O proscrito
Vou deixar meus pátrios
lares,
Alheio clima habitar.
Ver outros céus, outros
mares,
Noutros campos divagar;
Outras brisas, outros
ares,
Longe dos meus
respirar...
Vou deixar-te, oh!
pátria minha,
Vou longe de ti — viver...
Oh! essa ideia
mesquinha,
Faz meu dorido sofrer;
Pálida, aflita rolinha
De mágoas a estremecer.
Deixar-te, pátria
querida.
É deixar de respirar!
Pálida sombra, sentida
Serei — espectro a
vagar:
Sem tino, sem ar, sem
vida
Por essa terra além-mar.
Quem há de ouvir-me os
gemidos
Que arranca profunda
dor?
Quem há de meus ais
transidos
De virulento amargor,
Escutar — tristes,
sentidos,
Com mágoa, com dissabor?
Ninguém. Um rosto a
sorrir-me
Não hei de aí
encontrar!...
Quando a saudade
afligir-me
Ninguém me irá consolar;
Quando a existência
fugir-me,
Quem me há de prantear?
Quando sozinho estiver
Aí à noite a cismar
De minha terra, sequer
Não há de a brisa
passar,
Que agite todo o meu
ser,
Com seu macio ondular...