Te-Deum Cantos à beira-mar · Capítulo 28 de 55
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Te-Deum

Oferecido ao sonoro e

mavioso poeta

Ilmo. Sr. Dr. Gentil

Homem de Almeida Braga.

Tributo merecido.

Santo! Santo! Senhor,

nós te louvamos,

Porque imenso poder em

ti se encerra!

Tu criaste, Senhor, o

céu e a terra:

Com uma palavra tua luz

cintila!...

Depois, o firmamento

equilibraste,

E o mar lambia manso as

brancas praias,

E o sol rutilando além

das nuvens,

O rio, o peixe, a ave, a

flor, a erva,

Que tudo era criado — o

vento, a brisa

Erguendo a voz n’um

cântico de amores,

Nas harpas d’anjos

exclamaram: — Santo!

E depois, semelhando a

tua imagem,

Do miserando pó ergueste

o homem,

E disseste: levanta-te e

domina,

Esta terra, este mar é

teu império!

E belo foi o homem, que

se erguia,

E mais perfeita a

companheira pura,

Rosada, e bela que lhe

deste, oh! Santo!

Volveram os olhos em

redor do orbe

Imenso, vasto... e

acurvados ambos,

Unidas vozes ao rugir

dos mares,

A voz dos campos, e da

selva inculta

Mas harpas d’anjos

exclamaram: — Santo!..

E das ribeiras

cristalinas águas,

As catadupas, o gemer

das fontes,

A voz dos rios, murmúrio

tênue

De mansa brisa, o

suspirar do vento,

O grato aroma de mimosas

flores,

O verde colo de cavados

vales,

O cume erguido de

soberbos montes,

À face toda do universo

inteiro

Nas harpas d’anjos

exclamaram: — Santo!

Santo! Santo! Santo te louvamos,

Oh! Deus de infinda

glória, eterno amor!

Tu que geras virtude em

nossas almas,

E ao ímpio cede do pesar

a dor.

Tu, que a Gomorra, que a

Sodoma abrasas,

E a Lot

salvas do horroroso incêndio;

Tu, que no Horeb luminosa sarça

Ao temente Moisés súbito

alçaste;

Que o veloz curso das

vermelhas águas,

Com mão potente

dividiste em meio;

Que as mesmas águas desroladas, bravas

Ralhando irosas sobre o

rei maligno,

Que após teu povo

blasfemando vinha

Reunis breve, quanto é

breve o sopro

Da vaga brisa que

sussurra, e morre;

Oh! Tu, Senhor, que a

esse povo ouviste,

E a Moisés, a Arão as

turbas todas

Em profundo adorar um

hino erguer-te,

Um hino sacro... e com

melífluo acento

Nas harpas d’anjos,

exclamarem: — Santo!

Depois, Tu no deserto

deste a fonte,

No deserto maná do céu

filtrado!

As tábuas do Decálogo

sublime

Foi no deserto que

mandaste ao homem!

E os três mancebos da

fornalha ardente;

E os cenobitas, e os

profetas santos,

A doce virgem, o

anacoreta ermo,

As potestades, serafins,

arcanjos

As turbas todas

exclamaram: — Santo!

E minha harpa de festões

ornada,

Que os sons afina pelas

harpas d’anjos

As cordas suas no vibrar

acordes

Em sacros hinos te

proclama — Santo!

Tu, que os homens e

flores criaste,

Sol, e ventos, e o raio,

que aterra,

E os mistérios sublimes

que encerra,

Nossa crença — supremo

Senhor.

Tu, que às plantas

permites a seiva,

E meneios ao verde

palmar;

Que marcaste limites ao

mar,

Vida às selvas, ao dia

frescor.

De minha harpa religiosa

— as vozes

Acordes todas pelas

harpas d’anjos;

Unida a voz dos

serafins, dos santos

E a voz das turbas, te

bendiz, Senhor.

Santo! Santo! Senhor!

Deus dos exércitos,

Estão cheios de graça a

terra, os céus!

E toda a criação

exclama: — Santo!

Hosana! Hosana!

Onipotente Deus!

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