." Ryo franziu a testa. "Uma viagem? Para onde?" Akane desviou o olhar. "Ainda não sabemos exatamente. Vamos visitar algumas cidades; Taishou quer encontrar uma pessoa importante e pediu minha ajuda nessa busca." Haruko colocou a mão sobre o ombro da filha. "Por quanto tempo?" Akane respirou fundo. "Talvez dois meses, ou mais." Um silêncio pesado pairou na sala. Ryo foi o primeiro a falar. "Você mal noivou com Taishou e já está pensando em nos deixar?", disse, a voz carregada de preocupação. "Não gosto disso." Akane apertou os punhos. "Eu sei que é muito, pai, mas acredite em mim, isso é importante para Taishou." Haruko interveio, colocando a mão sobre o braço de Ryo. "Tudo bem, querido. Deixe-a falar." Voltando-se para Akane, disse: "Filha, entendo sua necessidade de buscar respostas. Mas não quero que você e Taishou saiam sem nos contarem o que estão procurando." Akane assentiu. "Eu sei, mãe. É difícil explicar. São apenas... presságios, intuições. Sentimos que precisamos fazer isso." Haruko suspirou. "Então, pelo menos, prometam que nos manterão informados e que nos mandarão notícias." Akane abraçou a mãe com força. "Prometo, mãe. Vamos cuidar um do outro e voltaremos assim que pudermos." Ryo ainda parecia hesitante, mas também a abraçou. "Cuidem-se, vocês dois." Akane e Taishou se entreolharam, um brilho de determinação em seus olhos. A viagem que os aguardava era incerta, mas estavam prontos para enfrentar tudo juntos.
A jornada de Akane e Taishou em busca de Demétrio se estendeu por três meses. A cada cidade que visitavam e a cada rumor que investigavam, a esperança se esvaía um pouco mais. Lendas sobre lobos e morte os guiavam por caminhos tortuosos, mas sempre terminavam em becos sem saída. Frustração e mentiras tornaram-se seus constantes companheiros. Finalmente, o cansaço pesou mais que a esperança. A cada dia que passava, a imagem de Demétrio se tornava mais nebulosa, até se transformar em uma lembrança distante. A frustração pairava no ar como uma névoa densa no quarto de hotel. Akane, deitada na cama, observava Taishou navegar pelo mapa em seu celular. A cada movimento de seus dedos, a esperança diminuía um pouco mais. "Nada, Akane," ele disse finalmente, a voz carregada de desânimo. "Estou começando a achar que tudo isso foi perda de tempo." Akane suspirou, sentindo o peso da decepção se instalar em seu coração.
Nas últimas duas noites de lua cheia, guiados por rumores e pistas inconsistentes, chegaram a becos sem saída. Nenhuma informação concreta sobre Demétrio, apenas frustração e cansaço. "Estou preocupada com Sakura," murmurou, pensando na amiga que enfrentava seus próprios desafios. "Sozinha com Caleb... Ela mencionou que na última lua cheia teve que chamar Kenji para ajudar. As coisas quase saíram de controle." Taishou guardou o celular e se sentou ao lado de Akane na cama. "Ela vai ter que aguentar mais esta noite de lua cheia," disse com pesar. "Mas depois disso, podemos voltar para casa. Não faz sentido continuarmos se não estamos encontrando nada." Akane assentiu, concordando com a relutância em sua voz. A saudade de casa apertava seu peito, a lembrança de Sakura e Caleb a chamava de volta. "Mande uma mensagem para Sakura," sugeriu Taishou. "Diga para dar a Caleb um chá de belladonna. Isso pode ajudá-lo a se acalmar durante a lua cheia." Akane pegou o celular e abriu o aplicativo de mensagens. As palavras de Taishou ecoavam em sua mente enquanto escrevia: "Sakura... dê a Caleb um chá de belladonna esta noite..." Enquanto digitava, seus pensamentos se voltaram para a amiga. Como ela estava lidando com tudo isso? Como estava Caleb? A escola, os amigos, a maldição... A vida de Sakura se transformou em um turbilhão de desafios desde que assumiu a responsabilidade de cuidar dele durante sua busca por Demétrio.
Os dedos de Akane deslizavam rapidamente sobre as teclas: "Como vão as coisas de Caleb na escola?" perguntou na mensagem. "Como ele está se adaptando?" A resposta de Sakura não demorou a chegar, transmitindo uma mistura de cansaço e esperança, um reflexo da batalha que ela travava diariamente. "Caleb está se esforçando," escreveu. "Os outros alunos ainda o estranham, mas ele está começando a fazer amigos. Os professores têm sido compreensivos com seu jeito tímido e ele está indo bem nas aulas. Mas as noites de lua cheia... são terríveis para todos nós. As correntes de prata ajudam um pouco, mas ainda é difícil controlá-lo." Akane leu a mensagem com o coração apertado. A dor de Sakura era palpável, e ela se sentia impotente por não poder ajudar mais. "Estamos voltando para casa em breve. Por favor, aguente só mais essa lua cheia," digitou em resposta. "Assim que chegarmos, vamos conversar e tentar encontrar uma solução para tudo isso." Ao enviar a mensagem, Akane se recostou na cama, exausta. "Sakura respondeu apenas com um emoticon de coração."
O cansaço da jornada pesava sobre os ombros de Taishou e Akane. Deitados lado a lado na cama do hotel, o silêncio era eloquente, carregado de frustração e saudade. Taishou se aproximou de Akane, acariciando seus cabelos com ternura. Ela se aninhou em seu peito, buscando conforto e calor. "Eu gostaria que fôssemos um casal normal," sussurrou Akane, a voz carregada de desejo. "Poderíamos aproveitar momentos assim, sem preocupações, sem pressa..." Taishou desviou o olhar para a janela. A luz fraca da lua cheia banhava o quarto, lançando um brilho pálido sobre tudo. Ele podia sentir a energia da lua crescendo dentro de si, a força animalesca tomando conta de seu corpo. "Precisamos sair daqui," disse, a voz rouca. "Preciso de um lugar isolado, onde possa me concentrar." Seus olhos brilhavam com um tom vermelho carmesim, um reflexo da besta que lutava para se libertar. Akane, percebendo a mudança em Taishou, o abraçou com força. "Eu vou com você," declarou com determinação. "Não importa o que aconteça, vamos enfrentar isso juntos." Taishou sorriu, um sorriso triste e belo. Agradecido pela força e compreensão de Akane, puxou-a para mais perto. "Obrigado," murmurou. "Você é a melhor coisa que me aconteceu."
Ele a beijou delicadamente, e Akane sentiu suas presas durante o beijo. Em silêncio, deixaram o hotel e se aventuraram na noite. A lua cheia guiava seus passos, iluminando o caminho para um local isolado, onde Taishou poderia se entregar à sua natureza lupina sem perigo. Akane, ao seu lado, era a fonte de sua força, a luz que o guiava na escuridão. Juntos, enfrentavam os desafios que a vida lhes impunha, unidos por um amor que transcendia a natureza humana e a fera que habitava dentro de Taishou. O ponteiro do celular marcava onze e meia da noite. Akane e Taishou, envoltos em seus casacos, caminhavam em silêncio pela floresta que cercava a pequena cidade de Hokkaido, no Japão. O ar frio da noite saía de suas bocas em nuvens de vapor. A cidade de Hokkaido estava aninhada em um vale remoto, cercada por montanhas cobertas de neve. Uma densa floresta atuava como uma barreira natural, protegendo a cidade do mundo exterior. O acesso era limitado por trilhas estreitas e sinuosas que serpenteavam pelas montanhas e pela floresta. A cidade em si era pequena e compacta, com casas de madeira e telhados de palha que se agrupavam ao redor de uma praça central. Uma névoa perene pairava sobre ela, criando uma atmosfera misteriosa e etérea. As ruas eram estreitas e de paralelepípedos, ladeadas por lanternas de pedra que lançavam um brilho suave à noite.
Os habitantes de Hokkaido eram um povo simples e gentil, que vivia em harmonia com a natureza. Auto-suficientes, cultivavam seus próprios alimentos e criavam seus próprios animais. A vida na cidade era tranquila e pacífica, com o ritmo ditado pelas estações e pelos ciclos da natureza. Eles haviam sido atraídos para lá após ouvirem rumores de que lobos brancos selvagens cercaram uma mulher e a devoraram viva. Naquela noite, eles investigavam um caso nas montanhas isoladas, cobertas de neve. Akane vestia um longo casaco feminino azul-marinho, acompanhado de botas de cano alto e luvas, necessárias para suportar o frio da cidade. Ao seu lado, Taishou usava uma blusa de couro preta. A textura áspera do couro contrastava com a suavidade da calça de moletom grossa que ele vestia por baixo, uma escolha prática para a noite gélida. Suas botas pretas de cano longo protegiam seus pés do gelo e da neve que cobriam o solo da floresta, robustas e pesadas, prontas para enfrentar qualquer terreno acidentado. Uma toca preta escondia seus longos cabelos negros, protegendo-os do frio. Simples, mas funcional, a toca combinava com o estilo sombrio e misterioso de Taishou.
O silêncio da floresta era apenas interrompido pelo som de seus passos na neve macia. A lua cheia, alta no céu, banhava a floresta com uma luz prateada, criando um cenário mágico e surreal. Akane apressou o passo, ansiosa para chegar ao local que Taishou havia marcado no mapa. Ela sabia que o que estava prestes a acontecer seria importante, um momento crucial em sua jornada. De repente, Taishou parou, virando-se para ela. Seus olhos brilhavam com um tom vermelho intenso, um reflexo da besta que lutava para se libertar dentro de si. "É aqui", ele disse com uma voz grave. "Este é o lugar." Akane assentiu, seus olhos repletos de determinação. Ela estava pronta para enfrentar o que quer que os aguardasse. Juntos, adentraram um círculo de pedras antigas, cobertas de neve. No centro, uma árvore centenária se erguia imponente, seus galhos nus estendendo-se para o céu como garras. Taishou se ajoelhou diante da árvore, tocando o tronco com a mão. Akane se juntou a ele, entrelaçando suas mãos às dele. Um silêncio profundo envolveu a floresta. A lua cheia, agora diretamente acima, parecia observar a cena com atenção. Taishou deslizou os dedos pelo tronco da árvore, examinando as marcas de arranhões. "Lobos selvagens da neve", ele declarou, descartando a possibilidade de lobisomens. Akane suspirou de frustração, envolta em calafrios. Com um gesto gentil, Taishou a guiou até a base da imponente árvore e removeu seu casaco, drapejando-o sobre os ombros da jovem. Preocupada com o frio que ele enfrentaria, Akane questionou sua atitude. Com um sorriso caloroso, Taishou assegurou que o casaco era precioso demais para ser rasgado durante sua transmutação. Akane sorriu timidamente, aquiescendo em silêncio. Em seguida, Taishou retirou sua toca, colocando-a delicadamente sobre a cabeça de Akane. Seus dedos afastaram seus cabelos enquanto um toque carinhoso acariciava sua bochecha. Ele a beijou com ternura antes de se afastar. Sob a sombra da árvore monumental, o frio tornou-se um detalhe insignificante. O que importava era a conexão profunda que unia Taishou e Akane, um elo de cuidado mútuo e afeto genuíno.
Taishou despiu a blusa e as botas, entregando-as a Akane. Seus pés descalços tocaram o gelo da neve, e sua respiração pesada lutava contra o frio intenso. Nuvens de vapor escapavam de sua boca a cada exalação. Os sinais da transformação começaram a se intensificar; seus músculos se contraíam e seus ossos se alongavam. Pelos brancos brotaram em sua pele, cobrindo seu corpo como um manto. Seus olhos se tornaram mais vermelhos e seu rosto, mais feroz. Akane desviou o olhar por um momento, nervosa. A tela do celular marcava meia-noite. Ela suspirou e se preparou para observar o evento em silêncio. Lentamente, Taishou se transformou em um majestoso lobo branco. Seus pelos brilhavam à luz da lua, e seus olhos emanavam uma força selvagem. Ele era uma criatura magnífica, uma personificação da natureza em sua forma mais pura. Akane ficou admirada com a beleza e o poder da fera diante de seus olhos. Uma mistura de medo e fascinação percorria seu corpo. Não importava quantas vezes ela tivesse presenciado a transformação, cada vez era como se fosse a primeira. Taishou, em sua forma lupina, olhou para Akane com um olhar compreensivo antes de voltar seus olhos para a lua cheia. Ele emitiu um uivo alto, como se estivesse se tranquilizando. Ela se aproximou dele com cautela, estendendo a mão para tocar sua pelagem macia. Juntos, transcendiam as barreiras da linguagem e da espécie, unidos por um sentimento de confiança e respeito mútuo.
Akane acariciava a pelagem suave de Taishou com dedos gentis, seus olhos preocupados observando a noite escura. Em um sussurro quase inaudível, ela perguntou: "Consegue sentir o cheiro de outro lobisomem próximo?" Taishou, em resposta, ergueu o focinho para o céu e farejou o ar por alguns instantes. Seus olhos vermelhos brilhavam sob a luz da lua, enquanto seus ouvidos peludos captavam cada som da noite. Pequenos flocos de neve caíam do céu, cobrindo o chão com um manto branco. Após alguns segundos, Taishou baixou o focinho e olhou para Akane com seus olhos penetrantes. Um leve aceno de cabeça foi a resposta. Não, ele não sentia o cheiro de outro lobisomem, apenas de lobos selvagens comuns, que não estavam muito longe. Akane sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A presença de lobos poderia significar perigo; mesmo comuns, ainda eram animais selvagens. "O que vamos fazer?", perguntou ela, sua voz tensa pelo medo. Taishou não respondeu com palavras.
Em vez disso, ele se aproximou de Akane e lambeu seu rosto com carinho, um gesto de proteção e uma promessa de que ele a protegeria a todo custo. Akane abraçou o lobo branco com força, buscando conforto em sua presença. Sabia que, juntos, enfrentariam qualquer desafio que surgisse. Ela se aconchegou no tronco da majestosa árvore, buscando abrigo do frio da noite. Taishou, fiel companheiro, deitou-se ao seu lado, envolvendo-a com seu pelo macio e quente. Como um cão de guarda, ele a protegia de qualquer perigo que rondasse a escuridão. Seus dedos percorriam a pelagem branca de Taishou, acariciando cada fio com carinho e gratidão. A neve caía em flocos suaves, cobrindo seus rostos e a terra com um manto branco. Akane suspirou, seus olhos fixos no celular. A tela escura refletia a preocupação que pesava em seu coração. Já eram duas da manhã, e ainda não havia resposta de Sakura. Sua última mensagem, "Está tudo bem?", pairava no ar. "Vamos voltar amanhã", Akane disse em voz baixa, mais para si mesma do que para Taishou. "Estou preocupada com Caleb e Sakura." Taishou ergueu a cabeça e lambeu seu rosto, como se estivesse a confortar. Ele também sentia a apreensão que pairava no ar, pronto para acompanhá-la de volta.
O silêncio da noite era perturbado apenas pelo farfalhar da neve e pelo som da respiração de Akane. Seus dedos nervosos tamborilavam na tela do celular, esperando ansiosamente por uma resposta que não chegava. Em meio à escuridão e ao frio, Akane e Taishou permaneciam unidos, um amor inabalável que enfrentaria qualquer obstáculo. A esperança de encontrar Caleb e Sakura em segurança os impulsionava, guiando-os através da noite gélida em busca de um amanhecer mais tranquilo. Taishou e Akane caminhavam lado a lado pelo aeroporto, seus passos ecoando no piso frio. O nervosismo era palpável, e Akane apertava as passagens nas mãos como se fossem um amuleto. Taishou tentava tranquilizá-la com um abraço, mas a angústia era evidente em seus olhos. Sakura não respondia às mensagens, e o silêncio de Kenji e Hinata aumentava a apreensão. "E se Caleb tiver...", Akane hesitou, a voz embargada pela emoção. Taishou a abraçou com força, seu abraço transmitindo conforto e segurança. "Se acalme", ele murmurou, sua voz grave e calma ecoando em seus ouvidos. A fila para o embarque se movia lentamente, a cada minuto parecendo uma eternidade. A cada passo que davam, a incerteza e o medo cresciam dentro de Akane. "Eles estão bem, eu tenho certeza", Taishou disse, tentando afastar os pensamentos negativos. "Vamos encontrá-los e tudo vai ficar bem." Akane se aninhou em seus braços, buscando refúgio em seu calor.
A esperança era a única coisa que os mantinha firmes naquele momento de desespero. Finalmente, chegou a hora de embarcar. Akane deu uma última olhada no celular, ansiosa por uma mensagem que nunca chegava. Apenas uma imagem animada de sua mãe desejando "boa viagem". "Vamos", disse Taishou, guiando-a em direção ao avião. A viagem de avião durou apenas algumas horas, mas, para Akane, cada minuto se arrastava como uma eternidade. Seus pés tremiam enquanto ela apertava o celular contra o peito, rezando por uma mensagem que nunca vinha. O silêncio dos amigos ao seu redor era ensurdecedor. Ao desembarcarem no aeroporto de Takamatsu, Taishou chamou um táxi para levá-los à pequena cidade vizinha, Hinode, seu lar. A cada curva da estrada, a apreensão de Akane aumentava. Ela tentava freneticamente ligar para Sakura, mas só ouvia o silêncio do outro lado da linha. Desesperada, discou o número de Hinata. A voz tímida da amiga a atendeu, e um suspiro de alívio escapou dos lábios de Akane. "Ai meu Deus, Hinata, você está bem?", perguntou, a emoção transparecendo em sua voz.
Hinata hesitou antes de responder de maneira evasiva. "Sim, estou bem", disse, sem entrar em detalhes. "Aonde vocês estão? Estou ligando para vocês há horas! Sakura não me responde!" Akane insistia, a frustração crescendo dentro dela. Hinata, incapaz de explicar tudo ao telefone, apenas disse que esperaria por Akane em frente à casa de Sakura, acrescentando que algumas coisas precisavam ser ditas pessoalmente. O telefone desligou, e a tensão, agora palpável, tomou conta de Akane. Taishou a perguntou se estava tudo bem, mas ela apenas balançou a cabeça negativamente, incapaz de conter o tremor nas mãos. O motorista do táxi, percebendo a aflição do casal, comentou: "Vocês estão indo para Hinode, certo? Ficaram sabendo que, na última noite, aconteceu um massacre?" O coração de Taishou e Akane disparou com a informação. O motorista continuou, de maneira casual: "Parece que lobos invadiram a cidade novamente e atacaram algumas pessoas. Houve muitas vítimas desta vez." Uma lágrima escorreu pelo rosto de Akane. "Não", murmurou baixinho, a voz carregada de horror e desespero. A cada quilômetro que se aproximavam de Hinode, a esperança de Akane se esvaía. A possibilidade de encontrar seus amigos vivos diminuía a cada segundo. A cidade que antes era um refúgio agora se transformara em um pesadelo.
Akane correu em direção à casa de Sakura, o coração batendo forte no peito. Seus olhos, cheios de preocupação, vasculhavam a rua em busca de qualquer sinal de seus amigos. Taishou a seguia de perto, prometendo proteção e apoio. Antes de chegarem à casa de Sakura, Taishou insistiu em passar em sua casa para deixar as malas e avisar seus sogros sobre a chegada. Akane, relutante, concordou em se separar dele por um momento. Sozinha, a cada passo que dava, a apreensão aumentava. A cidade, que antes era tranquila, agora parecia um cenário de horror. Viaturas policiais circulavam pelas ruas, sirenes ecoando o medo que pairava no ar. Finalmente, Akane chegou à casa de Sakura. Seus olhos se fixaram em Hinata, que a aguardava nervosa em frente à porta. As duas amigas se abraçaram com força, as lágrimas de Akane manchando a blusa de Hinata. "Hinata, o que aconteceu?", perguntou aflita, sua voz transbordando angústia. Hinata, com um olhar triste e hesitante, guiou Akane para dentro da casa. Lá, Sakura e Kenji se encaravam, preocupados, como se esperassem por ela. A atmosfera estava carregada de um medo que Akane não conseguia identificar. Ela abraçou seus amigos e se sentou à mesa, os nervos à flor da pele, aguardando que eles explicassem o que estava acontecendo. Sakura, com a voz embargada pela emoção, começou a contar a história.
Ela narrou a fúria de Caleb na noite anterior, como ele havia se descontrolado e fugido para a floresta. Caleb estava desaparecido desde então; eles passaram a madrugada procurando por ele, mas não o encontraram. Foi quando ouviram no noticiário daquela manhã sobre o massacre: "lobos" haviam atacado a cidade e devorado algumas pessoas. Sakura não queria admitir em palavras, mas sabia que isso era obra de Caleb. Akane escutava em silêncio, o coração apertado pela dor e pela incerteza. A cada palavra de Sakura, a esperança de encontrar Caleb vivo e bem diminuía. A pequena Yuki estava encostada em um canto, chorando e murmurando o nome do melhor amigo. Quando Sakura terminou de falar, um silêncio ensurdecedor tomou conta da sala. Os quatro amigos se entreolharam, os rostos pálidos e abatidos. Kenji se levantou e abraçou Akane com força. "Vamos encontrá-lo", disse, a voz firme e resoluta. "Vamos encontrar Caleb e trazê-lo de volta para casa." As lágrimas escorriam pelo rosto de Akane, mas ela se agarrou às palavras de Kenji. Havia esperança, ainda que pequena. Havia amor, amizade e a força de quatro amigos unidos pela dor e pela determinação.
Taishou chegou à casa de Sakura, pressentindo o perigo como um lobo em alerta. Seus passos eram rápidos e determinados, guiados pelo amor por Akane e pela necessidade de proteger sua família. Ao entrar na casa, foi recebido pelo silêncio e pelos olhares abatidos dos amigos. Akane, com o rosto banhado em lágrimas, se agarrou a ele como se fosse a única tábua de salvação em um mar de angústia. Taishou olhou nos olhos de Sakura e Kenji, buscando respostas. A raiva crescia em seu interior, uma fúria primal que clamava por justiça. "Onde está Caleb?", perguntou com a voz grave, seus olhos ardendo com intensidade. Sakura, com a voz embargada pela tristeza, repetiu a história. Ela descreveu a ferocidade de Caleb, a noite de terror que os amigos passaram, e como não conseguiu segurá-lo. "Ele fugiu..." Sakura concluiu, deixando no ar a incerteza sobre o destino de Caleb. Taishou mal terminou de ouvir a história. Seus músculos se contraíram e os pelos se arrepiaram, tomado por uma fúria incontrolável. Sem dizer uma palavra, virou-se e saiu da casa, determinado a encontrar seu filho e trazê-lo de volta, custe o que custar.
Taishou vasculhou cada canto da cidade, buscando qualquer sinal de Caleb. Sua fúria era temperada pela esperança, e ele não media esforços para encontrá-lo. Com o passar das horas, a frustração se instalava. A cidade já havia sido revistada, e Caleb não estava em lugar nenhum. Restava apenas a floresta, um lugar denso e perigoso, onde a esperança se diluía na escuridão. Taishou adentrou a floresta, os sentidos aguçados. Desejava que a transformação estivesse mais próxima, para que seus poderes lupinos o guiassem na busca. Após horas de caminhada árdua, finalmente chegou à sua cabana secreta. O que encontrou o deixou perplexo: a cabana estava completamente destruída, como se um tornado tivesse passado por ali. Em meio aos destroços, uma figura familiar surgiu.
Makoto Tanaka. O detetive Makoto Tanaka era uma figura imponente, mesmo em meio à pacata cidade de Hinode. Seus ombros largos e postura rígida transmitiam uma sensação de força e autoridade, contrastando com a atmosfera tranquila do local. O rosto de Tanaka, marcado por rugas, refletia a seriedade de um homem que já havia visto de tudo. Seu chapéu fedora marrom, ligeiramente amassado pelo tempo, era adornado por uma faixa preta que combinava com o terno impecável que vestia. A gravata, cuidadosamente ajustada, acrescentava um toque de formalidade à sua aparência, enquanto o cigarro aceso entre seus dedos emitia uma nuvem de fumaça que pairava no ar.
Seus olhos, castanhos e penetrantes, fixaram-se no jovem que se aproximava, com uma mistura de curiosidade e desconfiança. A figura do detetive se tornava mais nítida a cada passo, revelando uma barba por fazer e um olhar cansado, mas atento. Nos lábios de Tanaka, uma linha fina indicava a gravidade do momento, enquanto a mão que segurava o cigarro permanecia firme, demonstrando a calma e o controle que um detetive experiente mantinha, mesmo em situações tensas. Taishou ficou surpreso ao ver o detetive. Uma mistura de emoções tomou conta dele. Tanaka ergueu uma sobrancelha, aguardando enquanto Taishou se aproximava da cena do crime. A fumaça do cigarro subia em espiral, criando uma aura de mistério em torno do detetive, que agora se preparava para desvendar mais um enigma da pequena cidade de Hinode.
Tanaka observava Taishou com seus olhos penetrantes. Uma estranha coincidência pairava no ar: Taishou, envolvido em mais um episódio de "ataque de lobos". "É muita coincidência, não acha?", Tanaka questionou, sua voz carregada de ceticismo. "Duas vezes, em situações tão estranhas... Me diga, Senhor Taishou Seiji, o que você sabe sobre esses lobos?" Taishou manteve a calma, a frieza de sempre em sua voz. "Apenas o que todos sabem", ele disse, desviando o olhar. "Eles são perigosos, selvagens, e atacam sem aviso." Tanaka não se convenceu. Havia algo mais, algo que Taishou não estava dizendo. Um presságio o consumia, uma intuição aguçada que o guiava. Com um gesto, Tanaka chamou dois policiais que estavam à paisana.
Os policiais se aproximaram de Taishou, seus rostos impassíveis. "Venha aqui no carro, senhor Seiji", Tanaka disse, sua voz agora firme e autoritária. "Quero lhe fazer algumas perguntas." Taishou sentiu um aperto no coração. A raiva se misturava com a apreensão, e seus músculos se contraíram. "O que está acontecendo?", ele perguntou, sua voz tensa. "Apenas algumas perguntas", Tanaka repetiu, um sorriso enigmático nos lábios. "Tenho certeza de que você não tem nada a esconder, não é mesmo?" Taishou hesitou por um momento, seus olhos fixos nos dos policiais. Ele sabia que não tinha escolha. "Tudo bem", ele disse, sua voz resignada. "Vamos conversar." Taishou entrou no carro da polícia, cercado por olhares desconfiados. Dentro do veículo, o ar estava denso e carregado de tensão. Tanaka pressionava Taishou com perguntas sobre o ataque dos lobos. "Onde você estava na noite do ataque?", Tanaka perguntou, seus olhos fixos nos de Taishou. "Estava viajando com minha noiva", Taishou respondeu, sua voz fria e sem emoção. "Aonde?", Tanaka insistiu, sua voz se tornando cada vez mais incisiva. "Em Tsukikage", Taishou disse, desviando o olhar.
Tanaka ainda não estava convencido. Havia algo nas respostas de Taishou que o deixava desconfiado. "Você não acha estranho que, por duas vezes, você tenha se envolvido em ataques de lobos?", Tanaka questionou, sua voz carregada de ceticismo. Taishou permaneceu em silêncio, seus músculos tensos e punhos cerrados. "Sabemos que você é um homem forte, senhor Seiji. Li seu histórico escolar. Muitas brigas, não é mesmo?", Tanaka continuou, sua voz agora baixa e confidencial. "Mas até mesmo o homem mais forte pode ser vulnerável a um ataque de lobos. Seu colega de classe, Kenji Takahashi, nos contou que você enfrentou um lobo para protegê-lo." Taishou finalmente olhou para Tanaka, seus olhos cheios de raiva e frustração. "Eu faria qualquer coisa para proteger meus amigos", ele disse, sua voz firme e resoluta. O carro parou em frente à delegacia de polícia. Taishou saiu do carro, seus passos pesados e hesitantes. "Por favor, senhor Seiji", Tanaka disse, colocando a mão em seu ombro. "Venha comigo. Só queremos conversar." Taishou seguiu Tanaka em silêncio, seus pensamentos confusos e seu coração batendo forte no peito.
A sala de interrogatório era pequena e claustrofóbica. As luzes brancas impiedosas iluminavam o rosto de Taishou, que se esforçava para manter a calma. O suor escorria pela sua testa, e seus músculos estavam tensos como cordas de violão. Tanaka, o detetive experiente, sentava-se à sua frente, seus olhos penetrantes fixos nos de Taishou. A atmosfera era densa e carregada de suspense. As perguntas de Tanaka eram incisivas e certeiras, como golpes de espada. Ele questionava Taishou sobre o que sabia a respeito do ataque dos lobos. Taishou tentava se manter firme, mas a cada pergunta, a cada insinuação, a tensão aumentava.
Ele sabia que Tanaka estava desconfiando dele, e que a qualquer momento a situação poderia se tornar ainda mais complicada. Em um dado momento, Tanaka fez a pergunta que Taishou mais temia: "Senhor Seiji, você acredita em lobisomens?" O coração de Taishou disparou. Seus olhos se arregalaram, mas ele tentou disfarçar com uma risada irônica. "Você está ficando louco, Tanaka?", ele disse, sua voz tensa e nervosa. "Lobisomem? Isso é coisa de filme de terror." Tanaka não se intimidou. Ele se inclinou para frente, seus olhos ainda fixos nos de Taishou. "Então, me explique como um jovem como você pode ter tanta força e velocidade", disse ele em um tom baixo e confidencial. "Como você pode explicar o fato de que sempre parece estar no lugar certo na hora errada?" Taishou ficou sem palavras. Ele sabia que Tanaka tinha razão. Ele não era um homem normal. Tinha segredos que ninguém jamais poderia imaginar. Mas não podia revelar a verdade. Não agora. "Eu não tenho nada a ver com esses ataques", ele repetiu, sua voz agora apenas um sussurro. "Sou inocente." Tanaka se levantou e ficou em silêncio por alguns instantes. Olhou para Taishou com uma mistura de pena e decepção. "Senhor Seiji", disse ele, sua voz grave e solene. "Espero que você esteja dizendo a verdade. Porque se não estiver, as consequências serão terríveis." "Hinode é minha cidade querida, eu nasci e cresci aqui, e faria qualquer coisa para protegê-la." Taishou engoliu em seco. Sabia que Tanaka não estava blefando.
Sabia que sua vida estava em jogo. "Não tenho nada a ver com isso", Taishou insistiu, a voz firme. Tanaka não disse nada. Apenas observava Taishou, seus olhos penetrantes buscando a verdade em seu rosto. "Talvez você não tenha nada a ver com isso." O detetive abriu uma gaveta e pegou uma pasta. "Mas quero entender melhor se você conhece alguém que tenha a ver com o caso." Tanaka retirou uma foto de sua pasta e a colocou sobre a mesa, deslizando-a na direção de Taishou. A imagem era de um garoto, com roupas rasgadas e sujas, deitado em uma cama com lençóis brancos. Seu rosto estava pálido e seus olhos fechados, mas havia algo familiar em seus traços. "Você conhece esse garoto, senhor Seiji?", Tanaka perguntou, sua voz baixa e tensa. A respiração de Taishou prendeu-se em sua garganta. Ele fixou seus olhos nos do detetive, uma mistura de medo e esperança tomando conta de seu ser. "Aonde ele está?", Taishou perguntou, a voz rouca e hesitante. Tanaka não respondeu imediatamente. Observava Taishou, seus olhos penetrantes buscando qualquer sinal de emoção em seu rosto. "Oh, então você o conhece?", Tanaka disse, um sorriso enigmático nos lábios. Taishou cerrou os punhos, a raiva crescendo em seu interior. "Aonde ele está?", repetiu, agora com a voz firme e resoluta. "O garoto está bem", Tanaka finalmente respondeu. Tanaka finalmente quebrou o silêncio. "Ele foi encontrado na floresta, desmaiado. O que eu quero saber agora, senhor Seiji, é quem é ele e como o senhor o conhece."
Taishou respirou fundo, controlando a fúria que o consumia. Ele sabia que não podia revelar a verdade, não naquele momento. "Ele é meu irmão mais novo", respondeu, com a voz baixa e controlada. Tanaka ergueu as sobrancelhas, surpreso. "Irmão? Você nunca mencionou ter um irmão." "O mesmo garoto que encontramos inconsciente na noite do festival." "Interessante, senhor Seiji, muito interessante." "Acreditávamos que esse menino estava perdido dos seus pais." "Quando o interrogamos, ele disse que não tinha família, que seus pais estavam mortos há muito tempo." "Estou ansioso para entender por que você escondeu o fato de que o garoto era seu irmão mais novo." O detetive fixou os olhos em Taishou de maneira provocadora. "Ele... ele vivia recluso", Taishou mentiu, improvisando uma desculpa. "Estou tentando socializá-lo aos poucos; ele é autista, detetive."
Tanaka não parecia convencido, mas não fez mais perguntas. Ele guardou a foto de volta na pasta e se levantou. "Obrigado pela sua colaboração, senhor Seiji", disse, com uma voz formal e distante. "Se precisarmos de mais informações, entraremos em contato." Sua voz grave e séria ecoou na sala de interrogatório. Finalmente, Taishou estava liberado, pelo menos por hora. As mãos do detetive escreveram em uma folha de ofício o endereço do hospital. "Aqui está o endereço do hospital onde o garoto está." Taishou observou Tanaka sair da sala, um turbilhão de emoções tomando conta de seu ser: alívio, medo, angústia, esperança... todos os sentimentos se misturavam em uma tempestade interior. As mãos de Taishou tremiam ao pegar a folha de ofício com o endereço do hospital. A tinta ainda estava fresca, e as palavras do detetive Tanaka ressoavam em seus ouvidos: "Se precisarmos de mais informações, entraremos em contato." Ele saiu rapidamente da delegacia, ignorando os olhares curiosos das pessoas ao seu redor. Seus pensamentos eram confusos, um turbilhão de emoções que o consumia. Correu pelas ruas da cidade, seus pés batendo no asfalto com força e determinação.
O hospital era seu único objetivo, o único lugar onde poderia encontrar Caleb e saber se ele estava bem. Ao chegar, Taishou foi direto à recepção. Com voz ansiosa, perguntou pela criança chamada Caleb Seiji. Após apresentar seus documentos, a recepcionista, uma mulher gentil com olhos cansados, informou que o garoto estava no quarto 203. Taishou subiu as escadas correndo, seu coração batendo forte no peito. A cada passo, a esperança se misturava com o medo e a ansiedade com a incerteza. Finalmente, chegou ao quarto 203. A porta estava entreaberta, e ele podia ouvir o som suave da respiração de Caleb. Com cuidado, empurrou a porta e entrou. Caleb estava deitado na cama, com o rosto pálido e alguns ferimentos no corpo. Mas ele estava vivo, e seus olhos se abriram ao ver Taishou. Taishou se aproximou da cama, seus olhos marejados de lágrimas. Ajoelhou-se ao lado de Caleb e o abraçou com força. "Caleb", disse, sua voz embargada pela emoção. "Meu filho, você está bem?" Caleb sorriu fracamente. "Papai", disse, com uma voz baixa e rouca. "Eu sabia que você viria me buscar." Taishou permaneceu em silêncio por alguns minutos, apenas abraçando Caleb e sentindo a felicidade de vê-lo vivo. Ele havia encontrado seu filho, e nada mais importava. Depois de um tempo, Taishou se separou de Caleb e olhou para ele com carinho. "Como você se sente?", perguntou. "Estou cansado", respondeu Caleb. "Mas estou bem."
Com as mãos ainda trêmulas, Taishou pegou o celular, a adrenalina da aventura ainda pulsando em suas veias. Precisava compartilhar a boa notícia com Akane. Discar o número foi um gesto automático, guiado pela urgência do coração. Ao atender, a voz dela transpareceu preocupação e saudade. "Caleb está bem?", perguntou, com a voz embargada pela felicidade. "Sim, ele está bem", confirmou Taishou, um sorriso se formando em seus lábios. "Eu o encontrei e estou levando-o para casa." Akane não conseguiu esconder a emoção; um soluço escapou de seus lábios, seguido por um sussurro quase inaudível: "Te encontro lá." Taishou desligou o telefone e se dirigiu à recepção do hospital. Seus passos eram leves, como se estivesse pisando em nuvens. A burocracia da alta médica foi um mero detalhe, um obstáculo insignificante diante da felicidade que o consumia. Finalmente, Taishou e Caleb estavam livres para ir para casa. A noite já caía sobre a cidade, mas a luz da esperança brilhava forte nos olhos de Taishou. Caminharam em silêncio pelas ruas, cada um perdido em seus próprios pensamentos. A tensão do dia ainda pairava no ar, mas a sensação de alívio era predominante. Ao chegarem em casa, Akane os recebeu com um sorriso radiante. Seus olhos se encheram de lágrimas ao ver Caleb, e ela o abraçou com força. "Meu Deus, Caleb, meu querido, você está bem?", perguntou, apertando suas bochechas como se quisesse ter certeza de que ele era real.
Caleb sorriu, seus olhos também marejados. "Estou bem", disse, sua voz suave e emocionada. Taishou observava a cena com um misto de seriedade e felicidade. A família estava reunida novamente, e a sensação de segurança e aconchego era palpável. A batalha ainda não havia terminado; havia perguntas a serem respondidas e perigos a serem enfrentados. Mas, por enquanto, Taishou se permitia saborear a vitória. A esperança havia vencido, e o amor os havia unido. Em casa, entrelaçados em um abraço caloroso, Taishou, Akane e Caleb se sentiram finalmente satisfeitos. A tempestade havia passado, e a luz do sol voltava a brilhar em suas vidas. "Está com fome, Caleb?", perguntou Akane, com um olhar preocupado de mãe. O garoto fez que sim com o rosto. Animada, Akane decidiu preparar uma refeição para ele.