Livro I - Capítulo XII
E, quantas vezes, acarinhados pelas brandas lisonjas de uma esperança, nos possuímos daquele inofensivo orgulho de felicidade, e tão perto nos persuadimos que ela vem com toda a formosura real de um belo sonho? E quando assim nos apressamos ao encontro de essa linda quimera, gerada nas entranhas do infortúnio, não será tão triste deparar-se-nos uma nova desgraça?
Muito triste. É uma luz que se apaga. Um horizonte que se fecha. Uma colheita de lágrimas na seara das esperanças.
E o sorrir da resignação, e o levantar das mãos em fervente amor de Deus, é a mais grandiosa atitude na desgraça. O infeliz é então um rei no trono das angústias. O manto de retalhos tem a majestade da purpura. Ignácio, o mendigo de Monserrate, é maior que o gentil-homem de Loyola.