À minha carinhosa amiga a
Exma. Sra. D. Ignez Estelina
Cordeiro
Eras no baile de diana a imagem;
Leda miragem, suspirosa
virgem!
Quem te não crera no
arfar do peito
Anjo sujeito a divinal
vertigem!
Um quê havia no sorrir
de arcanjo;
Roupagem de anjo, — revoar
aos céus;
Um quê de enlevos, que
nem tu, — donzela,
Cismavas bela, — nos
cismares teus.
Não foi delírio de uma
alma ardente,
Que às vezes mente por
fatal loucura;
Não — eu sentia de te
ver, — vaidade,
Mulher deidade! — a
traduzir candura!
Acaso pode o ideal mais
belo,
Que em doce anelo
imaginou poeta,
Acaso pode marear teu
brilho?
Não: Não tens brilho. Te
elevaste à meta;
Deixa beijar o teu
sorrir de arcanjo,
Visão, — ou anjo a
divagar na terra;
E a voz melíflua,
divinal, fluente
Nota cadente, que nos
ares erra.
Assim eu amo o soluçar
da vaga,
Na praia maga — como
ver-te amei,
Cheia de encanto — a
revelar mistério,
Como o saltério do poeta
rei.