Melancolia
Oh! se eu morresse no
calor da tarde,
Da tarde amena... quando
a lua vem
Chovendo prata sobre
lisos mares,
Trajando as vestes que a
pureza tem.
Então, talvez, eu
merecesse afetos
Desses que apenas
alcancei sonhando:
Talvez um pranto bem
sentido, e triste
Meu frio rosto rociasse —
brando.
Sim, poetisa — mais te
vale a morte
Na flor da vida — a
sepultura, os céus...
Porque na terra teu
sofrer, tuas mágoas,
Martírios, dores só
compreende — Deus.
Oh! venha a morte no
cair da tarde
Roubar-me a vida, que a ninguém
comove;
Venha impassível... me
penetre o seio,
A crua fouce que sua
destra move.
E o sepulcro! Tão
gelado, e mudo,
Eu o saúdo! companheiro
nu!
Oh! sim, sepulcro, te
darei meus cantos,
Se terno afeto me
dispensas tu.
Na vida é estéril meu
amargo canto;
Um peito humano a me
escutar não vem,
Me apraz a campa, que em
silêncio eterno,
Bebe esses prantos, que
a alvorada tem.
Inda me resta o correr
da vida
Essa esperança de
morrer... é só
A que me alenta, que me
guia os passos,
Té que meu corpo se desfaça em pó.