No álbum de uma amiga Cantos à beira-mar · Capítulo 17 de 55
Obra Menu

No álbum de uma amiga

D’amiga existência tão

triste, e cansada,

De dor tão eivada, não

queiras provar;

Se a custo sorriso

desliza aparente

Que mágoas não sente,

que busca ocultar!?...

Os crus dissabores que

eu sofro são tantos

São tantos os prantos,

que vivo a chorar,

É tanta a agonia, tão

lenta e sentida,

Que rouba-me a vida sem

nunca acabar.

D’amiga a existência

Não queiras provar,

Há nela tais dores,

Que podem matar.

O pranto é ventura,

Que almejo gozar;

A dor é tão funda,

Que estanca o chorar.

Se intento um sorriso,

Que duro penar!

Que chagas não sinto

No peito sangrar!...

Não queiras a vida

Que eu sofro — levar,

Resume tais dores

Que podem matar.

E eu as sofro todas, e

nem sei

Como posso existir!

Vaga sombra entre os

vivos, — mal podendo

Meus pesares sentir.

Talvez assim Deus queira

o meu viver

Tão cheio de amargura,

P’ra que não ame a vida

e não me aterre.

1/1
Menu

Fazer anotação