A luz suave da manhã se infiltrava pelas frestas da persiana, banhando o rosto de Akane em um brilho delicado. Ela abriu os olhos lentamente, ainda sonolenta, e se deparou com o corpo adormecido de Taishou ao seu lado. Seus olhos percorriam o contorno de seu rosto, os lábios entreabertos, e um sorriso se formou em seus lábios. Com um movimento cuidadoso, Akane se levantou da cama, cobrindo seu corpo com o lençol fino que escorregava de seus ombros. Seus pés descalços tocaram o chão frio, e ela se arrepiou levemente. Caminhando pela penumbra do quarto, começou a recolher as peças de roupa espalhadas durante a noite de paixão. Na sala, uma garrafa de whisky repousava sobre a mesa, um lembrete silencioso da noite anterior. Akane se serviu de um gole, o líquido quente queimando sua garganta enquanto as memórias da noite passada voltavam à sua mente: a discussão acalorada, as palavras ásperas, a frustração crescendo como uma tempestade. E então, o inesperado: a rendição, a paixão arrebatadora que os consumira, os corpos nus entrelaçados na cama. Akane balançou a cabeça em desaprovação, refletindo sobre como as coisas haviam chegado a esse ponto. Sentia-se confusa, incerta sobre seus sentimentos.
Pegando sua mochila jogada em um canto da sala, tirou o celular do bolso. A tela brilhava com a hora: 5:30 da manhã. Duas mensagens a aguardavam. Uma de sua mãe, desejando que ela se divertisse com responsabilidade. A outra, de sua amiga Sakura, começava com um tom tenso: "Preciso te mostrar uma coisa." O coração de Akane disparou, pensando em Caleb e Yuki. Será que algo de ruim havia acontecido? Mas logo seu coração se derreteu ao ver a imagem que Sakura enviara. Não demorou muito para que Taishou aparecesse na sala, esfregando os olhos para espantar o sono. Ele usava apenas sua cueca boxer branca, e a visão de seu corpo musculoso fez o coração de Akane bater mais forte.
"O que foi?" ele perguntou, a voz rouca pelo sono, ao ver Akane tão concentrada em seu celular. "Sakura mandou algumas mensagens," disse ela, enquanto rolava a tela, analisando as fotos. Taishou, preocupado, caminhou rapidamente em sua direção. "O que Caleb fez?" Akane mostrou a foto, e Taishou se surpreendeu com o que viu. Seu filho Caleb e a pequena Yuki estavam deitados em uma cabana improvisada com lençóis e cadeiras, parecendo tranquilos, adormecidos em um mundo particular. Taishou ficou surpreso com a imagem, e Akane não pôde deixar de abrir um sorriso. A tensão no ar se dissipava, substituída por uma sensação de ternura e esperança. As crianças, com sua inocência e pureza, mostraram aos adultos que a vida pode ser simples e bonita e que, mesmo após as tempestades, sempre há um novo dia a nascer. Akane voltou para o quarto e pediu a Taishou uma toalha para tomar banho. Ele procurou em seu armário e encontrou uma toalha limpa. Enquanto a esperava, Akane encarou a cama, marcada com vestígios de sangue, prova de sua virgindade rompida na noite de amor. Taishou entregou a toalha, dizendo que iria limpar tudo e que ela não precisava se preocupar com isso. Akane sorriu para ele e se dirigiu ao banheiro. A água quente tocou sua pele enquanto ela lavava o corpo de suas preocupações. A porta se abriu lentamente depois de algum tempo, e ela viu Taishou entrando. Sentiu-se um pouco tímida com sua presença. "Posso me juntar a você?" ele perguntou, sua voz baixa e calma. Akane hesitou por um momento, mas logo consentiu, fazendo sinal positivo com a cabeça. Taishou se juntou a ela no banho, esfregando suas costas e criando espuma. Os dois aproveitaram para trocar carícias e beijos apaixonados. Enquanto lavava as costas de Akane, uma pergunta amarga escapuliu de seus lábios: "O que fizemos ontem, foi um sexo de despedida?" Taishou pensou com cuidado nas palavras de Akane, esfregando seu pescoço com ternura. Ele não respondeu, pois ainda não tinha certeza do que dizer. Akane continuou: "Você poderia tentar; Caleb está tentando."
Taishou virou Akane para encará-la. O ar quente do chuveiro embaçava os vidros do banheiro. "Eu não vou desistir de você tão fácil. Demorei 700 anos para encontrá-la de novo. E não vou deixar você escapar das minhas mãos assim." Akane suspirou, lembrando-se de que não era Catarine Sastre. Embora dúvidas sobre algum grau de parentesco entre as duas mulheres começassem a surgir em seu coração, os dois terminaram o banho em silêncio. Akane foi a primeira a sair do banheiro, envolta em uma nuvem de vapor, com os cabelos ainda gotejando. Ela se vestiu rapidamente, preparando-se mentalmente para as longas horas de provas que a aguardavam. Taishou, por outro lado, demorou-se um pouco mais no chuveiro, perdido em pensamentos. Ele sabia que o dia seria desafiador, não apenas para o corpo, mas também para o coração. Aquela noite era de lua cheia.
Taishou finalmente saiu do banho e se vestiu. Ele avisou Akane para esperar um momento, pois iria buscar Caleb e logo retornaria. Akane concordou, pedindo para que ele não demorasse, já que aquele era um dia importante de provas. Ele se despediu com um beijo e saiu de casa. Não demorou muito para que os pensamentos de Akane começassem a invadir seu coração. Ela refletia sobre a situação deles, especialmente o fato de que era noite de lua cheia. Enquanto aguardava pacientemente o retorno de Taishou em seu quarto, sentou-se na cama. Com os lençóis limpos, acariciava a superfície da cama, recordando a noite de amor que haviam compartilhado. De repente, algo chamou sua atenção. Uma sensação estranha emergiu em seu coração, como uma voz ecoando em sua mente. Ela olhou ao redor, acreditando estar ouvindo coisas, mas seu corpo parecia atraí-la em direção ao guarda-roupa de Taishou. Hesitante, pensou que seria indelicado mexer em suas coisas, mas a sensação de ser chamada se tornou mais intensa.
Decidida, levantou-se e caminhou até o guarda-roupa. À medida que se aproximava, a sensação aumentava, guiando-a em busca de algo que nem mesmo sabia o que era. Seus olhos finalmente se fixaram em um pequeno baú, escondido no fundo do armário. Feito de madeira maciça, provavelmente carvalho ou nogueira, suas tábuas grossas apresentavam marcas do tempo, uma textura áspera e irregular, com rachaduras e imperfeições que contavam histórias de séculos. As bordas do baú eram reforçadas com bandas de metal, revelando a habilidade artesanal de seus criadores. A tampa, pesada e robusta, estava presa por dobradiças de ferro e fechada com um cadeado de metal trabalhado, guardando segredos e tesouros acumulados ao longo de gerações. Ao passar a mão sobre o baú, Akane sentiu uma presença forte chamando seu nome. O peso do baú parecia aumentar enquanto ela o arrastava para fora do guarda-roupa, o som da madeira raspando contra o chão ecoando pelo quarto silencioso. Com dedos trêmulos, tocou o cadeado frio, sentindo o metal intrincado sob a ponta dos dedos. O cadeado era robusto e de ferro, e o nome cravado na tampa dizia "Catarine". Um suspiro escapou de seus lábios enquanto seus dedos contornavam o nome. Sozinha no quarto de Taishou, a luz suave da manhã filtrava-se pelas cortinas. O silêncio foi interrompido por uma voz que a fez estremecer: “Akane?” Era Taishou, o homem que ela amava, que havia retornado com Caleb, seu filho. A pequena criança correu para os braços de Akane, e o abraço apertado a surpreendeu. Ela se sentiu aquecida pelo gesto carinhoso do garoto. “Se divertiu na casa da Yuki, Caleb?” Akane perguntou, acariciando os cabelos negros do menino. Ele assentiu animadamente, seus olhos brilhando. No entanto, Taishou parecia menos entusiasmado. Seus olhos se fixaram no armário aberto e no baú de madeira na cama. Akane compreendeu o que ele estava pensando. O baú pertencia à sua ex-mulher, Catarine Sastre, e guardava memórias de um tempo que Taishou preferiria esquecer.
Ele cerrou os olhos, a mandíbula tensa. “Caleb, vá para o seu quarto”, ordenou, sua voz mais dura do que pretendia. O menino olhou para o pai, confuso, e depois para Akane. Silenciosamente, ele saiu do quarto, como se soubesse que estava pisando em terreno perigoso. Taishou fechou a porta atrás do filho e voltou sua atenção para Akane. “O que faz com o baú de Catarine?” Sua voz era baixa, mas carregada de emoção. Akane sentiu o peso do passado entre eles, as lembranças dolorosas que o baú continha. Aproximando-se dele, seus olhos se encontraram. “Eu... senti uma presença”, disse ela, trêmula. “Era como se o baú me chamasse.” O quarto parecia impregnado de memórias, e o baú de madeira se tornava um relicário do passado. Akane hesitou, seus dedos roçando a superfície desgastada. Taishou a observava com um olhar que guardava segredos e cicatrizes. “Uma presença?” A voz dele era um sussurro, mas continha uma intensidade que a fez estremecer. “Como assim?” Engolindo em seco, ela buscou as palavras certas. “Eu… sinto algo quando olho para o baú. Como se Catarine ainda estivesse aqui, como se suas lembranças estivessem presas nas fibras da madeira.” Taishou se aproximou, tão perto que o calor de seu corpo a envolveu. “Catarine partiu há muito tempo”, murmurou ele. Akane assentiu, os olhos marejados. “Eu sei, mas sinto que ela quer me dizer algo.” Ele tocou o baú com a ponta dos dedos, como se pudesse sentir a mesma energia que Akane. “Você quer abri-lo?” Akane olhou para ele, suas emoções refletidas em seus olhos. “E se for doloroso demais?” Ele segurou seu rosto entre as mãos. “Então estaremos juntos para enfrentar essa dor.” O ambiente parecia mais denso agora, como se o ar guardasse segredos.
Akane segurou o baú com cuidado, sentindo o peso das memórias que ele continha. Taishou permaneceu em silêncio, seus olhos fixos no objeto que havia testemunhado um passado doloroso. Ele retirou de seu pescoço uma corrente com a chave prateada. Akane se surpreendeu ao perceber que ele sempre carregava aquela chave consigo. As memórias de Catarine sempre estiveram com ele, ao longo do tempo. Afastando-se um pouco, Taishou introduziu a pequena chave no cadeado, e um estalo ecoou pelo quarto. O baú rangeu ao ser aberto, como se também guardasse suspiros do passado. Taishou permanecia ao seu lado, observando-a com olhos que carregavam anos de saudade e arrependimento. A primeira coisa que seus olhos encontraram foi uma pintura. A imagem da família Sastre. Akane passou a mão na tela áspera, sentindo o calor das cores e o peso da história. A semelhança entre ela e Catarine Sastre era impressionante: os mesmos olhos de cor de mel profundo e traços delicados. Akane engoliu em seco, sentindo um nó na garganta. Catarine estava grávida na pintura, com o ventre arredondado e um sorriso terno nos lábios. Ao lado dela, estava seu marido, Christian Sastre. Akane prendeu a respiração ao ver o rosto dele. Era Taishou, o homem que estava ali, tão perto, mas também tão distante. E então, a criança. Caleb. Um sorriso radiante iluminava seu rosto infantil. Ele parecia ter sete anos naquela imagem. Akane sentiu lágrimas escorrendo por suas bochechas enquanto passava os dedos sobre as figuras tão familiares e, ao mesmo tempo, tão estranhas. O baú continha mais do que lembranças; guardava segredos, perguntas não respondidas. Akane ergueu os olhos para Taishou, e ele estava lá, tão vulnerável quanto ela. Segurando o baú com cuidado, como se estivesse carregando o próprio passado, Akane viu Taishou ao seu lado, observando-a com curiosidade e apreensão. Dentro do baú, as memórias se desdobravam. Akane encontrou um pequeno frasco de perfume de vidro em formato de coração, vazio. Taishou comentou que Catarine sempre usava aquele perfume. O aroma, agora ausente, ainda pairava no ar, evocando lembranças de noites compartilhadas e abraços apertados. Continuando sua exploração, Akane descobriu joias: anéis, colares e pulseiras, todos com pingentes geométricos, como arcos e pináculos. Cada peça contava uma história, um elo entre o passado e o presente. Akane imaginou Catarine usando essas joias, adornando-se para ocasiões especiais ou simplesmente para se sentir bonita.
Porém, no fundo do baú, algo estava escondido. Um tecido empoeirado repousava delicadamente sobre algo mais. Com mãos trêmulas, Akane desfez o embrulho, revelando um caderno. Suas folhas amareladas pareciam conter segredos e confissões. A capa, costurada à mão em couro gasto, trazia o peso do tempo. Taishou olhou para o caderno, e sua expressão mudou. “Isso é o diário de Catarine”, disse ele, a voz rouca. “Ela escrevia nele todos os dias.” Akane o abraçou contra o peito, sentindo o pulsar das palavras não ditas. “Posso ficar com isso?” perguntou, olhando para o diário. “Para entender quem ela realmente era.” Taishou assentiu, e Akane segurou o objeto pessoal com reverência. As páginas amareladas guardavam segredos, e ela estava determinada a desvendá-los.
O diário de Catarine servia como um elo com o passado, uma janela para a mulher que havia sido amada por Taishou e que, de alguma forma, também fazia parte da vida de Akane. A tranquilidade do momento foi abruptamente interrompida pelo som estridente do alarme do celular de Akane. Já eram 06:40 da manhã, e ambos estavam atrasados para a escola. Com o diário de Catarine em mãos, Akane o guardou cuidadosamente em sua mochila e gritou por Taishou, alertando-o de que precisavam se apressar ou perderiam a prova. Taishou rapidamente colocou o baú de Catarine de volta no armário, pegou sua mochila e se despediu de Caleb. O garoto, indiferente, revirou os olhos e murmurou um “tchau”, parecendo alheio, absorto em sua música e nos jogos de seu celular. Finalmente, Taishou saiu com Akane, e juntos correram para o colégio, chegando a tempo. Ao encontrar seus amigos, Hinata, Kenji e Sakura, esperando do lado de fora da sala, Akane estava ofegante. Sakura não perdeu tempo em expressar sua preocupação: “Finalmente! Vocês quase perderam a prova!” Akane ia responder à amiga, mas o sinal tocou, anunciando que era hora de entrar. A tensão era palpável enquanto o professor distribuía as provas. O silêncio dominou o ambiente, e todos se concentraram em suas mesas, prontos para enfrentar o desafio que os aguardava.
Akane se sentou, o coração acelerado. A prova à sua frente parecia um labirinto de perguntas, e ela lutava para lembrar tudo o que havia estudado. O diário de Catarine ainda estava fresco em sua mente, e ela se perguntava se as palavras escritas nas páginas amareladas poderiam ajudá-la a desvendar os enigmas da família Sastre. Ao seu lado, Taishou parecia distante; seus olhos vagavam pela sala, como se buscassem algo que não estava ali. Akane sabia que ele também pensava em Catarine e em tudo o que haviam compartilhado e perdido. Kenji, na carteira ao lado de Sakura, mordia a ponta da caneta, os olhos fixos no papel, sempre o mais ansioso do grupo. Akane podia sentir a tensão emanando dele. Sakura, à frente, estava concentrada, com os cabelos presos em um coque apertado. Meticulosa, não deixava passar nenhum detalhe. E Hinata, do outro lado da sala, próxima à janela, era a mais tranquila de todos. Folheava a prova com calma, os lábios curvados em um sorriso confiante. Akane invejava essa serenidade; Hinata sempre parecia saber exatamente o que fazer, mesmo sob pressão. O tempo passava, e Akane preenchia as respostas com dedicação. O diário de Catarine permanecia em sua mochila, mas seus segredos ecoavam em sua mente. Ela não queria apenas passar na prova; queria desvendar os mistérios que o baú guardava e ajudar Taishou e Caleb a enfrentar a besta. O sinal tocou, anunciando o fim do teste. Akane entregou sua folha, os dedos trêmulos. Os olhares dos amigos se cruzaram, todos parecendo aliviados por terem sobrevivido à prova. Hinata piscou para Akane, como se dissesse: “Conseguimos!” Ao saírem da sala, Akane sentiu um alívio, uma sensação de dever cumprido.
Após um dia exaustivo de provas, os amigos se reuniram na saída da escola, compartilhando o alívio de terem superado a temida avaliação. Sakura, sempre entusiasmada, sugeriu que comemorassem. “Vamos à Casa de Chá de Haru!” exclamou ela. “Nada como um chá quente e alguns doces para relaxar.” No ônibus a caminho do local, Akane e Taishou sentaram-se lado a lado, enquanto Sakura e Kenji ocupavam os assentos do outro lado do corredor, conversando animadamente sobre seus planos futuros. Hinata, ao lado de Sakura, parecia tão tranquila quanto sempre. A Casa de Chá de Haru era um refúgio acolhedor, com mesas baixas e almofadas fofas. Os amigos se acomodaram, esquecendo temporariamente as preocupações e os estudos. Sakura estava radiante, compartilhando seus sonhos: “Vou ser uma médica dedicada. Vocês vão ver!” Ela já tinha tudo planejado, desde a faculdade até a residência. Hinata, com seu jeito suave, revelou que gostaria de seguir uma carreira na música. “Talvez até me tornar professora de música.” Kenji deu de ombros, o cabelo bagunçado caindo sobre os olhos. “Só quero passar no ensino médio”, confessou. “Não tenho grandes planos para o futuro.” Ele lançou um olhar significativo a Taishou. “Meu padrasto quer que eu siga carreira militar.” Taishou, por sua vez, parecia distante, com os olhos fixos na janela, como se buscasse algo além do vidro. Akane ainda estava imersa em pensamentos sobre seu futuro.
Desde pequena, ela sonhava em seguir uma carreira na área de biologia. A natureza sempre a fascinou, e ela queria desvendar os segredos dos seres vivos. Quando os amigos caminhavam juntos em direção às suas casas, Taishou quebrou o silêncio. Com seu jeito calmo e monossilábico, explicou que precisaria da ajuda de todos naquela noite. Sakura e Akane engoliram em seco, já sabendo do que se tratava. Mas Hinata e Kenji pareciam confusos. Taishou mencionou Caleb, seu filho. Seria a primeira transformação dele em lobisomem após o terrível massacre no festival. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, trazendo à tona as lembranças daquele dia em que um lobisomem de pelagem negra invadiu o festival, causando pânico e atacando várias pessoas. Taishou explicou que precisaria da ajuda de todos para manter Caleb sob controle.
A rivalidade entre Kenji e Taishou era como um fogo que nunca se apagava, alimentada por diferenças de personalidade e objetivos de vida. Agora, com a situação envolvendo Caleb, essa rivalidade atingiu um novo patamar. Kenji cruzou os braços, olhando fixamente para Taishou. “Não vou ajudar você, Taishou”, declarou, a voz carregada de desconfiança. “Aquele mini esquisitinho é um risco para todos nós.” Taishou não se abalou. Olhou nos olhos de Kenji, a expressão séria. “Não é por mim que você deve fazer isso. É pelas pessoas que você ama. Pela Sakura, pela Hinata, principalmente, pela Akane.” Os dois amigos se encararam, uma mistura de desconfiança e confiança. Kenji suspirou. “Certo”, concordou. “Se a mini aberração perder o controle, pode ter certeza de que não vou deixá-lo ferir ninguém.” Akane e Sakura observavam a conversa com preocupação. Onde levariam Caleb naquela noite? Taishou explicou que tinha um lugar seguro para onde sempre ia nas noites de lua cheia. Akane corou ao lembrar da primeira vez em que ele havia mostrado a ela sua verdadeira forma. Hinata, a mais tímida e reservada do grupo, perguntou se sua ajuda era necessária. Akane e Sakura disseram que ela não precisava ir, mas que toda ajuda de pessoas confiáveis seria bem-vinda. Hinata suspirou e decidiu finalmente ajudar.
No caminho de volta, Taishou e Kenji permaneceram em silêncio, a rivalidade ainda presente. Kenji expressou sua preocupação com Taishou e Caleb. Taishou, por sua vez, disse que mais do que ninguém, Kenji seria importante naquela missão. Se ele não conseguisse controlar seu filho, Taishou daria permissão para que Kenji o matasse com uma bala de prata. Kenji olhou nos olhos do amigo com uma expressão séria. “Vocês lobisomens não são nada paternais”, brincou, ironizando a situação. Enquanto isso, Akane e Sakura conversavam mais isoladas do grupo durante a volta para casa. Akane perguntou se seria possível Sakura levar Yuki com elas. Sakura hesitou, preocupada em expor a irmã mais nova a tudo isso, especialmente depois do terrível massacre do festival. "Yuki-chan é a figura humana mais importante para Caleb", insistiu Akane, tentando convencê-la. "Ela pode ajudar a controlar a besta." Sakura, hesitante, concordou em silêncio com o pedido da amiga. Naquela noite, eles se reuniriam para manter a besta de Caleb sob controle.