A sala do restaurador de obras de arte é um refúgio tranquilo e meticuloso, onde o tempo parece desacelerar. A luz natural banha a mesa de trabalho de madeira polida, onde ferramentas precisas e pincéis delicados estão dispostos em perfeita ordem. Cada objeto tem seu lugar designado, refletindo a mente organizada e metódica do restaurador. No centro da sala, uma obra de arte repousa sobre um cavalete robusto, iluminada por uma luz suave e focalizada. Taishou, munido de óculos de aumento e luvas de algodão brancas, examina a peça com minúcia, seus olhos perscrutadores detectando cada rachadura, desbotamento ou mancha que o tempo deixou em sua superfície. Com mãos firmes e precisas, Taishou inicia seu trabalho cuidadoso. Um bisturi afiado remove camadas de sujeira e verniz envelhecido, revelando as cores vibrantes e detalhes intrincados da obra original. Pincéis finos aplicam tintas meticulosamente, restaurando áreas desbotadas e recriando a visão do artista com meticulosa fidelidade. O ar na sala é perfumado com o aroma suave de solventes e vernizes, enquanto Taishou trabalha em silêncio, interrompido apenas pelo som ocasional de um pincel tocando a tela. Cada movimento é preciso e deliberado, guiado por anos de experiência e um profundo respeito pela história e beleza da obra de arte.
Durante o processo de restauração, Taishou não apenas repara os danos físicos da obra, mas também busca recuperar sua essência e significado. Através de um trabalho meticuloso e dedicado, ele devolve à peça sua antiga glória, permitindo que novas gerações apreciem sua beleza e valor cultural. A sala do restaurador é um santuário para a arte, um lugar onde o passado é cuidadosamente preservado para o futuro. É um espaço de quietude e concentração, onde a paixão pela arte se une à expertise e dedicação, dando vida nova a obras que, de outra forma, seriam perdidas para o tempo. Enquanto trabalhava, Taishou sentiu uma pontada de calafrio percorrer seu corpo. Uma leve tontura o dominou, e ele se apoiou na mesa, fechando os olhos por um breve instante. A sensação logo passou, e ele retomou seu trabalho, atribuindo o mal-estar à fadiga e ao calor intenso do verão. Mas, à medida que o dia avançava, os sintomas de Taishou se agravaram. Uma tosse seca e persistente começou a incomodá-lo, e seu rosto se avermelhou com o calor. Ele tentava ignorar o mal-estar, concentrando-se em sua tarefa, mas a cada movimento, a fraqueza o dominava. Finalmente, incapaz de continuar, Taishou se afastou da mesa e se sentou em uma cadeira. O quarto girava em torno dele, e a náusea o dominava. Ele fechou os olhos novamente, sentindo a febre subir em seu corpo. O aroma da tinta fresca e da madeira envelhecida da obra de arte, misturado ao calor intenso do verão, despertou em Taishou um desejo voraz. Sua boca se entreabriu involuntariamente, e ele sentiu as presas afiadas latejando em suas gengivas. A vontade de sugar sangue era quase irresistível. Taishou apertou os punhos com força, tentando conter a urgência que o dominava. Ele sabia que ceder à sua sede significaria colocar em risco a vida da pessoa que estava restaurando. Mas a tentação era forte, e cada movimento da mão sobre a obra de arte parecia amplificar o desejo em seu interior. Sem pensar duas vezes, Taishou pegou o celular e escreveu uma mensagem para Kenji. As palavras fluíam com urgência, revelando a angústia que o consumia.
“Hey, preciso encontrar você depois do trabalho.” Taishou enviou a mensagem. Não demorou para que o celular vibrasse; Kenji respondeu. “Ei, esquisitão, qual a urgência?” Taishou sorriu ao ver o amigo responder tão rapidamente: “Quando você sai do trabalho hoje? Preciso conversar, pode ser? Mas é algo que preciso falar pessoalmente.” A mensagem de Kenji brilhou na tela: “Eu devo ficar no batalhão até tarde hoje, só devo sair por volta das 18:30, qual o problema? Não dormiu bem à noite?” Taishou respirou fundo e começou a digitar sua angústia: “Não, não dormi. Estou ansioso aqui. Tremendo e com uma puta dor de cabeça. Vamos nos encontrar na sua casa, então? Preciso de um lugar tranquilo para conversar.” Kenji respondeu: “Com a quantidade absurda de tequila que bebemos ontem, não me surpreende que hoje você esteja com uma puta ressaca.” Taishou riu, mas logo seu semblante ficou sério: “Não é só ressaca. É algo… pior. Eu te conto quando for de noite.” Kenji finalizou: “Ok. Até à noite.” Taishou desligou o celular e o guardou no bolso, a ansiedade tomou conta dele. O encontro com Kenji era crucial, uma oportunidade para desabafar e confessar seus atos. O dia de trabalho havia sido tedioso e arrastado, cada minuto se estendendo como uma tortura. A cada pensamento, a mordida em Kenji voltava à sua mente; o suor frio brotava em sua testa e o desejo se intensificava. Ele precisava se livrar desse peso, mesmo que isso significasse enfrentar a fúria de seu amigo.
Já eram 18h quando Taishou entrou no carro, dirigindo em direção à casa de Kenji. A cada quilômetro percorrido, a tensão aumentava. Ele sabia que a conversa seria difícil, mas era o único caminho para seguir em frente. Ao chegar, Taishou bateu na porta com força; a espera parecia uma eternidade. Finalmente, Kenji abriu a porta, vestindo o uniforme de Tenente, recém-chegado do trabalho. Taishou entrou precipitadamente, sentando-se no sofá com um ar perturbado. Kenji acendeu um cigarro enquanto tirava a blusa do uniforme, observando o amigo com um olhar inquisitivo. "O que foi, cara? Você está tremendo. O que houve?" Taishou respirou fundo, a voz tremida e carregada de culpa. "Preciso conversar sobre o que aconteceu ontem à noite." Kenji soltou a fumaça do cigarro, a expressão séria no rosto. "Do papo de você ter me mordido ontem?" Taishou assentiu com a cabeça, a voz baixa e hesitante. "É isso... Eu quero... eu preciso fazer isso de novo! Agora!" A declaração de Taishou pegou Kenji de surpresa. Ele franziu a testa, confuso e incrédulo. "Como assim precisa agora? Você não precisava do sangue só três vezes na semana?"
Taishou se levantou do sofá, agitado e com o corpo tremendo. "Eu sei, mas estou com o corpo tremendo o dia todo; eu preciso de sangue. Minha besta interior está inquieta."
Kenji o observou com preocupação, percebendo a urgência em seus olhos. Ele sabia que Taishou estava passando por algo sério, algo que ia além de um simples desejo por sangue. "Calma, Taishou. Vamos conversar sobre isso. Senta aí no sofá," Kenji disse, apagando o cigarro no cinzeiro. Sentou-se ao lado do amigo, tentando acalmá-lo. Ele sabia que precisava entender o que estava acontecendo com Taishou, ajudá-lo a lidar com essa "besta interior" que o atormentava. A angústia de Taishou era evidente. Sua voz tremia, o corpo todo tomado por calafrios. A "besta interna", como ele a chamava, rugia dentro dele, exigindo sangue com uma urgência incontrolável. "Eu sei que combinamos três vezes por semana," ele implorou, "mas minha besta está gritando por sangue o dia inteiro! Eu não consegui trabalhar direito!" Kenji, ainda sentindo a dor da mordida da noite anterior, massageou a perna machucada com desgosto. "Minha perna ainda está doendo," ele reclamou. "Eu manquei no batalhão feito um idiota o dia todo!" A frustração era mútua. Kenji se ressentia da dor e da humilhação, enquanto Taishou lutava contra a compulsão que o consumia. Kenji continuou: "Eu estava pensando em marcar para segunda, quarta e sexta," sugeriu, tentando encontrar um meio-termo.
Taishou balançou a cabeça com veemência. "Não dá! Eu não aguento esperar! Meu corpo está gritando por sangue! Eu preciso agora!" Kenji suspirou, rendendo-se à urgência da situação. "Tudo bem, tudo bem, se acalma. Você está parecendo um viciado." Taishou, consciente de seu estado, apenas concordou com a cabeça. "É quase isso," ele admitiu, a voz carregada de desespero. "Meu lobo interno quer sangue... precisa de sangue..." “Manda seu cachorrinho interno sentar e esperar enquanto eu preparo um lanche.” Taishou o seguiu, observando Kenji preparar um sanduíche, a impaciência crescendo a cada movimento. A fome por sangue dominava sua mente, ofuscando qualquer outro pensamento. “Quer algo para comer?” Kenji ofereceu, ainda cortando o pão. Taishou recusou com um aceno de cabeça. “Não... não estou com fome... disso...” Kenji terminou de montar o sanduíche e pegou uma lata de refrigerante da geladeira. Com o lanche nas mãos, ele retornou à sala, Taishou sempre a seu encalço. Sentados no sofá, Kenji começou a comer enquanto Taishou o observava, cada mordida e cada gole aumentando sua agonia. “Não quero que você morda minha perna de novo,” Kenji avisou, lembrando-se da dor da noite anterior. Desesperado, Taishou buscou uma alternativa. “Então eu faço em outro lugar! Qualquer um! Mas, por favor, de alguma maneira, de algum jeito! Eu preciso disso AGORA!”
Kenji bebeu um gole de refrigerante e olhou para o amigo com uma mistura de medo e compaixão. A situação era crítica, e ele sabia que precisava fazer algo para ajudar Taishou a controlar a "besta interna" que o atormentava. Ele largou o sanduíche na mesinha de centro, deu um último gole no refrigerante e pousou a lata na mesa. Virou-se de costas. “Pode ser no ombro?” ele perguntou. “No braço não dá, eu preciso dele para trabalhar.” Taishou respondeu imediatamente, sentando-se atrás dele. “Tá... ok, no ombro é uma boa. Eu preciso fazer isso agora, tudo bem, né?” Ele arfou, sua urgência era palpável. Estava suando frio. “Não vai se apaixonar pelo meu corpo, hein?” Kenji brincou. “Vai se foder, Kenji, isso não tem graça!” Taishou respondeu, irritado. Kenji apenas riu e completou: “Faz logo essa porra, preciso tomar banho e dormir!” A mordida repentina e inesperada de Taishou pegou Kenji desprevenido. Um grito agudo escapou de seus lábios enquanto ele se virava abruptamente, os olhos arregalados de surpresa e dor. A mordida, feroz e profunda, deixou marcas avermelhadas na pele branca de Kenji, manchando suas costas de sangue. “AHH CARALHO!” Kenji gritou.
“Sinto muito pela sua dor,” Taishou ofegou, “mas só de sentir isso agora, eu já me sinto mais calmo. Mas ainda não é o suficiente!” Taishou mordeu o ombro dele novamente, mais forte agora, sugando o sangue que escorria do ferimento. Kenji se agarrou ao couro do sofá, tentando suportar a dor. Sentia a sensação do amigo sugando seu ombro. “Não me sinto bem, isso é estranho pra caralho,” Kenji reforçou seu descontentamento. Ouvir isso apenas intensificou o desejo de Taishou de continuar. Ele mordeu de novo, desta vez abrindo uma ferida ainda maior, sugando o máximo de sangue possível. Os gritos de Kenji ecoavam pela casa. “AHHHH!! CARALHO, TAISHOU!” A reação de Kenji despertou algo dentro de Taishou; o grito dele soou como o de uma “presa” de verdade, ativando um instinto primitivo. Ele não conseguia controlar o desejo de sugar mais sangue e, mesmo sabendo que deveria parar, continuou. Kenji ficou paralisado, tremendo de dor, enquanto Taishou sugava bem mais do que 100 ml, deixando-o um pouco tonto.
Os pensamentos de Taishou estavam emaranhados. Sabia que já tinha ultrapassado os 100 ml combinados, mas a besta dentro dele gritava por mais. Ele continuou, indo além do limite, até que, quando finalmente se sentiu satisfeito, soltou Kenji, que reclamou da situação, com as mãos na cabeça e a visão embaçada. “Essa porra não foi nada legal…” ele murmurou. Quando Kenji olhou para Taishou, viu seus olhos brilhando com um vermelho carmim intenso e suas presas estavam mais longas, projetadas para fora de sua boca. Ele falou com ironia: “Pelo jeito, está funcionando; você está voltando a ter suas características bestiais.” Taishou ficou surpreso ao ouvir isso. Conseguia sentir suas presas, seus lábios esticando-se levemente, sua língua áspera balançando para fora. Ele soltou um pequeno som, parecido com um urro satisfeito. Sorriu, um sorriso macabro com a boca suja de sangue. Kenji parecia irritado. “Ainda não entendo por que você quer tanto isso.” Ele se levantou frustrado e um pouco tonto, indo até o banheiro atrás de um algodão para estancar o ferimento nas costas. Taishou se sentiu culpado, acreditando que tinha ido longe demais, mas disse a si mesmo que não importava agora, já tinha acontecido, e ele tinha que fazer o possível para ajudar o amigo a se recuperar. Sua ansiedade estava bem mais controlada agora. Seu corpo parecia em paz. Ele caminhou até o banheiro e ajudou Kenji a limpar a ferida do ombro. Ele ainda murmurava de dor, inclinado na pia, encarando seu reflexo, tremendo. “Dessa vez, foi bem pior… Você sugou bem mais sangue de mim!” Kenji disse, aflito e irritado.
Taishou encarou o amigo com um olhar preocupado. “Eu sei… eu sei, mas… eu… eu não consigo explicar por que eu fiz isso. Só sei que… eu senti uma vontade muito forte… como se fosse um apelo instintivo. E por causa disso, eu… eu não consegui me controlar direito… Desculpa, cara, não foi minha intenção.” Taishou disse nervoso, enquanto tentava estancar o ferimento do ombro do amigo. “Você não vai voltar a fazer essa merda comigo até sexta-feira,” Kenji disse, irritado, olhando nos olhos vermelhos de Taishou pelo reflexo do espelho. “Eu sei, eu sei… Desculpa por hoje. Só que… eu não consegui resistir. Foi só isso. Mas eu juro que daqui até sexta-feira, eu vou controlar isso.” Taishou parecia envergonhado, tentando evitar o olhar do amigo. Kenji apenas resmungou em resposta: “Eu duvido.” Ele se inclinou para lavar o rosto suado na pia. A água gelada em seu rosto foi como um presente dos deuses. Taishou tentou distrair o amigo com um assunto que ambos gostavam: “Não seja frouxo, eu vou comprar para você aquele jogo de doze mil ienes.” Kenji não conseguiu evitar um sorriso irônico, brincando com a situação: “Estou me sentindo uma putinha aqui.”
“Cala a boca,” Taishou se irritou. “Você não vai ficar falando essas coisas esquisitas para mim, caralho. Só aceita e pronto. Não vai ficar chamando a atenção por causa disso. É só uma mordida nas costas, não é nada demais.” Taishou parecia constrangido e irritado. Kenji continuou brincando: “Eu sei disso, mas ainda é estranho outro cara me chupando. Mesmo que isso não seja um contexto sexual, e só piora mil vezes quando você me lembra que estou recebendo dinheiro por isso.” “Não, para com essa porra de ficar me chamando de macho, porra.” Taishou interrompeu, cerrando os olhos, claramente irritado. “Eu sou só seu amigo, e é só isso. Eu sei que o que estamos fazendo é estranho, mas para de viajar… e eu quero te pagar de alguma forma, porque você está sendo uma grande ajuda para mim… isso é tudo, ok?” Kenji não conseguiu segurar o riso, soltando uma gargalhada nervosa pela insegurança do amigo. “Eu sei que você gostou, Taishou. Não precisa mentir; você estava me chupando com muita vontade hoje.” Agora Taishou parecia verdadeiramente irritado, afastando-se de Kenji e começando a gritar: “Não! Deixa essa porra para lá! Eu tinha vontade de sugar seu sangue, caralho! E só! É só isso! Não fica imaginando que eu fiz algo romanticamente com você, porra! É só seu sangue que eu queria!”
Kenji começou a rir da explosão repentina do amigo. “Calma, cara, não precisa ficar puto!” O olhar de Taishou se tornava mais irritado a cada minuto que passava. Ele ficou em silêncio, tentando não parecer mais puto do que já estava. “Puta que pariu, se você acha que eu fui atrás do seu sangue porque eu tinha vontade de comer você, você está errado…” Kenji continuou com a expressão de brincadeira e fez uma voz zombeteira: “Assim você me ofende, TaiTai, eu sou muito bonito!” Taishou sentiu sua face queimar de raiva, enquanto ele terminava o curativo das costas de Kenji, seu amigo pegou o telefone e começou a pesquisar algum jogo para comprar. Ele mostra para Taishou na tela do celular: “Eu quero o jogo novo do Battlefield 2042 do PS5.” “Tá… tá… eu prometo que compro esse jogo para você.” Taishou suspirou, tentando ignorar as coisas estranhas que Kenji estava falando. “Mas… espera aí.” Ele parou um momento para prestar atenção no jogo. “Você realmente quer um jogo do Battlefield? Sério?” Kenji levantou uma sobrancelha, confuso. “Sim, por que não? É um jogo de tiro que eu curto.” Taishou continuou explicando: “E que… bom… se eu não me engano, os outros jogos da saga Battlefield não estavam sendo bem avaliados pelos jogadores por conta das microtransações, além de algumas outras coisas que os jogadores consideravam mais negativas do que positivas… Não sei se você está sabendo disso. Isso é com você, só que tem jogos melhores que você pode me pedir…”
Irritado com a longa e chata explicação do amigo, Kenji retrucou: “Além de Sommelier de sangue, virou crítico de jogos agora? O que você entende de jogos?” Taishou, parecendo ofendido, respondeu: “Caralho, cara… agora você está falando da minha profissão com desdém. Só para você saber, eu sou sim um crítico de jogos de alta linha. Me dá um pouco de respeito!” Os dois continuaram a conversa descontraída no banheiro, quase esquecendo completamente da dor e da conversa errada sobre a mordida. Taishou insistiu em convencer Kenji a considerar melhores jogos para comprar, sugerindo títulos como Rocket League, Dead by Daylight, Rainbow Six Siege, Call of Duty, Fortnite, entre outros. No final, Kenji se irritou e declarou que queria todos. Taishou arregalou os olhos, surpreso: “Todos? Você não acha que está sendo um pouco overkill?” Kenji sorriu divertido. “Meu sangue custa caro.”
Logo, Kenji e Taishou se encontraram imersos em uma conversa repleta de tópicos aleatórios. Após retornar à sala, Kenji retomou seu sanduíche enquanto Taishou se acomodou ao seu lado, desfrutando da companhia do amigo. “Você tem certeza que não quer comer?” Kenji perguntou novamente. Com a mente mais clara, Taishou aceitou a oferta de um lanche. Em meio a risadas e histórias, Kenji se levantou para preparar algumas batatas fritas na Airfryer. Na cozinha, a conversa fluiu naturalmente até que um tema sensível ressurgiu. “Você já falou com a Akane sobre tudo isso?” Kenji questionou Taishou, seu tom sério trazendo um desconforto visível ao rosto do amigo.
“Não, eu não falei, e nem sei como começar essa conversa! Eu tenho medo do que ela vai dizer ou sentir,” Taishou confessou, expressando sua frustração por não ter coragem para se abrir. “Até o Caleb percebeu que eu não estou bem, mas a Akane não…” Ele revelou que até seu filho havia notado algo errado, enquanto Akane permanecia alheia à situação. “Ela confia tanto em mim que chega a doer.” Taishou baixou a cabeça, frustrado. “Uma aberração reconhece a outra.” A conversa tomou um rumo amargo quando Kenji brincou, chamando Taishou e seu filho de aberração. “Não me chame de aberração, eu sou muito inteligente para ser uma aberração!” Taishou se incomodou com a ofensa. Mas Kenji não parou. “Que tal, esquisitão, então?” Ele sugeriu outra ofensa. “Não, caramba! Por que você fica me chamando assim?” Taishou retrucou. Kenji justificou a ação imediatamente: “Para manter viva a nossa rivalidade de quando tínhamos dezesseis anos. Não parei antes, e não vou parar agora!” Ele pegou um prato limpo e colocou um papel toalha sobre ele, continuando a falar com Taishou sem olhar diretamente em seus olhos. “E pode ir se acostumando, só vai piorar agora que você decidiu voltar a ser um lobisomem!” Taishou suspirou derrotado. “Tá bom, tá bom! Mas você não acha que está na hora de deixar nossa rivalidade de lado? Já se passaram quase dez anos, cara. Eu tento deixar isso para trás todos os dias. E você pode, por favor, não voltar a esse assunto? Nem tudo precisa ser sobre a minha bestialidade.” Kenji, mantendo o espírito de rivalidade dos tempos de adolescência, provocou Taishou sobre sua decisão de voltar a ser um lobisomem. “Eu não tenho culpa se você está regredindo.”
Taishou, buscando ser sério, sugeriu que talvez fosse hora de deixar a rivalidade para trás, mas Kenji não estava pronto para esquecer. Ele continuou a justificar seus atos: “Eu odiava você há dez anos atrás. Hoje somos melhores amigos, é um grande avanço.” Ele relembrou a antipatia que sentia por Taishou, contrastando com a amizade que tinham agora. “Sim, você está certo. Mas o que aconteceu no passado, está no passado, certo? Não tem como eu voltar atrás e arrumar todas as merdas que eu fiz por causa da minha bestialidade.” A conversa se aprofundou quando Taishou refletiu sobre o passado e suas ações impulsionadas pela bestialidade. “Não, isso é impossível mesmo!” Kenji parou de mexer na cozinha e encarou seu amigo com raiva. “Mas, porra, me ofende que você queira voltar a ser um lobisomem mesmo depois da morte do meu padrasto! Você usou o sangue dele para virar alfa e curar sua licantropia, e aqui estamos nós, com você usando MEU SANGUE pra ter a droga da licantropia de volta.” Kenji voltou sua atenção para as batatas, desligou a air fryer e despejou tudo no prato com violência. “Pronto, falei! Estou mais leve agora. Parece que meu pai morreu em vão!” Taishou ficou pálido. “Você... ainda pensa no Demétrio?”
Com a menção de Demétrio, o padrasto de Kenji, a atmosfera ficou pesada. Taishou, com uma expressão de surpresa e remorso, questionou se Kenji ainda pensava nele. O clima na cozinha se tornou ainda mais denso. A alegria da conversa anterior se dissolveu, substituída por uma tensão palpável. Kenji, com o rosto carregado de ressentimento, olhava para Taishou com ferocidade nos olhos verdes. “Claro que eu ainda me lembro dele, Taishou, ele era meu pai! E por mais que nós dois tenhamos tomado a decisão de matá-lo, isso não significa que eu ainda não me sinta assombrado por ele. Às vezes, até escuto sua voz de madrugada falando que eu sou um filho da puta!” O rosto de Taishou ficou vazio; seus olhos pareciam mais sérios, e seus lábios se fecharam de maneira tensa. “Porra, eu não sabia que isso ainda afetava você tanto…” Ele admitiu em voz baixa. Ele sabia que Kenji estava magoado e que suas palavras e ações do passado lhe haviam causado dor. Mas ele também não sabia como se defender. A verdade era que sentia saudades de sua antiga vida, da liberdade e da força que a licantropia lhe proporcionava. Ele só queria tudo aquilo de volta e não desejava machucar ninguém. "Kenji, eu... eu não estou tentando tomar o lugar do Demétrio. Eu não quero ser um alfa para matar ou ferir pessoas, eu só quero minha paz de volta. Eu sei que… você… sofreu muito também e…” Taishou começou, mas as palavras falharam em sair. Ele não sabia como explicar seus sentimentos sem soar egoísta ou insensível.
Kenji o interrompeu, sua voz baixa e rouca de emoção. "Você não precisa se explicar, Taishou," ele disse. "Eu sei o que você sente. Você quer ser um lobisomem de novo, mesmo que isso signifique machucar a todos ao seu redor. É uma decisão burra, e lamento muito por você estar tomando ela.” Taishou abaixou a cabeça, incapaz de suportar o olhar penetrante de Kenji. Ele se sentia culpado, envergonhado por seus desejos. "Eu não quero machucar você, nem ninguém, Kenji," ele murmurou. "Eu só... eu preciso disso." Kenji suspirou, seus ombros caindo em derrota. “Só me prometa que eu não vou ter que enfiar uma bala de prata na sua cara se você sair do controle… Eu sei que você foi um lobisomem durante dois mil anos e que você sente falta disso, mas… só me prometa que você não vai machucar a Akane… nem devorar ninguém que eu amo…” Ele sabia que não poderia mudar a mente de Taishou; seu amigo estava decidido a seguir seu próprio caminho. As mãos de Taishou começaram a tremer, e ele sentia uma vontade angustiante de chorar e rir ao mesmo tempo. “Eu... eu não vou machucar ninguém…” Ele engoliu seco, sua emoção oscilando como uma montanha-russa. “Mas… eu posso eventualmente perder o controle… e… e… talvez eu precise mesmo que você atire na minha cara.”
Kenji tentou aliviar o clima tenso com uma piada idiota, mas só piorou a situação. “Não vai machucar ninguém, porque quando Akane descobrir a verdade, ela mesma vai te matar.” Taishou ficou em silêncio, tremendo ainda mais. O desespero começou a tomar conta dele, e ele virou-se de costas para Kenji, gritando: “Foda-se essa merda! Eu não vou falar nada pra ela! Pior, eu vou esconder tudo! Eu vou conseguir controlar isso... eu... eu vou conseguir controlar tudo!” Ele parecia em negação. Kenji se irritou novamente. “Estou te ajudando nessa porra! Ser amigo não significa que eu concordo.” Os olhos de Taishou se tornaram vazios, e sua expressão se encheu de desânimo. Ele ficou quieto por alguns instantes antes de falar novamente: “Então, por que você ainda está me ajudando? Quando você acha que estou cometendo o pior erro da minha vida?” Kenji respondeu ríspido, sem emoção: “Porque somos amigos, óbvio.” Taishou não parecia satisfeito com a resposta. “Não, cara, isso não é óbvio! Eu tenho um poder que posso usar pra machucar ou matar qualquer um que eu quiser! Você não tem medo de mim?” Kenji olhou firme para Taishou. “Por que eu deveria ter medo de você? Você planeja me machucar?” “Não, cara! Não! E se eu perder o controle? E se eu ficar instável e machucar alguém que eu amo?” Taishou disse, sua voz amarga, aflito. Kenji respondeu de forma seca, exausto com a conversa: “Isso deveria ter passado pela sua cabeça quando você teve a estúpida ideia de voltar com a maldição!”
Kenji se afastou com o prato de batatas fritas na mão, deixando Taishou na cozinha, refletindo sobre tudo. Logo, Kenji seguiu seu amigo até a sala e continuou a discussão. “Sim, sim, eu deveria! Mas agora não posso voltar atrás!” “Claro que dá! Sempre dá pra voltar atrás! É só você parar de chupar a porra do meu sangue! Eventualmente, a besta vai desaparecer de novo, não é?” Kenji disse, irritado. Taishou retrucou: “Não sei, talvez! Não sei se a besta vai ficar mais fraca, ou se eu vou enlouquecer e atacar alguém, ou mesmo se eu vou ficar fraco e morrer! Não dá pra saber!” Kenji suspirou, revirando os olhos. “Você fala como se fosse um zumbi ou um vampiro, que precisa urgentemente se alimentar de sangue ou carne pra sobreviver!” Taishou refletiu sobre o que Kenji disse e respondeu com convicção: “Não sei explicar direito, mas a besta precisa de sangue pra sobreviver. É basicamente como um vampiro. Por que você acha que eu tô pedindo seu sangue?” “Porque você é um idiota!” Kenji se irritou. “Você estava muito bem há três dias, antes de colocar essa merda na cabeça e me arrastar pra isso! Você estava livre da licantropia, mas agora, finalmente parou pra pensar nas consequências dessa merda voltar?” Ele parecia ofegante, extremamente irritado. “Eu não posso esquecer quem eu sou! Você não entende que parte de mim é um lobo? Posso tentar esquecer a besta, mas ela sempre vai estar lá! Mesmo quando estava livre da licantropia, a besta sempre esteve lá! Me atormentando, esperando a oportunidade de eu fazer alguma merda! Não estou tentando defender ou justificar minhas decisões estúpidas! Só quero que você entenda que nem tudo é tão simples como parece!”
Kenji finalmente respondeu, cerrando os punhos: “Então, meu pai morreu em vão? A cura da licantropia era uma mentira?” “Não é isso!” Taishou tentou se explicar. “A poção fez o que tinha que fazer, mas nem tudo da licantropia se foi! Ela sempre esteve dentro de mim, trancada, bem no fundo do meu coração. Mas ela estava lá! Quero a licantropia de volta! É uma decisão estúpida? Sim! Eu sei que é! Mas meu lado lobisomem quer muito isso! Mesmo que meu lado humano grite dizendo que estou sendo irracional!” Kenji suspirou e deu de ombros. “Eu desisto de colocar juízo na sua cabeça! Mas você não pode esconder isso da Akane! Ela precisa saber!” Ele disse, sentando no sofá e comendo batatas. Taishou começou a tremer. “Cara, eu sou bem mais medroso do que pareço! Tô com um medo do caralho de falar pra ela!” Kenji riu, achando divertido que alguém como Taishou estivesse com medo. “Você? Com medo? Um cara de quase dois metros de altura, que vira uma coisa peluda de quase três metros?” Taishou respondeu: “Sim! Tô com medo dela! Não porque eu acho que ela vai me bater ou me matar, mas sim porque sei que ela não vai me perdoar!” Kenji suspirou novamente, levando mais uma batata à boca. “E você tira a razão dela? Se você quiser continuar com essa merda, tudo bem. Se quiser ajuda pra parar, tudo bem também! Vou te ajudar em qualquer decisão que você tomar! Só preciso que você decida de uma vez o que quer!”
Taishou desistiu de discutir e finalmente concordou com o amigo. “Tudo bem, tudo bem! Eu vou conversar com ela, vou falar a verdade, e mesmo que isso acabe com meu casamento, eu vou falar tudo! Posso contar com seu apoio?” Kenji, tentando quebrar o drama da situação, brincou: “Claro, cara! Você pode contar comigo pra tudo e qualquer merda que vier! Bom, exceto me pedir pra comer você, daí isso já é demais!” Taishou riu da piada do amigo. “Você é um idiota, sabe disso? Mas muito obrigado, de verdade. Vou pra casa agora, preciso conversar com ela. E se tudo der errado essa noite, e ela me expulsar de casa, ou não quiser mais me amar, posso contar com sua ajuda?” Kenji confirmou. “Você tem meu número e sabe onde eu moro. Você sempre pode dormir no meu sofá se a merda toda acontecer e você for expulso de casa!” Kenji começou a gargalhar. Taishou também riu, mesmo que nervoso. Ele estava grato pela lealdade do amigo. “Sim, eu vou indo agora. Agradeço imensamente por tudo que você tem feito por mim, você é um grande amigo.” Taishou se despediu de Kenji com um aperto de mão firme e um sorriso cortês, mascarando a inquietação que o consumia por dentro. A conversa com o amigo o deixou ainda mais reflexivo sobre sua situação, e a cada passo em direção ao carro, a necessidade de conversar com sua esposa o assombrava. Ao entrar no veículo, ele ajustou o retrovisor, certificando-se de que sua aparência impecável não revelava sinais de sua luta interna. A viagem de volta para casa foi um turbilhão de pensamentos e emoções. Ao chegar, Taishou estacionou o carro na garagem e entrou com passos pesados. O silêncio da casa era opressor, e a única luz vinha da cozinha, onde Caleb estava sentado à mesa, comendo cereal e completamente absorto no mundo virtual em seu celular.
"Caleb," Taishou o chamou com a voz rouca. O menino ergueu a cabeça por um instante, seus olhos vidrados na tela, antes de voltar a se concentrar no chat. "Caleb," Taishou repetiu, mais firmemente desta vez. Caleb finalmente olhou, com expressão entediada. "O que é, papai?" perguntou ele, desdenhoso, sem tirar os olhos do celular. Taishou sentiu uma onda de raiva subir em seu peito. Como Caleb podia ser tão indiferente à sua presença? Como ele podia ignorá-lo completamente enquanto lutava contra seus próprios demônios internos? "Caleb, desliga esse celular agora mesmo," Taishou ordenou, a emoção tornando sua voz ríspida. Caleb encarou-o com desafio. "Por que?" perguntou, arrogante. "Porque eu preciso conversar com você," Taishou respondeu, tentando controlar sua ira. Caleb revirou os olhos e suspirou, como se estivesse cedendo a um grande fardo. Ele desligou o celular e o jogou sobre a mesa com estrondo. "O que você quer?" ele perguntou, cruzando os braços e encarando o pai com desdém. Taishou se sentou à frente de Caleb, respirando fundo para tentar se acalmar. "Caleb," começou ele, "eu preciso te falar sobre algo importante." Caleb arqueou as sobrancelhas, sua expressão marcada pela indiferença. "O que foi?" perguntou, impaciente.
Taishou hesitou, buscando as palavras adequadas. "Caleb," finalmente disse, "eu... estou tomando o sangue do Kenji para despertar a besta que há em mim novamente!" Um riso sem humor escapou dos lábios de Caleb. "Você tá fazendo O QUÊ?" ele exclamou, o sarcasmo evidente. "Você sabe que a mamãe vai te matar, certo?" Taishou ignorou a provocação. "Eu sei, eu sei. Estou com muito medo disso também." As palavras saíram como um sussurro, mas seu impacto foi imediato. Caleb arregalou os olhos, a boca aberta em um círculo de incredulidade. Olhou para o pai, uma mistura de medo e surpresa em seu olhar. "Por que você quer a besta de volta, papai? A mamãe se esforçou tanto para fazer aquela poção e nos curar da licantropia!" Sua voz tremia. Taishou respirou fundo, decidindo revelar sua verdadeira natureza. “Eu sei que a mamãe vai ficar brava, mas não quero esconder isso de vocês. Só quero sentir que sou eu mesmo de novo, por mais errado que isso possa parecer.” Caleb ouviu em silêncio, os olhos arregalados de espanto. “E funcionou?” perguntou, a curiosidade evidente. “Beber o sangue do Kenji? Funcionou?” Um silêncio pesado caiu sobre a cozinha. Taishou olhou para o filho e confirmou: “Sim, funcionou. A besta está de volta.” Caleb olhou para o pai, incrédulo. “E só precisou de um pouco de sangue? É sério isso? Que decepcionante… Então nunca existiu uma cura de verdade.”
Os olhos de Taishou estavam pesados de culpa. “Não, nunca existiu uma cura de fato. Bastou eu beber um pouco de sangue humano e a besta voltou.” “Então, se eu beber o sangue de um humano, eu também…?” Caleb hesitou, a voz ainda tremendo. Taishou assentiu. "Sim, provavelmente sua besta também retornará. Mas eu não quero que você faça isso. Ouça seu velho pai: não vale a pena!" Caleb o encarou, processando a informação. Após um longo momento, levantou-se da mesa e abraçou o pai com força. “Eu não quero reativar a besta dentro de mim. Quero ficar com a Yuki, quero namorar com ela e ser feliz! Não posso ter uma besta me atrapalhando! Quando eu a tinha, era instável o tempo todo! Eu poderia machucar todos que amo… e não sinto falta disso!” Taishou apertou o filho em seus braços, emocionado com suas palavras. “Você é mais sábio que o idiota do seu pai, sabia?” Caleb se afastou e olhou firme nos olhos do pai. “Você vai contar para a mamãe agora?” Taishou engoliu em seco. “Sim, eu vou contar. Estou com medo. Especialmente porque sei que ela vai ficar furiosa e vamos discutir muito. Então... quero pedir um favor. Coloque os fones de ouvido com uma música bem alta e vá para seu quarto, tudo bem?” Caleb assentiu. Pegou o celular da mesa e começou a caminhar para o quarto. Antes de ir, virou-se para o pai e disse: “Boa sorte.”