Livro Último - Capítulo XVII Lágrimas Abençoadas · Capítulo 94 de 97
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Livro Último - Capítulo XVII

em um dia de 1839[NT], frei Antônio é chamado a casa de Joaquim Nunes; o lojista, antigo criado de Gonçalo da Silveira. Vai, e acha-o enfermo.

--Sr. frei Antônio--disse o merceeiro--chamei-o para me ajudar a saldar as minhas contas com o mundo, para levar diante de Deus os meus livros de razão sem nódoa. Estou muito doente, e não espero nada da medicina. O que eu tenho a dizer-lhe, não é o receio da morte que mo faz dizer. Há dias que eu preparava esta ocasião, e oxalá que sendo a vontade de Deus, eu sobrevivesse à resolução que tomei. Ora diga-me; como se porta o sr. Álvaro?

--Melhor do que as minhas ambições.

--Já não teme que ele torne ao caminho da perdição?

--Confio em Deus, não é nele, nem em mim, confio em Deus que não.

--Ele sabe que sou eu o que lhe dou as mesadas?

--Não sabe: cumpri religiosamente a sua vontade.

--Deve ter dito muito mal do avarento criado de seu pai...

--Nem uma palavra, desde que está em minha companhia. Parece que confessa com o seu silêncio gratidão à mão generosa que o socorre.

--Ora diga-me, sr. fr. Antônio, envergonhar-se-á ele de vir visitar um criado antigo da sua casa, doente?

--Ó senhor, isso é duvidar do coração de meu sobrinho; essa licença estava eu para pedir-lha...

--Pois que venha, e venha também sua mulher, desejo vê-los, e o mais breve que possa ser.

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