Poesia
Dedicada aos bravos da
Campanha do Paraguai, especialmente ao invicto tenente-coronel Francisco Manoel
da Cunha Junior.
Remonta a antiga era — inda
o Brasil
Não tinha a lusa gente
avassalado,
E já o nosso céu de puro
anil,
Cobria um povo herói, um
povo ousado,
É sempre o mesmo gênio
brasileiro,
Brioso, nobre, ardido, e
guerreiro.
Foi ele quem guiou vossa
bandeira.
Nos combates, nas lidas,
nas vitórias!
Foi quem na luta
ingente, e altaneira.
Doou-vos o troféu de
eternas glórias!
Soldados da moderna
liberdade,
Glória do vosso valor, e
heroicidade!
E vós, que de tal brio
foste herdeiro,
Que da pátria sequer não
desmentiste
A risonha esperança...
vós, guerreiro,
Que impávido ao perigo
resiste,
Que compreendeste assaz
vossa missão,
Recebei, Cunha Junior,
esta ovação!
Se o valor nos combates
te guiava,
Se o pátrio amor te
despertava os brios,
Se a voz da artilharia
te animava,
Sem te empecer o passo esteros, rios;
Deixa que nossos votos
vão provar-te
Da nossa gratidão
mesquinha parte.
Deixa cantar-te, herói
de Aquidabã,
Deixa cantar-te, exímio
maranhense,
Que honraste a terra
antiga de Cumã.
Que honraste o torrão Guimaraense!
Deixa comemorar tuas
façanhas,
Quem ama alto valor,
glórias tamanhas!
Deixa cantar-te, herói
de Tuiuti,
Distinto de Humaitá,
forte em Angustura!
Bravo em Luque, em Sauces, e Avaí,
Onde tantos acharam
sepultura!..
Deixa cantar teus
feitos, oh! guerreiro,
Deixa louvar-te excelso
brasileiro!
Mas consente que junte
no meu canto
Ao teu nome, — dos
mortos a memória,
D’queles
que nos pedem infindo pranto.
Porque a morte os colheu
em afã de glória
Deixa que um ai sentido
de saudade.
Vá quebrar-lhes da
estampa a soledade...
Foram todos heróis — como
vós fostes
Dos louros das batalhas
adornado!
Intrépidos leões do sul,
e norte,
Tinham por timbre
esforço denodado...
A eles — de saudade o
nosso pranto,
E a vós, guerreiro
invicto, — o meu canto.