Livro Último - Capítulo III Lágrimas Abençoadas · Capítulo 80 de 97
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Livro Último - Capítulo III

Em 1842, Álvaro fugindo aos credores de Paris, de Londres, de Madrid, de onde quer que desbaratou o seu e o alheio, apareceu em Lisboa pedindo ao merceeiro que lhe valesse. A desgraça quebrara-lhe a soberba. Álvaro pedia com humildade, se não era antes relaxamento, socorro ao criado de sua casa. O logista deu-lhe a quantia que ficara, como em deposito, para ser dada a Maria, dizendo que ela a mandara entregar a seu marido.

Recebeu-a com indiferença, e consumiu-a obscuramente em uma roda que não era a sua, na convivência de indivíduos que, somente no abismo da desgraça, sem honra, se encontram.

Padre Antônio dos Anjos não sabia dizer a Maria, onde seu marido estava. O merceeiro é que não perdeu de vista o filho de seu amo, com a mira de levantá-lo, quando ele abrisse os olhos no extremo cair de perdição.

Foi ele, pois, quem deu ao frade miúdas novas de Álvaro de Silveira. Umas vezes recebia dos parentes uma dadiva, como esmola. Outras, achava-se entre a gentalha, buscando nas fezes sociais esquecer os esplendores que dissipara. Eis aí que chegava a mão misteriosa do logista.

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