O Nome de Celina Solariana: Amazônica · Capítulo 32 de 44
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O Nome de Celina

A chamada saiu de um aparelho da lavanderia, fora da rede dos visitantes. Celina atendeu no terceiro toque.

— Mãe.

— Amália, que número é esse?

— Um que ainda não pertence às Casas.

Amália encerrou a primeira chamada e pediu que Celina retornasse para o número público da lavanderia. A ligação de volta veio do contato guardado no telefone de Manaus. Jana registrou o procedimento sem gravar a voz de Celina antes de obter autorização.

— Saia daí.

A rapidez da ordem eliminou qualquer dúvida: Celina conhecia Solariana.

Amália descreveu a ficha da estufa, a linha de cobrança e a solicitação Mairu. Do outro lado, a mãe negou até ouvir o nome de Iracema.

— Não diga esse nome perto de uma Folha de Senha aberta.

Jana fechou a Folha de Senha na caixa de leitura e afastou a Conta-Verde. Nenhum dos objetos seria usado durante o depoimento.

O código MV-8 da fotografia correspondia à drenagem baixa no mapa de manutenção. A rota vinha de registros humanos, não da reação da folha.

— Iracema tirou você de lá?

Celina respirou perto do aparelho.

— Eu era criança. Ela me retirou de uma sala sem janela.

Celina lembrava o ruído de pratos acima do teto, uma faixa molhada em torno do tornozelo e o cheiro de sabão no corredor final. Não lembrava o rosto de Iracema inteiro. Lembrava mãos com cicatrizes e uma voz repetindo que saída não criava dívida.

Amália leu apenas o que anotara. Celina retirou a palavra fuga e escolheu retirada.

A cobrança fora lançada antes de Celina ter idade para aceitar dívida, guarda ou permanência. Iracema protegera a saída e separara seu nome dos registros altos. Parte do arquivo continuara retida na Casa de Baixo.

Gilberto descobrira uma pulseira antiga escondida na caixa de remédios da família. Procurou a margem sem água desenhada no próprio caderno.

— Ele me perguntou por que eu guardava uma pulseira sem usar — disse Celina. — Eu respondi que pertencia a uma infância encerrada. Ele percebeu que eu tinha medo do fecho.

O pai fotografara a peça, copiara o símbolo Mairu e começara a procurar registros de margem. Celina não soube quando a investigação virou entrada em Solariana.

— Ele não desapareceu por acidente — disse Celina. — Entrou por baixo procurando o que ainda tinham guardado de mim.

— O quê?

— Nome, fome, dívida. Eles colocam cada palavra num documento para ninguém perceber que estão registrando o mesmo corpo.

Celina confirmou que a pulseira ainda existia. Prometeu mostrá-la em Manaus e pediu à filha que saísse pela rota baixa de Caetano.

Amália pediu que a mãe não enviasse fotografia pela rede. O editor buscaria uma cópia presencial, com recibo, sem retirar o original da casa.

Amália recusou obedecer sem compreender.

— Eu não fico por destino, herança ou por ele. Fico até reunir prova suficiente para ninguém reduzir sua história a uma reação da minha mão.

Celina demorou a responder.

— Então guarde cópias. Não siga Caetano sem olhar para a Casa dele. Não deixe Valcárcel tocar na folha.

A ligação caiu quando passos Aramã chegaram à lavanderia.

Augusto esperava o filho numa sala atravessada por canais de água e Brincos-de-Água. Ordenou que Amália ficasse fora, que Jana entregasse o aparelho, que Beatriz voltasse à contenção e que as provas fossem recolhidas.

Caetano recusou cada ordem.

— Você coloca uma visitante acima da Casa — disse Augusto.

— Coloco uma lista de crimes acima da conveniência da Casa.

Augusto revelou que o treinamento Aramã podia usar fome, ambiente e proximidade para dirigir o herdeiro. Amália reconheceu o risco sem transformar Caetano em culpado automático ou protetor seguro.

Mara iniciou a leitura dos Brincos antes que Augusto repetisse o comando. Registrou código do anel, variação da água e posição de Caetano. O instrumento media o sinal; a ordem falada e o livro atribuíam ação.

— Quero saber quando uma aproximação é sua escolha e quando é comando — disse ela.

— Eu também.

Turi atravessou a soleira e bloqueou o avanço de Caetano quando Augusto tentou provocar a fome treinada. O companheiro não explicou a cena nem escolheu por ninguém. Interrompeu um corpo sob pressão.

Augusto ordenou a substituição temporária da guarda. Mara Aramã abriu o livro e hesitou antes de registrar. Amália viu Mara marcar na margem o instante em que uma gota caiu do Brinco-de-Água.

— Você guarda pequenos atos — acusou Augusto.

— Guardo aquilo que vocês esperam apagar.

Jana abriu a placa de inspeção indicada no mapa de manutenção. Um medidor sob a mesa armazenava códigos dos anéis e respostas corporais registradas durante as ordens. A Casa não controlava apenas portas e pessoas; arquivava reações produzidas durante o comando.

Caetano ficou para garantir que Mara concluísse o registro. Amália voltou à lavanderia com Jana, Beatriz e cópias separadas.

No bloco, escreveu:

Celina saiu viva. Iracema guardou a passagem. Gilberto entrou por baixo. A pulseira permanece em Manaus. A água Aramã registra comando.

Nenhuma frase dizia que Amália herdara função, vínculo ou direito sobre Solariana.

Amália guardou a gravação autorizada da mãe junto das páginas investigadas pelo pai. Abriu o mapa de manutenção e marcou a rota MV-8.

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