Poesia
Oferecida ao
tenente-coronel Cunha Júnior pela própria poetisa, no dia em que regressou a
seu lar de volta da Campanha do Paraguai.
Senhor! se a tíbia da
poetisa
Se eleva hoje em fervido
transporte,
A vós o deve — sim,
Se hoje a lira se
ameniza.
A vós, herói soldado!..
a vós o forte
Deve-o ela por fim.
A vós que nunca um dia
esmoreceste,
Face a face a encarnar
perigo ingente
Em inóspito país;
A vós, que os próprios
lares esqueceste,
E dia, e noite vos ocupa
a mente
Ver a pátria feliz!...
A vós, astro sublime, e
desvendado,
Que brilhais sobre nós
puro, radiante,
A vós, nobre guerreiro!
A vós, leão do norte, — a
vós, soldado,
Cuja espada na guerra
flamejante
Foi na guerra um
luzeiro!...
Eu vos saúdo, herói de Tuiuti,
De Humaitá, de Sauces, de Angustura,
Herói de Aquidabã!
Voltais! na fronte o
louro, o amor aqui!
Exulta de prazer, — louva
a bravura
Do teu filho — Cumã!
Perdão, se a tíbia voz
da poetisa,
Fraca, bem fraca agora
se esmorece
Sem poder-vos cantar!
É rude a sua lira, — assim
a brisa
Geme, murmura, passa, e
se esvaece
Em noite de luar.