Confissão
Embalde, te juro,
quisera fugir-te,
Negar-te os extremos de
ardente paixão;
Embalde, quisera
dizer-te: — não sinto
Prender-me à existência
profunda afeição.
Embalde! é loucura. Se
penso um momento,
Se juro ofendida meus
ferros quebrar;
Rebelde meu peito, mais
ama querer-te,
Meu peito mais ama de
amor delirar.
E as longas vigílias, — e
os negros fantasmas,
Que os sonhos povoam, se
intento dormir,
Se ameigam aos encantos,
que tu me despertas,
Se posso a teu lado
venturas fruir.
E as dores no peito
dormentes se acalmam.
E eu julgo teu riso
credor de um favor;
E eu sinto minh’alma de
novo exaltar-se,
Rendida aos sublimes
mistérios de amor.
Não digas,
é crime — que amar-te não sei,
Que fria te nego meus
doces extremos...
Eu amo adorar-te melhor
do que a vida,
Melhor que a existência
que tanto queremos.
Deixara eu de amar-te,
quisera um momento,
Que a vida eu deixara
também de gozar!
Delírio, ou loucura — sou
cega em querer-te,
Sou louca... perdida, só
sei te adorar.