O proscrito Cantos à beira-mar · Capítulo 34 de 55
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O proscrito

Vou deixar meus pátrios

lares,

Alheio clima habitar.

Ver outros céus, outros

mares,

Noutros campos divagar;

Outras brisas, outros

ares,

Longe dos meus

respirar...

Vou deixar-te, oh!

pátria minha,

Vou longe de ti — viver...

Oh! essa ideia

mesquinha,

Faz meu dorido sofrer;

Pálida, aflita rolinha

De mágoas a estremecer.

Deixar-te, pátria

querida.

É deixar de respirar!

Pálida sombra, sentida

Serei — espectro a

vagar:

Sem tino, sem ar, sem

vida

Por essa terra além-mar.

Quem há de ouvir-me os

gemidos

Que arranca profunda

dor?

Quem há de meus ais

transidos

De virulento amargor,

Escutar — tristes,

sentidos,

Com mágoa, com dissabor?

Ninguém. Um rosto a

sorrir-me

Não hei de aí

encontrar!...

Quando a saudade

afligir-me

Ninguém me irá consolar;

Quando a existência

fugir-me,

Quem me há de prantear?

Quando sozinho estiver

Aí à noite a cismar

De minha terra, sequer

Não há de a brisa

passar,

Que agite todo o meu

ser,

Com seu macio ondular...

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