Uns olhos Cantos à beira-mar · Capítulo 54 de 55
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Uns olhos

Vi uns olhos... que

olhos tão belos!

Esses olhos têm certo

volver,

Que me obrigam a

profundo cismar,

Que despertam-me um vago

querer.

Esses olhos me calam na

alma

Viva chama de ardente

paixão:

Esses olhos me geram

alegria,

Me desterram pungente

aflição.

Esses olhos devera eu

ter visto

Há mais tempo — talvez

ao nascer:

Esses olhos me falam de

amores;

Nesses olhos eu quero

viver...

Nesses olhos, eu bebo a

existência,

Nesses olhos de doce

langor;

Nesses olhos, que fazem

solenes,

Meigas juras eternas de

amor.

Esses olhos, que dizem

n’um’hora,

Num momento, num doce

volver,

Tudo aquilo que os

lábios nos dizem,

E que os lábios, não

sabem dizer;

Esses olhos têm mago

condão,

Esses olhos me excitam a

viver;

Só por eles eu amo a

existência,

Só por eles eu quero

morrer.

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