Canto Cantos à beira-mar · Capítulo 39 de 55
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Canto

Ao feliz aniversário do

nosso prezado amigo — o jovem poeta — o Sr. Raimundo Marcos Cordeiro.

É certo — não prorrompem

neste dia

Os ecos do canhão, — lembrando

as gentes,

Lembrando ao cortesão

O solene cortejo...

áureo diadema.

A fronte não te adorna, —

a vil lisonja

Não oscula tua mão.

Mas, tens melhor do que

isso: — por um beijo

De baixo servilismo, eis

dos irmãos

A mais santa afeição,

Extremos de uma mãe

afetuosa,

A lira engrinaldada

d’uma amiga;

Não baixa adulação.

Embora minha voz d’um

polo a outro

— Como o vento, que

impera no deserto –

A povos desse a lei:

Negara-te jogar sob um docel;

Quisera-te cantor, — não

Júlio César:

Ser poeta, é ser rei.

Poeta, não tenho lira

De marfim, de prata, ou

d’ouro;

Mas tenho grato tesouro,

Gravado no coração;

Um tesouro inesgotável

Por nada, — vês — trocaria,

São flores de poesia,

São trenos de uma

afeição.

São transportes

d’amizade,

Eflúvios da meiga flor.

D’aurora lúcido albor.

D’orvalho gota nitente,

São meiguices d’algum

canto

Por entre dor soluçado.

É voto puro, e sagrado

Que traduz sentir

veemente.

São beijos de duas

rolas,

São hinos da solidão,

Do crepúsculo a viração,

Do céu o amplo sudário;

Tudo hei guardado — poeta,

No imo do coração,

Para dar-te em ovação

No teu fausto aniversário.

Não dou-te c’roa de ouro,

Dou-te c’roa de poesia...

Por teu matiz neste dia

Aceita meu pobre canto.

É singelo, mas exala

Perfumes do coração:

São mimos de uma canção,

São notas de dúlio encanto.

Inspirou-o doce enleio

D’uma amizade constante;

Mais estreita a cada

instante,

Mais formosa em cada

dia!

Recebe a pobre canção,

Como um brinde ao teu

natal;

Meiga c’roa festival

Ornada de poesia.

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