Queixas Cantos à beira-mar · Capítulo 37 de 55
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Queixas

Esta vida,

Consumida,

E afligida

Como tarda em se

extinguir!

No meu livro do passado,

No presente amargurado,

Só dores tenho a carpir.

Se ensaio um canto,

Me afoga o pranto

A noite enquanto

Velo mesquinha a me

fartar de dores,

Taça pungente de

amargura intensa,

Minha alma sorve na

fatal descrença

De fúlgidos amores.

Fantasia, que afagas os

meus sentidos,

Voz de mistério a

repetir-me — sim.

Depois, ruína, solidão

profunda ...

Esquecimento enfim...

Só se vive, se amor

alenta a alma,

Bafejo santo, emanação

dos céus!

Nos foge a vida, se o

amor nos foge...

Ah! tudo mente... só não

mente Deus.

É tudo abismo! Quem

criou o amor,

Tal poder lhe imprimiu?

Por que tão cruciante

cava a dor,

Angústia a mais acerba,

acre amargor.

No peito que o

fruiu?!...

Vida! Vida pesada,

Angustiada.

Sem esperança, sem

prazer... só dores...

Que me vale o viver?

Nua de crenças — sem

sonhar amores...

Meu Deus! antes morrer.

A morte ao menos, que

tememos tanto

Traz o repouso — o

esquecimento traz!

Dos mortos olhos não se

filtra o pranto,

Por sob a lousa só

domina a paz.

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