O dia de finados Cantos à beira-mar · Capítulo 36 de 55
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O dia de finados

Que dia de saudade! é

tudo luto,

Tudo silêncio... Quem o

usou tanger

Do bronze os fúnebres,

dolorosos sons?

Meus Deus! Como ela cala

no mais imo

Do coração, que sangra,

que goteja

Torrente acerba de

dorido pranto!

Que dia de saudade!... A

natureza

Toda pejada de pesar se

enluta,

Todos os rostos

manifestam mágoa,

Todos os peitos um

tributo rendem...

Que tributo, meu Deus! o

de uma lágrima,

Que resvala na lousa, e

cai sem eco!...

O nada de que Deus

levanta o homem,

A triste campa nos

revela — muda.

E o berço nos encheu de

santo afeto!..

Meus Deus! Que dia de

saudade, e pranto!...

Mais longe o caro irmão —

a doce amante,

O terno amigo — o

protetor querido,

O sábio, o grande, o

bom, — é tudo nada!

Não há prantos então,

não há soluços

Que abrandem tanta

dor... não há suspiros

Que enterneçam as lousas

do sepulcro,

Alheias à aflição,

surdas às dores,

Que o peito nos consome!

Oh!... campa, oh! campa,

Quanta mágoa desperta o

teu silêncio!

Bendito sejas tu, oh!

Deus supremo,

Que nos dás a saudade, o

pranto, as dores,

Tu, que arrancas ao

filho, a mãe querida,

O filho, — esposo, — pai,

— amigo, — amante,

P’ra tão tremendas dores

serenares,

Fazes baixar do teu

empíreo imenso,

Sobre as asas da fé,

bálsamo santo,

Que unge a nossa dor, — e

o pranto estanca.

Bendito sejas tu — bendito

aquele

Que dorme no Senhor seu

sono eterno.

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