Cismar Cantos à beira-mar · Capítulo 42 de 55
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Cismar

À minha querida prima — Balduina N.B.

Quando meus olhos lanço

sobre o mar

Augusto — o seu império

contemplando;

Quer tranquilo murmure —

ou rebramando,

Expande-se meu peito

extasiado.

Corre minh’alma pelo céu

vagando

Sobre seres criados — Deus

buscando...

E fundo, e deleitoso é

meu cismar.

Se ronca a tempestade

enegrecida,

Pavoroso trovão rouqueja

incerto:

As nuvens se

constrangem, o céu aberto

Elétrico clarão vomita

escuro:

Ao Deus da criação, ao

rei da vida

Elevo o pensamento, e o

coração...

Cresce, avulta, e

aumenta a cerração

E em meu vago cismar só

Deus procuro;

Se plácida no céu

correndo vejo

— A lua — o mar, as

serras prateando,

Qual áureo diadema

cintilando

Em casta fronte de

pudica virgem,

Em meu grato cismar só

Deus almejo...

Bendiz minh’alma seu

poder imenso!

Bendiz o Criador do Orbe

extenso,

Que os outros rege — que

seu trono cingem.

E bendigo depois a minha

dor,

Meu duro sofrimento, — o

meu viver...

Porque pode apagar,

fundo sofrer

As feias culpas do

existir da terra.

Oh! sim minh’alma te

bendiz Senhor.

Quando cismando se

recolhe triste...

Bendiz o eterno amor,

que em ti existe,

O imenso poder que em ti

se encerra!!..

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