À recepção dos voluntários de Guimarães Cantos à beira-mar · Capítulo 25 de 55
Obra Menu

À recepção dos voluntários de Guimarães

Eis vossos filhos,

Guimarães, — saudai-os!

Saudai os bravos que a

mãe-pátria honraram!

Saudai os restos da

corte heroica,

Chorai aqueles que por

lá ficaram!

Um dia um anjo de

sinistro aspecto

De fumo as asas adejou

na terra;

E na trombeta, que soou

tremenda,

Do sul ao norte repetia:

— guerra!

Então teus filhos,

Guimarães heroico,

Teus filhos cheios de

imortal valor,

Por Deus juraram repelir

a afronta,

Por Deus, — por ti, — com

denodado ardor.

Vede-os! são estes que

em mavórcia lide

Arcaram forte com o

poder da sorte;

Que importa o raio, que

sibila?... avante!

Que o bravo afronta, mas

não teme a morte.

Saudai-vos, grato

Guimarães — saudai-os!

Saudai os filhos que a

mãe-pátria honraram!

Saudai os restos da

corte ingente,

Honrai com prantos os

que lá ficaram...

Um anjo pálido de

choroso aspecto

Vela essas campas, que

não têm cruzeiros!

Mas que os vindouros

lembrará com glória

Nomes eternos de

imortais guerreiros!...

Raream as filas... mas cerradas ei-las,

Embora junquem mortos

mil o chão!

Que importa ao bravo

maranhense nobre,

Se a morte parte do

infernal canhão?!!...

Que heróis! saudai-os,

Guimarães, saudai-os!

Saudai os filhos que a

mãe-pátria honraram!

Saudai os restos da

imortal corte,

Chorai os bravos que por

lá ficaram!!..

Sempre a bandeira a

tremular briosa,

Sempre no peito a

renovar-se o ardor,

Que pela pátria

sacrificam tudo,

Sossego, vida,

felicidade, e amor.

Depois, nos campos da

mavórcia lide

Soou o brado de imortal

vitória!

Foi dura a luta; — mas

caiu o monstro!

Coroou-te a fronte

imorredoura glória!

E veio um anjo de

risonho aspecto,

Cândidas roupas, no

semblante a paz,

Ornar dos bravos as

altivas frontes,

C’os verdes louros, que na dextra traz.

1/1
Menu

Fazer anotação