Livro II - Capítulo XXIV Lágrimas Abençoadas · Capítulo 49 de 97
Obra Menu

Livro II - Capítulo XXIV

Na «grande roda», falava-se muito da conversão de Álvaro. Infelizmente, porém, esta conversão tomaram-na irrisoriamente a maior parte daqueles que se ocupavam dela, por não terem um caso semelhante de que se ocuparem. Os da sua plana, particularmente, pareciam vexados da religiosidade do seu antigo camarada, que tão belas esperanças dava de correr parelhas no cinismo filosófico do conde.

Na incerteza de semelhante boato, muitos vieram procurar Álvaro, e acharam-no pronto sempre a recebê-los; se, todavia, os seus hospedes tentavam chamá-lo ao assunto, que ali os trouxera, Álvaro contava-lhes uma história assim resumida:

«Eu era discípulo do conde ***, assim como vós o sois. Casualmente o meu mestre de filosofia falsa encontrou-se com outro que me dizia ser o mestre da verdadeira filosofia. Disputaram por algumas horas: o primeiro, quando se viu esmagado no seu orgulho, fugiu, cantando um hino em seu triunfo, mas um hino injurioso ao modesto vencedor. Sabeis o que depois me fez alistar na escola do frade, e fugir à escola do conde? Foi, talvez, muito pouco: vi que o frade pediu a Deus a conversão do conde que o insultara, e insultara a Deus.»

Os que o ouviram diziam depois: «Aquele pobre Álvaro endoudeceu!... Coitado!... Seria uma paixão infeliz? Seria desorganização do cérebro?... Seria alguma grande perda no jogo?»

1/1
Menu

Fazer anotação