Meus amores
Meus amores são da terra
Mas parecem lá do céu;
São como a estrelinha
d’alva,
São como a lua sem véu.
São um feitiço, um
encanto,
Uma longínqua harmonia,
Sorriso por entre
prantos,
Choro de infinda
alegria.
Flor rorejada de
orvalho,
Beijada do sol nascente,
Expressão tímida e pura
De doce amor inocente.
Meu amor é flor singela,
Enlevo do coração;
Tímido como a gazela,
Ardente como um vulcão.
Veste-o o candor da
pureza,
De lindas, mimosas
flores;
Quem gozou jamais na
vida,
Tão ledas mimos de
amores?
Eu tenho amores na
terra,
Que semelham o amor do
céu;
Guardei-os zelosa
n’alma,
Cobri-os com um denso
véu.
Porque este amor é tão
belo,
Que não conheço outro
igual;
A todos, todos oculto
Receando uma rival.
Só a minh’alma o confio,
Qual confio minhas
dores;
É ela o templo, o
sacrário,
De meus eternos amores.