Livro Último - Capítulo II Lágrimas Abençoadas · Capítulo 79 de 97
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Livro Último - Capítulo II

O marido de Maria viajava então por França, onde lhe foi a nova da morte de seu pai. Álvaro melhorava de meios, porque os recursos, que seu pai lhe dava com quanto superiores ao rendimento de sua casa, não bastavam à dissipação.

Veio prestes a Lisboa tomar conta dos seus vínculos.

Procurando um usurário que lhos aceitasse como hipoteca de alguns contos de réis, ninguém os queria por mais do valor dos rendimentos de três anos, porque a magreza livida de Álvaro aterrava os agiotas.

Um merceeiro, antigo criado de seu pai, sabendo que o fidalgo barateava à usura os seus bens, apresentou-se-lhe para aceitá-los como hipoteca de uma soma quase igual ao valor deles.

Álvaro abençoou o seu destino, e receoso de que o merceeiro se arrependesse, apressou o contrato.

O comprador, porém, clausulou que em sua mão ficaria uma certa soma para acudir às necessidades da esposa do vendedor, se ela um dia as sentisse. Álvaro aceitou essa hesitação maravilhado de que o inepto logista não pedisse a assinatura consentânea de sua mulher!

Este merceeiro conhecia frei Antônio dos Anjos. Cativo do benévolo interesse dele, o padre fora-lhe contando os infelizes acontecimentos daquela casa. O velho criado de Gonçalo da Silveira, quando soube que seu amo expirara, quase desamparado, sem seis vinténs em dinheiro para uma missa, chorou, e protestou valer ao filho, quando o socorro lhe aproveitasse depois de uma lição amarga.

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