Livro III - Capítulo XI Lágrimas Abençoadas · Capítulo 60 de 97
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Livro III - Capítulo XI

Silenciosa em sua mágoa, Maria deixava-se adivinhar, mas não gemia, nem perguntava a causa do ar sombrio de seu pai. Esperava ansiosa as noites, via entrar seu tio só, e nem por um lanço de olhos lagrimosos lhe perguntava que mal fizera ela a Álvaro.

A pena, porém, era grande, e sem desafogo. Maria sentiu a desdita que pressentira, um ano antes; compreendeu a significação amarga daqueles singelos versos que fizera nascer uma música triste, filha da sua imaginação.

Adoeceu, sem queixar-se; caiu no leito, quando já não podia esconder de seu pai a febre constante que a extenuava.

Veio o médico do corpo, e conheceu que a dor estava na alma. Frei Antônio sabia que ela podia morrer daquela febre. Foi, com sua cunhada ao pé do leito de Maria, e disse:

--Menina, o nosso amigo Álvaro vem hoje visitar-te, se tiveres forças, sai da cama e vem agradecer-lhe o cuidado; se não, outro dia será.

Aumentou o rubor nas faces das enferma. Voou-lhe um inocente sorriso de ventura nos lábios. Parou-lhe de repente, a vertigem do sangue. Reapareceu-lhe o sol do coração, a florescência da fantasia, o céu dos seus êxtases, e a claridade radiosa do seu ar balsâmico. Era a que fora, quando se lançara a chorar de feliz nos braços maternais.

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