O dia de finados
Que dia de saudade! é
tudo luto,
Tudo silêncio... Quem o
usou tanger
Do bronze os fúnebres,
dolorosos sons?
Meus Deus! Como ela cala
no mais imo
Do coração, que sangra,
que goteja
Torrente acerba de
dorido pranto!
Que dia de saudade!... A
natureza
Toda pejada de pesar se
enluta,
Todos os rostos
manifestam mágoa,
Todos os peitos um
tributo rendem...
Que tributo, meu Deus! o
de uma lágrima,
Que resvala na lousa, e
cai sem eco!...
O nada de que Deus
levanta o homem,
A triste campa nos
revela — muda.
E o berço nos encheu de
santo afeto!..
Meus Deus! Que dia de
saudade, e pranto!...
Mais longe o caro irmão —
a doce amante,
O terno amigo — o
protetor querido,
O sábio, o grande, o
bom, — é tudo nada!
Não há prantos então,
não há soluços
Que abrandem tanta
dor... não há suspiros
Que enterneçam as lousas
do sepulcro,
Alheias à aflição,
surdas às dores,
Que o peito nos consome!
Oh!... campa, oh! campa,
Quanta mágoa desperta o
teu silêncio!
Bendito sejas tu, oh!
Deus supremo,
Que nos dás a saudade, o
pranto, as dores,
Tu, que arrancas ao
filho, a mãe querida,
O filho, — esposo, — pai,
— amigo, — amante,
P’ra tão tremendas dores
serenares,
Fazes baixar do teu
empíreo imenso,
Sobre as asas da fé,
bálsamo santo,
Que unge a nossa dor, — e
o pranto estanca.
Bendito sejas tu — bendito
aquele
Que dorme no Senhor seu
sono eterno.