Confissão Cantos à beira-mar · Capítulo 23 de 55
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Confissão

Embalde, te juro,

quisera fugir-te,

Negar-te os extremos de

ardente paixão;

Embalde, quisera

dizer-te: — não sinto

Prender-me à existência

profunda afeição.

Embalde! é loucura. Se

penso um momento,

Se juro ofendida meus

ferros quebrar;

Rebelde meu peito, mais

ama querer-te,

Meu peito mais ama de

amor delirar.

E as longas vigílias, — e

os negros fantasmas,

Que os sonhos povoam, se

intento dormir,

Se ameigam aos encantos,

que tu me despertas,

Se posso a teu lado

venturas fruir.

E as dores no peito

dormentes se acalmam.

E eu julgo teu riso

credor de um favor;

E eu sinto minh’alma de

novo exaltar-se,

Rendida aos sublimes

mistérios de amor.

Não digas,

é crime — que amar-te não sei,

Que fria te nego meus

doces extremos...

Eu amo adorar-te melhor

do que a vida,

Melhor que a existência

que tanto queremos.

Deixara eu de amar-te,

quisera um momento,

Que a vida eu deixara

também de gozar!

Delírio, ou loucura — sou

cega em querer-te,

Sou louca... perdida, só

sei te adorar.

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