Nas praias do Cumã Cantos à beira-mar · Capítulo 46 de 55
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Nas praias do Cumã

Solidão

Aqui na solidão

minh’alma dorme;

Que letargo profundo!...

Se no leito,

As horas mortas me

revolvo em dores,

Nem ela acorda, nem me

alenta o peito.

No matutino albor a

nívea garça

Lá vai tão branca

doudejando errante;

E o vento geme

merencório — além

Como chorosa, abandonada

amante.

E lá se arqueia em

ondulação fagueira

O brando leque do gentil

palmar;

E lá nas ribas

pedregosas, ermas,

De noite — a onda vem de

dor chorar.

Mas, eu não choro, lhe

escutando o choro;

Nem sinto a brisa, que

na praia corre:

Neste marasmo, neste

lento sono,

Não tenho pena; — mas,

meu peito morre.

Que displicência! não

desperta um’hora!

Já não tem sonhos, nem

já sofre dor...

Quem poderia despertá-lo

agora?

Somente um ai que

revelasse — amor.

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