Uns olhos
Vi uns olhos... que
olhos tão belos!
Esses olhos têm certo
volver,
Que me obrigam a
profundo cismar,
Que despertam-me um vago
querer.
Esses olhos me calam na
alma
Viva chama de ardente
paixão:
Esses olhos me geram
alegria,
Me desterram pungente
aflição.
Esses olhos devera eu
ter visto
Há mais tempo — talvez
ao nascer:
Esses olhos me falam de
amores;
Nesses olhos eu quero
viver...
Nesses olhos, eu bebo a
existência,
Nesses olhos de doce
langor;
Nesses olhos, que fazem
solenes,
Meigas juras eternas de
amor.
Esses olhos, que dizem
n’um’hora,
Num momento, num doce
volver,
Tudo aquilo que os
lábios nos dizem,
E que os lábios, não
sabem dizer;
Esses olhos têm mago
condão,
Esses olhos me excitam a
viver;
Só por eles eu amo a
existência,
Só por eles eu quero
morrer.