Hosana! Cantos à beira-mar · Capítulo 38 de 55
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Hosana!

Dedicada ao Ilmo. Sr.

Dr. Gama Lobo, distinto literato.

Simpatia e gratidão.

Que diz o infante,

Se o rir d’um instante

Se muda inconstante

N’um brando chorar?

Que diz a donzela.

Que cisma, tão bela!

Que sente? que anela?

No seu meditar?

Que dizem as palmeiras,

Danosas, fagueiras,

Se as brisas ligeiras,

Vão nelas gemer?

Que diz a rolinha,

Que à tarde sozinha

Saudosa definha,

Se o par vê morrer?

Que dizem as flores,

Emblema de amores,

De infindos primores,

De infindo gozar?

D’orvalho candente

A gota nitente,

Que a erva inocente

Vem meigo beijar?

Se brame raivoso

O pélago iroso,

Se geme saudoso

Na praia — o que diz?

Que dizem os cantos

De magos encantos,

Que ensaia sem prantos

Mimosa perdiz?

Que diz a vaidosa

Gentil mariposa,

Que o suco da rosa

Fragrante — libou?

A loura abelhinha,

Que diz quando asinha

Beijando a florzinha,

O mel lhe roubou?

Que diz erma fonte?

Que diz o horizonte?

E o cimo do monte,

Que se ergue altaneiro?

A lua indolente,

Que diz meigamente,

Na face virente

De grato ribeiro?

Que diz todo o mundo

N’um voto profundo

Eterno e jucundo

Tão cheio de amor?

Que diz o universo,

O justo, o perverso,

Em júbilo imerso?

Hosana! Senhor!

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