Te-Deum
Oferecido ao sonoro e
mavioso poeta
Ilmo. Sr. Dr. Gentil
Homem de Almeida Braga.
Tributo merecido.
Santo! Santo! Senhor,
nós te louvamos,
Porque imenso poder em
ti se encerra!
Tu criaste, Senhor, o
céu e a terra:
Com uma palavra tua luz
cintila!...
Depois, o firmamento
equilibraste,
E o mar lambia manso as
brancas praias,
E o sol rutilando além
das nuvens,
O rio, o peixe, a ave, a
flor, a erva,
Que tudo era criado — o
vento, a brisa
Erguendo a voz n’um
cântico de amores,
Nas harpas d’anjos
exclamaram: — Santo!
E depois, semelhando a
tua imagem,
Do miserando pó ergueste
o homem,
E disseste: levanta-te e
domina,
Esta terra, este mar é
teu império!
E belo foi o homem, que
se erguia,
E mais perfeita a
companheira pura,
Rosada, e bela que lhe
deste, oh! Santo!
Volveram os olhos em
redor do orbe
Imenso, vasto... e
acurvados ambos,
Unidas vozes ao rugir
dos mares,
A voz dos campos, e da
selva inculta
Mas harpas d’anjos
exclamaram: — Santo!..
E das ribeiras
cristalinas águas,
As catadupas, o gemer
das fontes,
A voz dos rios, murmúrio
tênue
De mansa brisa, o
suspirar do vento,
O grato aroma de mimosas
flores,
O verde colo de cavados
vales,
O cume erguido de
soberbos montes,
À face toda do universo
inteiro
Nas harpas d’anjos
exclamaram: — Santo!
Santo! Santo! Santo te louvamos,
Oh! Deus de infinda
glória, eterno amor!
Tu que geras virtude em
nossas almas,
E ao ímpio cede do pesar
a dor.
Tu, que a Gomorra, que a
Sodoma abrasas,
E a Lot
salvas do horroroso incêndio;
Tu, que no Horeb luminosa sarça
Ao temente Moisés súbito
alçaste;
Que o veloz curso das
vermelhas águas,
Com mão potente
dividiste em meio;
Que as mesmas águas desroladas, bravas
Ralhando irosas sobre o
rei maligno,
Que após teu povo
blasfemando vinha
Reunis breve, quanto é
breve o sopro
Da vaga brisa que
sussurra, e morre;
Oh! Tu, Senhor, que a
esse povo ouviste,
E a Moisés, a Arão as
turbas todas
Em profundo adorar um
hino erguer-te,
Um hino sacro... e com
melífluo acento
Nas harpas d’anjos,
exclamarem: — Santo!
Depois, Tu no deserto
deste a fonte,
No deserto maná do céu
filtrado!
As tábuas do Decálogo
sublime
Foi no deserto que
mandaste ao homem!
E os três mancebos da
fornalha ardente;
E os cenobitas, e os
profetas santos,
A doce virgem, o
anacoreta ermo,
As potestades, serafins,
arcanjos
As turbas todas
exclamaram: — Santo!
E minha harpa de festões
ornada,
Que os sons afina pelas
harpas d’anjos
As cordas suas no vibrar
acordes
Em sacros hinos te
proclama — Santo!
Tu, que os homens e
flores criaste,
Sol, e ventos, e o raio,
que aterra,
E os mistérios sublimes
que encerra,
Nossa crença — supremo
Senhor.
Tu, que às plantas
permites a seiva,
E meneios ao verde
palmar;
Que marcaste limites ao
mar,
Vida às selvas, ao dia
frescor.
De minha harpa religiosa
— as vozes
Acordes todas pelas
harpas d’anjos;
Unida a voz dos
serafins, dos santos
E a voz das turbas, te
bendiz, Senhor.
Santo! Santo! Senhor!
Deus dos exércitos,
Estão cheios de graça a
terra, os céus!
E toda a criação
exclama: — Santo!
Hosana! Hosana!
Onipotente Deus!