Não, oh! Não Cantos à beira-mar · Capítulo 33 de 55
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Não, oh! Não

Por que dizes que

murcharam

Meigas flores de tu’alma?

Crestou-as acaso a

calma,

Desse teu tão santo

amor?

Quanto te iludes — o

afeto

Casto, singelo,

inocente,

Não cresta d’alma, que o

sente

Se um dia as auras

macias,

A doce, nevada flor.

Se um dia as auras

macias,

Perfume meigo de amores,

Bafejarem as ternas

flores

De tua alma — esse amor,

Esse sentir ignoto,

Afeto jamais sabido,

Pelo objeto querido,

Não pôde crestar-te a

flor.

Tu te iludes — estão

intactas

As flores d’alma — não

sentes?

Embora negues — tu

mentes;

Só se extinguiu teu

amor.

Te iludiste — eu o

repito,

As flores inda são

virgens;

Malgrado essas

vertigens,

Revoos de beija-flor.

Nessas flores há

perfumes,

Que embriagam o coração;

Nessa essência há diva

unção.

Mistérios da mão de

Deus;

Vê, se as queres

murchas, tristes,

Se queres mortas as

flores,

Que são perfumes de

amores,

Essência pura dos céus.

Se elas murcham em tu’alma,

Devias — secas, sem cor,

Como uma prenda de amor,

A quem t’as deu ofertar?

Não, as flores murcharam

Murchou a tua afeição;

Não me ilude o coração,

Podes acaso negar?

Mal sabes como em

delírio

Eu amaria essas flores,

Recolhendo seus olores,

Neste triste peito

meu...

Mas, não murchas, não

sem vida,

Sem expressão, sem odor,

Sem um bafejo de amor.

Sem os orvalhos do céu.

Se fui eu quem na tu’alma

Desvelada as eduquei:

Se vida, se amor lhes

dei,

Como dizes: — Ah! Eu

devo,

Em troca de afetos

tantos

Recebê-las já sem

vida...

Uma palma emurchecida,

Sem olor, sem grato

elevo?

Não, oh! não, — mil

vezes não,

Não dês amores partidos,

Não dês afetos mentidos,

A quem sincero t’os deu.

E se mais te apraz, à

outra;

Faz delas mimo de amor;

Brotarão mais doce olor,

Sobre o níveo colo seu.

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