Livro III - Capítulo XXV Lágrimas Abençoadas · Capítulo 74 de 97
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Livro III - Capítulo XXV

Maria entrou no quarto do padre. Estava ele ajuntando em um saco os seus livros, e uma pouca de roupa branca.

--Já escreveste, filha?! Vamos ver a tua cartinha...--disse ele continuando o seu serviço--Eu estou aqui ajuntando estes farrapos, e estes quatro livros. A nossa bagagem, Maria, é tão pequena, que a pode um frade velho transportar debaixo de um braço. Ora vamos lá; lê a tua cartinha.

Maria leu, afetando serenidade. Não podia, contudo. De instante a instante, havia embargo de soluços, lágrimas pertinazes, e alterações na cor. Padre Antônio tomou-lhe das mãos a carta, e leu-a em voz alta.

--Está muito boa--disse ele, afagando as faces de Maria--Vou mandar o próprio a Vila-Franca. Amanhã por noite, está cá a resposta. Eu virei então saber qual ela foi.

--Pois meu tio, já hoje me deixa?!--interrompeu Maria com veemência.

--Pois então, menina? A minha licença acaba logo que a trouxa esteja pronta. Eu não estranho isto... Quando me mandaram sair do meu convento que era a minha casa, saí logo; agora mandam-me sair de uma casa, que não é minha, que hei de eu fazer? Sair mais depressa ainda, se é possível, e sacudir à saída da porta o pó dos meus sapatos. De mais a mais, bem sabes que preciso falar à madre prioresa das Teresinhas no teu agasalho, que ainda não sabemos como será, e todo o tempo é pouco... Nada de lágrimas! Pelo amor de Deus, recebem-se todas as amarguras com olhos enxutos. O merecimento aqui não é chorar, é rir para o céu. Há uma só causa justa para lágrimas, Maria: vem a ser a ofensa a Deus, que é Pai, ou aos homens, que são nossos irmãos. Destes pecados, absolvo-te eu, menina, que os não tens. A ofendida és tu, e, por conseguinte, perdão para os homens, e oração de graças ao Senhor.

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