À minha carinhosa amiga a Cantos à beira-mar · Capítulo 6 de 55
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À minha carinhosa amiga a

Exma. Sra. D. Ignez Estelina

Cordeiro

Eras no baile de diana a imagem;

Leda miragem, suspirosa

virgem!

Quem te não crera no

arfar do peito

Anjo sujeito a divinal

vertigem!

Um quê havia no sorrir

de arcanjo;

Roupagem de anjo, — revoar

aos céus;

Um quê de enlevos, que

nem tu, — donzela,

Cismavas bela, — nos

cismares teus.

Não foi delírio de uma

alma ardente,

Que às vezes mente por

fatal loucura;

Não — eu sentia de te

ver, — vaidade,

Mulher deidade! — a

traduzir candura!

Acaso pode o ideal mais

belo,

Que em doce anelo

imaginou poeta,

Acaso pode marear teu

brilho?

Não: Não tens brilho. Te

elevaste à meta;

Deixa beijar o teu

sorrir de arcanjo,

Visão, — ou anjo a

divagar na terra;

E a voz melíflua,

divinal, fluente

Nota cadente, que nos

ares erra.

Assim eu amo o soluçar

da vaga,

Na praia maga — como

ver-te amei,

Cheia de encanto — a

revelar mistério,

Como o saltério do poeta

rei.

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