Não quero amar mais ninguém Cantos à beira-mar · Capítulo 48 de 55
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Não quero amar mais ninguém

Quereis que eu cante na

lira

Os meus amores? Pois

bem;

Os meus amores são

sonhos,

Eu nunca amei a ninguém.

Temi que, amando na

terra,

De amor me viesse algum

mal.

Criei no céu meus

amores,

Amei ao meu ideal.

Oh! nem sabeis quanto é

belo

Um ideal de mulher!

É belo como arcanjos,

Aos pés do Supremo Ser.

É grato, belo, é

deleite,

Encanta, enleia, seduz,

Como nas trevas da noite

Se brilha ao longe uma

luz.

Fala... sua voz é

saltério;

São gratos hinos a Deus;

São acentos mist’riosos;

Que sobem puros aos

céus.

Se nos sorri, — seu

sorriso,

São ternos votos de

amor;

São como gota de orvalho

De leve beijando a flor.

P’ra que amores na

terra,

Se amo ao meu ideal?

Amores que cavam

prantos,

Amores que fazem mal!...

E teço-lhe grinalda de

poesia,

Singela, e odorosa;

E dos anjos escuto a

melodia

A voz harmoniosa.

E um doce ambiente se

respira,

E mais doce langor;

Expande-se meu peito — a

alma suspira

Ofegante de amor.

E a música celeste

recomeça

Ao som de nosso amor:

Mistério! A lua é pura...

a flor começa

A vestir-se de odor.

É tudo belo... toda a

relva é flor,

Todo o ar poesia!

O prazer é do céu ... aí

o amor

É hino de harmonia.

Que importa que sejam

sonhos

Os meus amores? Pois

bem,

Eu quero amores

sonhando,

Não quero amar mais

ninguém.

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