À recepção dos voluntários de Guimarães
Eis vossos filhos,
Guimarães, — saudai-os!
Saudai os bravos que a
mãe-pátria honraram!
Saudai os restos da
corte heroica,
Chorai aqueles que por
lá ficaram!
Um dia um anjo de
sinistro aspecto
De fumo as asas adejou
na terra;
E na trombeta, que soou
tremenda,
Do sul ao norte repetia:
— guerra!
Então teus filhos,
Guimarães heroico,
Teus filhos cheios de
imortal valor,
Por Deus juraram repelir
a afronta,
Por Deus, — por ti, — com
denodado ardor.
Vede-os! são estes que
em mavórcia lide
Arcaram forte com o
poder da sorte;
Que importa o raio, que
sibila?... avante!
Que o bravo afronta, mas
não teme a morte.
Saudai-vos, grato
Guimarães — saudai-os!
Saudai os filhos que a
mãe-pátria honraram!
Saudai os restos da
corte ingente,
Honrai com prantos os
que lá ficaram...
Um anjo pálido de
choroso aspecto
Vela essas campas, que
não têm cruzeiros!
Mas que os vindouros
lembrará com glória
Nomes eternos de
imortais guerreiros!...
Raream as filas... mas cerradas ei-las,
Embora junquem mortos
mil o chão!
Que importa ao bravo
maranhense nobre,
Se a morte parte do
infernal canhão?!!...
Que heróis! saudai-os,
Guimarães, saudai-os!
Saudai os filhos que a
mãe-pátria honraram!
Saudai os restos da
imortal corte,
Chorai os bravos que por
lá ficaram!!..
Sempre a bandeira a
tremular briosa,
Sempre no peito a
renovar-se o ardor,
Que pela pátria
sacrificam tudo,
Sossego, vida,
felicidade, e amor.
Depois, nos campos da
mavórcia lide
Soou o brado de imortal
vitória!
Foi dura a luta; — mas
caiu o monstro!
Coroou-te a fronte
imorredoura glória!
E veio um anjo de
risonho aspecto,
Cândidas roupas, no
semblante a paz,
Ornar dos bravos as
altivas frontes,
C’os verdes louros, que na dextra traz.