Livro III - Capítulo XXI Lágrimas Abençoadas · Capítulo 70 de 97
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Livro III - Capítulo XXI

Padre Antônio, horas depois, enviava um próprio com uma longa carta a Vila Franca. Era um humilde requerimento ao coração de Álvaro. Lembrava-lhe, com delicadeza, os seus deveres. Contava-lhe o viver atribulado de sua sobrinha, pedia-lhe encarecidamente que viesse vê-la, ou consentisse que algumas pessoas da família dela a acompanhassem no ermo em que vivia.

O fidalgo recebera a carta no pospasto de um festim em que se banqueteavam os caçadores, comemorando as façanhas venatórias do dia. O conde de ***, chamado por Álvaro a conselho redigiu e escreveu a resposta à carta, visto que o seu amigo, turbado de vinho, apenas tinha entendimento para conhecer que o frade o incomodava, como parapeito dos tiros de sua mulher. A resposta, por tanto, foi simples e peremptória. Álvaro agradecia muito os pios conselhos do padre, sentia muito os incômodos de sua mulher; recusava, porém, aceder à convivência pedida, e aproveitava a ocasião para observar a sua reverendíssima que a sua pertinaz assistência em casa dele Álvaro era pouco delicada, provando-se que não havia nessa casa meninos para educar. Terminava, ordenando que sua mulher se recolhesse a Lisboa quanto antes, visto que os ares campestres não conseguiam aliviar os seus padecimentos.

Esta carta foi lida a Álvaro, que deu no ombro do seu secretário uma sonora palmada, como sinal de aplauso e gratidão.

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