Melancolia Cantos à beira-mar · Capítulo 16 de 55
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Melancolia

Oh! se eu morresse no

calor da tarde,

Da tarde amena... quando

a lua vem

Chovendo prata sobre

lisos mares,

Trajando as vestes que a

pureza tem.

Então, talvez, eu

merecesse afetos

Desses que apenas

alcancei sonhando:

Talvez um pranto bem

sentido, e triste

Meu frio rosto rociasse —

brando.

Sim, poetisa — mais te

vale a morte

Na flor da vida — a

sepultura, os céus...

Porque na terra teu

sofrer, tuas mágoas,

Martírios, dores só

compreende — Deus.

Oh! venha a morte no

cair da tarde

Roubar-me a vida, que a ninguém

comove;

Venha impassível... me

penetre o seio,

A crua fouce que sua

destra move.

E o sepulcro! Tão

gelado, e mudo,

Eu o saúdo! companheiro

nu!

Oh! sim, sepulcro, te

darei meus cantos,

Se terno afeto me

dispensas tu.

Na vida é estéril meu

amargo canto;

Um peito humano a me

escutar não vem,

Me apraz a campa, que em

silêncio eterno,

Bebe esses prantos, que

a alvorada tem.

Inda me resta o correr

da vida

Essa esperança de

morrer... é só

A que me alenta, que me

guia os passos,

Té que meu corpo se desfaça em pó.

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