Uma tarde em Cumã Cantos à beira-mar · Capítulo 4 de 55
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Uma tarde em Cumã

Aqui minh’alma

expande-se, e de amor

Eu sinto transportado o

peito meu;

Aqui murmura o vento

apaixonado,

Ali sobre uma rocha o

mar gemeu.

E sobre a branca areia —

mansamente

A onda enfraquecida

exausta morre.

Além, na linha azul dos

horizontes,

Ligeirinho baixel nas

águas corre.

Quanta doce poesia, que

me inspira

O mago encanto destas

praias nuas

Esta brisa, que afaga os

meus cabelos,

Semelha o acento dessas

fases tuas.

Aqui se ameigam de meu

peito as dores

Menos ardente me goteja

o pranto;

Aqui, na lira maviosa e

doce

Minha alma trina

melodioso canto.

A mente vaga em solidões

longínquas,

Pulsa meu peito, e de

paixão se exalta;

Delírio vago, sedutor

quebranto,

Qual belo íris, meu

desejo esmalta.

Vem comigo gozar destas

delicias,

Deste amor, que me

inspira poesia;

Vem provar-me a ternura

de tua alma,

Ao som desta poética

harmonia.

Sentirás ao ruído destas

águas,

Ao doce suspirar da

viração,

Quanto é grato o amor

aqui jurado,

Nas ribas deste mar, — na

solidão.

Vem comigo gozar um só

momento,

Tanta beleza a me

inspirar poesia!

Ah! vem provar-me teu

singelo amor

Ao som das vagas, no

cair do dia.

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