Livro Último - Capítulo I Lágrimas Abençoadas · Capítulo 78 de 97
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Livro Último - Capítulo I

Desde 1835 até 1842, a história de Álvaro da Silveira é a história de todos os homens perdidos.

A reclusão de sua mulher, no princípio, recebeu-a como um ataque aos seus direitos de marido, e quase esteve, por orgulho, a requerer um divórcio, ou, ainda mais, a anulação do casamento.

Outras ideias vieram desenleiá-lo desta preocupação periódica. O seu amigo conde chasqueava-lhe a demasiada susceptibilidade, dizendo-lhe que poucos maridos deviam tanto à fortuna, que por tão suave processo, o descartara a ele do tropeço conjugal.

O velho Silveira saiu deste mundo, um ano depois que Maria entrara no convento ralado de penas, infamado pelas imoralidades de Álvaro, que, de colaboração com o conde, redigira os famosos estatutos para a chamada sociedade do delírio. Ao estrondo das primeiras impudências, o pobre pai correu a querer salvar o filho. Foi recebido com desdém, e repelido com o desprezo às suas instâncias. O velho coração não podia com o golpe. Morreu sem filho ao pé do leito, quase desamparado dos parentes que o inculpavam na educação licenciosa de Álvaro. Quem lhe ministrou as consolações do trespasse, foi um estranho. Frei Antônio dos Anjos, ao qual o senhor de uma grande casa disse à hora da morte, que as dissipações de Álvaro não lhe tinham deixado seis vinténs para mandar dizer por sua alma uma missa.

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