Capítulo X - Do Poder, Do Valor, Da Dignidade, Da Honra E Do Merecimento Leviatã · Capítulo 11 de 49
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Capítulo X - Do Poder, Do Valor, Da Dignidade, Da Honra E Do Merecimento

Capítulo X - Do Poder, Do Valor, Da Dignidade, Da Honra E Do Merecimento

Poder

O PODER de um homem, considerado universalmente, consiste em seus meios presentes para obter algum bem futuro aparente. E é ou original, ou instrumental.

O poder natural é a eminência das faculdades do corpo ou da mente, como força extraordinária, beleza, prudência, artes, eloquência, liberalidade e nobreza.

Instrumentais são aqueles poderes que, adquiridos por meio dos anteriores ou pela fortuna, constituem meios e instrumentos para adquirir outros, como riquezas, reputação, amigos e a ação secreta de Deus, que os homens chamam boa sorte.

Pois a natureza do poder é, nesse aspecto, semelhante à fama, crescendo à medida que avança, ou ao movimento dos corpos pesados, que, quanto mais prosseguem, tanto mais aceleram.

O maior dos poderes humanos é aquele composto pelos poderes do maior número de homens, unidos por consentimento numa só pessoa, natural ou civil, que dispõe do uso de todos esses poderes conforme sua vontade, como ocorre com o poder de uma república; ou aquele que depende das vontades de cada homem particular, como ocorre com o poder de uma facção ou de diversas facções aliadas.

Portanto, ter servidores é poder; ter amigos é poder, pois são forças unidas.

Também as riquezas, quando unidas à liberalidade, são poder, porque proporcionam amigos e servidores. Sem liberalidade, não o são do mesmo modo, porque, nesse caso, não defendem os homens, mas os expõem à inveja como presa.

A reputação de poder é poder, porque atrai a adesão daqueles que necessitam de proteção.

Do mesmo modo, a reputação de amor de um homem por seu país, chamada popularidade, é poder, pela mesma razão.

Também qualquer qualidade que faça um homem ser amado ou temido por muitos, ou a reputação de tal qualidade, é poder, porque constitui um meio de obter a assistência e o serviço de muitos.

O bom êxito é poder, porque produz reputação de sabedoria ou de boa fortuna, o que faz com que os homens ou o temam, ou nele confiem.

A afabilidade dos homens que já possuem poder aumenta seu poder, porque conquista amor.

A reputação de prudência na condução da paz ou da guerra é poder, porque entregamos mais voluntariamente o governo de nós mesmos aos homens prudentes do que aos outros.

A nobreza é poder, não em todos os lugares, mas apenas naquelas repúblicas em que possui privilégios, pois nesses privilégios consiste seu poder.

A eloquência é poder, porque aparenta prudência.

A beleza é poder, porque, sendo uma promessa de bem, recomenda os homens ao favor das mulheres e dos estrangeiros.

As ciências são um poder pequeno, porque não são eminentes e, portanto, não são reconhecidas em homem algum, ou o são apenas em poucos; e, mesmo nestes, apenas quanto a poucas coisas. Pois a ciência é de tal natureza que ninguém pode reconhecer sua existência senão aquele que, em boa medida, já a alcançou.

As artes de utilidade pública, como a fortificação, a fabricação de máquinas e de outros instrumentos de guerra, são poder, porque contribuem para a defesa e para a vitória.

E, embora sua verdadeira mãe seja a ciência, a saber, a matemática, como são trazidas à luz pela mão do artífice, são consideradas obra dele, passando a parteira, entre o vulgo, por mãe.

Valor

O valor, ou PREÇO, de um homem é, como o de todas as outras coisas, aquilo que se daria pelo uso de seu poder. Portanto, não é absoluto, mas depende da necessidade e do juízo de outro.

Um comandante competente de soldados possui grande preço em tempo de guerra presente ou iminente, mas não tanto em tempo de paz. Um juiz erudito e incorruptível possui grande valor em tempo de paz, mas não tanto em tempo de guerra.

E, assim como ocorre com as outras coisas, também entre os homens não é o vendedor, mas o comprador, quem determina o preço.

Ainda que um homem, como faz a maioria, estime a si mesmo pelo mais alto valor possível, seu verdadeiro valor não é maior do que aquele que lhe é atribuído pelos outros.

A manifestação do valor que atribuímos uns aos outros é aquilo que comumente se chama honrar e desonrar.

Atribuir a um homem elevado valor é honrá-lo; atribuir-lhe baixo valor é desonrá-lo. Mas elevado e baixo devem, nesse caso, ser compreendidos por comparação com o valor que cada homem atribui a si mesmo.

Dignidade

O valor público de um homem, isto é, o valor que lhe é atribuído pela república, é aquilo que os homens comumente chamam DIGNIDADE.

E esse valor atribuído a ele pela república é indicado pelos cargos de comando, pela judicatura, pelos empregos públicos ou pelos nomes e títulos instituídos para distinguir tal valor.

Honrar e desonrar

Suplicar a outro por auxílio de qualquer espécie é HONRAR, porque constitui sinal de que julgamos que ele possui poder para ajudar; e, quanto mais difícil for o auxílio, maior será a honra.

Obedecer é honrar, porque ninguém obedece àqueles que julga não possuírem poder para ajudá-lo ou prejudicá-lo. Consequentemente, desobedecer é desonrar.

Dar grandes presentes a um homem é honrá-lo, porque significa comprar proteção e reconhecer poder. Dar pequenos presentes é desonrá-lo, porque isso não passa de esmola e significa a opinião de que ele necessita apenas de pequenos auxílios.

Empenhar-se diligentemente em promover o bem de outro, assim como adulá-lo, é honrá-lo, pois indica que buscamos sua proteção ou auxílio. Negligenciá-lo é desonrá-lo.

Ceder a outro a preferência ou o lugar em qualquer vantagem é honrá-lo, por constituir confissão de maior poder. Arrogar para si essa preferência é desonrá-lo.

Manifestar qualquer sinal de amor ou medo por outro é honrá-lo, pois tanto amar quanto temer é atribuir valor. Desprezá-lo, ou amá-lo e temê-lo menos do que ele espera, é desonrá-lo, pois significa subestimá-lo.

Louvar, engrandecer ou chamar feliz é honrar, porque apenas a bondade, o poder e a felicidade são estimados. Injuriar, escarnecer ou compadecer-se é desonrar.

Falar a outro com consideração, apresentar-se diante dele com decoro e humildade, é honrá-lo, como sinal do medo de ofendê-lo. Falar-lhe temerariamente, ou fazer diante dele algo obsceno, desleixado ou impudente, é desonrá-lo.

Acreditar em outro, confiar nele e apoiar-se nele é honrá-lo, como sinal da opinião que se tem de sua virtude e de seu poder. Desconfiar ou não acreditar é desonrar.

Escutar o conselho ou o discurso de um homem, seja de que espécie for, é honrá-lo, por constituir sinal de que o julgamos sábio, eloquente ou engenhoso. Dormir, retirar-se ou conversar enquanto ele fala é desonrá-lo.

Fazer a outro aquelas coisas que ele considera sinais de honra, ou que a lei ou o costume estabeleceram como tais, é honrá-lo, porque, aprovando a honra que os outros lhe prestam, reconhecemos o poder que eles reconhecem. Recusar-se a fazê-las é desonrá-lo.

Concordar com outro em opinião é honrá-lo, pois constitui sinal de aprovação de seu juízo e de sua sabedoria. Discordar é desonrá-lo e censurá-lo por erro; e, quando a discordância se estende a muitas coisas, por insensatez.

Imitar é honrar, pois significa aprovar intensamente. Imitar o inimigo de alguém é desonrá-lo.

Honrar aqueles que outro honra é honrá-lo, como sinal de aprovação de seu juízo. Honrar seus inimigos é desonrá-lo.

Empregar alguém em conselho ou em ações difíceis é honrá-lo, como sinal da opinião que se tem de sua sabedoria ou de algum outro poder. Negar tal emprego, nesses mesmos casos, àqueles que o procuram é desonrá-los.

Todas essas maneiras de honrar são naturais e existem tanto dentro quanto fora das repúblicas. Mas, nas repúblicas, nas quais aquele ou aqueles que possuem a autoridade suprema podem fazer com que qualquer coisa que desejem valha como sinal de honra, existem outras honras.

Um soberano honra um súdito mediante qualquer título, cargo, emprego ou ação que ele próprio queira que seja considerado sinal de sua vontade de honrá-lo.

O rei da Pérsia honrou Mardoqueu quando ordenou que fosse conduzido pelas ruas com as vestes reais, montado num dos cavalos do rei, com uma coroa sobre a cabeça e um príncipe caminhando diante dele e proclamando: “Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar.”

Entretanto, outro rei da Pérsia, ou talvez o mesmo em outra ocasião, concedeu a um homem que, em recompensa por algum grande serviço, pedira permissão para usar uma das vestes reais, licença para fazê-lo, mas acrescentou que deveria usá-la como o bobo do rei. E então isso constituiu desonra.

Assim, a honra civil consiste em magistraturas, cargos, títulos e, em alguns lugares, em brasões e escudos pintados. E os homens honram aqueles que os possuem como portadores de outros tantos sinais do favor da república, favor este que é poder.

É honroso tudo aquilo cuja posse, ação ou qualidade constitui argumento e sinal de poder.

Portanto, ser honrado, amado ou temido por muitos é honroso, como demonstração de poder. Ser honrado por poucos ou por ninguém é desonroso.

A boa fortuna, quando duradoura, é honrosa, como sinal do favor de Deus. A má fortuna e as perdas são desonrosas.

As riquezas são honrosas, porque são poder. A pobreza é desonrosa.

A magnanimidade, a liberalidade, a esperança, a coragem e a confiança são honrosas, porque procedem da consciência do poder. A pusilanimidade, a parcimônia, o medo e a desconfiança são desonrosos.

A resolução oportuna, ou a determinação do que um homem deve fazer, é honrosa, por constituir desprezo das pequenas dificuldades e dos pequenos perigos. A irresolução é desonrosa, como sinal de que se atribui valor excessivo a pequenos impedimentos e pequenas vantagens.

Pois, quando um homem ponderou as coisas durante todo o tempo disponível e ainda assim não se decide, a diferença de peso entre elas é pequena. Portanto, se não resolve, superestima coisas pequenas, o que é pusilanimidade.

Todas as ações e palavras que procedem, ou parecem proceder, de muita experiência, ciência, discrição ou engenho são honrosas, pois todas essas coisas são poderes. As ações ou palavras que procedem do erro, da ignorância ou da insensatez são desonrosas.

A gravidade, na medida em que parece proceder de uma mente ocupada com alguma outra coisa, é honrosa, porque a ocupação é sinal de poder. Mas, se parecer proceder do propósito de aparentar gravidade, será desonrosa.

Pois a gravidade do primeiro é semelhante à estabilidade de um navio carregado de mercadorias; a do segundo, à estabilidade de um navio lastrado com areia e outros detritos.

Ser conspícuo, isto é, conhecido pela riqueza, pelo cargo, por grandes ações ou por algum bem eminente, é honroso, como sinal do poder pelo qual o homem se distingue. Ao contrário, a obscuridade é desonrosa.

Descender de pais conspícuos é honroso, porque seus descendentes obtêm mais facilmente os auxílios e os amigos de seus antepassados. Ao contrário, descender de linhagem obscura é desonroso.

As ações que procedem da equidade e são acompanhadas de perda são honrosas, como sinais de magnanimidade, pois a magnanimidade é sinal de poder. Ao contrário, a astúcia, os expedientes evasivos e a negligência da equidade são desonrosos.

No que diz respeito à honra, não altera o caso que uma ação seja justa ou injusta, desde que seja grande e difícil e, consequentemente, sinal de muito poder. Pois a honra consiste apenas na opinião de poder.

Por isso, os antigos gentios não julgavam desonrar, mas honrar grandemente os deuses quando os representavam em seus poemas cometendo estupros, furtos e outros atos grandiosos, embora injustos ou impuros. Tanto assim que nada é mais celebrado em Júpiter do que seus adultérios, nem em Mercúrio do que suas fraudes e seus furtos.

Entre os louvores deste último, num hino de Homero, o maior é este: que, tendo nascido pela manhã, inventou a música ao meio-dia e, antes do anoitecer, roubou dos pastores o gado de Apolo.

Também entre os homens, antes que fossem constituídas grandes repúblicas, não se considerava desonroso ser pirata ou ladrão de estradas, mas antes um ofício legítimo, não apenas entre os gregos, mas também entre todas as outras nações, como mostram as histórias dos tempos antigos.

E, ainda hoje, nesta parte do mundo, os duelos privados são, e sempre serão, honrosos, embora ilegais, até que se estabeleça honra para aqueles que recusam o duelo e ignomínia para aqueles que lançam o desafio.

Pois os duelos são muitas vezes efeitos da coragem, e o fundamento da coragem é sempre a força ou a habilidade, que são poder. Embora, na maioria das vezes, sejam efeitos de palavras temerárias e do medo da desonra em um ou em ambos os combatentes, os quais, comprometidos pela temeridade, são impelidos à arena para evitar a vergonha.

Os escudos e brasões hereditários, quando possuem privilégios eminentes, são honrosos; de outro modo, não. Pois seu poder consiste ou nesses privilégios, ou nas riquezas, ou em alguma outra coisa igualmente honrada nos demais homens.

Essa espécie de honra, comumente chamada nobreza de linhagem, deriva dos antigos germanos. Pois jamais se conheceu coisa semelhante onde os costumes germânicos eram desconhecidos; nem hoje se encontra em uso onde os germanos não habitaram.

Os antigos comandantes gregos, quando iam à guerra, pintavam em seus escudos as figuras que desejavam, de tal modo que um escudo sem pintura era sinal de pobreza e de soldado comum. Mas não transmitiam por herança essas figuras.

Os romanos transmitiam as marcas de suas famílias, mas estas eram imagens de seus antepassados, não emblemas.

Entre os povos da Ásia, da África e da América, não existe nem jamais existiu coisa semelhante.

Somente os germanos possuíam esse costume, do qual ele passou para a Inglaterra, a França, a Espanha e a Itália, quando, em grande número, ou auxiliaram os romanos, ou realizaram suas próprias conquistas nessas regiões ocidentais do mundo.

Pois a Alemanha, estando antigamente, como todos os outros países em seus começos, dividida entre um número infinito de pequenos senhores ou chefes de família, que mantinham guerras contínuas entre si, esses chefes ou senhores, principalmente para que, quando cobertos de armas, pudessem ser reconhecidos por seus seguidores, e em parte também por ornamento, pintavam suas armaduras, seus escudos ou seus brasões com a figura de algum animal ou de alguma outra coisa, e colocavam também algum sinal eminente e visível sobre a crista de seus elmos.

Esse ornamento, tanto das armas quanto da crista, descia por herança a seus filhos: ao mais velho, sem alteração; aos demais, com alguma marca de diferença, conforme julgasse adequado o antigo senhor, isto é, em holandês, o Here-alt.

Mas, quando muitas dessas famílias, unidas, formaram uma monarquia maior, esse dever do arauto de distinguir os escudos tornou-se um ofício particular e separado.

E os descendentes desses senhores constituem a grande e antiga nobreza de linhagem, que, em sua maior parte, traz em seus brasões criaturas vivas conhecidas pela coragem e pela rapina, ou castelos, ameias, cinturões, armas, barras, paliçadas e outros sinais de guerra, pois então nada era honrado senão a virtude militar.

Posteriormente, não apenas os reis, mas também as repúblicas populares, concederam diferentes tipos de brasões àqueles que partiam para a guerra ou dela retornavam, para encorajamento ou recompensa de seus serviços.

Tudo isso poderá ser encontrado por um leitor atento nas antigas histórias gregas e latinas que mencionam a nação germânica e seus costumes em seus respectivos tempos.

Títulos de honra

Os títulos de honra, como duque, conde, marquês e barão, são honrosos, por significarem o valor que lhes é atribuído pelo poder soberano da república.

Esses títulos foram antigamente títulos de cargo e comando, derivados alguns dos romanos, outros dos germanos e dos franceses.

Os duques, em latim duces, eram generais na guerra.

Os condes, comites, eram aqueles que acompanhavam o general por amizade e eram deixados para governar e defender os lugares conquistados e pacificados.

Os marqueses, marchiones, eram condes que governavam as marcas ou fronteiras do Império.

Esses títulos de duque, conde e marquês ingressaram no Império por volta do tempo de Constantino, o Grande, provenientes dos costumes da milícia germânica.

Barão, porém, parece ter sido um título dos gauleses e significa um grande homem, como eram os homens dos reis ou príncipes, empregados na guerra junto de suas pessoas.

Parece derivar de vir, passando a ber e bar, palavras que significavam na língua dos gauleses o mesmo que vir em latim, e daí a bero e baro. Assim, esses homens foram chamados berones e, posteriormente, barones, e, em espanhol, varones.

Mas aquele que desejar conhecer mais particularmente a origem dos títulos de honra poderá encontrá-la, como encontrei estas informações, no excelente tratado do senhor Selden sobre esse assunto.

Com o decorrer do tempo, esses cargos de honra, por causa de perturbações e por razões de bom e pacífico governo, transformaram-se em meros títulos, servindo principalmente para distinguir a precedência, o lugar e a ordem dos súditos na república.

E os homens passaram a ser feitos duques, condes, marqueses e barões de lugares nos quais não possuíam nem propriedade nem comando. Outros títulos foram igualmente inventados para o mesmo fim.

Merecimento; aptidão

O MERECIMENTO é coisa diferente do valor ou preço de um homem, e também de seu mérito ou merecimento devido. Consiste num poder ou capacidade particular para aquilo de que se diz que alguém é digno. Essa capacidade particular costuma chamar-se APTIDÃO ou idoneidade.

Pois o mais digno de ser comandante, juiz ou de ocupar qualquer outro encargo é aquele que está mais bem dotado das qualidades exigidas para desempenhá-lo adequadamente.

E o mais digno de riquezas é aquele que possui as qualidades mais necessárias para fazer bom uso delas.

Embora lhe falte alguma dessas qualidades, um homem pode, não obstante, ser digno e valioso para alguma outra coisa.

Do mesmo modo, um homem pode ser digno de riquezas, cargo ou emprego e, ainda assim, não poder alegar direito algum de possuí-los antes de outro. Por isso, não se pode dizer que os merece ou que lhe são devidos.

Pois o mérito pressupõe um direito e que a coisa merecida seja devida por promessa. Disso tratarei mais adiante, quando falar dos contratos.

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