Um bouquet Cantos à beira-mar · Capítulo 32 de 55
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Um bouquet

Ao aniversário de um

jovem poeta.

Afeto e gratidão.

Quis dar-te hoje — poeta,

Um mimo — não tenho

amores;

Mas no peito ingênuas

flores

Eduquei para te dar:

É hoje o dia faustoso,

Do teu grato

aniversário;

Do meu peito no sacrário

Fui essas flores buscar.

Queria o bouquet tecer

De murta, acácia e

alecrim,

Após a rosa e o jasmim,

Após o cravo, o

martírio;

Vê, se então não era

belo

Juntar-lhe rubra

cravina,

Se a mimosa balsamina

Se intercalasse de

lírio?

Era formoso, bem sei,

Podia assim t’o

oferecer,

Neste dia de prazer,

Dia de infinda alegria;

Mas, ah! de tantas que

havia

Flores mimosas no peito,

Nem sequer o amor

perfeito

Pude encontrar neste

dia...

Não, poeta — achei

ainda,

Vegetando em soledade,

A triste, a roxa

soledade,

Pura, intacta e mimosa,

Inda me resta no peito

Uma flor p’ra te ofer’cer,

Uma flor para tecer,

Palma virente e formosa.

Aceita-a — é quanto me

resta

Das minhas passadas

flores!

Elas têm gratos olores,

Têm mimoso e terno

encanto,

Recebe-a em teu coração

Neste teu festivo dia,

Como nota de harmonia,

Bem repassada de pranto.

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