Um bouquet
Ao aniversário de um
jovem poeta.
Afeto e gratidão.
Quis dar-te hoje — poeta,
Um mimo — não tenho
amores;
Mas no peito ingênuas
flores
Eduquei para te dar:
É hoje o dia faustoso,
Do teu grato
aniversário;
Do meu peito no sacrário
Fui essas flores buscar.
Queria o bouquet tecer
De murta, acácia e
alecrim,
Após a rosa e o jasmim,
Após o cravo, o
martírio;
Vê, se então não era
belo
Juntar-lhe rubra
cravina,
Se a mimosa balsamina
Se intercalasse de
lírio?
Era formoso, bem sei,
Podia assim t’o
oferecer,
Neste dia de prazer,
Dia de infinda alegria;
Mas, ah! de tantas que
havia
Flores mimosas no peito,
Nem sequer o amor
perfeito
Pude encontrar neste
dia...
Não, poeta — achei
ainda,
Vegetando em soledade,
A triste, a roxa
soledade,
Pura, intacta e mimosa,
Inda me resta no peito
Uma flor p’ra te ofer’cer,
Uma flor para tecer,
Palma virente e formosa.
Aceita-a — é quanto me
resta
Das minhas passadas
flores!
Elas têm gratos olores,
Têm mimoso e terno
encanto,
Recebe-a em teu coração
Neste teu festivo dia,
Como nota de harmonia,
Bem repassada de pranto.