Livro Último - Capítulo XVIII Lágrimas Abençoadas · Capítulo 95 de 97
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Livro Último - Capítulo XVIII

No mesmo dia, Álvaro, Maria, e frei Antônio dos Anjos visitaram o merceeiro Joaquim Nunes.

As lágrimas inexplicáveis deslisavam copiosas pelas faces do enfermo. Maria, cuja sensibilidade respondia logo à dor estranha, acariciou o velho, e fez que Álvaro esquecesse a diminuta repugnância que sentia em afagar um homem que possuía os seus bens, e o imaginaria capaz de humilhar-se para reavê-los.

--Estou quase só--disse o lojista---Tenho sido só toda a minha vida, e agora sinto necessidade de uma família. Queria eu pedir à sr.a D. Maria e ao sr. Álvaro, e ao sr. fr. Antônio que me deixassem ir morrer a casa do filho de meu amo. Fazem-me a caridade de me aceitar em sua casa?

--Deus permita que as suas forças o deixem ir para a nossa companhia!--exclamou a sobrinha do padre.

--Poucas forças tenho; mas transportar-me-ei em uma cadeira, e o sr. padre Antônio tomará conta das chaves desta casa. O meu comércio acabou; não devo, e os que me devem foram riscados dos meus livros. Os meus negócios da vida estão fechados. Agora queria morrer vendo duas pessoas felizes ao pé de mim, e tendo à minha cabeceira um santo homem que me ajude a pedir a Deus o perdão das minhas culpas. Se eu vencer a doença, viveremos todos, ponto é que o sr. Álvaro tenha a bondade de sentar à sua mesa um homem do povo que foi escudeiro de seu pai.

Álvaro apertou-lhe, comovido, a mão. Maria, do outro lado do leito, limpava-lhe com o seu lenço o suor que lhe inundava a fronte e fr. Antônio, com palavras de júbilo, anunciava ao enfermo que não morreria ainda para testemunhar e ter quinhão na felicidade de seus sobrinhos.

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