Livro Último - Capítulo VII
As lágrimas de Maria desfaziam as linhas que ela escreveu, em seguida à leitura desta carta. A pena obedecia ao ardor do coração. Era a primeira vez que ela o escutava, e lhe obedecia sem consultar primeiro o padre.
Era assim a resposta que Álvaro recebia pelo mesmo portador:
«Vem, meu amigo. Deus te guie o coração que a sua divina mão abriu ao arrependimento. Tu és ainda muito rico: do tesouro de amor que te dei, e tu rejeitaste, não dissipei um só dos carinhos com que hei de restituir-te..., restituir-te, não digo bem, com que hei de dar-te uma felicidade nova, nunca experimentada. O infortúnio fez-te bom. Tu precisas de mim e eu hoje tenho um santo orgulho de ser a única pessoa que tens por ti, um coração amigo. Esse egoísmo na desgraça é uma soberba blasfema. Deus não te desamparou, meu amigo. Se de mim não queres consolações, vem ao menos ver como eu choro a perda das tuas esperanças.
Maria».