A uma amiga Cantos à beira-mar · Capítulo 55 de 55
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A uma amiga

Eu a vi — gentil mimosa,

Os lábios da cor da

rosa,

A voz um hino de amor!

Eu a vi, lânguida, e

bela;

E ele a rever-se nela:

Ele colibri — ela flor.

Tinha a face reclinada

Sobre a débil mão

nevada;

Era a flor à beira-rio.

A voz meiga, a voz

fluente,

Era um arrulo cadente,

Era um vago murmúrio.

No langor dos olhos dela

Havia expressão tão

bela,

Tão maga, tão sedutora,

Que eu mesmo julguei-a

anjo,

Eloá, fada, arcanjo,

Ou nuvem núncia

d’aurora.

Eu vi — o seio lhe

arfava:

E ela... ela cismava,

Cismava no que lhe

ouvia;

Não sei que frase era

aquela:

Só ele falava a ela,

Só ela a frase entendia.

Eu tive tantos

ciúmes!...

Teria dos próprios

numes,

Se lhe falassem de amor.

Porque, querê-la — só

eu.

Mas ela! — A outro ela

deu

Meigo riso encantador...

Ela esqueceu-se de mim

Por ele... por ele

enfim.

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