Queixas
Esta vida,
Consumida,
E afligida
Como tarda em se
extinguir!
No meu livro do passado,
No presente amargurado,
Só dores tenho a carpir.
Se ensaio um canto,
Me afoga o pranto
A noite enquanto
Velo mesquinha a me
fartar de dores,
Taça pungente de
amargura intensa,
Minha alma sorve na
fatal descrença
De fúlgidos amores.
Fantasia, que afagas os
meus sentidos,
Voz de mistério a
repetir-me — sim.
Depois, ruína, solidão
profunda ...
Esquecimento enfim...
Só se vive, se amor
alenta a alma,
Bafejo santo, emanação
dos céus!
Nos foge a vida, se o
amor nos foge...
Ah! tudo mente... só não
mente Deus.
É tudo abismo! Quem
criou o amor,
Tal poder lhe imprimiu?
Por que tão cruciante
cava a dor,
Angústia a mais acerba,
acre amargor.
No peito que o
fruiu?!...
Vida! Vida pesada,
Angustiada.
Sem esperança, sem
prazer... só dores...
Que me vale o viver?
Nua de crenças — sem
sonhar amores...
Meu Deus! antes morrer.
A morte ao menos, que
tememos tanto
Traz o repouso — o
esquecimento traz!
Dos mortos olhos não se
filtra o pranto,
Por sob a lousa só
domina a paz.