Por ocasião da passagem de Humaitá Cantos à beira-mar · Capítulo 14 de 55
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Por ocasião da passagem de Humaitá

Dedicada ao ilustre

literato maranhense o Sr. Dr. João Clímaco Lobato.

Sincera gratidão.

Oh! Brasil, eu te saúdo,

Vasto império do

cruzeiro!

És na América o

primeiro,

És minha pátria gentil,

O grande, o nobre tu és.

A pátria de heroica

gente,

Que seus avós não

desmente,

Sequer na vida uma vez!

Glória a ti!... que os

bravos filhos

Bem te vingam denodados

A teu brado alevantados,

Foi qual pó que o vento

ergueu!

E das balas se sorrindo

Passam Mercede, e Cuevas!

Legando seu nome aos

evos;

A ti, de glória, — um

troféu.

É que da armada ao

exercício,

Do general ao soldado.

Só se escuta o mesmo

brado;

Eia! Vencer ou morrer!

Então pulsam destemidos

Os peitos de infindos

bravos,

Vão remir milhões de

escravos,

Indo a pátria defender.

Avultam Mariz e Barros.

Afonso, Marcilio Dias.

Mil outros que em nossos

dias

Douram as páginas da

história!

E caem co’a fronte

exausta;

Mas que importa? Seu

nome,

Ganha o Brasil um renome

É padrão de eterna

glória!

Avante! avante — lá

ficam

Destroços, ruína...

embora!

Humaitá, eis soa a hora,

Da ruína tua final!

Já sob tuas muralhas,

Por sob balas, clamores,

Passam galhardos

vapores,

Como brisa em fundo val.

Chove a metralha à

porfia

Sobre a armada

brasileira;

Mas a auriverde bandeira

Não se curva altiva

está!

Qu’importa que o inimigo ocupe,

Superior posição?

Não teme a armada o

canhão

Da misérrima Humaitá.

Viste o bravo Mauriti,

Honra, e glória do

Brasil!

A arrostar metralha a

mil.

Sempre tranquilo a

passar?

Era o gênio das

batalhas,

Aquele jovem guerreiro!

Nelson, eis um

brasileiro,

Que vem teu nome

ofuscar,

Era belo vê-lo assim

Alheio a todo o vapor

Desse hediondo fragor,

Que nele é glória

afrontar:

Era vê-lo corajoso,

Sob as imigas muralhas,

Qual semideus das

batalhas,

A passar e repassar!

Oh! Brasil, eu te saúdo,

Vasto império do

Cruzeiro!

És na América um

luzeiro,

Eu te saúdo, oh Brasil!

Prossegue em tua

carreira,

Vinga teu brio ofendido,

E do monstro envilecido

Curva a fronte negra, e

vil.

Dize a essa antiga Roma

Que não lhe invejas os

brilhos;

Sim, que tens heróis por

filhos,

Por divisa — Liberdade!

Que esmagar sabes um

déspota,

Sabes vergar um tirano,

Que no solo americano,

Ostenta ferocidade.

Mas, que levas generoso,

Depois da guerra — o

perdão!

Que vais quebrar o

grilhão

Desses míseros escravos!

Que vais levar-lhes — bondoso

Paz, amor, fraternidade,

Instrução, lei,

liberdade,

Fazê-los povo de bravos.

Vai desmentir esses ecos

Da soberba Inglaterra,

Que te faz mesquinha

guerra,

Que te diz — conquistador!

Vai mostrar à Europa

inteira,

Que no solo americano

Não se consente um

tirano,

Não se sofre um ditador.

Dize que os povos

escravos

Vais levar com lealdade

Não ferros, mas

liberdade,

Progresso — não

opressão.

Vai quebrar as vis

cadeias,

As algemas de seus

pulsos,

De amor em doces

impulsos,

Vais dizer-lhe: És meu

irmão!

Avante! Eu te saúdo,

Vasto império do

Cruzeiro,

Que à voz de Pedro

Primeiro

Despertaste assim

gentil!

Oh! minha pátria

gigante,

Esmaga o fero Solano,

Mostra ao povo americano

Quanto és nobre, oh! meu

Brasil!

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